DÖRDÜNCÜ BÖLÜM NEOKOROS TAPINAKLAR
4.2. SMYRNA ZEUS AKRAİOS HADRİANUS TAPINAĞ
No início da pesquisa cogitou-se que havia poucos autores e, evidentemente, poucas obras e artigos que discutissem a noção de desenvolvimento. Essa certeza durou pouco, ao longo da pesquisa bibliográfica percebeu-se que havia um engano, uma vez que foram encontradas muitas discussões envolvendo o desenvolvimento. Desde o início da segunda
11 Essa regularização que diz respeito aos direitos trabalhistas não se estende às contratações de serviços de
metade do século XX até esse início de século XXI encontrou-se diversas obras em que se discute o desenvolvimento diretamente ou em que há utilização de uma forte ideologia do desenvolvimento.
No entanto, devido a essa ampla utilização do termo desenvolvimento em um número muito expressivo de trabalhos a noção desenvolvimento tornou-se ao longo do tempo polimorfa, isto é, se desde seus primeiros usos já não era. Para Esteva (2000), o uso da noção já não mais contribui para a compreensão de um texto ou de um discurso, uma vez que tal noção possui um número tão elevado de significados que não mais serve como noção explicativa de uma argumentação. Talvez, Esteva (2000) não esteja inteiramente errado, pois não é difícil encontrar o desenvolvimento sendo usado por biólogos para explicar os processos de crescimento de uma planta, ou por políticos que afirmam que o aumento do PIB de um município ou estado se traduz em desenvolvimento.
Considera-se a postura de Esteva (2000) muito radical, uma vez que se considerar as mesmas restrições colocadas por ele sobre a noção de desenvolvimento, para outras noções como a de meio ambiente, a de Estado, logo se perceberá que também carregam diversos significados. Desse modo, apesar de já se ter afirmado em outro item desse capítulo que o uso de uma noção polissêmica não necessariamente comprometerá a compreensão de um texto, pois depende da capacidade do autor em expor qual significado ele atribui à noção desenvolvimento se usada com associação a outra palavra pode ser mais rapidamente compreendida em um texto ou discurso, por exemplo, desenvolvimento social, desenvolvimento sustentável, desenvolvimento endógeno, desenvolvimento econômico.
Diversos equívocos e discussões poderiam ser evitados se essa prática de associar o desenvolvimento a outra palavra fosse feita. Por exemplo, se utilizar eixos de desenvolvimento econômico ao invés de apenas eixos de desenvolvimento é possível que o leitor já estabeleça a relação de que o desenvolvimento relaciona-se com aspectos mais econômicos. Em outro exemplo se se utiliza a expressão desenvolvimento social para expressar as transformações mais diretas nas condições de vida de uma população, o leitor dificilmente confundirá o sentido que a noção desenvolvimento carrega na expressão.
Outra maneira de se compreender com mais clareza a noção de desenvolvimento é a consulta a um dicionário. Assim, de acordo com o dicionário Aurélio (2004), o desenvolvimento significa, “ato ou efeito de desenvolver(-se); desenvolução”. A acepção do dicionário passa a idéia de algo que está envolvido e que esse envolvimento o impede de crescer e de se disseminar. No caso dos eixos de desenvolvimento econômico, a palavra desenvolvimento vem reforçar o fato de haver a presença de infra-estruturas, nas relações entre os setores produtivos localizados, e de certas características presentes nas cidades de
porte médio dos eixos, que estabelecem um ambiente mais propício ao funcionamento das atividades produtivas capitalistas. E assim, diferenciando os eixos de outras áreas, tornando- os assim mais aptos a ser lócus de diversos segmentos da cadeia produtiva.
Bresser-Pereira (2003) tem uma compreensão diferente dessa que se apresentou, segundo o autor,
Não tem sentido falar-se em desenvolvimento apenas econômico, ou apenas político, ou apenas social. Não existe desenvolvimento dessa natureza, parcelado, setorizado, a não ser para fins de exposição didática. Se o desenvolvimento econômico não trouxer consigo modificações de caráter social e político; se o desenvolvimento social e político não for a um tempo o resultado e a causa de transformações econômicas, será porque de fato não tivemos desenvolvimento. As modificações verificadas em um desses setores terão sido tão superficiais, tão epidérmicas, que não deixarão traços (p. 31).
Não se deve esquecer que o uso que a noção desenvolvimento foi adquirindo no após Segunda Guerra Mundial é justamente o de se associar com a expansão capitalista pelo mundo, especialmente com a divulgação de outra noção a de países subdesenvolvidos (LACOSTE 1970, MORAES 2005). Desta forma, em ciências sociais o desenvolvimento não deve ser desvinculado das condicionantes do capitalismo. Na verdade, pode-se classificar como lamentável as análises de geógrafos em que o desenvolvimento ainda é empregado como um processo em que o desenvolvimento das condições de ampliação da capacidade de acumulação do capital levará a uma situação em que as condições de vida da maioria das pessoas que estão de alguma forma, “envolvidas” irão melhorar. É evidente que isso não vai acontecer, pelo menos em um tempo curto, pois o que se observa ao se analisar as condições de produção e as condições de trabalho e emprego ocorre o contrário disso, é devido a isso que Furtado (1974) intitulou um de seus livros de o mito do desenvolvimento econômico.
Ao mesmo tempo em que ocorre melhora nas condições de produção, como aumento da produtividade por meio da utilização cada vez mais acentuada da telemática nos processos produtivos, melhorias das condições de circulação das pessoas, mercadorias e informações (logística), acesso ao crédito em expansão etc., há perdas salariais, terciarizações, indicando que a maior parte dos avanços é para uma classe seleta de pessoas e com a função primeira de aumentar a acumulação capitalista e não de melhorar a condição de vida das pessoas menos abastadas. Talvez, assim se possa compreender melhor a forma de classificação que Castillo (2007) atribui à logística, denominando-a de logística corporativa.
O desenvolvimento econômico e o crescimento econômico não diferem muito do ponto de vista dos seus reflexos na sociedade, o que há é uma diferença de intensidade.
Assim, para que haja o crescimento econômico basta se promover aumento nas taxas de mais- valia, e para que haja o desenvolvimento econômico é necessário que se identifique aumento da capacidade de acumulação do capital, isto é, melhoria na capacidade produtiva, nas condições de circulação e nos mecanismos de distribuição e consumo (como acesso ao crédito) (FURTADO, 1974).
Para Furtado (1963),
[...] o desenvolvimento econômico é um processo acentuadamente desigual: surge em uns pontos, propaga-se com menor ou maior facilidade a outros, toma vigor em determinados lugares, aborta noutros, etc. Nem é nem poderia ser um processo uniforme, pois a constelação de recursos e fatores que se apresenta em cada parte é obviamente diversa (p. 122-123).
Com essas afirmações de Furtado (1963) percebe-se claramente que o chamado desenvolvimento desigual (LÖWY,1995 ; SMITH, 1988)12 é uma obviedade em comparações de diversas escalas, como exemplo, um conjunto de países ou de regiões de um país, ou mesmo no intra-urbano. A heterogeneidade do desenvolvimento está ligada desde as características culturais do grupo social que habita determinado lugar, mas principalmente devido à forma estrutural do modo capitalista de produção.