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3. SOVYETLERİN DAĞILMASI SONRASINDA RUSYA’DA SİYASİ VE

3.1. Siyasi Durum (1991 2001)

Um dos primeiros atos do governo Lula foi, em 09 de janeiro de 2003, o de assinar a Lei 10.639/03, que instituiu a obrigatoriedade do ensino da História da África e da cultura afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio. A Lei sancionada pelo Presidente Luís Inácio Lula da Silva, de autoria da Deputada Esther Grossi (educadora) e do Deputado Ben-Hur Ferreira (oriundo do Movimento Negro), ambos do Partido dos Trabalhadores, foi apresentada na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 259, em 11 de março de 1999.

A Lei nº 10.639 alterou a Lei nº 9.394/96, nos seus artigos 26 e 79, tornado obrigatório à inclusão no currículo oficial de ensino a temática ―História e Cultura Afro- Brasileira‖. O que no texto anterior era difuso e abrangia outras etnias passou a ficar focado para a cultura afro-brasileira.

O fato da Lei ser sancionada logo nos primeiros dias do novo governo, segundo Rocha (2006), deve-se ao fato de que parte do Movimento Negro estava descontente em relação ao anúncio dos ministérios do governo Lula. Durante a campanha e o período de transição de governos, Lula havia assumido compromissos públicos de apoio à luta da população negra e prometido a criação de um ministério ou estrutura específica para

desenvolver políticas públicas de enfrentamento ao quadro de exclusão racial brasileiro, mas ao anunciar as pastas, não havia nenhuma que tratasse especificamente da questão. Assim, segundo Dias (2004, s/p), o fato da Lei 10.639/03 ser aprovada logo nos primeiro dias do governo atendia a algumas determinações políticas:

A Lei nº 10.639 apresentada de imediato teve como função precípua responder a antigas reivindicações do Movimento Negro o distraí-lo com novas preocupações principalmente com a implantação da mesma. Com isso o governo consegue o intento de não ser pressionado de imediato por este seguimento da sociedade que ao meu ver poderia causar constrangimentos ao início da gestão Lula. Parece que a estratégia foi acertada, mas não impediu que as pressões internas e externas impedissem a criação do prometido órgão responsável por promoção de igualdade racial no país. Cria- se na estrutura de governo a SEPPIR - Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial no dia 21 de março de 2003, data em que se comemora o dia internacional contra a discriminação racial.

Assim, a criação da Secretaria Especial, com status de ministério, foi adiada em alguns meses, mas foi garantida pela pressão da sociedade civil e pela necessidade de se cumprir os acordos internacionais, relativos aos direitos humanos, firmados pelo Brasil.

A Lei 10.639/03 foi bem recebida pelo Movimento Negro, uma vez que a preocupação com a educação, no interior do movimento, vinha de longa data. A valorização da educação formal foi uma das estratégias empregadas pelos negros para ascender socialmente desde o início do século XX, mas logo a militância negra percebeu que, enquanto a escola perpetuasse a reprodução das desigualdades sócio- raciais, ela não seria fator de mobilidade social, individualmente ou coletivamente, para os negros. A educação escolar era eurocêntrica e desqualificava as referências não- brancas. Ao constatarem que o sistema educacional brasileiro reproduzia a discriminação contra negros e seus descendentes, o Movimento Negro passou reivindicar que o estudo da História do continente africano e a participação do negro na sociedade brasileira fossem incluídos nos currículos oficiais, demanda presente desde a década de 1950 (SANTOS, 2005). Essa demanda, como se observa nos primeiros tópicos deste capítulo, esteve presente no debate da Constituinte e na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases.

A nova legislação acrescentou dois artigos à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96), que estão transcritos abaixo:

Art.26-A - Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro- Brasileira.

Parágrafo Primeiro – O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política, pertinentes à História do Brasil.

Parágrafo segundo – Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro- Brasileira serão ministrados no âmbito de todo currículo escolar, em especial, nas áreas Educação Artística e de Literatura e Histórias Brasileiras. Art. 79-B – O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ―Dia Nacional da Consciência Negra‖ (BRASIL, 2003).

Como se percebe, a Lei 10.639/03 considerou a sala de aula e as disciplinas de Educação Artística, Literatura e História o lócus privilegiado para a aplicação da lei, embora fale da obrigatoriedade em todo o currículo.

Ao sancionar a Lei, o Presidente da República vetou duas partes do Projeto de Lei aprovado pelo Congresso Nacional. Foram dois os vetos: um ao Parágrafo Terceiro do Artigo 26-A, outro ao Artigo 79 A. O Parágrafo Terceiro determinava que as disciplinas de História do Brasil e Educação Artística, no ensino médio deveriam dedicar, ao menos, 10% de sua carga horária à referida temática. E a outra parte do artigo 79 previa que os cursos de capacitação para ou professores devessem contar com a participação de grupos do movimento afro-brasileiro, das universidades e de outras instituições de pesquisa.

Em um documento (Mensagem nº 7 de 09/01/03), dirigido ao presidente do Senado Federal, o presidente justifica os vetos. Quanto ao primeiro, o presidente argumenta que o Parágrafo Terceiro do Art. 26 vai de encontro ao caminho traçado pela Constituição Federal e pela LDB, no que diz respeito às características regionais do país e a flexibilização do currículo. Além disso, poder-se-ia argumentar que não é o estabelecimento percentual que garantiria a efetivação do ensino da temática. Como justificativa ao segundo veto, o documento afirma que o Artigo 79A romperia com a unidade da LDB, visto que a mesma, em nenhuma parte, disciplina os cursos de capacitação de professores.

Quanto ao veto ao Parágrafo Terceiro do Art.26, cabe ainda ressaltar a crítica feita por Rocha (2006) à argumentação do documento presidencial, que levanta o aspecto da diversidade regional. Essa argumentação pode, de alguma maneira, ser

interpretada como se a discussão da História da África e dos afro-descendentes não fosse referente à toda sociedade brasileira.

3.4.5 As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações