3. SOVYETLERİN DAĞILMASI SONRASINDA RUSYA’DA SİYASİ VE
3.3. Rusya’da Başlıca İktisadi Sektörlerdeki Gelişmeler ve İnşaat Sektörünün
A Lei 10.639/03 foi regulamentada com a Resolução nº. 1, de 17 de junho de 2004 que acatou o Parecer nº. 03/2004 e instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. O parecer, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação, teve como um dos objetivos a regulamentação da Lei 10.639/03, além de fundamentar- se nos princípios estabelecidos na Constituição Federal nos seus Art. 5º, I, Art. 210, Art. 206, I, § 1° do Art. 242, Art. 215 e Art. 216, que enunciam o direito à igualdade de condições de vida e de cidadania, assim como expressam o igual direito de acesso às histórias e culturas que compõem a nação brasileira.
O parecer destaca que seu objetivo é trazer respostas, sobretudo na área da educação, à demanda da população afrodescendente em relação a políticas de ação afirmativa, que reconheçam e valorizem sua história, cultura e identidade. Coloca-se como uma política curricular pautada no reconhecimento determinadas características históricas e sociais da realidade brasileira. Tem como objetivos combater o racismo e as discriminações que atingem principalmente os negros, mas também contribuir para uma educação das relações étnico-raciais voltadas para a construção de uma ordem democrática que valorize a diversidade (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2004 a.).
Além de levantar uma série de princípios a respeito das questões raciais e educacionais, o parecer apresenta um conjunto de indicações de conteúdos a serem contemplados pelo currículo nas diferentes áreas do conhecimento. Indica, ainda, ações a serem tomadas pelo poder público das três esferas para a implementação da Lei.
Alguns aspectos destacados no parecer, que se ligam diretamente a este trabalho, merecem destaque. Um dos principais argumentos teóricos do parecer para justificar a implementação das Diretrizes é a reparação dos prejuízos históricos da população negra causados pela escravidão e pela manutenção das práticas discriminatórias:
A demanda por reparações visa a que o Estado e a sociedade tomem medidas para ressarcir, os descendentes de africanos negros, dos danos psicológicos, materiais, sociais, políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista, bem como em virtude das políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da população, de manutenção de privilégios exclusivos para grupos com poder de governar e de influir na formulação de políticas, no pós-abolição. Visa também a que tais medidas se concretizem em iniciativas de combate ao racismo e a toda sorte de discriminações (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2004 a).
As Diretrizes associam a Lei 10.639/03 a um contexto de ações afirmativas com o qual o Brasil está comprometido:
Políticas de reparações e de reconhecimento formarão programas de ações afirmativas, isto é, conjuntos de ações políticas dirigidas à correção de desigualdades raciais e sociais, orientadas para oferta de tratamento diferenciado com vistas a corrigir desvantagens e marginalização criadas e mantidas por estrutura social excludente e discriminatória. Ações afirmativas atendem ao determinado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos, bem como a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, com o objetivo de combate ao racismo e a discriminações, tais como: a Convenção da UNESCO de 1960, direcionada ao combate ao racismo em todas as formas de ensino, bem como a Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Discriminações Correlatas de 2001 (Grifos nossos) (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2004 a).
É importante destacar também que o programa de ações afirmativas é entendido como um tratamento diferenciado para corrigir desvantagens históricas e que este está plenamente vinculado à defesa dos direitos humanos, tal como regem as declarações internacionais das quais o Brasil é signatário.
Embora o parecer seja apresentado para oferecer subsídios para o campo da educação e reconheça a escola como lugar privilegiado para reeducação das relações entre brancos e negros, ele reconhece a importância da articulação destes com os movimentos sociais e políticas públicas, uma vez que a mudança das relações étnico- raciais não se restringe à escola.
O ensino da História da África e da cultura afro-brasileira, segundo as Diretrizes, não são de interesse apenas dos afro-descendentes, mas de toda a população brasileira, pois ele contribuiria para formar cidadãos que reconheçam e respeitem o multiculturalismo e o pluralismo étnico. Além disso, embora ao longo de seu texto as Diretrizes privilegiem a valorização da história, da cultura e das identidades negras, elas
destacam, em algumas passagens, a necessidade de se educar para o respeito à diversidade:
(…) A relevância do estudo de temas decorrentes da história e cultura afro- brasileira e africana não se restringe à população negra, ao contrário, diz respeito a todos os brasileiros, uma vez que devem educar-se enquanto cidadãos atuantes no seio de uma sociedade multicultural e pluriétnica, capazes de construir uma nação democrática. É importante destacar que não se trata de mudar um foco etnocêntrico marcadamente de raiz européia por um africano, mas de ampliar o foco dos currículos escolares para a diversidade cultural, racial, social e econômica brasileira. Nesta perspectiva, cabe às escolas incluir no contexto dos estudos e atividades, que proporciona diariamente, também as contribuições histórico-culturais dos povos indígenas e dos descendentes de asiáticos, além das de raiz africana e européia(CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2004 a).
Mas há, sem dúvida, como destaca Pereira (2008), uma polissemia textual nas Diretrizes. Em algumas passagens há uma essencialização da identidade negra a ser
positivada, como se houvesse um modo ―correto‖ de assumir a identidade negra. As
Diretrizes, embora reconheçam a pluralidade no contexto brasileiro, ao apresentar os argumentos teóricos para a implementação das políticas afirmativas, acabam recorrendo à retórica de uma sociedade brasileira cindida e bipolarizada entre brancos e negros.
E mais: não há como supor que exista nos brancos uma identidade branca – essencializada como etnocêntrica em relação ao que seria uma identidade negra –, ou que uma das finalidades da educação histórica de pessoas negras seja uma formação identitária predeterminada, também nesse caso concebida de forma essencialista e, em sua face radical, até mesmo de forma antipluralista (PEREIRA, 2008, p. 29-30).
Os argumentos dos defensores da Lei 10.639/03 estão presentes nas Diretrizes: a valorização da identidade do negro, a importância de se destacar as contribuições dos negros para a História do Brasil, o combate ao mito da democracia racial, a importância da efetivação de políticas afirmativas, dentre outras.