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LOJİSTİK KAVRAMINA GENEL YAKLAŞIM

1.1. LOJİSTİK KAVRAM

1.1.6. Lojistik Etkinliklerin Kapsamı ve Temel Etkinlik Alanları

1.1.5.7. Sipariş İşleme ve Satın Alma

As ações criminosas são cada vez mais espetaculares, surpreendendo a população e conquistando espaço no noticiário. Os conflitos que antes ficavam resguardados às favelas e ganhavam cobertura na página policial, hoje, estão nas capas dos jornais. Como salienta Michaud (2006, p.35), “a violência, pela carga de ruptura que veicula, é por princípio, um alimento privilegiado para a mídia”.

Neste contexto, a violência é um tema que sensibiliza todas as pessoas. Vive-se hoje, nas grandes cidades, sob o domínio do medo e da insegurança.

“[...] As notícias sobre os conflitos em geral e sobre o terrorismo em particular têm certo e relevante impacto no imaginário das pessoas. Por isso mesmo, compreende-se a dose extra de violência utilizada em tais atos [...] Tais ocorrências são premeditadas e visam prioritariamente atrair a atenção da mídia. Nesse sentido, costuma-se também dizer que o terror é uma forma de comunicação violenta" (WAINBERG, 2005, p.7). A imprensa brasileira, principalmente nas grandes capitais nacionais como Rio de Janeiro e São Paulo, tem nos conflitos urbanos um tema de cobertura diária. A magnitude da importância que a imprensa atribui a estes fatos é

evidenciada quando esta começa a denominá-la como uma “situação de guerra, guerra nas ruas, guerra urbana” 16.

Ao trazer o mundo do crime para a vida quotidiana, a mídia difunde a cultura do crime organizado. As pessoas, em todo o mundo, provavelmente estão mais familiarizadas com a versão da mídia sobre as condições de trabalho e a psique de assassinatos e traficantes do que com a dinâmica dos mercados financeiros em que investem o seu dinheiro. (CASTELLS, 2003, p.263).

Para Bourdieu, a mídia busca o sensacional e o espetacular como forma de atrair a população. “Os jornalistas têm óculos especiais a partir dos quais vêem certas coisas e não outras” (BOURDIEU, 1997, p.25). A mídia convida à dramatização, afirma o autor:

Esse mundo cheio de guerras étnicas e de ódios racistas, de violência e de crime, não é mais que um contexto de ameaças incompreensível e inquietante do qual é preciso antes de tudo se retirar e se proteger (BOURDIEU, 1997, p.141).

Para estudar a espetacularização da mídia, não se pode deixar de citar Debord que, no início dos anos 70, revolucionou com a sua teoria sobre a sociedade do espetáculo e, nos anos 90, ao rever seus escritos, constatou o acerto de sua análise. Hoje alguns teóricos vêm produzindo uma releitura, afirmando não existir mais o espetáculo e sim, o megaespetáculo ou o hiperespetáculo (SILVA, 2007).

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação. (DEBORD, 1997, p. 13)

No texto-manifesto de Debord (1997) sobre a sociedade do espetáculo, predomina a crítica ao capitalismo, no qual a mídia e a sociedade de consumo se organizam em torno do espetáculo. Mesmo considerando as grandes mudanças políticas e sociais ocorridas desde então, seu texto permanece extremamente atual. Buscamos, através de sua análise, compreender melhor os fatos citados envolvendo o PCC e a mídia.

A grande cobertura da violência promovida pela mídia, envolvendo o crime organizado em São Paulo e no Rio de Janeiro, em 2006, reforçou a presença do

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Termos utilizados no sábado, 17 de fevereiro de 2007, na capa do caderno Cultura do Jornal Zero Hora e na chamada do Programa Fantástico da Rede Globo de Televisão no domingo, 18 de fevereiro de 2007.

medo e da insegurança, transformando-os em atores de uma novela que parecia não ter fim. “A mais velha especialização social, a especialização do poder, encontra-se na raiz do espetáculo”, lembra Debord (1997, p. 20). A sociedade assiste amedrontada a cada novo episódio e, ao contrário das telenovelas, o sucesso do enredo não estava ligado à aceitação dos personagens, mas, à repercussão que tinha suas atuações violentas. Conforme o dito popular: “Falem mal, mas falem de mim”.

As ações espetaculares com queima de ônibus, saques a delegacias, pessoas em pânico, eram fatos imprevisíveis em tempos que tudo é previsível. A grande repercussão na mídia era inquestionável. Imagens que não poderiam deixar de ser mostradas pelos meios de comunicação acabaram por confirmar o acerto da estratégia do crime organizado de transformar violência em espetáculo. Assim estabeleceu-se um círculo vicioso no qual a violência ocorre, e a mídia divulga.

Paradoxalmente aos fatos, pode-se citar Debord:

O espetáculo se apresenta como uma enorme positividade indiscutível e inacessível. Não diz nada além de “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. A atitude que por princípio ele exige é a da aceitação passiva que, de fato, ele já obteve por seu modo de aparecer sem réplica, por seu monopólio da aparência (1997, p.16).

O espetáculo não está em posse da mídia, do Estado, dos ricos e dos poderosos. Vive-se num mundo de espetáculos e qualquer forma de expressão para ser compreendida precisa estar integrada nesta sociedade da não-surpresa. “o espetáculo constitui o modelo atual da vida dominante na sociedade. (...) Forma e conteúdo do espetáculo são, de modo idêntico, a justificativa total das condições e dos fins do sistema existente”, afirma Debord (1997, pp. 14-15).

Os temas referentes a catástrofes, naturais ou não, e da insegurança pública (violência nas ruas, terrorismo, ameaças em geral) são hoje valiosos tanto para o Estado – que assim legitima a existência de seus aparelhos repressivos – quanto para os meios de comunicação de massa, cuja forma de abordagem do real tem sido dramática e catastrófica. As ideologias políticas dão lugar, pouco a pouco, à ideologia de segurança pública. (1992, SODRÉ, p. 57).

Nessa luta de forças, travada entre o crime organizado e o Estado, aparecer pode representar ser o mais forte, ser o vencedor. A visibilidade, por outro lado, pode também fragilizar, pois, através dos meios de comunicação, a

sociedade julga, critica, condena e absolve os seus culpados. A violência real é espetacularizada, transformada em produto, com grande poder de venda para ser rapidamente consumida.

Nesse contexto, questionamos a capacidade, bem como o grau de influência que a mídia pode exercer sobre estes fatos. Vale ressaltar que a informação, mesmo quando caracterizada por forte potencial dramático, tem seu papel transformador, instrumentalizando a sociedade a criticar e buscar meios de mudar a sua realidade. A violência, mesmo que temida, pode não ser aceita.

Porto (2002) ressalta que se deve ter cuidado ao se analisar a influência da mídia sobre a violência na sociedade para não incorrermos no erro de diabolizá- la. Entretanto, destaca que os meios de comunicação, muitas vezes, valorizam o comportamento violento e assim, “se não são diretamente responsáveis pelo aumento da violência e da criminalidade, seriam quando menos, um canal de estruturação de sociabilidades violentas”. A autora reforça seu pensamento citando Michaud (1996, p.136): “a violência, na mídia, seja ela utilizada ou não, seja ficção ou parte dos telejornais da atualidade serve, de certa maneira, a um descarregar-se, distender-se, dar livre curso aos sentimentos através do espetáculo”.

Após alguns meses mostrando seu poder na mídia, o PCC decide, em agosto de 2006, dar mais uma cartada, “aparecer” através do seqüestro de um profissional da mídia, garantindo, assim, não apenas uma cobertura sobre um seqüestro, mas uma cobertura comprometida. O seqüestro de um jornalista, de alguém que está muito perto dos telespectadores, que entra em nossos lares e nos conta novidades. Alguém com a simplicidade de quem não costuma ser a notícia.

Para a liberação do repórter Guilherme Portanova, da Rede Globo de Televisão, o PCC exige a transmissão de um vídeo seu. O espetáculo, dessa vez, foi criado mais para a mídia e não pela mídia. A voz do homem encapuzado com certa dificuldade na articulação das palavras pedia pela justiça, por um tratamento mais humano e por não serem massacrados e oprimidos. Como pano de fundo, uma pichação feita em uma parede repetia seu clamor: “PCC luta pela justiça”. O crime organizado desafia novamente, mostrando sobrepor-se a todas as forças. No final da fala, uma frase lembra que, apesar do linguajar culto, são criminosos que estão falando e que não só pedem por justiça, mas ameaçam:

“Não mexam com as nossas famílias que não mexeremos com a de vocês. A luta é entre nós e vocês”, avisa.

No Rio de Janeiro, os morros superlotados de pessoas desprovidas de direitos básicos de cidadania, composto de trabalhadores, donas-de-casa, estudantes e inclusive traficantes, estão ao lado de bairros nobres e em frente a avenidas onde circulam carros importados. Os fatos ocorridos no final de 2006 chocaram a “cidade maravilhosa” às vésperas da famosa e turística festa de

reveillon. O grau de violência não combinava com o clima do final do ano.

Pessoas morreram queimadas em ônibus, vítimas de organizações criminosas. Em maio de 2007, o governo ocupa o Complexo do Morro do Alemão, área considerada importante no tráfico de drogas e na circulação de armas pesadas. No dia 27, do mesmo mês, um grupo formado por 1350 policiais e representantes da Força de Segurança Nacional sobem o morro do alemão. Dezenove pessoas são mortas, entre elas, moradores locais que não tinham qualquer relação com o tráfico.

O PCC e as organizações criminosas cariocas demonstraram conhecimento quanto aos interesses da mídia, seja pela rotina adotada pelos meios de comunicação, seja pelo próprio gosto dos seres humanos por violência ou mesmo devido à estratificação da sociedade. A visibilidade é concedida a poucos, o direito à voz pública é permitida apenas aos que detêm o poder político, econômico ou cultural, os quais são repetidamente os mesmos.

Como afirma Bourdieu (1997), “a agenda de contato dos jornalistas é sempre a mesma, repleta de pessoas disponíveis, com idéias parecidas, sempre dispostas a falar e aparecer na TV, “habitues da mídia.” Os demais são relegados a mero receptores de notícias e observadores dos acontecimentos que movem o mundo. A estes, que não fazem parte desta elite, restam os temas considerados marginais ou dos marginais como a miséria, a falta de acesso aos direitos básicos, enfim, a uma cidadania comprometida.

O processo de seleção de matérias, a lógica de construção do jornalismo, reforça a idéia de que a mídia é um agente social que influencia e é influenciada pelos diversos atores sociais. Isto nos permite concluir que os grupos criminosos, em episódios de extrema violência, podem deixar de ser agentes analisados pela imprensa, passando a ter um papel de protagonista na inter-relação com esta e o público.

Bourdieu questiona a ação da mídia em certas situações de comoção popular quando o jornalista, muitas vezes, em vez de manter a distância necessária para promover a reflexão, age como um “bombeiro incendiário”, contribuindo para criar um novo acontecimento, e, em seguida, receber os méritos de fazer um jornalismo de denúncia das mazelas e injustiças sociais. Para ele, existe uma visão:

des-historicizada e des-historicizante, atomizada e atomizante, que encontra uma relação paradigmática na imagem que dão do mundo as atualidades televisivas, sucessão de histórias aparentemente absurdas que acabam todas por assemelharem-se, desfiles ininterruptos de povos miseráveis, seqüências de acontecimentos que, surgidos sem explicação, desaparecerão sem solução, hoje o Zaire, ontem Biafra e amanhã, o Congo e que, assim despojados de toda necessidade política, podem apenas, no melhor dos casos, suscitar um vago interesse humanitário. (BOURDIEU, 1997, p.140)

Seguindo o pensamento exposto pelo autor amanhã poderia ser São Paulo ou o Rio de Janeiro, em sua guerra urbana que parece não ter fim. As “tragédias sem laços” perdem-se no tempo, sem passado ou futuro, sem história, são homogeneizadas e confundidas com um evento climático como o Tsunami - fatos naturais que são uniformizados sob a ótica da mídia.