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LOJİSTİK KAVRAMINA GENEL YAKLAŞIM

1.1. LOJİSTİK KAVRAM

1.1.6. Lojistik Etkinliklerin Kapsamı ve Temel Etkinlik Alanları

1.1.5.2. Envanter Yönetim

1.1.5.2.5. Küresel Pazarda Envanter Yönetim

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, estão as principais organizações criminosas do país. Adorno (2007) explica que no Brasil os laços identitários entre os integrantes de grupos criminosos se dão de forma peculiar, não em função de raça ou etnia e sim, por compartilharem a mesma condição de criminoso encarcerado ou por questões territoriais e socioeconômicas. O pertencimento a estes grupos é, muitas vezes, a garantia de assistência material, proteção contra arbitrariedades policiais ou ataques de grupos rivais.

As mais importantes organizações criminosas na atividade de tráfico de drogas no Brasil, na atualidade, são o Primeiro Comando da Capital – PCC, em São Paulo e o Comando Vermelho – CV; o Terceiro Comando – TC e o Amigos dos Amigos – ADA, no Rio de Janeiro. Cabe ressaltar que, na capital carioca, as “milícias”, apesar de oferecerem proteção às comunidades, têm como prática o uso da violência, atos semelhantes aos dos grupos considerados criminosos, motivo pelo qual são citadas neste trabalho.

2.1.4.1.1 Primeiro Comando da Capital

O Primeiro Comando da Capital - PCC (LIMA, 2003) foi fundado no dia 31 de agosto de 1993, no Interior da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, conhecida por longa história de uso de maus-tratos. O PCC começa a se organizar a partir de 1992, como conseqüência do Massacre do Carandiru. “(...) a organização nasce de um ato de resistência, como forma de proteção ao sistema violento e desumano imposto aos presos”, relata Adorno (2007). Coloca como seu objetivo mudar a prática carcerária desumana, cheia de injustiças, opressão, torturas e massacres nas prisões.

A organização possui, nos primeiros tempos, uma estrutura hierárquica com postos de comando chamados de soldados e generais, com batismo (ritual de entrada), pagamento de mensalidade e garantias de “segurança” aos “irmãos”, integrantes, dentro e fora das prisões. Ela também utilizava o código 1533, correspondendo à décima quinta letra do alfabeto, “P”, acompanhada duas vezes da terceira letra “C”. Segundo Souza (2006, p.21), a estrutura tradicional vertical foi alterada, atualmente, não existe mais conexão direta entre as lideranças e não

há hierarquia entre as células (pessoas que ficam fora da prisão e são responsáveis por uma região do tráfico).

Souza (2006, p.23) ressalta que, apesar da existência de documentos internos da Secretaria da Administração Penitenciária que confirmavam a existência da organização, o governo alegava que, mesmo com a demonstração de poder quando promoveram 27 rebeliões simultâneas no estado de São Paulo, o PCC não passava de uma fantasia.

O sistema apodreceu. O crime ganhou oxigênio e poder. (...) As raízes do PCC criaram metástase, crescendo e multiplicando-se de São Paulo para outros estados, e destes para outros países, como o Paraguai, a Bolívia e a Colômbia, tornando-se internacional (SOUZA, 2006, p.24). Em 2001, a organização apresenta-se à sociedade durante uma das maiores rebeliões prisionais da história do país. (BARROS, 2006, p.18). Na ocasião, foram colocadas faixas com a sigla do “Comando”. O PCC é chamado de partido, por seus integrantes, e possui um estatuto com normas que defendem valores como lealdade, respeito e solidariedade. O objetivo da organização vem expresso no texto: luta pela liberdade, justiça, paz e união entre os presidiários com o intuito de evitar um novo massacre como o ocorrido no presídio Carandiru, em 1992 (BARROS, 2006, p. 3).

No Estatuto do Comando é destacado como prioridade “pressionar o Governador do Estado” a desativar o Presídio de Taubaté o qual é denominado pelos detentos “campo de concentração”. Outros pontos relevantes são os que demonstram a força de sua organização externa, a sua articulação com o Comando Vermelho, bem como o comprometimento que devem ter os integrantes do PCC quando estes estiverem em liberdade, como se pode constatar nos artigos a seguir:

4. A contribuição daqueles que estão em liberdade com os irmãos dentro da prisão através de advogados, dinheiro, ajuda aos familiares e ação de resgate. 7. Aquele que estiver em Liberdade 'bem estruturado' mas esquecer de contribuir com os irmãos que estão na cadeia, serão condenados à morte. 16. (...) ninguém nos deterá nesta luta porque a semente do Comando se espalhou por todos os Sistemas Penitenciários do estado e conseguimos nos estruturar também do lado de fora, com muitos sacrifícios e muitas perdas irreparáveis, mas nos consolidamos em nível estadual e a médio e longo prazo nos consolidaremos em nível nacional. Em coligação com o Comando Vermelho (...) (ESTATUTO, 2007).

A estrutura organizacional do PCC fica explícita também na sua forma de comunicar, não só aos chamados irmãos (detentos, criminosos e ex-criminosos),

mas também à sociedade. Em 2003, durante a primeira semana de ataques do PCC em São Paulo, como se fosse um grupo de manifestantes lutando por mudanças, foram distribuídos panfletos em paradas de ônibus intitulados “Grito dos oprimidos encarcerados”, dirigido “à sociedade brasileira”. Abaixo uma parte do panfleto:

A imprensa paulista está deduzindo quais foram nossos motivos para acontecerem os ocorridos de 11 e 12 de maio, mas não vão (sic) aos presídios saber quais os verdadeiros motivos. Existem vários fatos, como por exemplo, a superlotação, o descaso judiciário, omissão de socorro, espancamentos graves e freqüentes, perseguições constantes, abusos de poder, enfim vários fatores que, se não forem vistos com atenção, não preservam os direitos mínimos do ser humano. E um ser humano sem expectativa se torna um animal irracional. (apud, SOUZA, 2006, P. 64)

Há controvérsias sobre os motivos do início dos ataques, mas o que parece ser mais convincente é que a transferência de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos líderes do PCC, entre outros integrantes da organização, para um presídio de segurança máxima, foi o estopim.

2.1.4.1.2 Comando Vermelho

Uma das mais importantes organizações criminosas, em função de seu pioneirismo, poder e abrangência, surge, oficialmente, no país, em 1979, no Instituto Penal Cândido Mendes, presídio de Ilha Grande. O local, famoso pelas torturas, sujeira, alimentação precária aos presos, fora construído para abrigar 540 detentos, mas, na década de 70, havia cerca de 1300 homens, por isso chamado de “caldeirão do diabo” 14. No presídio de segurança máxima, conviviam

os presos considerados irrecuperáveis, os presos comuns, e, entre 1969 e 1975, foi escolhido também como destino para os presos políticos que lutavam contra a ditadura militar.

O presídio era composto por diversos grupos, denominados falanges (AMORIM, 2007, p. 71). A mais forte e respeitada (temida) era a da Zona Norte que abrigava quadrilhas da Zona Norte do Rio de Janeiro, também conhecida como falange do Jacaré. Na galeria B ficavam os 66 presos políticos e os

14 O apelido “caldeirão do diabo” é uma alusão ao presídio francês de Caiena, na Ilha do Diabo, Guiana Francesa. Na década de 40, o tratamento desumano destinado aos presos foi denunciado por um fugitivo Papillon que se tornou ilustre e teve sua história transformada em livro. O local foi desativado em 1946.

enquadrados pela Lei de Segurança Nacional – LSN (assaltantes de banco, seqüestradores, etc.). Estes últimos foram chamados de Falange Vermelha, o embrião do Comando Vermelho. O compartilhamento da cela entre estes dois grupos distintos durou pouco, pois rapidamente os presos políticos pediram para serem separados, mas o aprendizado e a troca ocorreram da mesma forma.

A história do Comando Vermelho pode ser divida em três momentos (AMORIM, 2007, p. 213). Desde seu surgimento no Cândido Mendes, a organização original chamava-se Falange Vermelha (14/04/2004, Folha Online), período marcado pela formação organizacional através da convivência com presos políticos. O segundo momento, quando ocorre o fortalecimento e a consolidação do Comando tanto no presídio como nas favelas cariocas. Mesmo com a saída dos presos políticos, a formação organizacional já existia e várias conquistas de melhoria da qualidade de vida dos prisioneiros foram alcançadas pelo grupo, o que fortaleceu ainda mais o Comando Vermelho frente aos outros presos.

Nos anos 80, início do terceiro período, dá-se a mudança de área de atuação: a transição para o tráfico de drogas. O comando controla o tráfico em toda a região da grande Rio e nas praias e cidades turísticas.

Entre os anos 70 e 80, as organizações criminosas mundiais entram na rota do tráfico de drogas. No Brasil, no início de 1980, isto se dá por dois meios, servindo como ponte para países europeus conduzirem a droga para os Estados Unidos e tornando-se consumidor dos cartéis colombianos, principalmente os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os traficantes latino-americanos buscavam sócios no Brasil, o que obrigou o Comando Vermelho a se qualificar e buscar garantir o monopólio das drogas. Como explica Jorge Zambi, “o pianinho”, um dos seus integrantes:

Nós, ex-assaltantes de bancos que entramos no mercado do tóxico, catequizamos os favelados e mostramos a eles que o governo não está com nada e não faz nada para ver o lado deles. Então nós damos alimentação, remédios, roupas, material escolar, uniforme para crianças e até dinheiro. Pagamos médicos, enterros, e não deixamos os favelados saírem de lá pra nada. Até briga de marido e mulher nós resolvemos dentro da favela, pois não pode pintar sujeira para polícia não entrar (BRITO, 1984).

Atualmente, o Comando detém o domínio de morros, das favelas e do presídio Bangu1. O presídio de Ilha Grande e as marcas de seu passado foram implodidos em 1994 pelo governo da época.

2.1.4.1.3 Terceiro Comando

Surge nos anos 80 como uma dissidência do Comando Vermelho, tornando-se grande rival na luta pelo domínio do tráfico.

2.1.4.1.4 Amigos dos Amigos

A facção Amigos dos Amigos (ADA) foi fundada por um ex-integrante do Comando Vermelho em 1998. Após a morte e a prisão das principais lideranças do CV e do ADA, os grupos uniram-se.

2.1.4.1.5 Milícias

O primeiro grupo de milícia surgiu no final dos anos 70, na zona oeste do

Rio de Janeiro, na favela Rio das Ostras. As milícias são grupos compostos por policiais e ex-policiais, civis e militares, bombeiros, agentes penitenciários que atuam em pelo menos 92 das cerca de 500 favelas do Rio de Janeiro (TORRES, 2006).

As milícias cobram pagamento dos moradores em troca da proteção contra a ação dos traficantes, mas, na prática, agem de forma tão violenta quanto os criminosos, além de cometerem extorsões contra os moradores.