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Sembol, Allegori ve Metafor Arasındaki İlişki 34

Belgede İbn Arabi`de mistik sembolizm (sayfa 43-46)

2. SEMBOLÜN KAVRAMSAL ÇERÇEVESİ 22

2.2. Sembol, Allegori ve Metafor Arasındaki İlişki 34

A adolescência é uma construção sociocultural relativamente recente das sociedades ocidentais, formulada no início do século XIX, no campo da Psicologia, ciência nascente naquela época. Apesar de a Doutrina da Proteção Integral pressupor que os seus direitos são universalmente reconhecidos, ainda hoje os adolescentes são marcados pela invisibilidade social em vários aspectos. No Brasil,

 

as Políticas Públicas de Saúde específicas para essa população são recentes, datam do fim dos anos 1980, impulsionadas pelo advento da CF e do ECA. E em especial as ações e políticas públicas voltadas para o adolescente em conflito com a lei são de fato incipientes. A adolescência constitui, pois, até o presente momento, uma espécie de “no man’s land”. Logo, a discussão acerca da saúde do adolescente pressupõe a abordagem de uma temática que comporta lacunas, inclusive em termos de investimento financeiro e desenvolvimento de políticas. Sobre os parcos investimentos econômicos governamentais na adolescência, Burt explicita:

Quando as sociedades têm que tomar decisões sobre como investir os recursos de saúde, geralmente dão pouca importância à população, apesar de que, depois da primeira infância, a adolescência é a etapa mais vulnerável até que chegue a velhice. (BURT, 1998, s/p.). [tradução nossa]

O trecho citado acima consta em um documento pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), de 1998, e que guarda sua atualidade. Recolocamos a questão que lhe dá título “Por que devemos investir no adolescente?”. As respostas seriam múltiplas. Uma opção seria afirmar que devemos investir nessa população, pois os adolescentes são o futuro da nação. Essa afirmação encontra-se, todavia, esvaziada de sentido, talvez pela falta de referências e também pela urgência dos sujeitos contemporâneos, pela premência do aqui e agora, já que “o tempo envelhece

depressa”55. Wisnik propõe uma formulação bastante elucidativa:

Adolescente é um substantivo no particípio presente: um ser que está acontecendo. De corpo e de espírito, o adolescente é um estado. Estado de quê? O segredo do adolescente está guardado, há séculos, no DNA da palavra adolescente, para só revelar-se agora, no nosso tempo. O radical vem do verbo latino oleo, -es, -ere, olui, que quer dizer exalar um perfume, um cheiro, recender – bem ou mal. É a mesma raiz da palavra olor, significando aroma sutil, fragrância. Com a preposição ad como prefixo formou-se o verbo latino adoleo, que quer dizer queimar, fazer queimar, consumir pelo fogo em honra de um deus. Entende-se: as ervas queimadas no altar do sacrifício exalam cheiros, perfumam, recendem – estão aí para isso. Podemos adiantar a fórmula: o adolescente será aquele que arde, que queima, que se consome no seu próprio fogo, sacrificado aos deuses de sua idade, de sua época. (WISNIK, 2004, p. 383)

      

 

Se em tese o adolescente está condenado ao sacrifício da cultura, é justamente contra isso que as políticas públicas e seus executores deverão lutar. Por que

devemos investir no adolescente? Para que ele alcance a condição de responsável

por seus atos, para que, de fato, o adolescente atravesse a adolescência sem ser consumido por rótulos tais como o de “pessoa em crise”, “bandido”, pelas nomeações massacrantes de sua individualidade e subjetividade. Devemos investir no adolescente no intuito de que ele se torne uma pessoa que goza plenamente de seus direitos, que participa ativamente da manutenção do contrato social.

No campo médico, o que dissemos sobre a adolescência ser uma espécie de no

man’s land pode ser identificado com a divergência entre os modos de conceber a

adolescência como território de intervenção. Uma corrente da pediatria acredita que o pediatra deve acompanhar seu paciente desde o nascimento até o fim de seu desenvolvimento biológico, e que, por essa razão, é esse especialista médico quem fica encarregado do adolescente. Uma outra visão que convive com essa é a da adolescência como um campo restrito à hebeatria. Para os seguidores dessa última, a puberdade criaria mais ruptura que continuidade com o estado anterior da infância, daí a necessidade de profissionais preparados especificamente para atender os adolescentes. Observamos como essa segunda abordagem se propaga pela saúde como um todo, criando uma segregação do adolescente, de confinamento de sua saúde aos especialistas, como se somente eles estivessem devidamente credenciados para atendê-lo. No que se refere aos demais profissionais da saúde, observamos que essa busca de identificar quem seria o responsável pelo adolescente se repete. Mas outro aspecto perpassa tal debate: de algum modo, o adolescente é temido por eles, que se sentem frequentemente embaraçados diante dele. Nesta pesquisa, isso se presentificou assim:

Assistente Social B.1: Posso falar? Eu mesma achava que eu não tinha habilidade nenhuma para lidar com adolescente. Desde que eu me formei eu já vim com aquela ideia: “Não trabalho com adolescente, adolescente é complicado, adolescente é risco. Na questão normal, de uma família normal,

  eles já são problemáticos! Imagina envolvido com a lei? Eu não quero, eu não.”. E sempre cria naquela coisa. Mas ao longo dos anos eu tenho me aproximado muito deles. Então, eu tenho percebido que essa aproximação não é à toa. Talvez [sirva] para acabar mesmo com essa imagem negativa que eu tenho deles.

Pesquisadora: Você estava falando do estigma. Que a gente vai...

Assistente Social B.1: Exatamente. Eu sempre tive também, vou falar para você. E agora, de uns tempos para cá, tem sumido. Eu tento estar mais aberta para poder atendê-los [adolescentes], para poder ajudá-los no que for preciso. Não estou tendo muito contato [com adolescentes], mas se eu vier a ter, acho que eu já estou mais preparada (...) São seres humanos, quer dizer, são seres que precisam de apoio, que precisam de ajuda, não tem jeito. Eles estão no momento de formação da consciência, da personalidade. Então, realmente eles precisam muito da gente. A questão de ficar com preconceito, "Eu não vou trabalhar com isso", eu acho que te afasta cada vez mais de uma situação que está bem próxima de você. Inclusive, eu também já tenho adolescentes em casa. Talvez seja isso que está fazendo eu mudar de ideia. (Conversação I Centro de Saúde B)

Nesse fragmento de conversação, notamos como esse temor divide espaço com a curiosidade, com a vontade de vencer o desafio de lidar com um adolescente e com a responsabilidade do adulto frente a isso, ou seja, há uma ambiguidade de sentimentos que pode dar o tom do acompanhamento de saúde. Essa Assistente Social diz que são poucos os profissionais que querem trabalhar com o adolescente para além de sua queixa inicial, sobretudo se ele estiver em conflito com a lei.

Assistente Social B.1: Veja bem, você vai tratar daquele adolescente que, por exemplo, machucou, ou teve uma questão intestinal. Você vai tratar daquele problema intestinal, da doença no momento. Outra coisa é você dar mais abertura. Ele está vindo aqui, ele está prestando serviço comunitário [Medida Socioeducativa de Prestação de Serviço à Comunidade]. Ele está trabalhando aqui dentro [do Centro de Saúde], então, devemos participar mais da vida dele, da saúde dele, fazer mais perguntas; isso já engloba mais. Aí você pode filtrar a quantidade de profissionais que quer trabalhar com isso! (Conversação III Centro de Saúde B)

Na saúde, a adolescência como “terra de ninguém” é manifesta sintomaticamente com uma resistência em atender o adolescente, que em menor grau integra de modo subliminar o seu acompanhamento, e em maior grau pode levar a recuo o seu atendimento, justificado com falta de capacitação, desinteresse etc. Nesse sentido, tal fato também pode ser interpretado como mais um impasse no desenvolvimento dos cuidados em saúde do adolescente. Não obstante, essas dificuldades deveriam nortear, e não paralisar, os profissionais responsáveis por esses cuidados. Em

 

suma, esse profissional poderia ver nisso um convite à invenção de um saber-fazer frente ao inusitado lançado pelo adolescente.

Belgede İbn Arabi`de mistik sembolizm (sayfa 43-46)