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İBN ARABÎ’NİN MİSTİK ŞAHSİYETİ 39

Belgede İbn Arabi`de mistik sembolizm (sayfa 48-60)

No período de realização da primeira etapa deste estudo no Centro Socioeducativo B, em aproximadamente dois meses, houve a saída de vários integrantes da equipe. Um deles trabalhava há dois anos na instituição e mencionou desgaste naquele tipo de trabalho. Ele relatou gostar de vários aspectos de sua rotina, mas não queria mais de se submeter às determinações dos gestores que muitas vezes estavam apenas “cumprindo ordens” de políticas supostamente “preponderantes” sob a ótica de outros gestores com maior poder de mando. Outras duas profissionais, uma delas recém-chegada ali, encontraram um emprego com melhores remuneração e

 

condições em geral. A impressão que tivemos foi a de que o percurso dos profissionais na execução da Medida Socioeducativa de Privação de Liberdade é relativamente curto, e, de certo modo, comporta uma espécie de “prazo de validade”, modulado pelo grau de suportabilidade de cada profissional. Em ambos os Centros Socioeducativos estudados, a grande maioria dos técnicos é contratada e ganha menos que os agentes socioeducativos que têm apenas segundo grau completo. Por diversas vezes, surgiu um comparativo entre as condições de trabalho dos agentes e dos técnicos e ficou claro que os últimos se encontram, em termos salariais, em posição desfavorecida face àqueles. Em uma das Unidades de Socioeducação, o cargo de diretor de atendimento ficou vago por pelo menos quatro meses e há vagas a preencher na equipe técnica, desde a fundação da Unidade, mas que principalmente em função dos longos trâmites perduram desocupadas. Observamos que a execução dessa Medida Socioeducativa acaba sendo desempenhada por profissionais recém-ingressos no mercado de trabalho, que encontram ali a oportunidade de aquisição de uma primeira experiência profissional.

Assistente Social B.2: A minha saúde afeta a dele (...) Hoje é o nosso último encontro e a minha despedida também.

Psicóloga B.2: A [fulana] também vai embora. (...) Eu estou feliz e ao mesmo tempo desesperada [com a saída das colegas].

Assistente Social B.4: (...) Acho que vai demorar muito a vir uma nova assistente social. Demora muito. (...) A [Fulana] começou a trabalhar na [nome da instituição] há mais ou menos cinco meses.

Pesquisadora: Porque acontece essa rotatividade?

Psicóloga B.3: A questão do salário, é o primeiro ponto que não mantém ninguém aqui. A demanda de trabalho também.

Enfermeira B.2: Eles cobram muita coisa da gente e o salário...

Pesquisadora: O que é muito sério porque esse é um trabalho muito delicado, que precisa de muito movimento e estar nessas condições de trabalho não ajuda. (...)

Assistente Social B.4: E tem adolescente que demanda mais, que você precisa atender mais. É uma família que não vem e acaba que você tem que dar mais atenção. Infelizmente você acaba atendendo um adolescente mais que outros.

Pesquisadora: Mais isso é uma característica do trabalho, você tem que cumprir certas coisas, mas ao mesmo tempo tem alguns que vão demandar mais mesmo, isso acontece... Nossa!

  Psicóloga B.2: Eu disse para o [diretor de atendimento] para tomar cuidado para isso não se tornar uma reação em cadeia! Porque isso pode virar uma reação de cadeia!

Assistente Social B.4: [Eu queria] Gritar para as mulheres não ficarem grávidas. “Por favor, não saia mais ninguém daqui!”. Porque apesar disso ser um trabalho em conjunto, isso acaba afetando a equipe também e os atendimentos. Porque um adolescente pergunta, “Cadê a minha técnica? Eu quero conversar com a minha técnica!”. Acaba interferindo no funcionamento. (...)

Psicóloga B.2: E, agora devemos fazer um remanejamento para dar conta do trabalho. E aí entra a questão da saúde do trabalhador. (Conversação IV

Centro Socioeducativo B)

O Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo – Diretrizes e Eixos Operativos

para o SINASE (SEDH, 2013) apresenta o seguinte panorama da situação atual dos

recursos humanos envolvidos nesse tipo de atendimento:

Quadro de pessoal do sistema socioeducativo pouco estruturado, insuficiente e incompleto para o atendimento da demanda, segundo diretrizes do SINASE; Remuneração incompatível com o trabalho especializado exigido; Alta rotatividade de pessoal, principalmente devido à carência de servidores efetivos, tanto nas unidades de meio fechado quanto nas unidades de meio aberto; Equipe técnica e de gestão com necessidade específica de qualificação e capacitação continuada; Formação fragmentada e desarticulada dos profissionais que atuam no Sistema; Fragilidade institucional da política: articulação incipiente entre os órgãos envolvidos na gestão, insuficiência de regulamentação e cofinanciamento; Carência de suporte em saúde mental para todos os operadores institucionais. (SEDH, 2013, p. 19)

Podemos notar como aquilo que foi descrito em termos oficiais coincide com o que surgiu em conversação. Aliás, esse documento mostra como é ainda mais drástica a realidade de trabalho desses profissionais, se comparado ao que encontramos pelo intermédio desta pesquisa. Em recente Audiência Pública ocorrida na Assembleia Legislativa de Minas Gerais foi discutida, entre outros temas, a questão da precariedade do trabalho no Sistema Socioeducativo60. Nessa ocasião, representantes dos servidores desse Sistema exigiram o fim da precariedade nos contratos e a maior valorização salarial, inclusive para os agentes socioeducativos,

      

60 Audiência Pública ocorrida em 02/10/2013, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ver:  

http://www.almg.gov.br/acompanhe/noticias/arquivos/2013/10/02_com_dir_humanos_unidades_socioeduca tivas.html?utm_source=CompartilhamentoPorEmail&utm_medium=email&utm_campaign=Compartilhar 

 

que, também estariam submetidos a más condições para a realização de suas atividades laborais. O fragmento de conversação apresentado a seguir desvela a relação que os profissionais do Sistema Socioeducativo fazem entre o risco que vivenciam nas visitas às famílias dos adolescentes e a sua própria saúde.

Assistente Social B.4: A gente vai na casa desses adolescentes. Um dia, tentamos, porque na hora que chegamos, o carro foi cercado por uns homens encapuzados.

Pesquisadora: E nessas horas, gente?

Assistente Social B.4: Nesse dia, ele perguntou se era do Bolsa Família, aí eu falei que era, e desci do carro.

Psicóloga B.1: Se mostrar que está com medo é pior.

Pesquisadora: A impressão de vocês contando é que parece que é maior o risco lá que aqui [na unidade socioeducativa].

Todas: Sim! Sim, com certeza!

Assistente Social B.4: Vou contar uma, uma mais “levezinha” das visitas que nós fizemos. Porque o agente [socioeducativo] que acompanhava, o [fulano], só que teve um, que a psicóloga dizia: “Então, calma! Você já está no meio do aglomerado, já está no meio”. Eu estava dentro da casa [da família de um adolescente do socioeducativo]. De qualquer jeito, a reação que você tivesse, ia rolar bala para tudo quanto era lado. A gente foi numa família, o “cara” estava, com uma ‘touca ninja’ na janela.

Pesquisadora: Era da família do adolescente?

Assistente Social B.4: Não, não era. Essa família abriu todas as janelas para mostrar o que acontecia dentro de casa. Aí a psicóloga ficou muito nervosa e ela falava, aí tinha que falar dez vezes a mesma coisa para as pessoas entenderem. Não adianta. Depois que você está ali, aí é complicado, fui brincar com as crianças na rua: "Ei, quer dizer para o cara que está lá fora ver que...?”. E aí o agente já ficou na posição e “vazou” [fugiu]. Eu fui fechando a porta no caminho. Então, isso... a nossa saúde também. (Conversação II Centro Socioeducativo B)

5.5.2. As condições de trabalho na Unidade Básica e seus efeitos na saúde

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