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Sanayi Devriminin Ardından Ortaya Çıkan Düşünce ve Kuramlar

BÖLÜM 2. ÇALIŞMA KAVRAMI VE ÇALIŞMA İLİŞKİLERİ DÜZENİ

2.4. Sanayi Devrimi ve İktidarın Yeniden Yapılanması

2.4.1. Sanayi Devriminin Ardından Ortaya Çıkan Düşünce ve Kuramlar

O trabalho carcerário na Penitenciária Feminina da Capital possui uma grande importância para o cotidiano prisional. É uma espécie de ponto de interesse coletivo que envolve toda a prisão: presas, funcionárias e empresas. Dessa forma, todos se beneficiam do trabalho em vários aspectos, seja o jurídico, o institucional ou o financeiro. O trabalho assume assim um dos papéis mais importantes no ambiente prisional, tornando-se um catalisador dos problemas internos.

Esse aspecto condensador de crises, implícito no trabalho carcerário, revela também um outro, o trabalho como fachada social, segundo Goffman (1975). Sendo o trabalho uma “representação coletiva”, na qual todos os componentes prisionais se tornam funcionais, beneficiados e participantes, ele também é aproveitado para reforçar positivamente a instituição.

Práticas diferentes podem empregar a mesma fachada, deve-se observar que uma determinada fachada social tende a se tornar institucionalizada em termos das expectativas estereotipadas abstratas às quais dá lugar e tende a receber um sentido e uma estabilidade à parte das tarefas específicas que no momento são realizadas em seu nome. A fachada torna-se ‘representação coletiva’ e um fato, por direito próprio (GOFFMAN, 1975: 34).

O trabalho carcerário na Penitenciária Feminina da Capital é resultado de um interesse coletivo, que faz com que cada um dos grupos assuma o papel esperado para o bom desenvolvimento das oficinas. Assim, cada grupo faz a representação que lhe convêm, dando um significado prático a sua atividade.

As presas procuram trabalhar bem, alcançando a meta de produtividade, evitando faltas e problemas de comportamento, para garantirem seus empregos e, conseqüentemente, seus salários, kits de higiene, benefícios jurídicos, tempo ocupado, etc.

Para as funcionárias, guardas e diretoras, o trabalho carcerário representa, sobretudo, uma segurança maior ao instável cotidiano prisional. Assim, funcionárias mantêm a disciplina necessária para a dinâmica do trabalho e diretoras buscam novos empresários para manter o maior número de presas trabalhando. Haja vista que com isso a paz interna será também mantida e o

“barril de pólvora” será conservado intacto.

Completando o jogo de interesses que torna a Penitenciária mais

“calma”, estão os empresários. O trabalho para as empresas contratantes

representa um bom investimento financeiro, sendo altamente compensador para a empresa possuir uma oficina dentro da prisão pelas condições econômicas que lhe são oferecidas.

Com a incorporação do trabalho pelas presas, funcionárias e empresas, ele funciona não apenas como um componente da prisão, mas como um dos principais mecanismos prisionais. Segundo a maioria dos depoimentos de guardas e diretoras, o trabalho carcerário tem o importante papel de manter o bom funcionamento da prisão. O trabalho funcionaria como um dos pilares mais fundamentais, envolvendo toda a prisão em uma grande rede de interesses. Essa constatação não se aplica apenas a Penitenciária Feminina da Capital, o trabalho carcerário e sua especificidade encontra em todas as prisões onde é utilizado. Hassen (1999:231) também verificou a supervalorização do trabalho carcerário no

ambiente prisional, averiguando que estudá-lo seria uma das melhores formas para conhecer a prisão.

A rede de interesses, que gira ao redor do trabalho carcerário por todos os componentes da prisão, torna então possível a dinâmica prisional ser percebida em seus detalhes. Essa complexa dinâmica se aproxima daquilo que Alvim (1991) chamou de “espelho dissimulado da sociedade”, ou seja, a prisão reproduz dentro de seus muros uma proximidade com aquilo que se encontra fora dela. Todavia essa proximidade é marcada pela distorção, constituindo-se a prisão em uma cópia mal feita da sociedade. O trabalho é, claramente, uma forma de se pensar na deformidade típica das instituições fechadas, como a prisão.

Nesse sentido o trabalho carcerário na Penitenciária Feminina da Capital possui para cada componente prisional um significado de representação, acentuando e maximizando os problemas encontrados na sociedade. Assim, para a maioria das presas, por exemplo, o trabalho é superestimado e valorizado, pois é por meio dele que as relações sociais entre elas se concebem. É nas oficinas que as presas escapam momentaneamente da realidade. Isso ocorre devido à relação que elas estabelecem com a mestra, funcionária da empresa, que assume o papel de encarregada e costumam pensar a oficina como uma extensão da “firma”. Nesse aspecto, não há uma distorção significativa daquilo que ocorre exteriormente na sociedade. Mas de qualquer forma é possível se notar a supervalorização do trabalho pelas presas, pois além do contato humano externo que possuem dentro da oficina, a ambientação também suscita um desprendimento da condição de presa, que dentro da oficina encontra-se na condição de funcionária.

O trabalho para a presa é superestimado também porque é uma forma de resgate da cidadania perdida, perdê-lo não traz apenas conseqüências econômicas e jurídicas, mas também de âmbito pessoal. Segundo Ramalho (1983), o trabalho em conjunto com a família, é primordial para uma real ressocialização do indivíduo preso.

Ao procurar afastar-se deste mundo (mundo do crime), negado pela sociedade, o preso se refere à ligação com o trabalho e a família. Assim se defronta com a ideologia da sociedade tentando exatamente afirmar para si aquilo que a sociedade lhe nega. Trabalho e família são indicadores de ‘recuperação’. Ele afirma sua ligação com esses dois valores embora consciente da dificuldade que a sociedade impõe ao ex-preso (RAMALHO, 1983: 90).

No que tange o corpo administrativo, o trabalho carcerário também assume papéis distorcidos quando comparado com aquilo que se encontra na sociedade e com a proposta de ressocialização legal. Na Penitenciária Feminina da Capital, o trabalho carcerário representa para funcionárias e guardas um aparelho disciplinador surpreendente, capaz de controlar os ânimos da população prisional. Segundo uma guarda que trabalha dentro de uma oficina, o trabalho colabora muito nesse sentido e, conseqüentemente, contribui para que o trabalho do corpo administrativo seja mais ‘fácil’: “O trabalho das oficinas nos deixa com menos

trabalho”.

Mais que qualquer sentido profissionalizante, o trabalho na prisão traz à tona a disciplina como elemento intrínseco a ele. Conjuntamente com o aspecto disciplinar está o econômico, no qual a Penitenciária se apóia para contornar os parcos recursos governamentais destinados a ela, bem como a todo

Sistema prisional35. Segundo Salla (1991), esses dois atributos são aqueles que fundam a necessidade do trabalho dentro do contexto carcerário.

Antes, e acima de tudo, é a forma pela qual se impõe ao indivíduo condenado a regularidade dos gestos, dos movimentos; é por meio dele que se controla a distribuição dos indivíduos pelo espaço prisional, que se evita a agitação, o ócio que se pode fomentar a rebeldia, a união entre presos. A esse sentido puramente disciplinar, o trabalho pode vir acrescido de uma finalidade econômica, tanto para a produção de bens e serviços – capaz, por exemplo, de gerar recursos para a amortização dos custos do encarceramento – como para a interferência nas condições de oferta e procura de força de trabalho e, portanto, de patamares salariais no mercado de trabalho (SALLA, 1991: 151).

Com o alcance disciplinador que o trabalho carcerário possui, no qual “assume legitimidade a imposição de regras e valores da sociedade sobre o indivíduo condenado” (SALLA, 1991: 157), ele também atinge outros objetivos no que diz respeito à disciplina. Como exemplo é a forma coercitiva que o trabalho é apresentado às presas pelo corpo administrativo. Assim, o trabalho carcerário funciona como uma “mecânica de controle dos desejos” (SALLA, 1991: 158), que sempre quando necessária é utilizada no sentido de coibir ações não aceitas pela direção da Penitenciária. Nas palavras de uma outra guarda que trabalha com as presas no ‘Apoio’, “o melhor castigo é quando se mexe no bolso

da presa ou quando se dá suspensão do trabalho... elas ficam quietinhas”. Assim,

pode se entender que o trabalho dentro de instituições penais atende também um outro aspecto, o da punição.