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BÖLÜM 1. İKTİDAR, GÜÇ VE İLGİLİ KAVRAMLAR

1.1. İktidar

1.1.2. Meşruiyet

Nos países desenvolvidos, têm predominado a concepção de que o trabalho carcerário deve se assemelhar com as atividades usuais no mercado de trabalho, adaptando-se a realidade. Segundo Pastore (2001b, 2002), a tendência do

governo desses países é a priorização em programas de trabalho carcerário capazes de educar e treinar os presos para trabalhos contemporâneos.

Como por exemplo, a aplicação do trabalho carcerário no setor terciário, é o caso do aumento do volume de presos que trabalham com telemarketing, reservas de avião e de hotel, processamento de documentos para burocracias governamentais, informatização de arquivos, notificação de contribuição da Previdência Social e Receita Federal, eletrônica e telecomunicações.

Porém, toda essa inovação quanto à melhoria da eficácia e produtividade do trabalho prisional evidencia outros aspectos, como a tendência à privatização dos sistemas penitenciários: atualmente cerca de 4% de todas prisões americanas são privadas, o que “significa algo como 40% da população penitenciária brasileira e a segunda população penitenciária da Europa ocidental” (MINHOTO, 2002). Nos EUA, país possuidor do maior número de encarcerados do mundo, mais de dois milhões de presos10, a privatização do Sistema Penal tornou-se uma rentável indústria. Segundo Minhoto (2002), em 1994 o trabalho carcerário das cadeias locais norte-americanas movimentou cerca de US$ 65 bilhões. Nesse mesmo ano, foi realizada uma exposição no Estado de Indiana pela Associação Americana das Cadeias Locais, para incentivar e atrair novos investimentos, fato que demonstrou que as prisões americanas têm se tornado um negócio lucrativo, abastecido pelas rigorosas políticas de encarceramento.

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Número de presos no mundo em milhares de pessoas: EUA - 2 019, Rússia - 874,3, Tailândia – 258, Brasil - 240,1, Ucrânia - 198,8, África do Sul - 176,8, Irã - 163,5, México - 154,7, Cazaquistão – 84, Polônia - 83,1. Fonte: Revista Superinteressante, Out/2003.

O crescimento da indústria do trabalho carcerário americano encontra motivações na crise econômica pela qual passa o país. Segundo Gilliam (2000), o uso da mão-de-obra carcerária é um estímulo para o barateamento de produtos para exportação, tornando-os competitivos no mercado externo. O trabalho carcerário é “o meio pelo qual os grandes grupos econômicos dos Estados Unidos planejam competir com a mão-de-obra barata dos países do Terceiro Mundo” (p. 88).

Com a crescente utilização do trabalho carcerário, alguns países estão presenciando significativas mudanças quanto aos direitos dos presos no que diz respeito à questão trabalhista. Nos EUA, por exemplo, a maior central sindical americana, a AFL-CIO, levantou a bandeira pela sindicalização dos presos que trabalham, posicionando-se contrariamente ao salário pago, que é de US$ 0,50 por hora (PASTORE, 2001 a).

Na Itália, segundo o jornal romano Repubblica11, o preso que trabalha “tem direito a férias e pode gozá-las dentro ou fora do presídio”. A Justiça italiana declarou ilegítima a lei que proibia esse direito e a partir disso as férias são concedidas aos detentos conforme a situação de sua pena em cumprimento. A revogação dessa lei ratifica a opinião dos juízes italianos sobre o trabalho carcerário, que o entendem como um dos principais instrumentos de “tratamento reeducativo para a recuperação da pessoa”.

Nos países da América do Sul, o trabalho carcerário também é continuamente utilizado. Na Argentina, por exemplo, existe a ‘Ley 24.660 de

Ejecución de la Pena Privativa de la Libertad12’, promulgada pelo Congresso Nacional da Argentina, que possui parágrafos específicos sobre o trabalho carcerário. Segundo a lei argentina, o trabalho carcerário é um direito e um dever do sentenciado, sendo considerado uma das bases do ‘tratamento’. A lei argentina também considera o trabalho artístico e intelectual como formas de trabalho. Quanto à remuneração, os salários dos presos argentinos são divididos em quatro partes: 10% para indenização dos danos e prejuízos causados pelo delito, 35% para a prestação de alimentos, 25% para custear os gastos que causarem ao estabelecimento e 30% para formar um fundo próprio que lhe será entregue quando deixarem o sistema prisional.

No Chile, o Governo por meio do Ministério da Justiça elaborou uma lei chamada ‘Derechos e Obligaciones del internos’13. Segundo essa lei, o trabalho carcerário deve ser apresentado aos sentenciados como uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho. A remuneração do trabalho carcerário chileno é dividida em três partes: 10% destinado a indenizar os gastos que ocasionarem ao estabelecimento, 15% para indenização dos danos e prejuízos causados pelo delito, 15% destinado a formar um fundo individual de reserva para quando o sentenciado deixar a instituição.

Na Bolívia, há a ‘Ley de Ejecucion de Penas y Sistema Penitenciario’14 que possui artigos específicos sobre o trabalho carcerário. Na lei, o trabalho carcerário é considerado parte da pena, sendo importante para a

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Ley 24.660 de Ejecución de la Pena Privativa de la Libertad, de 19 de junho de 1996. Para acessar a lei completa: http://www.lexpenal.com.ar/Archivos/leyes/24660.htm

13

Para maiores informações, consultar: http://www.gendarmeria.cl/penitenciaria/derechos

14

Ley de Ejecucion de Penas y Sistema Penitenciario, Decreto-Ley n° 11080, de 19 de setembro

de 1979. Para mayores informações, consulte: http://www.cajpe.org.pe/RIJ/bases/legisla/bolivia/ley22

reeducação moral e social do interno. A intenção do trabalho carcerário boliviano é profissionalizar o sentenciado ou aprofundar os conhecimentos da profissão, no caso de quem já possuir um ofício. Quanto à remuneração do trabalho carcerário, a lei boliviana diz que o seu uso será utilizado em cinco funções: 20% para satisfazer a responsabilidade do delito, 25% para a manutenção da família do sentenciado, 15% para a poupança que será entregue quando o preso sair do sistema ou para seus herdeiros, caso venha a falecer, e 15% para a aquisição e manutenção dos equipamentos e maquinarias utilizadas pelo trabalho carcerário.

Na Venezuela, há a ‘Ley de Regimen Penitenciario’15, que dispõe capítulos específicos sobre o trabalho dos condenados. No país, o trabalho carcerário é considerado um dever e um direito, com o objetivo de formar no preso o hábito do trabalho ou aperfeiçoar a profissão do sentenciado. Além de ser também uma forma de fortalecer as responsabilidades pessoais e familiares. Segundo a lei, é papel do Estado buscar o empresariado para que exista trabalho dentro das prisões. O uso da remuneração dos presos têm que atender cinco finalidades: aquisição de objetos pessoais e de consumo para o preso, atendimento das necessidades dos familiares do preso, formação do pecúlio para o egresso, aquisição de materiais para o trabalho carcerário e como compensação parcial pelo custo da institucionalização.

A exploração da mão-de-obra carcerária no mundo é condenada pela Recomendação da Organização Internacional do Trabalho sobre a Abolição do Trabalho Forçado, adotada pela Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT) na sua 40.ª sessão, em Genebra, a 25 de Junho de

1957, entrando em vigor dois anos depois desta data. Com a Recomendação da OIT, é possível combater a exploração da mão-de-obra carcerária, o dumping de produtos barateados e a concorrência desleal, gerada a partir do trabalho dos presos.