MEHMET RÜŞDİ PAŞA, AİLESİ, EĞİTİMİ, ASKERÎ VE MÜLKÎ VAZİFELERİ
C. Sadaret Görevler
Do conjunto dos dados constituídos por meio dos dois instrumentos utilizados por essa investigação – questionário e entrevista – foram considerados pertinentes à análise apenas aqueles decorrentes da entrevista. As respostas concisas e, certas vezes, evasivas que foram apresentadas nos questionários tornaram os dados que deles se originaram pouco significativos a atender as questões que a pesquisa buscava responder.
Para que fosse alcançado o objetivo de apreender o movimento de constituição da identidade profissional do coordenador pedagógico iniciante seriam necessários dados de natureza afetivo-volitiva que não foram expressos nas respostas ao questionário, bem como informações a respeito das experiências vivenciadas por esses profissionais no cotidiano de sua atividade que apresentassem um grau maior de aprofundamento do que aquelas as quais esse mesmo instrumento se mostrou capaz de promover.
Sendo assim, são as narrativas produzidas nas entrevistas com as professoras coordenadoras Cecília, Clarice, Adélia e Cora que correspondem aos dados analisados por essa investigação, processo empreendido por meio da proposta metodológica de Aguiar e Ozella (2006, 2013), denominada Núcleos de Significação. Destaca-se que os dados provenientes do memorial cedido pela professora Cecília também foram utilizados nessa mesma análise.
Os Núcleos de Significação consistem num procedimento de análise e interpretação de dados qualitativos que está ancorada na compreensão de linguagem defendida por Vigotski (2005). Ou seja, ele leva em conta que, enquanto o significado expressa a essência objetiva da palavra, o conteúdo socialmente produzido que lhe confere a propriedade de uma generalização, ao sentido cabe a tarefa de qualificá-la, singularizando sua significação por meio de um matiz sensível que a colore segundo as relações cognitivas e afetivas que conformam a subjetividade de cada sujeito em particular, ou ainda segundo o contexto no qual a palavra é expressa.
Embora possuam características que lhes são particulares, ambos, significado e sentido coexistem na palavra, enleados um ao outro. Entretanto, é o significado que por sua natureza se apresenta primeiro àqueles que procuram a interpretação de um discurso. Para que os sentidos sejam apreendidos, torna-se necessária uma maior profundidade no processo de análise e interpretação da palavra no qual se considere sua aproximação tanto à base afetivo- volitiva que engendra afetos, necessidades e motivos, quanto à historicidade que é descrita por cada um, individualmente.
Desse modo, a proposta metodológica dos Núcleos de Significação parte da análise dos significados expressos pelas palavras dos participantes, quer sejam elas escritas ou faladas, sendo esse processo ampliado pela ação interpretativa do investigador que os articula com o contexto social e histórico, o que lhe permite alcançar uma compreensão mais complexa dos sujeitos onde são levadas em conta as múltiplas determinações que condicionam a sua produção de sentidos.
Seguindo as orientações expressas por Aguiar e Ozella (2006, 2013), o primeiro passo que foi dado em direção à construção dos Núcleos de Significação se constituiu no levantamento dos pré-indicadores. Após variadas leituras do material obtido junto às quatro professoras coordenadoras participantes, foi possível destacar e organizar trechos de suas narrativas que sobressaíram do seu conjunto pela relevância que demonstraram para o processo de compreensão dos objetivos da pesquisa. Esses trechos, que são variados, correspondem aos pré-indicadores.
Em função do grande volume de informações que eles representam, consideramos não apresentar os pré-indicadores no corpo do texto, deixando-os disponíveis no Apêndice D deste trabalho. Os quadros que compõem tal apêndice apresentam a relação de todos os pré- indicadores que foram levantados e, de modo a facilitar o mapeamento e a organização das informações neles contidas, recorreu-se por agrupá-los em torno dos seguintes aspectos que denotam a identificação das profissionais participantes com a atividade da coordenação pedagógica: motivos para o ingresso na função; expectativas e entendimentos iniciais sobre a coordenação pedagógica; significados construídos para a atividade da coordenação ao longo da vivência na função; particularidades do relacionamento entre as coordenadoras pedagógicas com o contexto escolar e seus demais personagens (professores, diretores, funcionários, alunos e pais); vivências positivamente percebidas na atuação na coordenação pedagógica; limites e obstáculos à atuação; leitura pessoal de seu papel na atividade da coordenação.
Após o levantamento dos pré-indicadores, deu-se início à etapa de sua organização em indicadores. Essa fase da análise dos dados compreendeu a aglutinação dos pré-indicadores a partir das características de similaridade e/ou complementaridade que apresentaram entre si, o que resultou na sistematização das informações coletadas nas narrativas das professoras coordenadoras em torno de 15 indicadores.
Tal como ocorreu com os pré-indicadores, também recorremos por não apresentar, no corpo do texto, o processo pelo qual os indicadores tiveram origem, devido ao grande volume de informações que isso representaria; deixando disponível, no Apêndice E, os quadros que o descrevem. Porém, no Quadro 2, é possível conferir a relação de todos os indicadores que derivaram da análise das narrativas das professoras coordenadoras participantes. De maneira a permitir um melhor entendimento acerca dos seus conteúdos, recorreu-se por organizar os indicadores de acordo com as temáticas a que estão associados.
Quadro 2 – Relação dos indicadores Sobre o ingresso na coordenação pedagógica
O desinteresse e a dúvida frente à oportunidade de ingressar na coordenação pedagógica Experiências anteriores aproximaram as professoras das práticas da coordenação pedagógica e mediaram seus interesses na atividade
O afeto pela escola mediando a iniciativa de ingresso na coordenação pedagógica Sobre as significações incorporadas à atividade da coordenação pedagógica O coordenador como parceiro do professor nas suas ações pedagógicas
O coordenador pedagógico como mediador da formação do professor O coordenador pedagógico como um agente articulador do coletivo escolar
O coordenador pedagógico como um parceiro do professor no auxílio aos alunos com dificuldades de aprendizagem
O coordenador pedagógico como parceiro da direção
A ausência inicial de clareza da escola e das próprias professoras sobre as atribuições do coordenador pedagógico
Sobre as vivências no cotidiano da atividade da coordenação Os vínculos com a docência permanecem
A (in)visibilidade dos resultados da atividade do coordenador pedagógico Coordenar, atividade que se aprende na própria prática
A confusão dos papeis como causadora da frustração do coordenador
Coordenador pedagógico e a direção escolar, uma parceria necessária e profícua
A natureza da relação entre os professores e o coordenador pedagógico influi diretamente nas possibilidades de sua atuação
Fonte: Dados obtidos a partir da análise das narrativas das coordenadoras pedagógicas participantes. Após a conclusão do processo de aglutinação dos pré-indicadores em indicadores, deu-se início à terceira etapa da análise, correspondente à constituição dos Núcleos de Significação. Nesta fase, os indicadores cujos conteúdos temáticos apresentavam aspectos caracterizados por certa semelhança ou complementaridade entre si foram reunidos em três categorias distintas, cada qual indicadora de um dos Núcleos de Significação que marcaram as narrativas produzidas pelas quatro coordenadoras pedagógicas participantes da pesquisa.
O Quadro 3, apresentado na página seguinte, exibe o modo como os indicadores foram articulados no processo de construção dos Núcleos de Significação, cuja interpretação e discussão dão continuidade ao processo de apreensão dos significados e sentidos constituídos por essas profissionais acerca de suas vivências na prática da coordenação e do modo como tem sido conduzido o processo de sua identificação com a função.
Na seção seguinte, apresenta-se a interpretação de tais núcleos que, de acordo com Aguiar e Ozella (2006, 2013), não deve se restringir ao material coletado na expressão dos sujeitos pesquisados, sendo atribuição do pesquisador sua articulação com as condições contextuais e históricas que lhes são determinantes. É desse modo que, explicam os autores, “alcançamos uma análise interpretativa mais completa e sintetizadora, ou seja, quando os núcleos são integrados no seu movimento, analisados à luz do contexto do discurso em questão, à luz do contexto social histórico, à luz da teoria” (AGUIAR; OZELLA, 2013, p. 311).
Quadro 3 – Dos indicadores aos Núcleos de Significação
Indicadores Núcleos de Significação
O desinteresse e a dúvida frente à oportunidade de ingressar na coordenação pedagógica
O ingresso na coordenação pedagógica: vivências e afetos engendrando os motivos que conduziram as professoras à nova atividade A ausência inicial de clareza da escola e das próprias
professoras sobre as atribuições do coordenador pedagógico Experiências anteriores aproximaram as professoras das práticas da coordenação pedagógica e mediaram seus interesses na atividade
O afeto pela escola mediando a iniciativa de ingresso na coordenação pedagógica
O coordenador pedagógico como parceiro da direção
A multidimensionalidade da ação do coordenador
pedagógico: uma
(re)significação mediada pelos saberes docentes O coordenador pedagógico como um agente articulador do
coletivo escolar
O coordenador como parceiro do professor nas suas ações pedagógicas
O coordenador pedagógico como um parceiro do professor no auxílio aos alunos com dificuldades de aprendizagem O coordenador pedagógico como mediador da formação do professor
Coordenar, atividade que se aprende na própria prática
Desafios e possibilidades no processo de identificação com a coordenação pedagógica A natureza da relação entre os professores e o coordenador
pedagógico influi diretamente nas possibilidades de sua atuação
Coordenador pedagógico e a direção escolar, uma parceria necessária e profícua
A confusão dos papeis como causadora da frustração do coordenador
A (in)visibilidade dos resultados da atividade do coordenador pedagógico
Os vínculos com a docência permanecem