3. BÖLÜM: İNSAN HAKLARI VE DEMOKRASİ İLİŞKİSİ
3.4. Müzakereci Demokrasi ve İnsan Hakları
3.4.3. S Benhabib’in Müzakereci Demokrasi Anlayışı ve İnsan Hakları
Tendo em vista a complexidade do tema abordado, o escopo e a duração da fase de coleta de dados, a pesquisa foi executada em quatro fases:
16Interessa nesta tese menos uma discussão teórica sobre representações sociais do que como elas implicam em
termos cognitivos e comportamentais. Como dizem Eccel e Saraiva (2009, p. 5), “assim, além de as representações sociais atuarem no nível cognitivo, função esta simultaneamente individual (o que conheço, aprendo, e percebo) e grupal (o que meu grupo de referência conhece, aprende, percebe), dizem respeito à esfera do comportamento social propriamente dito, pois a forma pela qual é representado um dado objeto implica respostas compatíveis no nível social. Isso significa além de representar o objeto, agir de acordo com as expectativas sociais do grupo de referência daquele que representa o objeto. Não quer dizer que as representações sejam uma espécie de camisa de força, e que os indivíduos sempre se comportarão de acordo com o que se espera ser uma resposta socialmente adequada para uma dada representação. Mas que os processos dinâmicos de socialização implicam ajustes, e estes mais freqüentemente se dão no sentido de o indivíduo buscar adequação ao seu contexto social de referência”.
Primeira fase: Levantamento das políticas culturais desenvolvidas desde 1985, no arquivo da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. Procurei, com essa iniciativa, compreender o que oficialmente se denominava cultura, de acordo com Sahlins (1976), com o passar do tempo e, mais especificamente, identificar com clareza desde quando, efetivamente, a figura de Carlos Drummond de Andrade passou a ser usada como trunfo cultural na cidade de Itabira. A partir da análise documental também procurei traçar um parâmetro relacionado à questão da dinâmica simbólica e da indústria cultural na localidade em estudo. Essa fase foi sustentada sobre o que Hodder (1994) denominou de material mudo17, em especial, as peças de comunicação, o que foi complementado com a análise de publicações e materiais de diversas fontes.
Segunda fase: Levantamento, a partir dos quarenta e oito poemas de Carlos Drummond de Andrade que fazem menção à Itabira, dos significados atribuídos por Drummond à cidade na época em que a Vale se preparava para iniciar suas atividades. Embora haja controvérsia sobre a utilização de arte na Administração, os fóruns a esse respeito têm sido cada vez mais amplos e sedimentados na academia (CARVALHO; DAVEL, 2005; CUNHA, 2005; IPIRANGA, 2005; RUAS, 2005).
A ideia foi a de trabalhar com esses dados adotando os mesmos procedimentos que em um documento oficial. Afinal, como diz Starling (2000, p. 156), “[...] todas as vezes que ocorre esse esforço de rememoração, uma história irrompe [...] ratificada pelo poeta ou pelo historiador, a narração da história se integra à realidade dos homens, obtendo permanência e estabilidade”. Desse ponto de vista, como nos diz Matos (2001, p. 91), “[...] poesia, linguagem metafórica, teatro e drama são modalidades narrativas disruptivas do devir abstrato do tempo, as mais próximas do ato de pensar e da faculdade de julgar”.
Starling (2001, p. 256) complementa que a poesia, “[...] a rigor, trata-se de uma forma narrativa muito refinada, apta a recuperar o som no signo e o ritmo da frase no discurso poético, e que está à disposição de todos”. A única diferença das outras fases é o registro que parte das nuances simbólicas do poeta. Não me interessa recorrer ao registro histórico, embora ele seja sem dúvida interessante como complemento dos dados, porque suas possibilidades de significação são limitadas pelo compromisso com os fatos, o que não favorece uma análise
17 Mudo no sentido de não emitir voz, porque, no que concerne à análise francesa do discurso, o texto fala mesmo ao silenciar sobre aspectos do tema.
das significações de tais aspectos para o poeta. Assim, procedi a uma reconstituição
simbólica, e não histórica do passado da cidade.
Terceira fase: Levantamento iconográfico de artefatos culturais, em especial, os que se referiam a Carlos Drummond de Andrade como um símbolo cultural local. Os dados dessa fase foram coletados principalmente a partir de quinze fotografias das diversas alusões à cultura e, mais especificamente, ao poeta na cidade, como estátuas e monumentos, combinadas a outros recursos disponíveis na época da coleta, como material de arquivo das organizações dedicadas à cultura na localidade.
Quarta fase: Realização de entrevistas em profundidade com representantes das diversos segmentos da população local, já definidos anteriormente. Aqui tratei mais especificamente das ideias, interpretações e representações sociais sobre a relação entre a mercantilização da cultura e a dinâmica simbólica a partir das iniciativas locais de difusão da cultura, em especial a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade – FCCDA.
Entrevistei, como já dito, no total, 12 representantes da comunidade, do terceiro setor, de empresas, do poder público, de instituições locais, de artistas, e da imprensa, sujeitos selecionados em função da possibilidade de serem diretamente afetados pelas ações culturais e por deterem informações relevantes sobre os temas em tela. O protocolo de campo passou por encontros pessoais e individuais com cada um dos entrevistados.
Em um primeiro, eu lhes explicava os objetivos da pesquisa e, em seguida, lhes entregava o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (anexo a), documento no qual assinavam formalmente concedendo autorização para a análise das entrevistas e do qual recebiam uma cópia idêntica à que haviam assinado. Utilizei um roteiro semiestruturado (apêndice 1) para a realização das entrevistas individuais e em profundidade. Todas as entrevistas foram integralmente gravadas e transcritas18. O perfil dos entrevistados consta no quadro 1.
18 Devo ressaltar que as entrevistas não passaram por qualquer tipo de correção de português porque se referem, essencialmente, à língua viva. Contudo, no ato de transcrição, foram inseridos alguns elementos para conferir mais sentido aos depoimentos.
Codificação Idade Gênero Estado civil
Formação Atuação
profissional
Segmento
Entrevistado 01 56 anos masculino casado Pedagogo Empresário Artista Entrevistado 02 35 anos feminino solteiro Licenciada em Letras Professora Comunidade Entrevistado 03 33 anos masculino solteiro Economista Empresário Empresas Entrevistado 04 63 anos feminino casada Normal superior Artista plástica Artista Entrevistado 05 29 anos feminino casada Administradora Administradora Poder público Entrevistado 06 54 anos masculino casado Advogado Agropecuarista Terceiro setor Entrevistado 07 80 anos feminino viúva Licenciada em Letras Aposentada Instituições Entrevistado 08 45 anos masculino casado Ensino médio Empresário Imprensa Entrevistado 09 45 anos masculino casado Ensino médio Político Poder público Entrevistado 10 93 anos masculino casado Autodidata Agente Comercial Comunidade Entrevistado 11 45 anos masculino casado Ensino médio Produtor cultural Instituições Entrevistado 12 42 anos masculino casado Ensino médio Fotógrafo Comunidade
Quadro 1 – Perfil dos entrevistados
Fonte – Dados da pesquisa.
Os entrevistados, um total de 12 indivíduos, são caracterizados da seguinte maneira: nove homens, quatro mulheres, idade média de 50,6 anos (52 no caso das mulheres, e 49 no caso dos homens). No total, foram gravados 1.023 minutos de entrevistas, uma média pouco mais de 85 minutos por entrevistado, transcritas em um total de 351 páginas impressas. Oito dos entrevistados têm curso superior; seis estudaram até o nível médio completo. Do total, três são solteiros, nove, casados e uma é viúva.
Além das fases anteriores de coleta de material de dados propriamente dita, associei ao material coletado minha observação dos fatos. Por meio de notas de campo, diversas impressões sobre a perspectiva da indústria cultural e da dinâmica simbólica local foram registradas e, não apenas por ocasião da pesquisa de campo. Em momentos distintos, a partir da dinâmica própria da cidade, registrei inúmeros aspectos que serviram como complemento, e mesmo como parâmetro, em alguns casos, para nortear o tom da análise. Atendendo a orientações de Eisenhardt (1989) e Leonard-Barton (1990), esses registros foram feitos sem filtros prévios. Isto levou a que, somente em um segundo momento, tenha sido feita a análise, quando já havia mais elementos e maior clareza da complexidade dos fenômenos e das possibilidades de leitura do contexto local.