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Psikolojik sağlık ve Dindarlık, Psikolojik Sağlıkta İbadetlerin Etkisi

3. ERGENLİKTE PSİKOLOJİK SAĞLIK VE DİN

3.10. Psikolojik sağlık ve Dindarlık, Psikolojik Sağlıkta İbadetlerin Etkisi

Em 14.12.1998, os países amazônicos, em um processo de institucionaliza- ção de uma visão comum da região e fortalecimento do TCA, assinaram o seu Protocolo de Emenda e acordaram a criação da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Instalada com sede permanente em Brasí- lia em 2002, a OTCA é dotada de personalidade jurídica e é um organismo com mandato específi co dos oito países da região para defender os recursos naturais da Amazônia Continental, região que se estende por cerca de 40% do território da América do Sul. Destaque-se que o TCA não é aberto a adesões, e, portanto, participam como membros plenos da OTCA os Países Partes do TCA; a Guiana Francesa, território ultramarino da França, tem apenas o status de observador na OTCA.

Incumbe à OTCA gerar consensos e soluções adaptadas aos problemas socioambientais compartilhados, ainda que diante de situações heterogêneas; estabelecer um espaço para o diálogo político e técnico; administrar regio- nalmente a execução de atividades, programas e projetos de acordo com os mandatos dos países membros; bem como identifi car fontes de fi nanciamento, produzindo informação de referência para a região e o fortalecimento da ca- pacidade institucional. Na Cúpula dos Presidentes Amazônicos de 2009, na qual foi adotada a Declaração de Manaus, os Chefes de Estados decidiram “dar à OTCA um papel renovado e moderno como fórum de cooperação”, como também reconheceram que o desenvolvimento sustentável da Amazônia é uma prioridade e deve ser realizado “por meio de uma administração integral, parti- cipativa, compartilhada e equitativa, como forma de dar uma resposta autôno- ma e soberana aos desafi os ambientais atuais”.

Ainda que na esfera regional haja ao menos esse “consenso” em termos dis- cursivo sobre a necessidade de um desenvolvimento sustentável da Amazônia, infelizmente na prática os confl itos socioambientais, que resultam do desenvol- vimento de políticas insustentáveis, se multiplicam, notadamente no Brasil. E assim é possível observar:

15 De acordo com Ricupero, “(...) existe ao menos um tema estruturante capaz de unir a todos numa luta comum. Esse tema é o de enfrentar de forma proativa a ameaça que a mudança climática faz pesar sobre a região”. RICUPERO, Rubens. Op. cit., p. 33.

a) os efeitos negativos da política brasileira que favorece a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia16, notadamente os impactos socio- ambientais de comunidades afetadas com o primeiro barramento do Xingu na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Isso sem falar das duas notifi cações que o Brasil recebeu da Comissão Intera- mericana de Direitos Humanos (CIDH) para prestar esclarecimentos sobre as violações de direitos humanos. A resposta dada pelo governo brasileiro foi o não comparecimento em outubro de 2011 à audiência sobre medidas cautelares que determinam a suspensão da obra de Belo Monte na CIDH, e a suspensão da contribuição orçamentária do país à Organização dos Estados Americanos (OEA);

b) os impactos negativos que podem advir da sanção presidencial do Proje- to de Código do Desmatamento e Destruição — Código Florestal (PL 1876/1999) —, ora aprovado pelo Congresso Nacional e já evidencia- dos em estudos científi cos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da Academia Brasileira de Ciência — SBPC e ABC. Isso sem falar que esse texto é uma afronta ao princípio do não retrocesso da pro- teção socioambiental; na realidade, o que deveríamos estar discutindo é como podemos preservar, conservar e utilizar o patrimônio que temos: a nossa biodiversidade;

c) a violência no campo e as mortes de lideranças camponesas e indígenas — o ano de 2011 registrou um aumento de aproximadamente 15% dos confl itos no campo em relação à 2010.

Então, como refl etir sobre uma estratégia para a Amazônia? Em termos de planejamento das ações da OTCA, em novembro de 2010 foi aprovada a Agenda Estratégica de Cooperação Amazônica (2010-2020) na X Reunião de Ministros das Relações Exteriores do TCA.17 A síntese dessa agenda, que confe- re à OTCA um papel como fórum de cooperação, intercâmbio, conhecimento e ações de curto, médio e longo prazo,para fortalecer o processo de cooperação,

16 Há, no Plano Decenal de Energia 2020, a previsão de construção de 10 (dez) novos projetos hidrelé- tricos na Amazônia a serem viabilizados de 2016 a 2020. Cf. BRASIL, MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Plano Decenal de Expansão de Energia 2020. Brasília: MME/EPE, 2011. Disponível em; [http://www.cogen.com.br/paper/2011/PDE_2020.pdf ], acesso em 07.05.2012.

17 O Plano Estratégico (2004-2012) foi submetido à consideração da XII Reunião do Conselho de Coo- peração Amazônica (CCA) e da VII Reunião dos Ministros de Relações Exteriores. Para uma visão de alguns dos espaços de intervenção desse plano cf. SILVA, Solange Teles da. Op. cit. Em relação à estrutura orgânica do TCA cf. SILVA, Solange Teles da. O Direito Ambiental Internacional. Belo Horizonte: Del Rey, 2009.

O TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNICA, A AGENDA ESTRATÉGICA E A RIO+20 193

pode ser analisada a partir da matriz do quadro a seguir apresentado. Dois são os eixos de abordagem transversal, o da conservação e uso sustentável dos re- cursos naturais renováveis e o do desenvolvimento sustentável, que foram con- siderados para estabelecer as diretrizes de atuação da Secretaria Permanente e o ciclo de projetos da OTCA. Por um lado, em alguns dos temas apresentados, há expressamente a previsão de ações específi cas voltadas para uma participação de todos os atores envolvidos, como é o caso, por exemplo, da promoção, do fortalecimento e da participação social na gestão fl orestal; do incentivo à parti- cipação de populações vulneráveis, povos indígenas e outras comunidades tra- dicionais em debates sobre recursos hídricos; a promoção do desenvolvimento de diálogos sobre temas relevantes para a gestão das áreas protegidas. Por outro lado, no que diz respeito a temas como energia, infraestrutura e transportes, não há a previsão de nenhum espaço de participação. Destaque-se que, de acor- do com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, representantes da socie- dade civil brasileira são sempre chamados a participar das reuniões da Comissão Nacional Permanente do Tratado de Cooperação Amazônica e a colaborar na elaboração de textos sobre a Amazônia.18 Seria então o caso de estabelecer um espaço institucional de participação: poderiam ter os povos indígenas e comu- nidades tradicionais, o status de observadores na OTCA? (Quadro I, pág. 194) Aqui o papel da OTCA é fundamental para fomentar o diálogo e construir esse espaço de refl exão para analisar as perspectivas de desenvolvimento para a região, possibilitando a participação de todos os atores — notadamente popula- ções tradicionais e indígenas — observando-se uma correlação de forças na for- mulação de ações conjuntas e implementação dos objetivos do TCA. Nessa es- teira de ações para alcançar o desenvolvimento sustentável, importante ressaltar o Compromisso de Manaus fi rmado na XI Reunião de Ministros das Relações Exteriores dos Países Membros da OTCA em 22.11.2011. De acordo com esse texto, a Reunião de Ministros, órgão supremo do TCA, comprometeu-se a ado- tar medidas, dentre as quais destacamos aquelas que refl etem preocupação com a necessidade de desenvolver um maior conhecimento em relação à Amazônia como também aquelas que se referem à participação da sociedade civil. Fazem parte do primeiro tipo de medidas, destinadas a promover o conhecimento em relação à Amazônia: a promoção da mobilidade acadêmica; a iniciativa equa- toriana de criar uma Universidade Regional Amazônica; o desenvolvimento de um sistema de informação integrado e indicadores regionais padronizados

18 MRE. Balanço de Política Externa 2003/2010 — América do Sul — OTCA. Disponível em: [http://www. itamaraty.gov.br/temas/balanco-de-politica-externa-2003-2010/1.1.4-america-do-sul-otca/view] Acesso em 07.05.2012.

INSTR UMENT OS JURÍDICOS P ARA A IMPLEMENT AÇÃO DO DESENV OL VIMENT O SUSTENTÁVEL

Conteúdo Temático Geral Eixos de Abordagem Transversal

Missão e Objetivos Estratégicos Conservação e uso sustentável dos

recursos naturais renováveis

Desenvolvimento Sustentável Agendas setoriais Conservação e uso sustentável dos recursos naturais renováveis • Florestas. • Recursos hídricos.

• Gestão, monitoramento e controle de espécies da fauna e da fl ora selvagens ameaçadas pelo comércio.

• Áreas Protegidas.

• Uso sustentável da biodiversidade e promoção do biocomércio. • Pesquisa, tecnologia e inovação em biodiversidade amazônica.

Assuntos indígenas • Povos Indígenas em isolamento voluntário e em contato inicial.

• Proteção dos conhecimentos tradicionais dos Povos Indígenas e outras comuni- dades tribais.

• Terras e territórios indígenas e outras comunidades tribais. • Novos temas.

Gestão do conhecimento e intercâmbio de informação

(continua)

1 OTCA. Agenda Estratégica de Cooperação Amazônica — aprovada na X Reunião de Ministros de Relações Exteriores do TCA, novembro 2010 — 2011. Disponível em: [http://www.otca.info/portal/admin/_upload/apresentacao/AECA_prt.pdf ] Acesso em 07.05.2012.

O TRA

TADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNIC

A, A A GEND A ESTRA TÉGIC A E A RIO+20 195 Quadro I (continuação)

Conteúdo Temático Geral Eixos de Abordagem Transversal

Missão e Objetivos Estratégicos Conservação e uso sustentável dos

recursos naturais renováveis

Desenvolvimento Sustentável

Agendas setoriais

Gestão regional de saúde

• Coordenação com outras iniciativas. • Vigilância epidemiológica.

• Saúde ambiental.

• Desenvolvimento de sistemas de saúde.

• Tecnologias para melhorar a efi ciência e efi cácia de intervenções em saúde. • Determinantes de saúde na Amazônia.

• Políticas de recursos humanos para a Amazônia.

• Impulso, fortalecimento e consolidação da investigação na Amazônia. • Financiamento da agenda de saúde.

Infraestrutura e transporte

• Infraestrutura de transporte. • Navegação comercial.

Turismo • Sistematização da informação turística na Amazônia.

• Criação de circuitos regionais integrados.

• Desenvolvimento do turismo de base comunitária ambientalmente sustentável. • Fortalecimento da imagem turística da Amazônia.

• Proposta para contar com um mecanismo de fi nanciamento regional de turismo.

Fortalecimento Institucional, fi nanceiro e jurídico Temas emergentes • Mudanças Climáticas.

• Desenvolvimento Regional. • Energia.

para facilitar a pesquisa sobre a Amazônia realizada pelas instituições nacionais e regionais; a promoção da inclusão dos conhecimentos ancestrais e práticas comunitárias e locais dos povos indígenas; e a implementação do “Observatório Amazônico”, fórum permanente que reunirá instituições e autoridades relacio- nadas ao tema, com ênfase no estudo da biodiversidade amazônica.

O segundo tipo de medidas que se referem à participação da sociedade civil dizem respeito a priorizar, no âmbito das iniciativas de cooperação entre os Países Membros, ações que aproximem a OTCA, conjuntamente com as autoridades nacionais e locais, das populações que vivem na região amazônica, visando facilitar o processo de identifi cação de demandas locais para projetos de cooperação regional. Aqui também se aponta a necessidade de desenvolver espaços de diálogo com as populações amazônicas, com a realização de um se- minário regional, visando estudar e analisar as propostas apresentadas em cada um dos seminários nacionais.