İSLÂM’DA MÜZİK ÜZERİNE ÇAĞDAŞ GÖRÜŞLER
7.4 Prof Dr Süleyman Ateş
Na segunda categoria isolada, sobre a aprendizagem no ambiente do blog, segundo a percepção dos alunos, foram recortadas das respostas colhidas pelo questionário on-line, 11 unidades de
análise, reunidas em três subcategorias pelo sentido mais homogêneo e aparente: mais fácil (SC4), mais tempo (SC5) e mais elasticidade na abordagem dos assuntos (SC6).
Considerando as respostas dadas à pergunta nº. 15 do questionário, que pedia ao aluno para explicar qual a maior vantagem ou benefício que ele destacaria no uso do blog para o aprendizado do Direito, restou aparente uma repetição das expressões ligadas às palavras “facilidade”, “prazer”, “contato” e “amplitude”, como se verifica no quadro a seguir.
Quadro 5 - Conteúdo da categoria temática 2
C at egor ia t em át ica 2 A pr end iza gem no b log ( C 2)
Subcategorias Unidades de análise
Ma is f ác il ( SC 4)
As diversas opiniões presentes é uma maneira de compreender melhor o assunto (R1)
É uma forma de aprender divertida com os outros alunos e de buscar cada vez mais conhecimentos Na verdade para quem se interessou pelo blogue como ferramenta de aprendizagem se saiu muito bem nas avaliações (R2)
Ao deparar-me com um assunto, por vezes me veio a dúvida de onde poderia encontrar aquilo no CPC, e por meio dos comentários, relatórios, etc., conseguia encontrar com mais facilidade (R4)
Tornar o aprendizado do Processo Civil algo mais simples e prazeroso, buscando afastar as complicações existentes no referido ramo processual. (R12)
A participação em comentário as perguntas nos leva e pesquisar e assim a assimilar melhor o conteúdo (R13)
Ma is t em po (SC 5)
O aluno amplia seus estudos além da sala de aula (R1)
A revisão do que fora visto em sala. Nós estávamos sempre em contato com a disciplina e reforçávamos o aprendido em sala de maneira mais natural (R9)
Estar sempre em contato com a disciplina e buscar formas mais fáceis de assimilar o conteúdo (R13) Ma is e las tici dade na a bo rdag em dos as sun tos (SC
6) O blog permite uma maior abordagem sobre determinado assunto sem se limitar a questão em pauta (R1) O benefício é que com os trabalhos postados, a gente pode contribuir de certa forma trazendo outras doutrinas, críticas sobre determinados temas etc (R6)
O aprendizado individual e coletivo q foram expostos nesse meio de ampliação de conhecimento (R14)
Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da pesquisa.
Tal como referido na análise da categoria anterior (C1), aprender é algo inato do homem, diante da curiosidade natural sobre tudo que lhe cerca e é desconhecido, contudo, para que se torne eficiente, o processo de aprendizado requer vontade, vontade de conhecer, de compreender, de descobrir.
Por isso, “é preciso substituir a aula expositiva, em que os conteúdos são revelados progressivamente e recebidos passivamente por um aluno disposto a escutar, por uma concepção mais dinâmica em que o aluno é instigado a produzir seu próprio conhecimento” (OLIVEIRA, 2012, p. V).
Assim, dando início à análise da primeira subcategoria (SC4) ligada à temática aprendizagem no blog (C2), que reúne as percepções dos discentes acerca de um possível caráter facilitador da tecnologia para o aprendizado da matéria jurídica, percebe-se implícito nos registros acima organizados no quadro, que, no ambiente da TDIC, os alunos se mostraram contaminados por esse interesse constante em aprender, revelado em frases que atribuíram à tecnologia a característica de levá-los a “buscar cada vez mais conhecimentos (R2), e “a pesquisar (R13)” Talvez, a motivação e o desejo estejam ligados à percepção que demonstraram ter do ambiente virtual do blog, como “uma forma de aprender divertida (R2)”, por ser capaz de “tornar o aprendizado do Processo Civil algo mais simples e prazeroso, buscando afastar as complicações existentes no referido ramo processual. (R12)”.
Em tais colocações, é clara a afinidade dos alunos com uso da tecnologia, a que se referem como algo possivelmente mais atraente do que a aula expositiva no ambiente físico acadêmico. Segundo Demo (2007, p. 130), “não se pode reduzir aprendizagem a brincadeira de computador, mas é fútil querer evitar que a aprendizagem possa também ser brincadeira”, especialmente quando associada a um ambiente onde o aluno se sente à vontade, por ser esta também a sua realidade fora do ambiente escolar. Parafraseando o autor, pode até haver aluno que não goste de ir à escola, mas não há aquele que não goste de navegar na internet através de um computador.
Se, hoje, as pessoas apreciam estar juntas virtualmente em sua vida fora da sala de aula, é plausível que se sintam motivadas pela chance de estudar sobre o Direito nas mesmas condições, desfrutando de um plano pedagógico que lhes permita autonomia e liberdade, características marcantes do comportamento humano na sociedade atual, cada vez mais desprovida de fronteiras e limites desfeitos pela comunicação e informação através da internet. Para Kenski (2010, p. 103), no contexto da educação nessa nova realidade social, é preciso “aproveitar o interesse natural dos jovens estudantes pelas tecnologias e utilizá-las para transformar a sala de aula em espaço de aprendizagem ativa e de reflexão coletiva”, capacitando
os alunos para a crítica, a produção e a manipulação das informações, meta que foi incorporada pelos discentes, a julgar pelas respostas dadas à sexta pergunta do questionário, ao indagar-lhes sobre o que consideravam mais importante no processo de aprendizagem, como se observa no gráfico adiante:
Gráfico 6 - Aspectos importantes no processo de aprendizagem
Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da pesquisa.
Pela estatística exposta, a grande maioria dos alunos da amostra reputa a autonomia do aluno como elemento contributivo mais importante para o resultado do próprio aprendizado, o que fortalece a ideia da crença no desejo discente de aprender mais que conteúdos teóricos específicos, mas, sobretudo, desenvolverem as chamadas competências transversais, pautadas em um conhecimento inovador que lhes capacite a adquirir, interpretar, analisar, compreender e comunicar a informação (POZO; POSTIGO, 2000).
Quem sabe, por isso, a aprendizagem através do blog seja vista por eles como mais atraente do que as aulas tradicionais, provavelmente por garantir-lhes essa postura autônoma, decidindo quando e o que postar, e como e até que ponto intervir na produção alheia.
Da mesma forma, talvez, sejam essas as mesmas razões pelas quais os alunos pesquisados atribuíram ao blog a capacidade de tornar “mais fácil” o aprendizado, haja vista as afinidades do ambiente com as características já ressaltadas, por eles apreciadas.
Nesse ponto, o discurso discente retoma a interação oportunizada pelo blog como outro importante elemento facilitador do aprendizado, evidenciado nos seguintes trechos: “ao deparar-me com um assunto, por vezes me veio a dúvida de onde poderia encontrar aquilo no
79% 21%
ASPECTO MAIS IMPORTANTE PARA O ALUNO NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
Autonomia do aluno na busca pelo conhecimento necessário Aula dada pelo professor
CPC, e por meio dos comentários, relatórios, etc., conseguia encontrar com mais facilidade (R4)”, “a participação em comentário as perguntas nos leva e pesquisar e assim a assimilar melhor o conteúdo (R13)”.
Mais uma vez, a troca de “comentários” serviu de justificativa para associar a tecnologia a uma melhor “assimilação” do conteúdo jurídico da disciplina, merecendo destaque aí a referência do aluno (R4) a um incremento de sua competência para pesquisar na legislação, o que será objeto de análise no próximo item deste trabalho.
Prosseguindo, partindo para análise da segunda subcategoria (SC5), os alunos ainda atribuíram como aspecto positivo da aprendizagem através do blog o fato de colocá-los “sempre em contato com a disciplina (R9) e (R13)”, indicando mais tempo de estudo dedicado por eles à matéria, o que certamente também está relacionado à autonomia para decidir sobre que momento acessar, sem falar na flexibilidade de horários e a real possibilidade de que o acesso dure muito mais tempo em razão do diálogo interativo com os colegas, do que os clássicos 45 minutos da aula expositiva onde o silêncio e os olhares voltados para o professor normalmente são regras.
Veja-se, por exemplo, os horários de acesso registrados nas duas postagens abaixo, entre as quatro e as seis horas da manhã do mesmo dia: a primeira, por um aluno do turno noturno, e a segunda, por uma aluna do turno vespertino, o que se coaduna com a perspectiva de que o blog estimula a ampliação do tempo dedicado ao estudo dos conteúdos programáticos.
Aluno I 26 de agosto de 2014 04:19 Parabéns ao grupo pela exposição.
A fim de colaboração, passo a colocar um comentário interessante sobre a contestação e a reconvenção, do Professor Bachelli: [...]
Aluna B 26 de agosto de 2014 06:17 Bom trabalho pessoal,
Venho acrescentar sobre como dá-se a perempção, esta ocorre quando o autor der causa por três vezes à extinção do processo por abandono, e somente nesta hipótese (art. 267, III, c/c o art. 268, parágrafo único, todos do CPC).
Note-se, ainda, segundo os trechos em negrito, que a participação no blog em horários tão inusitados teve como motivador o desejo declarado de “colaborar”, ou “acrescentar” algo ao que já havia sido postado pelos colegas, robustecendo a importância da tão citada interação. Ocorre que para o aluno “nativo digital”7, “a competência não está em possuir o conhecimento,
mas em localizá-lo e em conseguir comunicar e compartilhar esse conhecimento, se possível imediatamente, no mesmo momento em que estiver sendo produzido” (MONEREO; POZO, 2010, p. 101), o que coloca o ensino-aprendizagem através do blog, mais uma vez, em evidente vantagem, se comparado às limitações físicas e dimensionais da sala de aula, o que também restou espelhado no conteúdo da seguinte unidade de análise: “ o aluno amplia seus estudos além da sala de aula (R1)”.
No mesmo viés, a correlação feita pelos discentes blogueiros entre a tecnologia e a oportunidade de uma abordagem mais ampla e elástica dos conteúdos programados no plano de ensino da disciplina, que consubstancia a terceira unidade de registro (UR6) desta segunda categoria temática analisada.
Numa definição sintética,
os conteúdos são, por um lado, a palavra do professor, mas também os materiais que contém informação e que são postos à disposição dos estudantes, seja como referência, como guia ou como complemento de outra informação; por outro lado, são usados como sinônimos daquilo que é preciso aprender (ILLERA, 2010, p. 137).
Trocando em miúdos, embora os conteúdos programados correspondam a uma espécie de sumário do que é preciso aprender durante o período letivo acerca de determinada disciplina, essa referência posta pelo professor pode, e deve, ser extrapolada pelos alunos, principalmente dentro da perspectiva de formar competências transversais, como já se falou antes.
Nesse ponto, percebe-se o realce dado por eles ao fato do blog permitir-lhes inovar nas referências postadas pela professora e pelos outros colegas, “trazendo outras doutrinas, críticas sobre determinados temas etc (R6)”, “sem se limitar a questão em pauta (R1)”, o que também restou reiterado pelo teor das postagens adiante destacadas, confirmando que a
7 Conceito introduzido por Marc Prensky, em 2004, se referindo a pessoas que desenvolvem uma vida on-line (e- life), para as quais o ciberespaço é parte constituinte do cotidiano (MONEREO; POZO, 2010, p. 101).
ampliação dos limites de exploração dos conteúdos disciplinares também foi percebida pelos alunos como característica do aprendizado propiciado pelo uso do blog:
Patricia Lapa 19 de outubro de 2014 13:54 \o/\o/\o/\o/\o/\o/
Arrasou Aluna Q!!!!
Vc trouxe um trecho da Lei de Alimentos com um importante detalhe: a exigência de publicação do edital de citação, por três vezes!
Quantas vezes é preciso publicar o edital de citação, para garantir sua validade???
Olha que boa pergunta!!! E aí??? Patricia Lapa 19 de outubro de 2014 13:57
Hummm, a querela nulitatis tb não tinha sido trazida pelos outros colegas!!! Muito bem Aluna Q! outro ponto para ampliarmos o estudo sobre o tema!!! Vê-se em ambos os textos algo que se repetiu com frequência crescente durante todo o semestre letivo, que foi a iniciativa dos discentes de compartilhar no blog detalhes sobre os assuntos abordados em sala de aula não referidos por esta professora pesquisadora.
Por tudo isso, então, considerando o segundo objetivo específico delineado para pesquisa, no sentido de identificar como os alunos caracterizam o processo de aprendizagem através do blog, infere-se do conteúdo das respostas analisadas que os discentes o enxergam como motivante e interessante, por simplificar as formalidades naturais do ensino jurídico, ampliando o tempo dedicado ao estudo da matéria, flexibilizando, ainda, a forma e a profundidade da abordagem dos conteúdos.
4.3 Análise da 3ª categoria temática: relação do blog com a formação de competências