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İSLÂM’DA MÜZİK ÜZERİNE ÇAĞDAŞ GÖRÜŞLER

7.1 Prof Dr Hayreddin Karaman

Na década de 80, Paulo Freire já antevia a educação centrada no chamado sujeito coletivo, “reconhecendo que ninguém evolui sozinho, desligado do mundo, apartado dos outros”. Para o educador, tudo estava “relacionado, conectado, em interpenetração e renovação continuas, num constante diálogo do sujeito com o mundo, do sujeito que toma inciativa, que é ativo, que ao

interagir com as coisas, com as pessoas, coloca o mundo em movimento” (MORAES, 2000, p. 161).

O que Freire não podia imaginar naquele tempo era a proporção que essa premissa iria tomar, com o incremento ocasionado pela expansão das ferramentas democratizadas através da internet.

O “conhecimento distribuído em rede” deu azo a um novo paradigma socioeducacional, fundado na descentralização da produção do saber, na quebra de hierarquias, e no deslocamento do poder vinculado à posse da informação (MORAES, 1997, p. 190).

São múltiplos usuários construindo, reconstruindo, negociando e renegociando informações, em constante interatividade, conectividade e mobilidade.

Nessa realidade, a aprendizagem, que não mais se restringe ao produto de uma mente brilhante ou à atividade recolhida de estudantes ensimesmados, assume o desafio de tornar-se um jogo coletivo (DEMO, 2012).

Segundo Barros (2011), aprender é resultado de uma tomada de consciência decorrente do controle dos próprios processos psicológicos, da subjetividade, da interação social, da correlação dinâmica entre inteligência e afeto, e entre os fatores externos e os seus significados para o sujeito, que se transformam ao longo do desenvolvimento.

Em outras palavras, o processo de aprendizagem depende do estímulo do ambiente sobre o indivíduo já maduro, que diante de uma situação-problema assume comportamentos diferentes, em razão da experiência acumulada; compreende a síntese entre os hábitos que assumimos, os aspectos de nossas experiências passadas e a assimilação de valores culturais.

É essa também a súmula do pensamento de Vygotsky, renomado psicólogo bielo-russo já mencionado neste trabalho, para quem o “desenvolvimento do homem como ser sócio histórico depende da participação do outro, ou seja, uma mediação feita por relações intra e interpessoais, para construir seu conhecimento” (CARMO; PONTES; BARROSO; CASTRO, 2012, p. 43).

o autor apresentou especial interesse em investigar os processos de desenvolvimento humano, apontando dois níveis: real e potencial. O nível de desenvolvimento real engloba o conjunto de atividade que a criança consegue resolver sozinha, por isso, é indicativo de ciclos de desenvolvimento já completos, ou seja, refere-se às funções psicológicas que a criança já construiu

até um determinado momento. O nível de desenvolvimento potencial engloba o conjunto de atividades que a criança não consegue realizar sozinha, mas que, com a ajuda (mediação) de alguém que lhe dê orientações adequadas (pode ser um adulto ou outra criança mais experiente), ela consegue resolver. Este nível indica o desenvolvimento prospectivamente, uma vez que refere-se às aprendizagens que poderão vir a acontecer. A distância que existe entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial caracteriza a Zona de Desenvolvimento Proximal (SPAGNOLO; MANTOVANI, 2013, p. 5) Percebe-se do texto que para Vygotsky desenvolvimento e aprendizagem caminham juntos, influenciados pela interação entre o sujeito e outro mais experiente, que lhe serve de mediador. Dessarte, a aprendizagem para ele parte do social para o individual, ao longo do desenvolvimento humano.

Já para Piaget (1998, p. 65), a aprendizagem se subordina ao desenvolvimento, mas tem pouca ou nenhuma influência sobre este, vez que “todo e qualquer crescimento cognitivo só ocorre a partir de uma ação, concreta ou abstrata, do sujeito sobre seu objeto de conhecimento”, ou seja, a construção do desenvolvimento real é mediada pelo interpessoal, antes de ser internalizada pelo sujeito; parte do individual para o social.

sem usufruir os benefícios do convívio social, o aluno não consegue desvendar ou compreender a ciência, ficando restrito a "uma acumulação de conhecimentos que o indivíduo sozinho seria incapaz de reunir". Para que isto ocorra, no entanto, o sujeito precisa ter desenvolvido certas estruturas que permitem elaborar o que ele denomina de "solidariedade interna". Neste estágio, o aluno tem capacidade de criar suas próprias regras em conjunto com seu grupo, e exercer a cooperação intelectual (PIAGET,1998, p. 68).

No entanto, mesmo sem ter dado à aprendizagem o enfoque social (dependente do outro) que deu Vygostsky, Piaget tinha na interação a mesma importância dada por ele para um resultado bem sucedido. Segundo o epistemólogo, é preciso romper com o papel passivo do aluno que apenas recebe os conteúdos repassados pelo professor, para transformá-lo num ser ativo, responsável pelo próprio desenvolvimento, cabendo ao professor nesse novo paradigma, estimulá-lo a assumir tal autonomia.

Justamente aí se encaixa a utilização do blog como mediador dessa nova forma de aprender, caminhando “na direção da integração, da instantaneidade, da comunicação audiovisual interativa”, abrindo enormes campos de possibilidades de comunicação e construção do conhecimento (MORAN, 2013, p. 42).

as páginas do blog disponibilizam espaços para que os usuários escrevam comentários onde o leitor pode dialogar com o autor e vice-versa, concordando,

discordando ou acrescentando alguma outra discussão ou elemento, como um link para outro blog que discuta a temática abordada. Esse tipo de recurso incentiva a interação entre os usuários, diferenciando o ato de ‘blogar’ do ato de ‘navegar’, já que ao blogar o internauta não fica restrito ao traçar um percurso de leitura próprio que se baseia somente na escolha dos links que o autor disponibiliza (CARMO; PONTES; BARROSO; CASTRO, 2012, p. 43) Nesse contexto, a ferramenta tecnológica pode assumir o papel de estratégia ou de recurso pedagógico, contribuindo para uma aprendizagem tanto significativa como colaborativa. Masetto (2012, p. 99) define estratégia pedagógica como o “conjunto de todos os meios que o professor pode utilizar em aula para facilitar a aprendizagem dos alunos”, a exemplo da escolha do material que será utilizado, dinâmicas e atividades; já o recurso pedagógico é definido pelo autor como o instrumento necessário para realizar o objetivo de aprendizagem, como slides, quadro branco e vídeos.

Já o conceito de aprendizagem significativa decorre de teoria desenvolvida por David Ausubel na década de 60, preocupado em descobrir “como facilitar o encontro da estrutura lógica de determinado conteúdo com a estrutura psicológica de conhecimento do aluno” (ARAGÃO, 1976, p. 9).

Para o psicólogo dedicado à educação, o que mais contribui para retenção dos conteúdos e para construção do conhecimento é a correlação cognitiva individual feita pelo aluno, entre novos conteúdos e símbolos potencialmente significativos para ele. Nesse processo, a bagagem de conhecimentos do aluno serve como um porto de ancoragem para o novo saber, relacionado por ele a um anterior, em razão do significado atribuído.

Em outras palavras, numa visão construtivista da aprendizagem, segundo Ausubel, o aluno aprende na mesma proporção do seu interesse e do sentido que cada informação tenha para ele, associada a subsunçores que já se encontravam em sua bagagem. Por isso é de extrema importância o conhecimento que se tem sobre o aluno, a fim de que se possa identificar a maneira mais eficiente de chamar sua atenção despertando esse processo cognitivo de associação e significados.

Trata-se de uma estreita relação entre a teoria da aprendizagem e a teoria do ensino, ou seja, entre “saber como o aluno aprende” e “saber o que fazer para auxiliar o aluno a aprender melhor”, através da manipulação das variáveis que influenciam na construção/retenção do conhecimento (ARAGÃO, 1976, p. 14).

Daí mais do que transmitir conteúdos curriculares é preciso que o professor ensine o aluno a localizar, interpretar e organizar informações com autonomia, estimulando esse processo de correlação cognitiva, expandindo a aprendizagem para além dos limites da sala de aula, o que pelas próprias características do ambiente virtual, pode ser proporcionado através do blog. Por seu turno, a aprendizagem colaborativa decorre da conjugação de múltiplas teorias da aprendizagem, especialmente as já comentadas teorias de Piaget e Vygotsky, fundadas nas ideias de interação com fatores externos e entre os sujeitos, como precedentes para aprender. Definida por Silva (2010, p. 30) como a “forma de aprendizagem desenvolvida por meio do trabalho em grupo e pela troca entre os pares, em que as pessoas envolvidas nesse processo aprendem juntas”, a aprendizagem colaborativa só ocorre em um ambiente onde haja respeito às diferenças e liberdade de expressão de ideias, tal como no blog.

A autora chama a atenção para o fato de que a forma colaborativa de aprender representa tanto uma das competências para o desenvolvimento de qualquer profissional, como um novo aspecto para essa formação de acordo com as necessidades da atual sociedade do conhecimento. Como estratégia pedagógica, na qualidade de portfólio digital, o blog dá visibilidade à produção escrita tanto de seus autores como dos que participam com comentários sobre as postagens, funcionando como uma vitrine de ideias, interesses e sentimentos.

Assim, estimulando o processo de interiorização de diversas linguagens na troca de significados pelo aluno, o blog, além de reforçar a teoria da aprendizagem significativa de Ausubel, ainda reforça a teoria de Vygotsky sobre o desenvolvimento de uma postura autônoma no controle do próprio aprendizado, agindo na Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) do sujeito.

Nessa zona de potencialidades, o professor pode levar o aluno através do blog a se comunicar, a ler e a comentar a escrita dos colegas, utilizando a tecnologia como estratégia de ensino, oportunizando um espaço para construção de textos coletivos, sugestões para as aulas, críticas, intercâmbio de ideias e consultas recíprocas.

Fritsch (2008) entende que as estratégias de ensino devem incluir funções de orientação no desempenho das atividades, explanações dos fenômenos e processos, e correções, bem como de adaptações específicas e individuais, gerando desafios, explicações, exemplos e/ou contraexemplos no decorrer das interações. As metodologias modernas trazem em comum um aspecto: o estudante funciona como um elemento ativo no processo de ensino-

aprendizagem. Observa-se também a presença de conceitos de pesquisa de campo, buscando a interação do sujeito com o meio para a obtenção da aprendizagem (CARMO; PONTES; BARROSO; CASTRO, 2012, p. 43). O blog ainda destaca-se entre as tecnologias digitais de apoio à mediação pedagógica, por permitir que o aluno se expresse sem o constrangimento comum decorrente de suas limitações, proporcionando também um ambiente favorável ao exercício da colaboração, da tolerância e da solidariedade, aspectos hoje fundamentais na formação de todos.

Outrossim, a interação como coautor das páginas do blog oportuniza de modo natural a partilha, o aprimoramento e a construção de conhecimentos, à medida em que as postagens e comentários se acumulam e são correlacionados pelos seus autores dentro do ambiente virtual. Ao mesmo tempo, o blog ainda flexibiliza as relações de espaço e tempo da velha sala de aula, permitindo maior diálogo, inclusive entre alunos de outras turmas, cursos e instituições, fomentando a supracitada produção colaborativa de conhecimento.

se for correto acreditar que somente o diálogo é capaz de tornar e de gerar um pensar crítico, os blogs fazem parte da arquitetura comunicacional ampliada que temos hoje. Sem o diálogo, sem a comunicação, não há educação. Freire fala de uma educação autêntica, na qual o educador dialoga com o educando, não de uma forma de doação ou imposição. O educando não é o depósito e o educador o depositante do conteúdo. Mas trata-se de uma troca em que um possa aprender com o outro em busca de um saber criador e transformador. Nas atividades dos

blogs, há permanente intercâmbio de informações em que ora o professor

aprende, e os alunos ensinam; ora o professor ensina, e os alunos aprendem. (ZIMMER, 2011, p. 45)

Benkler chamou de “riqueza das redes” a habilidade desenvolvida no sujeito de colaborar solidariamente através da internet para alcançar objetivos comuns, entre eles, o acesso de todos à compreensão sobre determinado assunto (apud DEMO, 2012, p. 46).

Para Gomes (2005), como espaço de intercambio e colaboração, o blog ainda pode aumentar o convívio social entre professores e alunos, servir de suporte para projetos da instituição de ensino, compartilhados ou não com outras escolas, e até mesmo de ferramenta identificadora dos problemas da comunidade acadêmica.

Por outro lado, no que toca ao uso do blog como recurso pedagógico, sobressai a sua utilidade da TDIC para armazenar conteúdo das aulas, textos e links para leitura complementar, exercícios, mapas mentais e conceituais, casos concretos para análise, provas, videoaulas e toda

sorte de informação especializada sobre o conteúdo do curso ou da disciplina, sem falar na própria produção discente.

Nesse aspecto, o blog funciona como uma multifacetada fonte de consulta sobre os assuntos de que trata, contemplando uma rica variedade de linguagens colacionadas (texto, vídeos, desenhos, fotos, gráficos), o que geralmente facilita a compreensão e a assimilação dos novos saberes.

Outrossim, enquanto concentra numa só página virtual vasto conteúdo acerca de determinados conhecimentos, também permite, através dos links armazenados, caminhos para ampliação da pesquisa, incentivando o aluno a buscar soluções.

Almeida (2007, p. 7) destaca ainda que “os registros digitais propiciam ao aluno processos de auto avaliação com a identificação de equívocos e descobertas, a revisão de processos e a reformulação de produções”, ou seja, ajudam o aprendiz a evoluir com a própria experiência, aumentando a sua autonomia na formação de um aprendizado significante.

O blog criado para esta pesquisa foi utilizado como recurso e como estratégia pedagógica, vez que serviu de espaço para organização e armazenagem de material de estudo e links sobre os institutos jurídicos do processo civil de conhecimento, reunidos pelos próprios alunos, e também para exposição de jurisprudências pesquisadas, resolução de questões, resumos e textos criados por eles sobre o conteúdo das aulas expositivas, incluindo as críticas, os elogios e os comentários dos colegas e da professora.

3 METODOLOGIA

Considerando os objetivos traçados para este trabalho, expõe-se adiante o percurso metodológico para sua consecução, que é de natureza descritiva e abordagem qualitativa. Segundo Gil (2002, p. 42), “as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno [...] incluídas neste grupo as pesquisas que têm por objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população”, o que se harmoniza com o propósito geral de analisar a percepção dos alunos de Direito sobre uso do blog como mediador pedagógico na formação de competências específicas do exercício jurídico.

Note-se que para o alcance de tal propósito é preciso extrair a informação que pertence ao sujeito pesquisado: o aluno usuário do blog, o que justifica, ainda, a adoção de uma abordagem qualitativa, voltada “para a pessoa que se pesquisa, o reconhecimento das premissas teóricas e também pessoais que modulam a sua atuação, assim como sua relação com os participantes e a comunidade em que realiza o estudo (ESTEBAN, 2010, p. 130).