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İSLÂM’DA MÜZİK ÜZERİNE ÇAĞDAŞ GÖRÜŞLER

7.3 Muhammed El Gazâlî

Na primeira categoria isolada, a utilidade do uso do blog na percepção dos alunos, foram recortadas das respostas colhidas através do questionário on-line, 21 unidades de análise, reunidas em três subcategorias pelo sentido mais homogêneo e aparente: material de estudo (SC1), interação/colaboração/cooperação (SC2) e aprendizado (SC3).

Convocados pela questão nº. 12 do questionário a justificar o que reputaram mais útil na experiência do uso do blog dentro da disciplina processual, os alunos ressaltaram tanto o fato de ele servir como um repositório de material de consulta para estudo como um local para um aprendizado coletivo, possibilitado pela cooperação e interação entre os colegas blogueiros. No entanto, restou claro que a utilidade, como um instrumento de cooperação e interação capaz de levar ao aprendizado, foi referida no conteúdo das respostas com muito mais frequência do que a vantagem de armazenar material de estudo, como é possível perceber pelo exame do quadro abaixo, onde expressões ligadas às palavras “interação”, “contribuição” e “aprendizado” foram também frequentemente relacionadas na mesma fala, a exemplo de “você interage, aprende e tira dúvidas” (R4), “o olhar diferente que cada um tem é o que nos ajuda a aprender mais” (R6), eu comentava as postagens como maneira de contribuir com o aprendizado e aprender mais” (R8), “todos postavam suas pesquisas e um acabava aprendendo com o outro” (R11).

Quadro 4 - Conteúdo da categoria temática 1

C at egor ia te m át ica 1 U ti lida de do bl og ( C 1)

Subcategorias Unidades de análise

Ma ter ial de e st udo (SC 1)

Por falta de tempo para fazer os resumos e outras atividades, sempre preferi ler as postagens enquanto estudava para a cadeira (R2)

O espaço funcionava como um depósito de conteúdos para reforçar nossos estudos (R4)

Busquei contribuir com o processo de ensino aprendizagem postando no blog a transcrição das aulas de Direito Processual Civil. Atividade esta que poderia auxiliar alguns colegas e certamente me ajudava nos momentos de estudo (R7)

Saber onde procurar o material certo (R10)

Int er açã o C ol abo raç ão Coope ra çã o (SC 2)

Existia um espaço para o compartilhamento do conhecimento alcançado (R2)

Com o objetivo de acrescentar algo que os colegas esqueceram e responder as perguntas feitas por nossa grande professora (R3)

As vezes o conteúdo postado pelos colegas não era suficiente para absorção do assunto em pauta, por isso era necessário o acréscimo do que faltava (R4)

A cooperação para a construção de um conhecimento coletivo foi muito importante, pois a informação ali expostas foram utilizadas para todas as turmas e discentes. Sempre pesquisava outras contribuições dentro do assunto estudado e colocava para os colegas compartilharem e acrescerem em seus estudos (R5)

Existia um diálogo importante para o aperfeiçoamento na matéria (R6) Aproveitava para fazer meus comentários sobe o que lia, de forma a aumentar meus conhecimentos além de compartilhar com os demais leitores do blog (R7)

Troca de conhecimento (R8)

Nos deu condição de usufruir do conhecimento dos demais colegas e aproveitar das opiniões diversas (R9)

O compartilhamento e a interação entre as turmas que pagam esta cadeira, não só na UniFavip como fora. Todos postavam suas pesquisas e um acabava aprendendo com o outro. (R11)

Os comentários nas postagens de colegas também aconteceram, pois os mesmo apresentavam no blog contribuições relevantes para os meus momentos de estudo (R13) A pr end iza do (SC 3)

A ferramenta utilizada - o blog - é de uma riqueza enorme, pois nos leva a produzir conhecimento de várias formas. É uma excelente ferramenta de aprendizado que deve está sempre atualizada (R1)

Você interage, aprende e tira dúvidas (R4)

O olhar diferente que cada um tem sobre o tema é o que nos ajuda a aprender mais sobre o assunto. (R6)

Possuía a oportunidade de perceber algum detalhe que passou despercebido em sala de aula (R7)

Com o conhecimento adquirido durante as aulas e os livros de processo civil, eu comentava as postagens como maneira de contribuir com o aprendizado e aprender mais (R8)

Respondi algumas perguntas que com a correção da professora esclareceu algumas dúvidas e também aprendi muito (R12)

No blog tínhamos espaços para fazer críticas, para elogiar os trabalhos dos colegas, enfim para aprender com os demais (R14)

Nota-se ainda pelo que foi expresso – “aprender mais” (R6 e R8), “aumentar meus conhecimentos” (R7), “aprendi muito” (R12), que na visão dos alunos o fator interação e cooperação oportunizadas pelo blog foi relevante não só para um aprendizado da matéria mas para um aprendizado “maior”, o que no sentido embutido das palavras, mais que um incremento quantitativo, pode traduzir-se em significância.

Segundo Bussinguer (2012, p. 59), o ato de “aprender é da dinâmica da vida, independentemente da educação formal e dos construídos pedagógicos estabelecidos por profissionais da educação. Aprende-se, simplesmente, por existir. Existir é, então, por si só, um ato de aprendizagem”.

Assim, o homem é por sua própria natureza um ser intelectual, que diante de algo desconhecido aciona os seus mecanismos cognitivos, estabelecendo conexões internas, associações e análises que o levam a aprender novos conhecimentos.

No entanto, como defendido por Ausubel, Piaget e Vygotsky, cujas teorias foram expostas no item 2.3.2 do referencial teórico deste trabalho, esse processo de aprendizado só ocorre quando o sujeito estabelece a importância daquilo que está interessado em aprender, bem como quando interage com o meio e com o outro.

Dessa forma, o aprendizado seria garantido muito mais pela escolha do aluno que encontrou valor ou relevância no que lhe foi apresentado, inclusive pela interferência do outro e de diversas realidades interagindo sobre o mesmo ponto, do que pela quantidade ou variedade de conteúdos que foram transmitidos pelo professor.

Por isso, o aluno precisa ser levado a procurar pelo conhecimento, a sentir prazer em descobri- lo, aprendendo a pensar, elaborando informações que possam ser úteis à sua realidade, ousando, criando e refletindo sobre tudo o que tomou conhecimento, para converter os conteúdos em produção relevante e significativa (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2013).

Nessa esteira, é preciso garantir ao discente a autonomia necessária à realização de todo esse processo, cabendo ao docente apenas mediá-lo, tornando-o possível e dinâmico com apoio de recursos e estratégias pedagógicas.

Talvez por essa razão, baseada nas teorias da aprendizagem significativa de Ausubel e aprendizagem colaborativa resultante das ideias de Piaget e Vigotsky, a mediação do ensino do

Direito Processual Civil através do blog tenha se mostrado eficiente no sentir dos alunos que afirmaram ter aprendido “muito”, ou aprendido “mais”, o que também foi expresso em frases como “existia um diálogo importante para o aperfeiçoamento na matéria (R6)”, ou “o blog - é de uma riqueza enorme, pois nos leva a produzir conhecimento de várias formas (R1)”. Nesses trechos destacados, é evidente o envolvimento e a empolgação dos blogueiros no tocante à oportunidade de aprender discutindo com os demais colegas os diversos aspectos dos conteúdos teóricos, o que se pode constatar também pelo sentido das seguintes postagens abaixo colacionadas, que destacam com veemência a significância das contribuições de cada aluno para o aprendizado de todos sobre a matéria pertinente à disciplina.

Aluno A 11 de setembro de 2014 08:11

Só pra contribuir mais um pouco. O seu trabalho foi de grande valia, espero que meu comentário sirva também (além dos ensinamentos de nossa inteligentíssima Patrícia Lapa, vi algumas coisas sobre o assunto em um estudo [...]

Aluna G 15 de setembro de 2014 16:24

Parabéns ao grupo, contribuição valorosa e capaz de apresentar diversos fatores importantes sobre nosso objeto de estudo.

Apresentar algumas das alterações que irão acontecer com o novo CPC foi de grande valia, uma vez que faz um paralelo com o nosso atual estudo. Mais uma vez parabéns aos nobres colegas

Aluno S 16 de setembro de 2014 17:33

Parabenizo o grupo pelo excelente resumo! Para mim, serviu como uma boa revisão dos assuntos – e resumos – vistos até agora. Não encontro motivos para criticar este resumo, mas ao menos posso tentar acrescentar um pouco. Não sei quanto aos demais, mas senti falta da definição dos vícios da sentença (extra, ultra ou citra petita), então achei melhor comentar sobre eles, afinal, assim como eu tinha, outros podem ter tal dúvida [...]

No primeiro e no terceiro comentários, vê-se que os alunos tomaram a iniciativa de acrescentar algo que julgaram importante depois de analisar o conteúdo da postagem original feita pelo colega, interagindo sobre os limites da abordagem do assunto, fazendo ainda um julgamento de valor sobre a significância de cada informação trazida para o grupo, como enfatizado no segundo comentário.

Importante ainda a forma como introduzem a própria contribuição, só depois de elogiar o trabalho do colega, ressaltando que se trata de um complemento daquilo que “sentiram falta”

na abordagem, imaginando que o mesmo tenha sido sentido por outros membros do grupo e assim, possa ser solucionado pelo esforço do comentarista.

Aí, novamente evidenciado o destaque dado pelos respondentes à interação proporcionada pelo

blog, tanto no aspecto colaborativo como cooperativo, incluindo o objetivo comum de

aproveitar essa característica para um melhor aprendizado, tal qual se denota também das seguintes referências sobre as vantagens do uso dessa tecnologia dentro do curso de uma disciplina jurídica:

nos deu condição de usufruir do conhecimento dos demais colegas e aproveitar das opiniões diversas (R9)

os comentários nas postagens de colegas também aconteceram, pois os mesmos apresentavam no blog contribuições relevantes para os meus momentos de estudo (R13)

Até mesmo entre os únicos três alunos da amostra que apontaram como maior vantagem do

blog o fato dele condensar material disponível para consulta sobre os conteúdos da disciplina,

nota-se também declarada a intenção de contribuir com o aprendizado alheio, a partir da disponibilização de material, levando novamente à percepção do valor da TDIC como ferramenta facilitadora de um aprendizado calcado no fator interação/colaboração/cooperação. É o que se infere, pois, do seguinte trecho:

busquei contribuir com o processo de ensino aprendizagem postando no blog a transcrição das aulas de Direito Processual Civil. Atividade esta que poderia auxiliar alguns colegas e certamente me ajudava nos momentos de estudo (R7)

Embora no contexto de uma atividade em grupo, como ocorre no ambiente do blog, onde há interação entre sujeitos, a colaboração e a cooperação sejam termos frequentemente utilizados de maneira indistinta, a doutrina de Panitz (1996) e Nitzke (1999) os distingue a depender da forma como a tarefa no grupo é organizada (SANTOS, 2008).

Para eles, “na colaboração, todos trabalham em conjunto, sem distinções hierárquicas, em um esforço coordenado, a fim de alcançarem o objetivo ao qual se propuseram. Já na cooperação, a estrutura hierárquica prevalece e cada um dos membros da equipe é responsável por uma parte da tarefa” (SANTOS, 2008, p. 68).

Assim, numa aprendizagem cooperativa, o professor é quem dirige a atividade definindo-a e definindo as tarefas de cada aluno para realizá-la, ao passo que numa aprendizagem

colaborativa o professor não exerce um papel diretivo-controlador, deixando que os alunos escolham os seus papéis, decidindo como e o que irão realizar.

Tomando por base essa distinção, é plausível inferir que na experiência vivenciada pelo grupo pesquisado, a aprendizagem através do blog se deu de maneira colaborativa, haja vista que não houve sequer a imposição da participação dos discentes da disciplina no blog, ficando os que optaram em participar, livres para estabelecer a forma, a frequência e o próprio objetivo desta participação, como se percebe nas seguintes respostas: “por falta de tempo para fazer os resumos e outras atividades, sempre preferi ler as postagens enquanto estudava para a cadeira (R2)”, “com o objetivo de acrescentar algo que os colegas esqueceram e responder as perguntas feitas por nossa grande professora (R3)”.

Por fim, as respostas à nona pergunta do questionário on-line também ratificam a ocorrência de uma postura ativa dos alunos que aderiram ao uso do blog, voltada ao contexto da interação e do compartilhamento.

Quando perguntados sobre “Que atividade você mais praticou no blog criado para disciplina

de Direito Processual Civil I?”, nenhum dos respondentes afirmou ter se limitado apenas à

leitura do que era publicado, sendo que oito alunos disseram ter postado em maior intensidade do que comentaram a produção dos outros colegas, enquanto que seis alunos afirmaram o contrário.

Gráfico 5 - Atividades no blog

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da pesquisa.

Outro detalhe interessante é que as postagens referentes a arquivos de texto com simples transcrição de aulas gravadas ou de videoaulas, exemplo básico de material de estudo

0%

57% 43%

0%

ATIVIDADE MAIS PRATICADA PELO ALUNO NO BLOG

Apenas leitura Postagens Comentários

depositado no blog pelos próprios alunos, não suscitaram quase nenhum comentário dos colegas, especialmente se comparados com postagens relacionadas à resolução de casos concretos ou controvérsias surgidas dos próprios diálogos no blog, onde os comentários se acumulavam apontando maior interesse dos alunos pelo debate interativo do que pela simples consulta de textos prontos.

É o que mostra o confronto das reações a quatro postagens retiradas do blog objeto desta pesquisa, adiante reproduzidas:

Degravação6 das aulas...

Amores, os colegas da 1303, [...], fizeram uma "degravação" das aulas, e gentilmente disponibilizaram para todos, podendo os conteúdos serem acessados pelos links abaixo...aproveitem!!! São três arquivos com as aulas dos dias 20/08, 27/08 e 03/09. Cada um está compartilhado no dropbox, nos seguintes links...[...]

Postado por Patricia Lapa às 10:09 Reações: Nenhum comentário:

Degravação de aulas sobre citação e intimação...

Amores, reforçando o material de estudo, seguem dois links para acesso a arquivos de “degravação” de aulas sobre citação e intimação. Um foi elaborado pela Aluna Q (NT1), sozinha, e outro, em parceria com a Aluna F (NT1) ... um é originário de nossas aulas, e outro, de videoaulas... Aproveitem!!!! https://www.dropbox.com/s/2wxdb7tdter4oy7/DPC%2008.10.docx?dl=0 https://www.dropbox.com/s/pc6144k7ecn15ka/Atos%20Processuais%20- %20cita%C3%A7%C3%A3o%20e%20intima%C3%A7%C3%A3.docx?dl=0 Postado por Patricia Lapa às 19:21

Reações: Um comentário: Dúvida....

Gente, depois de ler muitas postagens... uma dúvida... Aluna S e sua equipe afirmaram que na assistência litisconsorcial o assistente é uma espécie de substituto processual (pelo menos foi o que entendi do texto, se não foi isso, sorry :)) mas o Aluno V afirmou em sentido contrário que o terceiro que intervém não é aquele que tem autorização para defender, em nome próprio, direito alheio...e aí??? será que me enrolei com o sentido do que vcs escreveram???

Quem me explica????

6 A palavra “degravação” é um neologismo, sendo comumente utilizada pelos alunos para se referirem à transcrição das aulas gravadas.

O terceiro interveniente pode ou não ser o substituto processual da parte assistida???

Postado por Patricia Lapa às 19:47 Reações: 22 comentários:

E agora???

Por que, nesse caso, a formação da coisa julgada é relativizada?

[...] 3 - AS AÇÕES DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE E NEGATÓRIA DE PATERNIDADE SE ENCONTRAM NO ROL DA RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA, DESDE QUE ASSENTADA EM AUSÊNCIA DE CERTEZA APTA A CONFERIR SEGURANÇA ÀS CONSEQÜÊNCIAS JURÍDICAS DELAS ADVINDAS. 4 - DEMONSTRANDO A PROVA IRREFUTÁVEL QUE O PAI DA CRIANÇA NÃO É O QUE CONSTA DO REGISTRO E NÃO HAVENDO LAÇOS AFETIVOS ENTRE AS PARTES, DEVEM-SE RELATIVIZAR OS EFEITOS DA COISA JULGADA. SENDO ASSIM, DEVE SER CASSADA A SENTENÇA QUE INDEFERIU A INICIAL. 5 - RECURSO PROVIDO. SENTENÇA CASSADA. (TJDF 0018163-72.2008.807.0003, Relator: ARLINDO MARES, Data de Julgamento: 12/08/2009, 4ª Turma Cível, Data de Publicação: 03/11/2009, DJ-e Pág. 182)

Postado por Patricia Lapa às 18:05 Reações: 48 comentários:

Vislumbra-se, nas duas primeiras postagens, o desinteresse dos alunos em criticar a síntese das aulas feita pelos colegas que gravam a fala da professora e depois transcrevem, disponibilizando o material para todos através do blog. Efeito inverso acontece nas duas últimas quando esta pesquisadora, professora da disciplina, lança um conflito cognitivo, convocando os alunos a solucioná-lo.

Por tudo isso então, considerando o primeiro objetivo específico traçado para esta pesquisa, no sentido de identificar, na percepção dos alunos, a utilidade do blog como recurso e estratégia pedagógica, percebe-se que os dados analisados apontam para uma maior valorização de seu potencial como estratégia facilitadora do aprendizado, em virtude da interação proporcionada aos discentes no ambiente virtual.