İSLÂM’DA MÜZİK ÜZERİNE ÇAĞDAŞ GÖRÜŞLER
7.5 Edip Yüksel
Acredita-se, com base em todo o exposto até aqui, que o ambiente educacional montado no
blog propicie aos alunos a prática de determinadas competências, por proporcionar um cenário
favorável ao exercício da autocrítica, à revisão dos processos e à reformulação do conhecimento construído, além de criar um espaço de relacionamento e convite para a coprodução.
Tal premissa restou corroborada pelas respostas à 13ª pergunta do questionário on-line, que pedia ao aluno para assinalar numa lista de oito competências, a que ele, ou as que ele,
considerava que tivesse, ou tivessem, sido adquirida(s) ou positivamente influenciada(s) pela participação no blog. Uma das alternativas negava a contribuição da tecnologia para qualquer das competências listadas, mas nenhum aluno assinalou essa hipótese como resposta, como se vê no quadro seguinte, reforçando o pensamento acima esposado.
Quadro 6 - Respostas à pergunta nº. 13 do questionário on-line
ALTERNATIVAS
Nº DE ALUNOS QUE MARCOU
COMO RESPOSTA
Leitura, compreensão e elaboração de textos 8
Interpretação e aplicação do Direito 5
Pesquisa e utilização da legislação, da jurisprudência e da doutrina 12 Compreensão sobre a devida utilização de processos, atos e procedimentos 7
Correta utilização da terminologia jurídica 3
Utilização de raciocínio jurídico, argumentação, persuasão e reflexão crítica 8
Tomada de decisões 0
Domínio de tecnologias e métodos para compreensão e aplicação do Direito 3
Nenhuma delas 0
Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da pesquisa.
Nessa esteira, chegamos à análise de conteúdo da terceira categoria temática isolada, que reúne as impressões dos alunos sobre a relação do blog com a formação de competências específicas para o exercício jurídico (C3), onde foram agrupadas 18 unidades de análise retiradas das respostas colhidas através do questionário on-line, organizadas em cinco subcategorias consoante o sentido mais recorrente: escrita/redação (SC7), pesquisa (SC8), argumentação (SC9), interpretação/raciocínio (SC10), além de conhecimento da terminologia e instrumentos jurídicos (SC11).
Observou-se nas respostas à pergunta de nº. 14 do referido questionário, a qual pedia ao aluno para explicar por que razões acreditava que o blog tivesse interferido positivamente na formação, ou no aprimoramento, das habilidades/competências por ele assinaladas na pergunta objetiva de nº. 13, que expressões ligadas às palavras “escrita”, “pesquisa”, “argumentação”, “raciocínio”, “interpretar”, e “procedimentos”, se repetiam com maior frequência nas explicações dadas pelos discentes, como se verifica do quadro a seguir colocado.
Quadro 7 - Conteúdo da categoria temática 3
C at egor ia te m át ica 3 R el aç ão do b log co m a f or m aç ão de co m pe tênc ia s es pec íf ic as p ar a o ex er cí ci o j ur ídi co (C 3) Subcategorias Unidades de análise Escr it a/ reda çã o (SC 7)
Aprendemos a desenvolver um excelente texto (R3)
Vi uma grande mudança no geral, desde a interação entre os alunos de todas as turmas até a forma como escreviam, que com o tempo passou a ser mais direta, mas sem deixar de ser clara e completa (R12)
Pesqu
isa
(
SC
8)
Acredito que a interação entre os colegas que fazia com que nós aprofundássemos a pesquisa, gerando um maior foco nos determinados temas. É muito importante para estimular a pesquisa (R3)
O fato de motivar a pesquisa dos colegas (R4)
Construir argumentos convincentes demanda a pesquisa de várias doutrinas assim como jurisprudência (R5)
Muitas das vezes nos mantemos acomodados a simples afirmativa dos outros, o blogue nos "forçou " na pesquisa das fontes do direito para melhor dialogar os assuntos expostos (R11)
O Blog me ajudou bastante, hoje sempre que tenho alguma dúvida pesquiso na internet vejo os comentários de outros blogs, as críticas e todo o conteúdo, me ajudou bastante (R14)
A rgum ent açã o (SC 9)
Os argumentos foram melhorados além da escrita e do aumento de conhecimento (R1)
Aprendemos [...], a ter uma argumentação lógica (R3)
A participação efetiva no Blog influenciou positivamente vários pontos no meu processo de aprendizagem, mas chamo a atenção para aqueles que estão ligados a argumentação[...](R6)
O blog é uma ótima ferramenta que permite ao aluno quanto ao professor compartilhar e repassar informações, além de o próprio aluno ter o poder de argumentação na hora de defender e criticar o que é postado, como de interpretar os assuntos analisados (R8)
Int er pr et aç ão/ rac ioc íni o (SC 10)
Aprendemos [...] e interpretar melhor o caso prático (R3)
Troca de argumentação e raciocínio para fundamentar as respostas (R10) Compreender os textos dos colegas e raciocinar para fazer o meu (R11). As vezes o aluno se acomoda só na leitura a abreviatura da escrita, o blogue nos proporcionou o raciocínio para pesquisar, interpretar, e o cuidado na transmissão do que foi aprendido (R13)
Com o uso do blog consegui expandir meus horizontes na maneira de entender os conteúdos propostos em aula e melhorar minha argumentação, interpretar os fatos e suas circunstâncias e refletir criticamente o assunto em pauta (R14)
C onhec im ent o da ter m inol ogi a e ins tr um en tos jur ídi cos ( SC
11) A participação efetiva no Blog influenciou positivamente vários pontos no meu processo de aprendizagem, mas chamo a atenção para [...] a compreensão dos atos/procedimentos processuais e uma maior
familiarização com a terminologia jurídica. (R6)
Quanto a processos, atos e procedimentos, ficou tudo muito claro, devido a troca de conhecimento que o blog nos proporcionou (R8) Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da pesquisa.
Sobre a primeira unidade de registro (UR7) dessa categoria, que reúne impressões dos discentes sobre o desenvolvimento da competência de escrever/redigir, possivelmente influenciada pelo uso do blog, de pronto chama a atenção no conteúdo das respostas o realce dado pelos alunos através dos adjetivos usados em “excelente texto (R3)”, “grande mudança (R12)”, “forma mais direta (R12)”, o que deve ser interpretado como a percepção de um incremento positivo. A deficiência dos alunos na Academia, em relação à habilidade de redigir, não é algo restrito aos cursos jurídicos. Parece mesmo, segundo Aguiar (2004, p. 99), “decorrência de um fenômeno típico da era da informática, que é o da colagem de textos memorizados pelos computadores”, o que leva a produções totalmente desconexas, onde o autor também não exerce o domínio do emprego de regras gramaticais e ortográficas.
A fragilidade dessa competência ficou bem clara nos primeiros textos enviados para postagem no blog, ainda no início do semestre letivo, no mês de agosto de 2014, a exemplo desse pequeno trecho de um resumo elaborado por um grupo de cinco alunos, no dia 20 daquele mês, com grifos nossos:
sabe-se que um processo tem todo os seus procedimentos, ou seja, todo um rito para chegar a solução desejada advinda pelo o Estado. Existem ritos comuns e ritos especiais, o rito comum é dividido em ordinário e sumário. Com o Processo civil não poderia ser diferente, essas fases se atrelam em postulatória, saneadora, instrutória e decisória. Cada uma dessas fases tem um grande papel dentro do processo, que se dar por meio de uma petição inicial uma vez impetrada a petição inicial e está estiver com todos os requisitos do art. 282 do CPC, o réu será citado, dentro desse prazo na petição inicial para a citação se não tiver uma das condições da ação ou pressupostos processuais, como por exemplo, ad causam para pedir pode se emendar, art. 102 CPC, faltando algum desses elementos afeta o andamento da ação.
É visível a confusão de ideias causada tanto pelos inúmeros erros gramaticais como pelo uso de palavras cujos sentidos semântico e jurídico não se encaixam no contexto da frase, como
fases que se atrelam em postulatória, saneadora, instrutória e decisória, ao invés de fases que
se dividem, ou classificam, em postulatória, saneadora, instrutória e decisória; ou a falta de legitimidade ad causam, que por ser condição da ação, na sua falta impede a existência válida desta.
No entanto, ficou patente pelos comentários que vieram na sequência, que participando do blog os alunos se surpreenderam com a própria realidade da dimensão desta deficiência, procurando dispensar maior atenção à linguagem na redação dos textos, o que deve ter contribuído para aperfeiçoá-la. É, pois, o que se infere do comentário abaixo, criticando a postagem anterior.
23 de agosto de 2014 16:31
Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar a professora pela iniciativa. A proposta fez com que eu analisasse o conteúdo com atenção mais aguçada, uma vez que cabe a nós identificar possíveis erros ou equívocos do grupo e propor mudança para melhorar o aprendizado de todos. E aí, eu queria pedir licença para fazer uma observação de forma muito respeitosa e de caráter construtivo. O texto ficou extremamente prejudicado pela falta de atenção às regras gramaticas e de pontuação. É possível fazer essa detecção em - praticamente - todos os parágrafos do texto. Vejam, por exemplo, a parte a seguir: "Sendo o réu citado e a peça estando com todos os requisitos necessários postulatória do processo e dentro do prazo da postulação. De errado dentro do rito do processo de três vezes, a ação torna-se perempta, chegando a quarta vez, o réu que é a parte mais interessada pela extinção do processo, poderá informar ao juiz que esta ação é uma perempção." (sic) Só é possível entender o que o grupo quer dizer mediante um esforço muito grande da parte de quem lê. Eu mesmo não entendi quase nada. Reitero a importância da iniciativa da professora e registro o esforço do grupo. É nítido que seus membros estudaram o assunto e tiveram boa intenção. Entendo, nobres colegas, que se a gente quiser melhorar ainda mais o debate, faz-se necessário atentar para as regras gramaticais e de pontuação. Qualquer um de nós pode cometer erros dessa natureza. No entanto, o que me motiva a tecer esse comentário é o fato de que os erros aqui encontrados comprometem seriamente a capacidade de entendimento por parte de qualquer leitor. Hoje quem está fazendo essa observação é um simples colega de vocês que faz isso com muita humildade e de forma construtiva. No entanto, daqui a alguns anos, serão juízes e promotores que analisarão as peças processuais elaboradas por nós. E - acreditem - erros dessa espécie podem afetar seriamente a análise do mérito proposto, assim como afetou a minha capacidade de análises e proposições do trabalho ora apresentado por vocês. Muito obrigado e compreendam a necessidade de minhas colocações. Farei um esforço muito grande para não incorrer no mesmo erro e contribuir de forma eficiente para o crescimento dos leitores do blog. Aluno V Turma [...]
Nos trechos destacados em negrito o aluno deixa transparecer a indignação com a falta de sentido do texto elaborado pelos colegas, prejudicado, segundo ele, “pela falta de atenção às
regras gramaticais e de pontuação”.
Sempre com o cuidado de não ofender os autores da produção criticada, ele destaca com veemência que “erros dessa espécie podem afetar seriamente a análise do mérito” daquilo que é proposto, chamando a atenção do grupo para a possibilidade de aniquilar-se o direito perseguido pelo advogado, pela falta da habilidade básica de escrever os termos de seu requerimento, direcionado a juízes e promotores.
Já percebe-se aí, um inegável aspecto positivo do blog, somente por ter possibilitado sensibilizar os alunos para a importância de desenvolver essa competência básica listada no
primeiro inciso do art. 4º da Resolução nº. 09/2004 do CNE/CSE, como uma das que precisam ser forjadas durante o curso jurídico.
A mensagem parece ter sido tão bem assimilada pelos alunos, que além de não ter sido registrada nenhuma postagem ofensiva e nenhum desentendimento por causa das críticas aos erros cometidos, os blogueiros ainda se mantiveram atentos aos elementos da redação durante todo o curso da disciplina, como se vê nos seguintes trechos colacionados do blog, em datas diferentes, até o final do semestre.
Aluna Y 21 de setembro de 2014 07:50
Questão C: Sim, porém os pedidos tem que terem compatibilidade entre eles, e o juiz deve ser competente aponto de conhecer todos os pedidos para assim haver um resultado coerente para cada um pedido feito acordo com o artigo 292. Aluna Y
Turma: [...]
Patricia Lapa 21 de setembro de 2014 08:01
Ownnn Aluna Y, vamos melhorar essa redação?? "tem que terem" não, "têm que ter"
E "aponto" não... "a ponto", ok? :)))))
Aluna Y 21 de setembro de 2014 08:18 Ok ! professora ..
Aluno H 27 de novembro de 2014 05:23
Bom resumo pessoal, só vamos tomar um pouco de cuidado na escrita e acentuação, ou na digitação, quem sabe... Vamos lembrar que a intimação do Ministério Público será sempre feita pessoalmente (art. 236, §2º CPC). [...] Outro dado importante é que a competência para escrever, embora básica, foi reconhecida pelos alunos como se tivesse sido praticada, ou desenvolvida, dentro do blog, na mesma intensidade que o raciocínio jurídico, a argumentação, a persuasão e a reflexão crítica, que são competências consideradas transversais à luz do exposto no item 2.2.2 do referencial teórico, perdendo apenas para pesquisa, como se denota do gráfico adiante:
Gráfico 7 - Competências formadas pelo uso do blog
Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da pesquisa.
Veja-se que a leitura e elaboração de textos foi selecionada por 57% dos alunos respondentes, assim como o raciocínio jurídico, a argumentação, a persuasão e a reflexão crítica.
Já a pesquisa, núcleo da segunda subcategoria (SC8) da categoria temática em análise, classificada como espécie de competência técnico-profissional segundo modelo de Moreno (2006), foi apontada por 86% dos respondentes, figurando como a competência mais relacionada pelos discentes ao uso do blog, aspecto ainda evidenciado no contexto das respostas que se referiram à TDIC como “muito importante para estimular a pesquisa (R3)”, ou pelo “fato de motivar a pesquisa dos colegas (R4)”.
Esses números remetem ainda a resultado anteriormente extraído da análise da segunda categoria temática (C2), sobre as percepções dos alunos acerca do aprendizado mediado pelo
blog, baseado na prática de localizar e selecionar a informação para comunicá-la imediatamente
aos outros, habilidade considerada importante para o “nativo digital”, como já exposto.
Para Monereo e Fuentes (2010, p. 347), “na sociedade-rede na qual estamos irremediavelmente imersos”, as possibilidades de uma escolha qualitativa do ponto de vista do próprio crescimento estão cada vez mais atreladas ao acesso que se tem à internet e a competência de identificar na vastidão do universo virtual, o que é de fato relevante para ser aplicado.
57% 36% 86% 50% 21% 57% 0% 21% 0 5 10 15
LEITURA, ELABORAÇÃO E COMPREENSÃO DE TEXTOS INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO DO DIREITO PESQUISA E UTILIZAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, DA
JURISPRUDÊNCIA E DA DOUTRINA COMPREENSÃO SOBRE A DEVIDA UTILIZAÇÃO DE
PROCESSOS, ATOS E PROCEDIMENTOS CORRETA UTILIZAÇÃO DA TERMINOLOGIA JURIDICA
RACIOCÍNIO JURÍDICO, ARGUMENTAÇÃO, PERSUASÃO E REFLEXÃO CRÍTICA
TOMADA DE DECISÕES DOMINIO DE TECNOLOGIAS E MÉTODOS PARA
COMPREENSÃO E APLICAÇÃO DO DIREITO
COMPETÊNCIAS ADQUIRIDAS OU POSITIVAMENTE INFLUENCIADAS PELO USO DO BLOG NA PERCEPÇÃO DO ALUNO
Nesse contexto, um pesquisador competente seria aquele capaz de superar com sucesso os desafios de um mundo digital, baseado na fartura e no compartilhamento da informação, aprendendo a localizá-la, filtrá-la e organizá-la, para o melhor uso.
Imprescindível, portanto, a necessidade de desenvolver nos alunos a competência de buscar/pesquisar a informação em ambientes virtuais, uma vez que sem ela nos tempos atuais, as chances de desenvolvimento pessoal e profissional do sujeito diminuiriam.
O conteúdo dos dados colhidos demonstrou que essa consciência também foi partilhada pelos alunos blogueiros, o que se traduz no contexto da seguinte resposta: “muitas das vezes nos mantemos acomodados a simples afirmativa dos outros, mas o blogue nos "forçou " na pesquisa das fontes do direito para melhor dialogar os assuntos expostos (R11)”.
Vislumbra-se na expressão “forçou”, um sinal claro da eficácia do blog na condição de provocar uma mudança de atitude dos alunos, que após a experiência do uso da tecnologia no curso da disciplina jurídica continuaram confirmando as vantagens de terem assumido o hábito da pesquisa: “o Blog me ajudou bastante, hoje sempre que tenho alguma dúvida pesquisa na internet vejo os comentários de outros blogs, as críticas e todo o conteúdo, me ajudou bastante (R14)”.
Importante, também, a percepção discente sobre o papel da habilidade de pesquisar como supedâneo para o desenvolvimento de outras competências como a argumentação − “construir argumentos convincentes demanda a pesquisa de várias doutrinas assim como jurisprudência (R5)” −, o raciocínio e a interpretação − “as vezes o aluno se acomoda só na leitura a abreviatura da escrita, o blogue nos proporcionou o raciocínio para pesquisar, interpretar, e o cuidado na transmissão do que foi aprendido (R13)” −, classificadas de transversais dentro do modelo de Moreno (2006), e indispensáveis ao exercício jurídico, segundo o art. 4º da Resolução nº. 09/2004 CNE/CSE.
Almeida (2007, p. 6) sintetiza explicando que essa trama entre as competências de diversas categorias ocorre muito em razão do uso didático-pedagógico da tecnologia levar os alunos a “localizar, selecionar, avaliar criticamente e atribuir significados a informações provenientes de textos construídos com palavras, gráficos, sons e imagens dispostos em um mesmo plano, empregando-as na leitura do mundo, na expressão do pensamento, na produção compartilhada de conhecimentos”, o que demonstra mais uma vez a plausibilidade da hipótese de que as
características do processo de aprendizagem facilitado pelo blog favoreçam à formação de múltiplas competências do graduando.
Nessa esteira, além das que já foram destacadas e comentadas, segundo a análise de conteúdo dos dados colhidos, observou-se ainda entre os alunos a sensação de um ganho positivo em relação à capacidade de argumentação, terceira subcategoria (SC9) da categoria temática apreciada neste ponto do presente trabalho.
a participação efetiva no Blog influenciou positivamente vários pontos no meu processo de aprendizagem, mas chamo a atenção para aqueles que estão ligados a argumentação (R6).
Do teor da unidade de análise acima colacionada, bem como das demais organizadas no Quadro 7, não sobram dúvidas de que para os alunos blogueiros “os argumentos foram melhorados além da escrita e do aumento de conhecimento (R1)”, entretanto, chama a atenção a concepção revelada pelos discentes de que o aprendizado e o desenvolvimento da capacidade de argumentar possa ser algo capaz de conferir “poder” aos futuros juristas em formação:
o blog é uma ótima ferramenta que permite ao aluno quanto ao professor compartilhar e repassar informações, além de o próprio aluno ter o poder de argumentação na hora de defender e criticar o que é postado, como de interpretar os assuntos analisados (R8).
Tal como discorrido no item 2.2.2 do referencial teórico, sobre as competências específicas do exercício jurídico, nada mais próprio para o profissional do Direito do que a habilidade para o debate, com o domínio da retórica e da argumentação.
Na prática de sua profissão, o operador jurídico lida, em regra, com o litígio, com o confronto de interesses e opiniões, desse modo, o aluno deve aprender a se portar nesse cenário, desenvolvendo, ainda na academia, através de estratégias pedagógicas eficientes, a arte de se manter à vontade diante de plateias e situações de muita tensão, mantendo o equilíbrio emocional pautado na autoconfiança conquistada pela experiência (PEDRA, 2012).
Nesse campo, é o jogo, a retórica, a graça, a estética e a diretividade que contam mais que os exercício lógicos. Desse modo, as habilidades de jogar, de desenvolver consistentemente um discurso retórico, e de expressar graça e elegância nos trabalhos, aditam mais possibilidades de resolver problemas e questões no âmbito da juridicidade (AGUIAR, 2004, p. 59).
Certamente é este o sentimento de “poder”, associado pelos alunos à competência de argumentar, que em consonância com as ideias dos autores acima citados, tem vínculo direto
com um sentir-se seguro para enfrentar o exercício profissional: “aprendemos [...], a ter uma argumentação lógica (R3)”.
Enfim, durante todo o semestre, os registros do blog confirmaram o constante exercício dessa competência, sendo relevante destacar, ainda, como no caso da escrita, que as críticas aos argumentos publicados também foram bem aceitas pelos alunos, sem nenhum entrevero registrado entre os componentes do grupo, que exercitaram, como se vê abaixo, a inteligência para argumentar, com elegância, e sem arredar de seus pontos de vista.
Aluna X 4 de setembro de 2014 08:16
Professora, tanto o juiz pode indeferir, como também pode abrir prazo para emendar, de acordo com o CPC, arts. 282, 283 e 295. Podendo indeferir a petição inicial a qualquer tempo ao longo do curso processual, mas não pode extinguir de plano o processo. O art. 284 do CPC, exige que seja aberta oportunidade ao autor para emendar a inicial. Não se trata de faculdade do Juiz, mas de imposição legal:
Art. 284. [...] O art. 295 [...]
No entanto, um juízo positivo não tomará tais matérias preclusas, podendo