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Belgede ESET SMART SECURITY 8 (sayfa 56-59)

O constante receio dos momentos históricos vividos, marcantes durante o período ditatorial brasileiro, trouxe diferentes efeitos ao exercício das liberdades individuais, de imprensa e de pensamento. O que ressignificou o potencial de proteção da liberdade foi o período pós-ditadura. Adveio, então, a possibilidade de reestabelecer conceitos a partir do fundamento básico do Estado Democrático de Direito.

O período ditatorial, envidenciado pela submissão aos militares, nos países latino-americanos, tornam “[…] premente a necessidade de resgate da memória do passado, como forma de promoção e de respeito aos direitos humanos” (BARBOSA; VANNUCHI, 2009, p. 55). A consolidação democrática advém do conhecimento da verdade pretérita e do que, com ela, pode ser realizado. O passado, assim, evoca a utilidade de aprendizados em prol da reorganização do presente e do futuro. Critica-se o fato de seguir o Brasil um caminho ainda insuficiente de resgate à memória do período ditatorial. Tal pensamento é revelado:

O direito à memória com verdade, se desrespeitado, afeta a todos os cidadãos; influi no cotidiano de suas vidas. A preservação da memória, como registro de fato ou acontecimento histórico e psicológico, individual e coletivo, exerce função primordial na evolução das relações humanas: trata- se de um ato político que constitui a base sobre a qual a sociedade pode afirmar, redefinir e transformar os seus valores e suas ações. Ao contrário do esquecimento, que, para os gregos, constitui a mais dolorosa das experiências, a memória individual e a memória coletiva são os eixos primordiais e os meios de se aplicarem, na prática, os fundamentos dos direitos humanos (BARBOSA; VANNUCHI, 2009, p. 57-58)

41No original: “On the contrary, it confirmed that the right to get your data erased is not absolute and has

clear limits. The request for erasure has to be assessed on a case-by-case basis. It only applies where personal data storage is no longer necessary or is irrelevant for the original purposes of the processing for which the data was collected. Removing irrelevant and outdated links is not tantamount to deleting content. [...] This balance may depend on the nature of the information in question, its sensitivity for the person’s private life and on the public interest in having that information. It may also depend on the personality in question: the right to be forgotten is certainly not about making prominent people less prominent or making criminals less criminal”. Disponível em: <http://ec.europa.eu/justice/data- protection/files/factsheets/factsheet_data_protection_en.pdf>Acesso em: 20 de março de 2016.

Já Paulo Sérgio Pinheiro (2009) entende que o esquecimento do passado e o perdão poderiam significar, com certo potencial de risco, uma desconexão total com o passado, visto que há uma concepção de que, ao transparecer um novo período, o passado seria desconsiderado. Segundo ele, “[…] Não faz parte da tradição política brasileira acertar contas com o passado. Todas as transições do período republicano foram marcadas por anistias generalizadas e pelo esquecimento” (PINHEIRO, 2009, p. 12). A questão é de que forma o esquecimento, nesse contexto político, poderia aludir à defesa de uma censura.

A partir do conceito de memória, entende-se que levar uma consciência pautada pela razão pressupõe uma maior transformação e, da mesma forma, gera a libertação de possíveis reconciliações. Recolher memórias é um dos meios ditatoriais para conservar o desconhecimento dos fatos passados e essa ideia é também situada na importância da informação e da comunicação (BARBOSA; VANNUCHI, 2009, p. 58). O papel fundamental é o resgate do entendimento acerca da responsabilidade individual e coletiva, quando:

[...] A negativa da comunicação ou de informação, em estrita consonância com a verdade, importa em censura, que nega o princípio democrático do poder trasnaparente; e a democracia não prospera em terreno onde sua existência é condicional. Todo governo democrático deve, portanto, assegurar o livre acesso à informação, prestando contas de seus atos à cidadania. E uma condição básica de cumprimento desses imperativos está na existência de uma imprensa livre, pois, sem isso, é impossível avaliar o verdadeiro caráter de um regime governamental (BARBOSA; VANNUCHI, 2009, p. 59)

Em 2015, a decisão da ADI 4815/DF afastou a exigência prévia de autorização para biografias. A relatora, a ministra Cármen Lúcia, definiu a censura

como “[…] forma de controle da informação: alguém, não o autor do pensamento e do

que se quer expressar, impede a produção, a circulação ou a divulgação do pensamento ou, se obra artística, do sentimento” (ADI 4815/DF, 2015, p. 55). O conceito de censura resume um meio de domínio do conjunto de informações que podem ser transmitidas a outras pessoas. Sendo comum em regimes totalitários, não é visto como unicamente político, já que “[…] a censura permeia as relações sociais, propaga-se nas circunstâncias da vida, recorta a história, reiventa o experimentado, pessoal ou coletivamente, omite fatos que poderiam explicitar a vida de pessoa ou de povo em diferentes momentos e locais” (ADI 4815/DF, 2015, p. 55).

O esquecimento viria de encontro ao potencial destrutivo de uma censura encoberta em boas ideias de dignidade. A justifica de merecimento do direito individual pode, da mesma forma, ser a base de um conjunto de atos em prol de um esquecimento do que convier às pessoas públicas e notórias. E, situada principalmente no meio

político, o critério de limpar “fichas sujas” por meio do esquecimento poderia ser a base

de uma negação à liberdade democrática, qual seja, a possibilidade de ter acesso à memória e à verdade.

Um esquecimento com base na velada concepção da boa-vontade em prol de um direito do ser humano, no entendimento dos direitos da personalidade, termina por caracterizar o que a ministra Cármen Lúcia denomina “[...] cultura do politicamente correto, expressão adotada desde a década de 80 do séc. XX, significando políticas tendentes a tornar a linguagem neutra para se evitar ofensa a pessoas ou grupos sociais discriminados historicamente” (ADI 4815/DF, 2015, p. 56), constituindo um impedimento à expressão do que se diz verdadeiro. Ela delimita as censuras estatal e particular como objeções à liberdade de expressão (ADI 4815/DF, 2015, p. 56). Nesse sentido, são claras as possíveis ameaças à exposição da expressão no desejo de apagar dados e fatos de uma pessoa.42

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