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2. ÖNCÜL ENERJİ KAYNAKLARI ve AB-RUSYA ENERJİ POLİTİKALAR

2.3. Öncül Enerji Arz Kaynakları

2.3.1. Petrol

As medidas legais e oficiais implementadas a partir da segunda metade dos anos 1990 pautaram-se pela concessão de autonomia às instâncias político-administrativas locais, consolidando o processo de descentralização da política educacional a partir da indução à municipalização do ensino fundamental, porém nem todos os municípios que aderiram ao processo tinham condições de administrar suas redes ou sistemas de ensino.

Os municípios, ao assumirem novas competências de gestão, tiveram necessidade de encontrar novas formas de desempenho, que lhes permitisse dar conta da incumbência assumida. Diante desse contexto, a cultura institucional se modificou, devido ao aumento dos encargos administrativos, pedagógicos e financeiros. Rememoramos Martins (2003) ao afirmar que a administração municipal tem procurado responder às novas demandas com diferentes estratégias de governo que variam de acordo com as características históricas, políticas, econômicas e culturais dos municípios envolvidos. Apontamos que uma das estratégias adotadas pelos

municípios paulistas para atender essa nova função tem sido a parceria com o setor privado na compra de ‘sistema de ensino’ apostilado.

Temos a seguir os depoimentos dos entrevistados a respeito do que consideram como vantagens e desvantagens na aquisição do ‘sistema de ensino’.

Para a secretária municipal de educação 1 “a parceria foi boa e deu ótimos resultados, pois os alunos sentiram-se valorizados e os pais dos alunos carentes fizeram uma boa economia, pois o material era gratuito a eles”.

A secretária municipal de educação 3 destacou que “com o material apostilado, se tem uma integração do que é ensinado no conjunto de escolas da rede municipal de ensino”. Relatou um fato ocorrido na própria rede de ensino fundamental, quando uma professora ao elaborar o seu plano de ensino para certo ano letivo, colocou que iria trabalhar o conteúdo: sistema de medidas (matemática), e, em um bimestre mais a frente, os números decimais, sendo que este conteúdo deveria preceder ao outro. Ainda, para ela “o material apostilado propicia adequadamente o desenvolvimento dos conteúdos e atividades, possibilitando acrescentar materiais complementares e atividades diversificadas”. A entrevistada não identificou desvantagens no uso de material apostilado.

Para a diretora de escola 1 “a vantagem da adoção do ‘sistema de ensino’ para a educação do município foi que todas as escolas utilizavam o mesmo material, em caso de transferência dentro do município o aluno não perdia conteúdo”. Segundo ela, as desvantagens ocorriam “devido ao compromisso de cumprir a apostila até o final do bimestre alguns professores aceleravam com os conteúdos”; “outros ficavam alienados a apostila e não diversificavam suas aulas”; e ainda, “havia alunos com dificuldades de aprendizagem, com os quais o professor deveria trabalhar diversificadamente, porém isso não acontecia, esses alunos acabavam por completar a apostila sem entendê-la corretamente”.

A diretora de escola 2 viu como uma das vantagens na parceria “a comunicação direta com o sistema Some para sanar possíveis dúvidas”. E como desvantagem o fato de “nenhum ‘sistema’ é totalmente eficiente, embora se opte sempre pelo que nos pareça melhor”.

A representante da instituição privada relatou que além das dificuldades já mencionadas, no caso específico de Santa Gertrudes, a troca de administração municipal e uma assessoria mais presente dificultaram a manutenção da parceria.

Observamos que para a secretária municipal de educação 1 “a parceria foi boa e deu ótimos resultados, pois os alunos sentiram-se valorizados e os pais dos alunos carentes fizeram uma boa economia, pois o material era gratuito a eles”. Seu depoimento sugere-nos que, para ela, o aspecto positivo da aquisição do ‘sistema de ensino’ vinculou-se à ‘compra’, pelo poder público, do material didático apostilado produzido pela empresa privada, legitimada como moderna e detentora de melhores recursos tecnológicos, eficiente e que produz educação de qualidade.

Ora, inferimos, dessa declaração que a gestão municipal incorporou o discurso da iniciativa privada. Porém, quanto ao fato de que com a aquisição do material apostilado não houve custos aos pais dos alunos carentes, salientamos que através do PNLD o ensino público recebe livros didáticos gratuitos do Mec; sendo que, anterior à parceria o município vinha anualmente aderindo ao programa do governo federal. Concordamos com Lellis (2007) ao argumentar que os municípios são autônomos na gestão da educação municipal, arcando com os custos ao adquirirem o sistema de ensino privado, muitas vezes motivados pelo discurso político dos prefeitos sob a alegação de educação de qualidade não pode se restringir às classes mais favorecidas.

Destacamos os relatos da secretária municipal de educação 3 e da diretora de escola 1 sobre as vantagens do município de Santa Gertrudes ter adquirido o ‘sistema de ensino’. Segundo elas: “se tem uma integração do que é ensinado no conjunto de escolas da rede municipal de ensino”; e “todas as escolas seguiam o mesmo material, em caso de transferência dentro do município o aluno não perdia conteúdo”. Portanto, houve concordância no relato de ambas no que concerne às vantagens vinculadas ao aspecto organizacional dos conteúdos curriculares. Aparentemente, as vantagens estavam diretamente relacionadas à padronização dos conteúdos trabalhados nas escolas municipais.

Nesse contexto, evidenciamos a Constituição Federal de 1988 e a Lei Orgânica do Município de Santa Gertrudes – 1990. Quanto à primeira apontamos o artigo 206 que trata dos princípios ao ministrar o ensino, inciso II: liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; também, o inciso III: pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas. Quanto à segunda, aparece no artigo 199 prevê que a educação no município se baseará em princípios, citando nos incisos II e III o mesmo texto presente na Constituição Federal. Tal fato indica que Estado e município estão

em consonância com relação aos princípios estabelecidos ao ministrar a educação em suas respectivas esferas, e ainda, respeitando-se a liberdade de aprender e ensinar e a pluralidade de idéias e concepções pedagógicas.

Para a diretora de escola 2 a vantagem oferecida pela parceria foi “a comunicação direta com o sistema Some para sanar possíveis dúvidas”; tal declaração, acreditamos que o relato se refere ao fato da empresa disponibilizar um serviço de 0800 e e-mail, talvez, nesse caso, como suporte ao professor no uso do material didático apostilado.

Quanto às desvantagens, trazemos o relato da diretora de escola 1: “devido ao compromisso de cumprir a apostila até o final do bimestre alguns professores aceleravam com os conteúdos”, e o relato da diretora de escola 2: “nenhum ‘sistema’ é totalmente eficiente, embora se opte sempre pelo que nos pareça melhor”. É perceptível que a adoção de um ‘sistema de ensino’ único trouxe para o conjunto de escolas no município de Santa Gertrudes uma padronização de conteúdos os quais deveriam ser ministrados dentro de um determinado tempo (bimestre a bimestre), as entrevistadas apontam a organização dos conteúdos como um aspecto positivo, entretanto, como aspecto negativo o cronograma para cumprimento desses conteúdos estabelecidos pelas apostilas bimestrais.

Ainda, apontamos como desvantagens, no relato da diretora de escola 1 quanto ao trabalho dos professores: “outros ficavam alienados à apostila e não diversificavam suas aulas”, e quanto ao processo de aprendizagem dos alunos: “havia alunos com dificuldades de aprendizagem, com os quais o professor deveria trabalhar diversificadamente, porém isso não acontecia, esses alunos acabavam por completar a apostila sem entendê-la corretamente”. A inferência possível, diante dessas assertivas, liga-se à patente contradição expressa na fala da diretora de escola 1: num momento discorre sobre as vantagens do ‘sistema de ensino’; no outro, refere-se que o fato das aulas permanecerem atreladas ao uso exclusivo das apostilas faz com que o processo ensino-aprendizagem torne-se ‘igual para todos.

Reportamo-nos, novamente, ao pensamento de Motta (2001), o autor que aponta restrições sobre o ‘sistema de ensino’: fragmentação do conhecimento, aulas esquemáticas, textos explicativos que necessitam de aprofundamento, exercícios que testam conhecimentos que o ‘sistema’ avalia como importantes, e a consideração de que a apostila, sozinha, contém todo o conhecimento que o aluno precisa.

Por fim, o relato da representante da instituição privada menciona como dificuldade na parceria com o município de Santa Gertrudes “a troca de administração municipal e uma assessoria mais presente” se referindo à extinção da parceria que aconteceu ao final do ano de 2005.