1. FÜTÜRİZM
1.7. Fütürolojik Bağlamda Pragmatik Konjonktür Metodolojileri
1.7.4. Fütürolojik Bağlamda Jouvenel Metodolojisi
A Lei Municipal Complementar n.º 1.656, de 29 de junho de 1998, dispõe sobre o Plano de Carreira e Remuneração do Magistério Público do município de Santa Gertrudes. Foi promulgada na gestão do prefeito João Carlos Vitte (Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB, 1997-2000), na época era Secretária Municipal de Educação a professora Maria Helena Ferranti Bichara.
A referida Lei Complementar estruturou e organizou o Magistério Público de acordo com a Lei Federal n.º 9.394 - LDB, de 20 e dezembro de 1996. O Plano de Carreira e Remuneração do Magistério Público do município de Santa Gertrudes adotou o Regime de Consolidação das Leis do Trabalho - CLT.
O Plano de Carreira e Remuneração contemplou àqueles que integram a carreira do magistério público em Santa Gertrudes, especificamente, os profissionais de ensino que exercem atividades de docência nas unidades escolares municipais; também, os profissionais de educação que oferecem apoio pedagógico direto às atividades de ensino, incluídas as de administração, planejamento, orientação educacional e supervisão da educação básica. Este Plano não se aplica
45 A partir de 2007, foi criado pelo prefeito municipal de Santa Gertrudes, Waltimir Ribeirão, o Conselho Municipal
de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - Conselho do Fundeb.
aos profissionais que integram o quadro de apoio das escolas municipais, que possui legislação própria.
É importante destacar, no documento, que não prevalece distinção entre cargo ou função do magistério, ambos são definidos como o conjunto de atribuições e responsabilidades conferidas ao profissional do magistério; o cargo de provimento em comissão é definido como o cargo preenchido por ocupante transitório, que tem a confiança da autoridade nomeante. O cargo comissionado destina-se às funções de apoio pedagógico (SANTA GERTRUDES, 1998b).
No Plano de Carreira e Remuneração, a Carreira do Magistério Público Municipal de Santa Gertrudes foi organizada da seguinte forma: classes de docentes, que contém o Professor de Educação Básica I (PEB I) - professor de educação infantil, suplência, projetos educacionais e de ensino fundamental I (Ciclos I e II) e o Professor de Educação Básica II (PEB II) - professor de ensino fundamental II (Ciclos III e IV). Além da classe de suporte pedagógico, composta pelo diretor de escola e o supervisor de ensino.
Quanto à remuneração salarial dos professores houve, em 1998 houve o recebimento de um “prêmio” de valorização pago trimestralmente chamado pela gestão municipal de “resíduo”, constituído na forma da Lei Complementar n.º 1.656/1998 (FREITAS, 2003). A Lei estabelecia que tanto o Quadro do Magistério Municipal, quanto o Quadro do Magistério Estadual que prestavam serviço no ensino fundamental da rede municipal de ensino de Santa Gertrudes, tinham ao final de cada trimestre, quando houvesse, direito ao repasse de 50%, e ao final do ano, o restante ao outro 50% do resíduo do Fundo de Magistério e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério, quando houvesse (SANTA GERTRUDES, 1998b).
A referida Lei estabelecia que o rateio do eventual resíduo seguisse os critérios de assiduidade (60%) e produtividade (40%). E que a assiduidade integral de 100% seria válida para aqueles que não se afastassem nenhum dia da sala de aula, com exceção de falta por falecimentos de familiares, licença-gestante ou participação em congresso desde que autorizado. Ainda, a cada falta, salvo a exceção, seria retirada de cada integrante, referente ao correspondente resíduo, o valor de 20%; portanto, ao totalizar três faltas o integrante do Quadro do Magistério perdia o direito à porcentagem de 60% referente a assiduidade, restando-lhe os 40% referente à produtividade, avaliada pelo diretor de escola mediante avaliação de desempenho (SANTA GERTRUDES, 1998b).
Em 2001, na mesma gestão que estabeleceu o Plano de Carreira, houve por parte da Secretaria Municipal de Educação de Santa Gertrudes um incentivo à formação profissional dos professores, através da Lei Municipal n.º 1.828, de 6 de abril de 2001, regulamentada pelo Decreto n.º 1.016, de 23 de abril de 2001. Concedeu-se bolsa de estudo a todos os 32 professores que se interessaram em fazer o curso de Pedagogia, na faculdade privada: Faculdade de Ciências e Letras Dr. Edmundo Ulson, em Araras, município próximo a Santa Gertrudes (FTREITAS, 2003).
Na época, a secretária municipal da educação justificou que tal medida visava melhor capacitar os professores e atender ao reclamo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional46 (LDB) (FREITAS, 2003).
Pontuamos que, até a promulgação da Constituição de 1988 entendia-se que a administração pública poderia adotar o regime estatutário ou o regime celetista na contratação de servidores. A partir desta, instituiu-se o regime jurídico único, com a adoção do regime estatutário; no entanto, muitos municípios permaneceram com o regime celetista. A Lei n.º 9.394/1996 (LDB/1996) e a Lei n.º 9.424/1996 estabeleceram que os sistemas de ensino devem assegurar estatutos e planos de carreira para o magistério público. Posteriormente, a Emenda Constitucional n.º 19/1998 extinguiu do texto constitucional o regime único, restabelecendo a possibilidade de adoção do regime estatutário, celetista ou ambos. Podemos afirmar que o município de Santa Gertrudes atendeu à legislação nacional, criando através de legislação própria o seu Plano de Carreira e Remuneração do Magistério Público.
A secretária de educação 1 relatou que o Plano de Carreira e Remuneração em vigor no município de Santa Gertrudes existe desde 1998; portanto, não houve participação da instituição privada Some na elaboração deste. E, ainda, disse que o Plano previa a avaliação do desempenho docente seguindo os moldes da Secretaria de Estado da Educação, “o resultado da avaliação era transformado num prêmio de valorização do magistério, o que chamávamos de resíduo salarial e que era distribuído ao pessoal do magistério, trimestralmente”.
Para a secretária municipal de educação 2, “na época da municipalização, o município fez um Plano de Carreira ‘a toque de caixa’, um Plano rígido, sem a participação dos professores”; em suas palavras: “o Plano possui muitas falhas, peca em muitas coisas, se choca
46
À época era a orientação do Conselho Nacional de Educação que os professores de educação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental tivessem formação em Pedagogia.
com as leis”; e, acrescentou que, naquela época, “a punição era muito forte, havia uma pressão para que o professor não faltasse, o resíduo servia como pressão aos professores”.
A secretária municipal de educação 3 informou que há um Plano de Carreira47 em vigor no município, mas não houve participação da instituição privada Some em sua elaboração, mesmo porque o Plano foi elaborado anos antes da parceria que forneceu o sistema de ensino. Segundo ela, “o plano de carreira foi elaborado em 1998, após a municipalização do ensino em 1997, porém, está muito defasado”.
A diretora de escola 1 salientou que já havia um Plano de Carreira no município quando houve a parceria com o Some, ressaltando que a instituição não interferiu no mesmo. De acordo com ela, “havia no Plano a avaliação de desempenho do professor, realizada pelo diretor de escola, com o resultado da avaliação era pago o chamado ‘resíduo’ referente à produtividade do professor”.
Destacamos o relato da secretária municipal de educação 2 ao mencionar que “na época da municipalização, o município fez um Plano de Carreira ‘a toque de caixa’, um Plano rígido sem a participação dos professores”. A declaração parece sugerir que o Plano de Carreira e Remuneração foi elaborado, a princípio, para atender tão somente aspectos institucionais. Para Martins (2003), ao assumirem novas competências de gestão os municípios tiveram necessidade de inventar novas formas de desempenho das políticas educacionais exigindo um corpo de informações e de conhecimentos burocrático-administrativos. Conforme já referido, insistimos que a adesão ao Programa de Ação de Parceria Educacional Estado-Município para Atendimento do Ensino Fundamental implicava, segundo o convênio celebrado, na oferta de ação compartilhada entre Estado e município, com assistência técnica da SEE para elaboração do estatuto e plano de carreira do magistério. Todavia, a mesma não aconteceu, o município de Santa Gertrudes elaborou sozinho seu Plano.
Os relatos dos entrevistados demonstram concordância quanto ao fato que, quando o Plano de Carreira e Remuneração foi elaborado (1998), não se estabelecera, ainda, a parceria estabelecida entre o município de Santa Gertrudes e a instituição privada Some. E, consolidada a parceria, não houve interferência desta junto à administração local quanto a alterações no mesmo.
47 A secretária municipal de educação C informou que em 2009 será feita uma portaria e estabelecida uma comissão
para estudo e reformulação do plano de carreira, a comissão será formada por professores, foi solicitado às escolas o envio de nomes de interessados, orientando-se para que sejam eleitos representantes que tenham conhecimento sobre a CLT, LDB e legislação em geral; haverá orientação de uma assessoria na parte jurídica, a qual será contratada. Um primeiro aspecto a ser visto é a falta abonada estabelecida no plano, porém não amparada pelo regime de CLT.
Inferimos dos discursos acima transcritos que o município de Santa Gertrudes ao elaborar o seu Plano de Carreira e Remuneração do Magistério Público atendeu aos preceitos legais.