2.4. İŞLETME İÇİNDE YETENEK YÖNETİMİ
3.1.1. Performans Kavramı
A gota d’água aconteceu na Campanha da Fogueira Santa de Israel. O bispo já vinha preparando os fiéis para que fizessem uma doação além do que podiam. EB conta que o bispo afirmou: “Olha, você vai dar aquilo que você não pode dar. Você vai dar. E a sua vida vai mudar. E, se a sua vida não mudar, eu devolvo o seu dinheiro”. Entusiasmado com a promessa, EB fez um cheque de cinco mil reais e o entregou na Campanha da Fogueira Santa de Israel. É um cheque do Bradesco, no 000014, com data de 22 de janeiro de 1998. Como não tinha dinheiro, procurou um agiota e fez um empréstimo de cinco mil reais para cobrir o cheque. Passou-se um tempo e as coisas não progrediram para EB. Ao contrário, sua vida só piorou. Mesmo em meio às situações adversas, EB insistia em dar mais ofertas ainda. E a sua empresa regredia cada vez mais, até que foi à falência.
Em meio a tanta dificuldade, EB lembrou-se do que o bispo Antonio Carlos havia prometido: “se a gente não fosse abençoado, ele devolveria o dinheiro”. Ligou para o tal bispo, mas ele estava no Rio de Janeiro. Quando conseguiu contatá-lo, ouviu do bispo que a sua vida não melhorou porque não teve fé e que, na verdade, não tinha feito tal promessa. EB afirma que tem testemunhas, que muitas outras pessoas ouviram aquilo. Logo, não foi mais possível fazer contato com o bispo Antonio Carlos.
Com a esperança de reaver o dinheiro, EB começou a ir à sede paulista da IURD, na Avenida João Dias, 1800, na região de Santo Amaro. Na quarta vez que esteve ali, foi barrado pelos seguranças. EB sabia que os seguranças eram policiais militares da ativa, sem permissão para trabalhar fora da corporação e não quis desistir de seu intento. Temendo uma denúncia junto às autoridades, os seguranças chamaram um bispo para falar com EB. O bispo foi logo dizendo: “Olha, todos os que movem uma ação contra a Universal perdem. Todos. Ninguém ganha na justiça. A Igreja Universal é muito forte, é muito poderosa, tem muitos advogados. Você não vai conseguir nada entrando na justiça”. EB saiu dali cabisbaixo e decepcionado. Fora novamente hostilizado e maltratado com palavras. Tentou uma quinta vez falar com o bispo Romualdo Panceiro, mas sem sucesso.
Durante os anos que passou na IURD, EB conheceu uma pessoa com quem procurou desenvolver uma atividade empresarial. O plano era colocar seu amigo como fornecedor numa rede fast food e EB ganharia comissão do lucro obtido. Quando EB sugeriu fazer um contrato por escrito da sociedade, seu amigo argumentou: “Não, o que é isso? Nós somos homens de Deus, não precisamos disso”. As atividades foram iniciadas mas EB nunca recebeu sua parte da sociedade. Procurou-o por diversas vezes e nada. Finalmente, conseguiu falar-lhe, por telefone, mas, ouviu o seguinte: “Olha rapaz, isso aí já passou. Quem não faz poeira, come”. Segundo EB, essa expressão é bem típica da Universal: “Você tem que fazer poeira e não comer poeira”. Chegou até a ver o tal sócio num programa de televisão da Igreja Universal dando o seu testemunho de prosperidade financeira.
Depois de vê-lo na televisão, EB decidiu procurá-lo, pessoalmente, para receber a sua parte. Entretanto, o que ouviu deixou-o surpreso. Seu sócio estava com uma dívida em torno de 500 mil reais. Isso indicava que a sua situação financeira era pior do que a de EB. O testemunho no programa de TV tinha sido uma farsa. A própria esposa de EB informou a Igreja Universal sobre as circunstâncias do sócio e o seu testemunho foi retirado do ar.
As recordações da IURD não são boas, principalmente, em relação as privações por quê passou enquanto servia a Igreja em São Vicente, SP. Quase sem roupas, um par de sapatos furado apenas e duas camisas. Lavava uma enquanto usava a outra. As calças eram remendadas. Até os produtos de higiene pessoal, como sabonete e desodorante, eram difíceis de conseguir. Quanto à comida, a mesma dificuldade. Isso o deixou muito confuso, pois, enquanto pregava a prosperidade, vivia em privações. Os dias continuam difíceis para EB. Para sustentar a família, sua esposa e dois filhos, depende da ajuda de seus pais. Sua vida continua sem definição e ainda tem crises de fé. Hoje, EB está procurando uma igreja, um corpo que lhe dê acolhimento e meios para crescer em todas as áreas de sua vida.
Não é possível relatar aqui os muitos casos de decepções que acontecem no dia a dia do fiel religioso ou dentro de uma instituição religiosa. Mas eles estão ocorrendo em todo o tempo e em todas as partes. Paulo Bonfatti tem um capítulo no
seu livro intitulado “Obreiros e pastores feridos”, onde relata a vida difícil de um líder pertencente a um escalão inferior dentro da IURD:
Percebemos que a vida de pastor é muito atabalhoada, exige uma dedicação constante e quase que exclusiva. Com os poucos que tivemos contato, mesmo que superficiais, observamos o quão difícil e exigente é seu trabalho. Ouvimos, certa vez, alguns obreiros comentarem que fulano de tal “tremeu” quando o pastor questionou se ele queria realmente ser “levantado” a auxiliar de pastor, isso por saberem que é uma dedicação integral e muito difícil. No dia a dia dos pastores, praticamente, não há espaço para uma vida pessoal ou social, já que quase toda ela é dedicada à Igreja. Estão sempre viajando de uma cidade para a outra e, em geral, não são da região geográfica em que estão atuando. Além disso, à exceção do pastor responsável por uma determinada área regional, em curtos espaços de tempo eles são transferidos, o que dificulta criar laços com as pessoas onde vivem e até mesmo com os fiéis... Sozinhos e só contando com o apoio da Igreja, não possuem nenhum outro tipo de trabalho remunerado, já que a Igreja fornece – proporcionalmente à arrecadação que conseguem levantar dos fiéis – salário, casa, carro, telefone... É evidente que se tenda a pensar que essa situação, dentro do contexto brasileiro, forneça uma certa segurança; contudo, é uma segurança que só existe se seguirem cegamente , o tempo todo, as orientações e determinações da Igreja.289
Os depoimentos apresentados são apenas uma amostra das esperanças frustradas que a teologia da prosperidade tem produzido. Alguns dos depoentes já encontraram acolhida, estão recebendo tratamento para suas “feridas” e crescendo na vida espiritual. Porém, os que não chegam a tanto, vão reforçar uma ala que cresce cada vez mais no mundo religioso brasileiro: a dos crentes em trânsito, que é o assunto a seguir.