2.3. YETENEK YÖNETİMİ SÜRECİNİN UYGULANMASI
2.3.4. Gerekli Yetkinliklerin ve Çalışanların Sınıflandırılması
O depoimento a seguir foi extraído de uma entrevista gravada com Júnior no dia sete de novembro de 2003, em São Paulo, capital. Quando ainda criança, sua mãe tornou-se Testemunha de Jeová e ele começou a ir com ela ao Salão do Reino. Júnior nunca quis batizar-se para oficializar a sua pertença no grupo e quando chegou à
286 Catálogo Outono 2003. Graça Editorial, p. 45. 287 Site: www.gracaeditorial.ongrace.com – 16/8/2003.
adolescência rejeitou por completo os ensinos da Sociedade Torre de Vigia.288 Esse foi o único envolvimento religioso de Júnior antes de tornar-se evangélico.
Ele tornou-se evangélico através de Mônica, sua esposa. Quando a conheceu ela já freqüentava uma igreja e ele não. Durante o namoro, Mônica falou-lhe de sua fé, do evangelho e das igrejas, mas Júnior, que nunca escondeu sua aversão pelas igrejas evangélicas, achava que os crentes tinham “aquela coisa” de pobreza, de não poder melhorar de vida, aquele estereótipo do pobre conformado e disso ele não gostava. Procurando corrigir a distorção, Mônica lhe disse que na sua igreja não era assim e passou a citar textos bíblicos usados pela teologia da prosperidade, entre eles, 2 Coríntios 8.9: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”. Ele acha que esse foi o seu primeiro contato com a confissão positiva.
Júnior sentiu-se interessado por essa nova forma de crer e começou a assistir os programa de TV de R. R. Soares. Sua esposa continuava participando dos cultos na igreja Lugar Forte, uma igreja neopentecostal, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Júnior continuava ouvindo a palavra do Missionário pela televisão. Era um programa curto, com apenas uma hora de duração e os apelos por dinheiro eram parcos. Quando o líder da Graça dizia que precisava de patrocinadores para ajudar a pagar o programa, fazia-o com humildade. Para Júnior, o programa tornou-se uma bênção, pois gostava das músicas e das pregações. Não demorou muito e tornou-se também um patrocinador do ministério de Soares, passando a freqüentar, junto com sua esposa, a sede da Igreja na Avenida São João.
Em outubro de 1999, Júnior leu um livro de T. L. Osborn intitulado Curai enfermos e expulsai demônios. Uma semana depois de ler o livro, numa sexta-feira, foi com sua esposa à igreja a fim de participar de um culto de libertação. Havia uma faixa do lado de fora do templo anunciando uma cruzada de sete dias com o pregador T. L. Osborn. Júnior pensou: “Ah, eu tenho que ir” e foi todos os dias, reservando as manhãs para o trabalho e a parte da tarde e da noite para as reuniões. No penúltimo dia, aceitou a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador e afirma que não se
arrepende. Apesar de nunca ter preenchido um formulário para fazer parte do rol de membros da Igreja, passou a considerar o Pr. Jaime de Amorim Campos como seu pastor.
Júnior ainda tinha dúvidas sobre se deveria ou não permanecer no ministério de R. R. Soares. Entretanto, ao participar de um culto de ceia, num domingo de manhã, foi convencido de que o seu lugar era na Igreja na Graça. No sábado à noite, antes de dormir, orou, perguntando a Deus se deveria ficar lá ou não. Na manhã seguinte, quando acordou, percebeu que estava muito atrasado para o culto. Entrou no carro e foi, apressadamente, para a igreja, chegando lá cinco minutos antes de começar o culto. O porteiro foi logo avisando: “Não adianta você entrar porque não há mais lugar”. Júnior disse-lhe que encontraria um assento, reservado para ele. E o porteiro respondeu: “Então entra”! Júnior caminhou até o último assento do corredor, virou a esquerda e viu, sobre a única poltrona vazia, uma Bíblia de capa branca. Aproximou-se daquela poltrona e perguntou à pessoa que estava do lado de quem era aquele lugar. A resposta foi: “É seu, estava guardado para você”! Júnior recebeu aquela notícia como uma confirmação de Deus de que a Igreja da Graça era o seu lugar.
Cheio de esperança, começou a dar o dízimo com a expectativa de ser um vencedor em todas as áreas de sua vida, pois os pastores pregavam bastante a teologia da prosperidade. Era exatamente o que buscava, pois estava passando por uma séria dificuldade financeira. Ele esperava que através das doações para as campanhas, programas de TV e fidelidade no dízimo, Deus fosse abençoá-lo com prosperidade. Era isso o que deduzia das pregações e dos ensinos da Igreja, seja pela palavra pregada nos púlpitos, através dos programas de televisão ou pelo que lia nas publicações do ministério. Por essa razão, dedicou-se, sem reservas, à Igreja da Graça.
Júnior conta que todo dia tinha uma campanha e ele gostava de participar desses eventos. Segunda-feira era a campanha do desemprego; terça-feira era para a pessoa que estivesse sozinha encontrar o seu par; quarta-feira era a reunião para abençoar a família; quinta-feira era a oração pela cura das enfermidades; sexta-feira era a reunião de libertação. Ele gostava de ir principalmente na sexta-feira, porque se
tivesse algum mal ou alguma opressão satânica para sair, com certeza, sairia. No domingo, ele participava do culto das sete da manhã, quando as pessoas iam em jejum para a igreja. Por dois anos, freqüentou, assiduamente, a igreja mas nunca desenvolveu amizade com qualquer outro adepto da Graça. As pessoas se reuniam culto após culto, dia após dia, mas não se conheciam e não construíam relacionamentos.
Por ter-se convertido à fé evangélica numa igreja alinhada com a teologia da prosperidade, a questão do dinheiro foi uma das coisas mais perturbadoras para Júnior. Toda pregação da Igreja da Graça sempre trazia no seu bojo o passo de fé. E o passo de fé era sempre apresentado no final da mensagem, no momento do apelo: “É agora, irmão, agora é a hora de você dar um passo de fé”. E o passo de fé era sempre dar dinheiro. E eram muitas as necessidades: socorro, oferta voluntária, oferta do associado, dízimo. Muitas vezes, o pregador passava cerca de 40 minutos pedindo dinheiro. Depois vinha o momento de agir por fé, o que significava dar mais dinheiro ainda. Assim se pregava a teologia da prosperidade, isto é, a pessoa dá dinheiro para ser recompensada por Deus.
Como operador da Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo), Júnior trabalhava para um Banco, investindo e administrando o seu dinheiro, recebendo uma comissão pelos lucros obtidos. Se obtivesse lucro para o Banco, recebia sua comissão. Se não obtinha lucros, nada recebia. Por essa razão, a doutrina a que Júnior ficou exposto na Igreja da Graça tornou-se-lhe perigosa. Ele ouvia tais pregações como uma profecia, uma palavra direta de Deus. Depois de fazer suas doações financeiras, ele realmente esperava que tudo fosse dar certo em suas atividades, que o seu trabalho iria prosperar, que tudo o que ele fizesse seria abençoado por Deus, pois já havia dado um passo de fé e agido por fé. Por isso, prosseguiu com o seu trabalho na Bolsa de Valores com uma atitude triunfalista e um estilo de vida que lhe custou caro.
Ao crer na teologia da prosperidade e na idéia de que ao dar dinheiro à igreja garantiria o sucesso em todas as áreas de sua vida, Júnior passou a investir na Bolsa de Valores o dinheiro do Banco para o qual trabalhava de forma, aparentemente, irresponsável. Tudo tinha de dar certo, pois havia até profecias prometendo vitórias
em tudo o que fizesse. Achava que toda a decisão tomada partia de Deus. Quando vendia uma ação, ficava esperando Deus fazer a Bolsa cair. Quando comprava, ficava esperando Deus fazer a Bolsa subir e, assim, obter lucro. E isso não funcionou como queria. Começou, então, a perder muito dinheiro dos seus patrões e a ficar sem dinheiro para pagar o aluguel e suas contas. Chegou a ponto de vender os seus bens, pois o dinheiro havia acabado.
Mesmo em meio a toda aquela dificuldade, Júnior continuava fazendo suas doações em dinheiro na Igreja da Graça. Quando recebia o 13o salário ou qualquer outro dinheiro, corria até a igreja para ofertar, na esperança de que Deus revertesse aquele quadro. Mas nada aconteceu. Enquanto esteve na Graça, só doou dinheiro, deu o dízimo e ofertou sem receber qualquer coisa em troca. Júnior hoje está convicto de que aquela doutrina não estava embasada na Palavra de Deus e foi prejudicial para sua vida.
3.5.1 O relacionamento com R. R. Soares
Durante todo tempo em que esteve na Igreja da Graça, Júnior nunca falou com o Missionário e nunca viu alguém fazê-lo. Segundo ele, Soares não permitia que alguém se aproximasse para falar-lhe e nunca descia do púlpito para cumprimentar alguém. Nem mesmo com o homem que considerava como seu pastor, Jaime de Amorim Campos, Júnior nunca conversou. Também com os obreiros não foi possível desenvolver amizade ou diálogo. Júnior informa que o Pr. Jaime sempre dizia que eram dez mil membros e que se fosse dar um minuto de atenção a cada um, não haveria tempo para realizar os cultos. Assim, para não ser injusto com alguém, optou-se por não fazer contatos pessoais.
Com o passar do tempo, Júnior percebeu que a mensagem principal do culto era o apelo por dinheiro. Ficou incomodado também com os anúncios na televisão convocando as pessoas para um culto específico onde estariam orando pelas famílias. Na verdade, quase não havia oração pois o tempo todo era empregado no levantamento de fundos para a Igreja da Graça. Já no fim da reunião, eles faziam uma rápida oração, pois tinham que dar início à reunião seguinte. Essa ênfase no dinheiro em detrimento do propósito pelo qual haviam se reunido muito o aborreceu.
3.5.2 A Teologia da prosperidade na Bovespa
Júnior havia sido contratado por um Banco para operar na Bolsa de Valores porque era um ganhador. E era isso que o Banco queria. Alguém que ganhasse muito dinheiro para aquela instituição bancária. E isso Júnior fazia com muito êxito. Um operador bem sucedido na Bolsa lê muito jornal, boletins financeiros, memorandos, procura manter-se informado sobre ações, sobre o mercado interno e externo e a situação do país. É preciso estar bem informado para poder fechar os melhores negócios. É assim que funciona a Bolsa de Valores.
O contato de Júnior com os ensinos da confissão positiva na Igreja da Graça alterou a sua forma de operar na Bolsa. Foi-lhe dito, vez após vez, que depois de um passo de fé ou depois de agir com fé, ofertando e sendo fiel no dízimo, Deus entraria com providência na vida do crente e ele prosperaria: “Olha, esta semana vai ser uma semana de bênção, de vitória, creia nisso, porque você ajudou na casa de Deus, você plantou no reino celestial”. Com essas garantias proferidas pelos líderes da Graça, Júnior chegava na Bolsa de Valores com a certeza de que qualquer coisa que ele fizesse ou qualquer negócio que fechasse, dariam certo. Assim, já não lia mais os jornais, os memorandos e passou a desprezar todas as informações vitais para uma operação lucrativa.
O novo estilo adotado por Júnior para operar na Bolsa trouxe-lhe resultados desastrosos. Houve o caso de uma empresa cujas ações não seriam mais negociadas. Essas ações eram negociadas em Nova Iorque e em São Paulo. Assim, era necessário que se verificasse a suas cotações em Nova Iorque para se estabelecer a melhor forma de negociá-las em São Paulo. Na véspera dessas ações serem retiradas do mercado, a Bovespa publicou um memorando informando que tais ações não seriam mais negociadas em São Paulo. Quem comprasse aquelas ações não teria a quem vender. Confiante nas promessas de bênçãos dos pastores e de que o Espírito Santo o dirigia em tudo o que fizesse, Júnior jamais poderia imaginar que o mal poderia acontecer. Afinal, já havia garantido sua vitória com suas doações e vinha semeando no reino de Deus. Por isso, não leu o memorando.
No dia seguinte, o mercado abriu e Júnior começou a comprar, sem qualquer preocupação, aquelas ações, na certeza de vendê-las por um bom preço. Quase perdeu o emprego ao ter, em dez minutos, um prejuízo enorme. A catástrofe só não foi maior porque alguém do Banco ligou-lhe perguntando o que estava acontecendo, alertando-o quanto ao equívoco.. Júnior passou muito tempo trabalhando para recuperar o que havia perdido e atribui esse incidente ao fato de ter adotado um estilo de vida baseado na pregação dos pastores da Igreja da Graça. O rompimento de Júnior com a Igreja da Graça foi, pouco a pouco, sendo construído através da leitura da Bíblia, principalmente dos evangelhos. Ele conta como foi:
Eu comecei a ver que aquela teologia da prosperidade não batia com o que a Palavra de Deus falava. Então, eu comecei a parar de ouvir o pastor da igreja, o que eles diziam, o que as suas publicações diziam e comecei a ouvir o que Jesus falava. Comecei a confrontar o que a Bíblia dizia com a pregação deles e decidi ficar com o que a Bíblia dizia, não com o que eles diziam. E decidi ser fiel ao que Jesus falou. Eu comecei a ver que Jesus não pedia dinheiro, Jesus não cobrava pelos milagres e Paulo em nenhum momento disse que se nós déssemos dinheiro para Deus, Deus agiria em nosso favor. Então, aquilo para mim foi o fim. Eu me senti enganado durante todo aquele tempo. Passei a procurar uma outra igreja que estivesse mais de acordo com a Palavra de Deus. Nessa época, descobri um livro intitulado SuperCrentes, de autoria de Paulo Romeiro e pude perceber que o livro confirmava minhas suspeitas. O livro ajudou a tirar-me de um buraco. Do contrário, eu teria ido para debaixo da ponte.