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Belgede Pay senetlerinin halka arzı (sayfa 59-64)

Foram muitas e diversificadas as instituições criadas na administração Graccho Cardoso (1922-1926). Extrapolaram a fronteira dos negócios agrícolas e de industrialização, atendendo, dessa forma, à quase totalidade do que preceituava a sua plataforma presidencial. Entre essas instituições, podemos citar o Instituto Parreiras Horta.

Inaugurado em 1924, tinha como um dos seus atributos o desenvolvimento de pesquisas médicas, destacando-se as realizadas sobre a febre tifoide e a produção de uma vacina (oral) para o mal. A direção do Instituto foi con- fiada ao bacteriologista que lhe deu nome, Paulo de Figueiredo Parreiras Horta, que o dirigiu até dezembro de 1925, retirando-se do estado devido à continuidade de suas pesquisas e a outros compromissos profissionais (SERGIPE. Mensagem [...], 1925).

Elogiado na imprensa (Gazeta do Povo, 30/07/1925), o Instituto manti- nha suas atividades distribuídas em diferentes seções de atendimento ao público por meio de exames e tratamento mediante vacinas, além do for- necimento destas aos municípios e aos departamentos do estado. O reco- nhecimento além fronteiras da produção da instituição sergipana era visto através das solicitações de seus produtos por outros estados, como Bahia, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro (SERGIPE. Mensagem [...], 1926). A atenção relativa às questões de saúde produziu outra instituição para Sergipe e que, a exemplo do Instituto Parreiras Horta, ainda se mantém em funcionamento no estado – o Hospital de Cirurgia.

Inaugurado em 1926, o Hospital de Cirurgia, destacado na imprensa da época (Gazeta do Povo, 26/04/1926 e 04/05/1926), foi “possivelmente a maior obra do governo Graccho Cardoso”, segundo Figueiredo (1989, p. 105). Seu edifício constituía-se de três pavilhões, sendo de 106 metros o comprimento da sua fachada. Abrangia uma área total de 1.800 m2.

de propriedade do estado. O hospital era destinado à “assistencia medico- -cirurgica, de accordo com os ensinamentos e methodos da techina moderna [...]” (SERGIPE. Mensagem [...], 1925, p. 114), conforme o pre- sidente do estado.

Tanto o Instituto Parreiras Horta quanto o Hospital de Cirurgia podem ser considerados exemplos da preocupação modernizadora do governo, marcada pela busca do desenvolvimento de instituições de pesquisa cien- tífica e prontos serviços à população destinados aos aspectos de higiene. Entre as instituições voltadas diretamente aos aspectos econômicos, no intuito, por exemplo, de apoiar tanto a grande quanto a pequena produ- ção agrícola e tornar mais efetivas as relações comerciais para os produtos locais, entrou em funcionamento, em agosto de 1923, o Banco Estadual de Sergipe. A instituição foi construída com capitais sergipanos e france- ses através do Crédit Foncier du Brésil et de l’Amerique du Sud, segundo Graccho, “em razão da indifferença e ausencia de iniciativas, então exis- tentes, em o nosso acanhado meio financeiro” (SERGIPE. Mensagem [...], 1925, p.  124). As críticas ao empreendimento fizeram-se sentir na imprensa, principalmente por meio do Correio de Aracaju e do Sergipe

Jornal10.

Outras três instituições consideradas modelos foram inauguradas na capi- tal: o Mercado Modelo, o Matadouro Modelo e a Penitenciária Modelo. O mercado, construído em parceria com a iniciativa privada, tomava uma área de 5.168 m2. Tornava-se, pois, mais uma obra monumental da admi-

nistração Graccho Cardoso. Entretanto, convivia com a crítica da oposi- ção, que questionava da seguinte maneira: “Que necessidade tem o povo de mercado bonito, aquela babilônia?” (Sergipe Jornal, 7/11/1924). Mesmo diante de críticas, as obras continuavam recebendo apoio e elogios tam- bém de parte da imprensa (Gazeta do Povo, 08/02/1926).

As críticas dirigiam-se também à construção do Matadouro Modelo, obra realizada em parceria com as administrações estadual e municipal e posteriormente concedida à iniciativa privada. O Correio de Aracaju (29/3/1927), em oposição, comandava ofensiva: “Combatemos o mono- pólio imoral do Matadouro Modelo”. O matadouro era moderno, suntu- oso, mas não apresentava motivos que o fizessem imoral. Em agosto de

10 Ver, por exemplo: Correio de Aracaju. Aracaju, 25/10/1923; Sergipe Jornal. Aracaju, 04/09/1925.

1926, com a presença do eleito presidente da República Washington Luis, a obra era inaugurada. Possuía cinco pavilhões, todos, segundo Graccho, “[...] convenientemente dotados de apparelhagem e machinismos os mais modernos” (SERGIPE. Mensagem [...], 1926, p. 22).

Em outubro de 1923, o presidente do estado, com o engenheiro paulista Artur Araújo à frente de 375 operários, batia a pedra fundamental da Penitenciária Modelo, iniciando assim, conforme Figueiredo (1989, p. 51), “a construção daquele que, criado pela Lei n. 943, de 09/10/1926, irá ser, na periferia de Aracaju, um dos mais modernos estabelecimentos penais do Nordeste”.

Tendo em vista os compromissos expressos na sua plataforma de governo e uma melhor aplicação do regime penitenciário estatuído pelo Código Penal da República, desde maio de 1923, Graccho Cardoso ordenou a construção de edifício para a nova penitenciária em substituição à cadeia pública do estado. Aberta concorrência pública para a construção, “o edi- tal exigiu que a penitenciaria fosse calculada para 250 detentos, deveria possuir officinas e obedecer a todas as regras de architectura e hygiene inherentes aos carceres modernos” (SERGIPE. Mensagem [...], 1923, p. 18). O edifício possuía área coberta de cerca de 450 m2. Continha dois pavi-

lhões e duas torres. O conjunto penitenciário foi inaugurado com enfer- maria, lavanderia, banheiros, hospício, capela, oficinas e necrotério11.

Buscava-se incorporar na construção da nova penitenciária os progressos da ciência penal, obtidos desde o fim do século XIX. As ideias progres- sivas, entre outros delineamentos, exigiam que a prisão não se constitu- ísse simplesmente em um instrumento de segregação, mas que em suas dependências a higiene, a disciplina e o trabalho estivessem presentes (SERGIPE. Mensagem [...], 1923, p. 20).

11 Elogios à construção da penitenciária por parte da imprensa, ver: Sergipe Jornal. Aracaju, 01/06/1923.

Figura 1 – Penitenciária Modelo

Fonte: Acervo da Prefeitura Municipal de Aracaju.

No campo da educação, dessa vez no ensino superior, era inaugurada, em 1925, a Faculdade de Direito Tobias Barreto. Apesar de inaugurada, não entraria em funcionamento devido à falta de alunos. Francisco Nobre de Lacerda, diretor interino da instituição, atribuía tal fracasso ao fato de não ser a Faculdade de Direito Tobias Barreto equiparada aos demais estabele- cimentos oficiais congêneres (SERGIPE. Mensagem [...], 1926).

A instituição foi alvo tanto de apoios como de críticas transmitidas pela imprensa local12. Mesmo diante da oposição, o governo Graccho Cardoso

12 A iniciativa tinha apoio. Exemplos podem ser encontrados: Sergipe de parabéns – inaugurou-se a sua Faculdade de Direito. A Cruzada. Aracaju, 26/04/1925, n. 61; SAMPAIO, Prado. Factos e ideias. A Cruzada. Aracaju, 03/05/1925, n. 62. A crítica era liderada pelo Correio de Aracaju (Aracaju, 04/04/1924), por exemplo, que declarava que “Sergipe não pode ainda ter uma Faculdade de Direito, deve criar uma escola de Agronomia”. O Sergipe Jornal (Aracaju, 31/09/1925), por sua

insistia na sua proposição de implantação do ensino superior no estado. Assim foi que promoveu também a criação da Faculdade de Farmácia e Odontologia. Tal instituição iniciou seu funcionamento em 05 de abril de 1926, com vinte e dois alunos matriculados. Assim como a Faculdade de Direito, também conviveu com elogios e oposição13.

Outra instituição criada na administração Graccho e destinada à produ- ção científica foi o Instituto de Química, solenemente inaugurado na capi- tal em novembro de 1924. O seu curso, inaugurado em fevereiro de 1925, compreendia três anos de duração.

Dotado de mobiliário completo, incluindo aparelhos de física, estu- fas, termômetros e máquina de projeção para auxílio de conferencistas, o Instituto, conforme o administrador: “nada ficará a dever [...] ao seu congênere de Bello Horisonte e aos cursos das Polytechnicas do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, de Curitiba, de S. Paulo, da Bahia, de Ouro Preto e de Pernambuco e da Escola de Agricultura de Nictheroy” (SERGIPE.

Mensagem [...], 1925, p. 36).

vez, ao se referir à pequena representatividade da Faculdade de Direito, provocava revelando que “em Sergipe, ninguém conhece a Faculdade Tobias Barreto senão pelo noticiário dos órgãos do Governo”.

13 Elogios eram encontrados no jornal A Cruzada. Ver: Inauguração de uma faculdade em Sergipe. A Cruzada. Aracaju, 18/04/1926, n. 44. As críticas seguiam com o

Sergipe Jornal, que tinha declarado em suas páginas: “Uma Escola de Direito, uma

dita de Farmácia e Odontologia, uma outra de Comércio, enquanto o povo se torce absorvido pela carestia pavorosa da vida” (Sergipe Jornal. Aracaju, 07/04/1926).

Figura 2 – Instituto de Química

Fonte: Acervo da Prefeitura Municipal de Aracaju.

Era o Instituto de Química, segundo o presidente do estado, edificado todo em cimento armado e media 12x20,8m, totalizando aproximada- mente 250m2, distribuídos em dois andares (SERGIPE. Mensagem [...],

1925, p. 114). A exemplo das demais obras da administração Graccho, no frontão central do edifício, destacava-se uma águia, elemento que denun- ciava o feito como produção do governo Graccho Cardoso.

Instituições, portanto, eram criadas com o objetivo de prover o estado de profissionais habilitados. A baixa matrícula no Instituto no seu ano de inauguração (nove alunos), no entanto, apesar do otimismo do presidente, dava indícios dos limites enfrentados pelas iniciativas governamentais. A formação profissional ganhava em Sergipe também com a criação do Patronato Agrícola São Maurício. Acerca de tal instituição, declarava Graccho Cardoso:

No proposito acrisoladamente humanitario e christão de amparar a infancia abandonada e transformal-a em elemento util á economia sergipana, o governo construiu, indepen- dente de qualquer auxilio da União, um predio confortavel e hygienico, com capacidade para duzentos meninos, annexo ao

Centro Agricola «Epitacio Pessoa», e nelle fundou o Patronato Agrícola «São Mauricio», actualmente com cerca de oitenta educandos, e o está custeando com seus proprios recursos (SERGIPE. Mensagem [...], 1925, p. 6).

Em relação à escolarização dos educandos do Patronato, afirmava o presidente:

Alem do ensino basico de primeiras letras, recebem as crianças alli internadas, aulas praticas no campo, ministradas por agro- nomo, e simultaneamente fazem o aprendizado dos officios de ferraria, carpintaria, correaria e sapataria. / Todas essas offi- cinas estão em actividade, resaltando o facto de, desde Julho ultimo, ter começado, nas de sapataria, o fabrico do calçado necessario ás praças do Batalhão Militar do Estado (SERGIPE.

Mensagem [...], 1925, p. 7)14.

Diante da criação dessas instituições e dos pronunciamentos de Graccho Cardoso sobre elas, identificamos aspectos da percepção de modernidade do governante e o lugar da educação nessa concepção, uma vez que cri- ticava o apego à tradição e propunha o aperfeiçoamento dos métodos de produção econômica com base em estudos científicos.

Nesse cenário, deveria ter lugar um amplo processo de instrução que abar- casse toda a sociedade. Tal processo iniciava-se pelas crianças, inclusive as abandonadas. Seguia com os jovens em cursos profissionalizantes ou nas faculdades. Passava pelos agricultores, tendo em vista a necessidade de mecanização e a melhoria da produção agrícola, chegando até mesmo aos detentos, que, conforme o “conceito moderno de repressão”, do qual era adepto o governante, deveriam ser educados pelo trabalho.

Da criação das instituições e dos serviços aqui exemplificados, percebemos a preocupação com a mudança, com a ruptura de processos, de rotinas tra- dicionais para atividades científicas em vários aspectos da sociedade. Esse processo era exteriorizado por meio da preocupação com a mecanização da produção agrícola, da fundação de institutos e laboratórios de pesquisa, da criação de instituições-modelo próprias de uma sociedade urbana, de investimentos na contratação de profissionais especializados, alguns dos quais externos a Sergipe, para a organização e direção de instituições e

serviços, assim como do estabelecimento do ensino superior, mesmo diante de críticas.

Tais feitos revelam um processo de modernização, ou seja, de modernidade em prática e em processo de difusão de suas características. O insucesso de iniciativas, como a Faculdade de Direito, não deixava de revelar uma esperança no desenvolvimento local, uma crença na ideia de progresso. Ainda que a instituição de ensino superior atendesse apenas às classes mais privilegiadas economicamente do estado, funcionaria como formadora de quadros para a administração pública, minimizando a necessidade de importação de profissionais.

Além da criação dessas instituições e dos serviços prestados por elas, vale salientar a expansão e a reorganização de instituições e serviços já existen- tes. O calçamento e o ajardinamento da capital, o fornecimento de energia elétrica, água, sistema de esgoto e drenagem, a higienização de Aracaju, a viação urbana e o serviço de estradas de rodagem são ações que demons- travam uma adesão ao movimento higienista e de ordenação do espaço urbano, característico da modernização das principais cidades do país. Preocupado com o embelezamento da capital em termos arquitetônicos, o governo resolveu doar à Intendência o terreno para a construção do Palácio do Governo Municipal. Também concedeu terrenos à Associação Comercial e ao Colégio Nossa Senhora de Lourdes. O Governo do Estado auxiliava o Governo Municipal da capital com os serviços de abertura de novas ruas e calçamento, segundo Graccho, devido à incapacidade das rendas municipais. No seu último ano de governo, em uma retrospectiva acerca dos feitos de sua administração diretamente aplicados em Aracaju, Graccho Cardoso lembrava que a cidade “[...] foi objecto dos nossos mais instantes cuidados, passando, como é notorio, nos logares mais movimen- tados e de maior importancia, por transformações radicaes que muito e muito embellezaram e hygienizaram” (SERGIPE. Mensagem [...], 1926, p. 25).

Além das obras de calçamento e ajardinamento de Aracaju, os serviços de luz e tração elétrica também sofreram expansão no quadriênio Graccho Cardoso. Para tanto, devido ao alto custo e à complexidade dos seus tra- balhos, o governo determinou a redução do pessoal e a organização mais racional do trabalho da Usina de Eletricidade. A administração estadual, no que chamou de “liberal medida”, aboliu o monopólio que o estado

possuía quanto ao assentamento de instalações elétricas e à manutenção delas (SERGIPE. Mensagem [...], 1923, p. 28).

O governo reconhecia a precariedade da usina de eletricidade da capital construída em 1914. Dessa forma era que, em 1924, não apenas Aracaju contava com usinas para o fornecimento de energia, a inauguração de usi- nas ocorria também em São Cristóvão, Capela, Nossa Senhora das Dores, Estância e Lagarto. Determinava ainda a instalação dos serviços de ilumi- nação elétrica em Estância, Lagarto e Nossa Senhora das Dores, além de ordenar o remodelamento por completo do serviço de Capela.

Iluminação pública e particular era inaugurada em maio de 1926 em Aracaju, assim como o tráfego de bondes elétricos por meio da empresa organizada com capitais sergipanos. Sobre tais melhoramentos, pronun- ciava-se Graccho Cardoso: “Sem discrepâncias de opinião, a luz distribu- ída pela empresa é da melhor qualidade possível, e os seus bondes nada deixam a desejar quanto aos requisitos de bom gosto e modernidade” (SERGIPE. Mensagem [...], 1926, p. 22).

Para solucionar problemas relativos ao fornecimento de água na capital e de obras de drenagem e sistema de esgotos, em 1923, Graccho registrava a contratação do engenheiro sanitário, Dr. Saturnino de Brito, do Rio de Janeiro, para estudar e planejar a reforma dos serviços de abastecimento de água de Aracaju, cujos problemas atingiam, inclusive, as instituições de ensino (SERGIPE. Mensagem [...], 1923, p. 31-34). Após revisto o projeto da rede de esgotos, entregue à população da capital em 1914, e identifica- das suas falhas pelo engenheiro contratado, fazia-se necessária a sua remo- delação, de forma a garantir o seu funcionamento. Graccho explicava o porquê de sua escolha pela contratação do engenheiro Saturnino de Britto. Segundo o administrador,

os resultados surpehendentes que a engenharia sanitaria alcançou, em Santos, levaram-me a solicitar, para esse rele- vante assumpto, o concurso da experiencia do dr. Saturnino de Britto, o planeador e executor das modificações progres- sistas que, nesse sentido, renovaram aquelle importante porto paulista abriram ao seu desenvolvimento amplas zonas sanea- das, onde hoje reina a civilização e o conforto, em pontos que foram, ainda ha poucos annos, charnecas insalubres, alagadi- ços doentios e focos de amarilica (SERGIPE. Mensagem [...], 1925, p. 112).

Dois anos após tal contratação, Graccho afirmava que os serviços de higiene eram executados tanto na capital quanto no interior. Estes eram realiza- dos pelo Serviço de Saneamento Rural, uma iniciativa do Departamento Nacional de Saúde Pública, solicitada pelo governo Graccho Cardoso para Sergipe (SERGIPE. Mensagem [...], 1925, p. 91).

Como resultado dos trabalhos organizados por Saturnino de Britto, ates- tava Graccho, na sua última mensagem oficial à Assembleia Legislativa, que a radical remodelação do abastecimento de água da capital encon- trava-se em fase de conclusão, conforme projetado (SERGIPE. Mensagem [...], 1926, p. 77).

Ainda no que se refere à higiene da capital do estado, merece ser mencio- nada a presença da Fundação Rockefeller, efetivada por meio da Comissão de combate à Febre Amarela. Ao se referir aos resultados dos trabalhos da Comissão, Graccho afirmava a existência de bons frutos, como, por exemplo, o índice geral de 1,3% de mosquitos, em relação ao total dos focos examinados. Em 1926, retornava a Comissão a Aracaju, devido ao aparecimento no interior baiano de alguns casos suspeitos de febre ama- rela (SERGIPE. Mensagem [...], 1926, p. 74)15.

Discussões acerca da higiene estiveram presentes no Brasil desde o Império. Na República acentuaram-se, apontando a necessidade de reordenamen- tos em vários aspectos do social. Rui Barbosa defendia ações higienistas, inclusive com ênfase na higiene escolar. Em sua opinião, deveriam ser executados serviços de inspeção higiênica nas instituições de ensino de forma regulamentar. Graccho Cardoso, leitor de Rui Barbosa, deve ter acentuado seus objetivos de governo voltados para aspectos de higiene em Sergipe.

Não podemos deixar de registrar também a provável apropriação de Graccho Cardoso de ações higienistas postas em execução em Sergipe em administrações anteriores, inclusive com a regulamentação dos serviços de higiene de 1893 do governo de José Calazans.

15 As ações filantrópicas do magnata John Rockefeller datam dos seus tempos de juventude. Na passagem do século XIX para o XX, a fortuna de John Rockefeller estava avaliada em US$ 900 milhões, maior fortuna acumulada individualmente na história do capitalismo monopolista. Ver: Rocha (2003).

No governo Graccho Cardoso, do ponto de vista higiênico, ainda se pode acrescentar o apoio dado a iniciativas desportistas no estado. A respeito desse assunto, pronunciava-se o administrador da seguinte maneira:

Capacitada da verdade do aphorismo latino: – mens sana in

corpore sana, isto é, de que a educação physica conveniente-

mente dirigida contribue á formação do caracter e prepara, como o entendam os gregos, com a virilidade da raça, cida- daos uteis á patria, não tem a administração publica regate- ado o seu auxilio a diversas associações desportistas que, para o seu desenvolvimento, pedem o amparo do governo. Foram assim cedidos, a titulo precário, terrenos para sédes e campos de varias associações de tennis, de remo e de foot-ball desta Capital. / Nesses laboratorios invisiveis do fortalecimento hygico, é que na Allemanha, na Suissa e nos Estados Unidos se armam os escudos da defesa nacional, tanto para o campo da batalha guerreira, como para a arena da actividade economica, a qual, mais do que o outro, hoje em dia necessita, para o pleno exito e a victoria fecunda, de homens sadios, ageis e dispostos (SERGIPE. Mensagem [...], 1925, p. 92-93).

Em 1926, Graccho Cardoso atribuía a ordem da saúde pública em Sergipe aos trabalhos preventivos, de diagnósticos e curas desenvolvidos pelo Instituto Parreiras Horta. Porém, nem tudo caminhava tão tranquila- mente assim. A queda nas receitas públicas, ocorrida em meados dos anos de 1925, levou o governo a abrir mão, em janeiro de 1926, do contrato que possuía com o Departamento Nacional de Saúde Pública. Em consequên- cia, a administração pública restabeleceu os serviços da antiga repartição de higiene, entretanto com nova regulamentação, voltada para a fiscaliza- ção de alimentos e de profissões ligadas à medicina, profilaxia de doenças contagiosas, higiene domiciliar e polícia sanitária das habitações coletivas e particulares (SERGIPE. Mensagem [...], 1926).

A atenção do governo Graccho Cardoso voltou-se também ao ser- viço de viação urbana. Nesse aspecto, o presidente acusava um atraso em Sergipe, em comparação à organização de outras capitais inclusive menos adiantadas do que Aracaju (SERGIPE. Mensagem [...], 1923). A falta de reformas no sistema de viação, no período dos últimos onze anos, segundo Graccho, em 1925, justificava as reclamações da população da cidade. Buscando solucionar a questão, o governante, com a anuência da Assembleia Legislativa, contratava, após concorrência pública, empresa

para a realização dos serviços necessários. Em síntese, ficou desta forma a situação da viação urbana da capital:

Alem da tracção por força motriz, o actual contracto offerece sobre o outro as seguintes vantagens: exploração maxima de 23 kilometros e 500 metros de via em vez de 13, bitola de um metro e não de 0,80, bondes confortaveis para 40 passageiros em substituição ás desengonçadas caixinhas de prosphoros, engraçadamente alcunhadas de arranca-bofes, para 20; dois bondes de systema moderno para carga (SERGIPE. Mensagem [...], 1925, p. 107).

Nos serviços de viação intermunicipal, a administração pública também se fez presente. Foram exemplos de estradas de rodagem inauguradas até 1925: Salgado–Lagarto; Aracaju–São Cristóvão; Aracaju–Laranjeiras; Aracaju–Jabotiana–Cabrita; Salgado–Annápolis; Laranjeiras–São Paulo (atual Frei Paulo); Itabaianinha–Campos (atual Tobias Barreto); Geru– Villa Cristina (atual Cristinápolis); Riachão–Boquim. Com o objetivo de obter esclarecimentos e conhecimentos técnicos em relação às questões

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