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Belgede Pay senetlerinin halka arzı (sayfa 64-69)

A crítica à administração Graccho ocorreu fortemente por meio de parte da imprensa. De forma enfática, o Sergipe Jornal reclamava, em 1924, con- tra “um empréstimo externo de 2 milhões de dólares ou 18 mil contos” a ser tomado pelo governo. Depois de afirmar que “já estamos com as nossas principais rendas hipotecadas ao Banco Estadual de Sergipe pelo espaço de 70 anos”, o jornal questionava: “Para que fim precisa o Estado de 18 mil contos se a receita cobriu quase três vezes a despesa orçada?” (Sergipe

Jornal, 20/10/1924). Diante da pressão, o governo explicava que não mais

contrairia empréstimo externo.

O presidente percebia os problemas, as dificuldades para a efetivação dos projetos do seu governo, a impossibilidade de evitar descontentamentos. Apesar do acatamento de pedidos do presidente da República, inclusive atendendo à solicitação para eleger senador Lopes Gonçalves, cidadão maranhense sem nenhum vínculo com Sergipe, perdeu apoio dos quadros políticos locais. Por ocasião da eleição da Mesa da Assembleia, o governo contrariou os interesses de Pereira Lobo, antecessor de Graccho na admi- nistração estadual, fato que criou uma dissidência no Partido Conservador, dividindo as lideranças locais16.

16 Por ocasião da eleição da Mesa da Assembleia, Graccho Cardoso e Lobo, que já vinham divergindo, não chegaram a um consenso. Decorrido o pleito, a chapa do primeiro venceu a do ex-presidente por 16 x 7, configurando o rompimento entre as duas lideranças e enfraquecendo o quadro situacionista. Ver: Dantas (2004).

O Sergipe Jornal, a partir de meados de 1924, passava a ser dirigido por Antonio Batista Bittencourt, genro de Pereira Lobo, no período, adver- sário da administração Graccho. O jornal combatia de forma extrema a administração, defendida, por seu turno, pelo jornal Diario da Manha. Por meio de questionamentos no Sergipe Jornal, os opositores investiam na crítica ao Governo: “O povo precisa saber quais as vantagens da vinda dos colonos alemães, o custo da Penitenciaria Modelo, do Cristo Redentor e das Igrejas construídas à custa do Tesouro, quais os jornais subvenciona- dos ou custeados pelo Tesouro” (Sergipe Jornal, 20/07/1924).

O jornal não descansava as críticas. Os elogios do início da administração Graccho Cardoso17, quando este ainda não havia rompido politicamente

com seu antecessor, Pereira Lobo, cediam lugar às críticas, as quais faziam com que o jornal relembrasse revoltado da posse de Graccho Cardoso, nas palavras do diário, “início do reinado da folia e da tapeação”. O periódico julgava que o estado enfrentava uma crise, ao afirmar, por exemplo, que

estão quase paralisadas todas as obras públicas, o funcio- nalismo às vésperas de não receber os seus vencimentos, os empreiteiros com o seu dinheiro paralisado sem esperança de recebê-lo, os fornecedores com as suas contas aumentadas nas pastas para serem pagas quando Deus quiser (Sergipe Jornal. Aracaju, 20/7/1926).

Em contrapartida às críticas, os apoios mostram-se também presentes. Apesar dos julgamentos negativos e dos problemas enfrentados pelo estado de Sergipe, como a alta dos preços e a pobreza de grande parte da popu- lação, o governo Graccho Cardoso controlava o estado. Para tanto, con- tava com o apoio de 32 Conselhos Municipais, quase a unanimidade dos municípios que compunham o estado, os quais perfaziam o total de trinta e quatro18.

17 Exemplos de elogios ao governo Graccho: Como se governa. Sergipe Jornal. Aracaju, 04/12/1922, n. 390; A Instrução Pública em Sergipe. Sergipe Jornal. Aracaju, 27/02/1923, n. 457.

18 Na Assembleia Legislativa, de 24 deputados, tinha o apoio de 17: José Sebrão de Carvalho (Itabaiana), Francisco de Souza Porto e Orestes de Souza Andrade (Nossa Senhora das Dores), Artur Fortes e Clodomir de Souza e Silva (Aracaju), Arnóbio Batista de Souza (Campo do Brito), Rufino de Oliveira Sampaio, Gonçalo Diniz de Faro Dantas e Ascendino Ezequiel de Barros (Laranjeiras), Costa Carvalho (Arauá), Honorino Leal (Capela), Antonio do Prado Franco (Riachuelo), João Fontes de

Na opinião de Wynne (1970, p. 437), “a administração do dr. Graccho Cardoso foi, sem dúvida nenhuma, bem marcante, e reveladora do seu espírito arrojado e pioneiro”. De forma similar, Figueiredo (1989, p. 102) afirma que “nenhum Governo igualou em obras e serviços, o de Maurício Graccho Cardoso, dificilmente outro irá supera-lo. [...]”. Lembra o pesqui- sador da história política de Sergipe que Acrísio Cruz, secretário da Gazeta

de Sergipe (órgão que, depois do Sergipe Jornal, foi o mais feroz opositor

da administração Graccho), apresentava depoimento mais que insuspeito: O milagre que realizou Graccho Cardoso foi exclusivamente com a renda interna dos tributos. Tal o volume de realizações que se pode dividir a história de Sergipe em duas fases, antes e depois de Graccho Cardoso. Foi Graccho Cardoso que enfrentou e ven-

ceu as perigosíssimas febres de Aracaju, trabalho de Parreiras Horta, que organiza e instala o Instituto que tem o seu nome,

criando aqui a vacina via oral antitifica que se espalhou pelo

Brasil inteiro (apud FIGUEIREDO, 1989, p. 102)19.

No final do quadriênio, 1922 a 1926, o governo, criticado por parte da imprensa, assistia à exportação total do estado cair de 39.893:594$503, em 1925, para 33.682:149$640. O ritmo de trabalho, no entanto, não dimi- nuiu em nenhum momento. Nas palavras de Figueiredo (1989, p. 103), Graccho Cardoso “é incensurável mestre de obras”. Estas, que no primeiro ano de governo obedeciam a certo rigor jurídico e contábil, caracteriza- ram-se depois pela falta de fiscalização. “O Governo distribui favores, multiplica facilidades entre correligionários, parentes e amigos, não prima pela seriedade, o oposto dos primeiros dias da administração”. O Sergipe

Jornal (30/12/1923), atento à administração, denunciava: “Construções e

demolições sem concorrência pública dão lugar a que muita gente enri- queça da noite para o dia”.

Menezes (Estância e Santa Luzia), José Antonio de Lemos (Campos), Manoel Correa Dantas (Divina Pastora e Maroim), Lourival de Menezes Sobral e Romeu Amorim. Contra ele estavam os deputados Helvécio Ribeiro de Araújo, Mário Sílvio Bastos, Pedro Rodrigues Lima, Antonio Batista de Mendonça, Mecenas do Prado Pinto Peixoto, Manoel Joaquim Pereira Lobo e o padre Caio Sóter Loureiro Tavares, conhecidos como os “sete espartanos”. Ver: Sergipe Jornal. Aracaju, 10/8/1924. 19 Figueiredo faz referência no texto ao jornal Gazeta de Sergipe. Porém, em nota,

Diante das acusações, o governante parecia não se incomodar, dava con- tinuidade aos seus trabalhos. Dessa forma, no último ano de administra- ção, Graccho Cardoso decretava novo regulamento à Junta Comercial do estado, mandava abrir açude no povoado Canhoba, município de Propriá, isentava de todos os impostos estaduais e municipais, por três anos, o trapiche de Ariovaldo Barreto em Capela (SERGIPE. Colleção de Leis e

Decretos [...], 1926) e levantava-se novamente para patrocinar pesquisas,

dessa vez, para sondagens de petróleo. Os estudos, iniciados em agosto de 1926, foram realizados no terreno da fábrica de tecidos Confiança, tendo à frente da execução dos trabalhos de perfuração Luis Sobreira, recomen- dado pelo Ministério da Agricultura (SERGIPE. Mensagem [...], 1926). As críticas aumentaram até o final do governo. No último dia de admi- nistração, 24/10/1926, Sergipe assistia a mais uma violenta crítica. O

Sergipe Jornal denunciava: “Mauricio Graccho Cardoso como político foi

um Judas, como Governo foi um cataclisma”. Contudo, a violência do jornal, comandado por Mecenas Peixoto e Antonio Batista Bittencourt, parecia não abalar o prestígio de Graccho, que tinha o apoio do Partido Republicano Conservador de Sergipe. A agremiação partidária reconhe- cia, em manifesto, que “jamais os chefes locais foram tão prestigiados e garantidos pelo Governo”20. O apoio da maior parte dos membros do

Partido Republicano Conservador tranquilizava a administração. Graccho Cardoso, convencido do sucesso da sua administração, mostrava-se prepa- rado para empossar o novo presidente para o quadriênio 1926-1930, o diplomata sergipano Ciro Franklin de Azevedo.

20 Apoio de: Gentil Tavares da Mota, Manoel Correa Dantas, Francisco Porfírio de Brito, José Antonio de Lemos, Clodomir de Souza e Silva, Rufino de Oliveira Sampaio, Gonçalo Diniz de Faro Dantas, Humberto Dantas, Antonio do Prado Franco, Pedro Freire de Carvalho, João Tavares Filho, José de Alencar Cardoso, Hercílio Brito, Acrísio d’Ávila Garcez, Adelino Silva, José Sebrão de Carvalho, Eronides Ferreira de Carvalho, Ascendino Ezequiel de Barros, Artur Fortes, Hunald Santaflor Cardoso, Alberto de Bragança de Azevedo, Antonio Carlos Borges, padre Artur Passos, Messias do Prado Álvares Pereira, José Joaquim Barbosa, José Fontes, Sílvio Garcez, João Epifânio de Lima Neto, Lourival Sobral, Joaquim Macedo, Arnóbio Batista de Souza, Francisco Farias, Ananias José de Melo, Sebastião Costa Carvalho, Manoel Boaventura de Oliveira, Vicente Olino do Nascimento, Emiliano Dias Guimarães, Manoel Emílio de Carvalho, Antonio Soares Freire, Jorge Calazans e Miguel Arcanjo de Resende. Ver: Diario da Manha. Aracaju, 18/11/1926.

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