1. SANAYİ TOPLUMU ÖNCESİNDE OYUNUN TARİHSEL GELİŞİMİ
1.3. Oyunun Sınıflandırılması ve Kuramsal Açıdan Oyun
O NCPC de 2015 regulou a competência internacional nos artigos 21 a 23, estabelecendo duas espécies de regras: as de competência internacional concorrente (arts. 21 e 22) e as de competência internacional exclusiva (art. 23), seguindo a tradição vigente no CPC de 1973.
Na primeira (a competência internacional concorrente), a lei processual brasileira define sem exclusividade as hipóteses em que a demanda poderá ser proposta perante os tribunais pátrios. Em resumo, haverá jurisdição das cortes brasileiras se no Brasil o réu tiver domicílio, se aqui tiver de ser cumprida a obrigação ou se a ação se originar de fato ocorrido ou ato praticado no Brasil (art. 21). Na sequência, o artigo 22 do NCPC inovou em relação ao CPC de 1973, ao incluir a competência concorrente da Justiça brasileira para julgar as ações de alimentos, desde que o credor tenha domicílio ou residência no Brasil; ou desde que o réu mantenha vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos; ou, finalmente, nos casos decorrentes de relações de consumo, desde que o consumidor tenha domicílio ou residência no Brasil.
Essa competência é concorrente, pois nessas mesmas hipóteses, caso alguma outra jurisdição alienígena se der por competente de acordo com suas normas vigentes, os artigos 21 e 22 do NCPC não serão obstáculo a que a decisão estrangeira seja aqui homologada e executada, como se fosse uma decisão de um dos nossos tribunais, como já professava o artigo 88 do CPC de 1973. Sobre este último dispositivo, Entendeu à época Leonardo Greco, citando Barbosa Moreira, que o reconhecimento da decisão originária de outro Estado somente seria admissível entre nós se o foro estrangeiro fosse escolhido pelas partes ou se o réu tivesse se submetido voluntariamente ao foro estrangeiro, ali exercendo o seu direito de defesa341. Porém, conforme mencionado anteriormente, a falta de
submissão voluntária não afasta a jurisdição estrangeira e futura homologação dessa sentença no Brasil, a não ser na hipótese de nulidade da citação do réu.
A homologação da sentença estrangeira é um ato formal que permite a ela surtir efeitos em todo o território brasileiro, e aqui será aqui executada como se fosse uma sentença de um tribunal judiciário nacional (art. 515, VIII, do NCPC).342
Essa homologação ocorrerá ainda que no Brasil esteja pendente ação idêntica, porque o artigo 24 do NCPC (seguindo a redação do art. 90 do CPC de 1973) exclui os efeitos da litispendência internacional e, a partir da homologação pelo STJ, extinta será a causa aqui proposta, como um dos efeitos da coisa julgada. Somente o trânsito em julgado anterior da sentença nacional impedirá a homologação da sentença estrangeira343. Isso faz com que o sistema processual brasileiro tenha privilegiado o aspecto da velocidade na obtenção da coisa julgada como o critério definidor de qual sentença gerará efeitos no Brasil, ou seja, se a estrangeira ou a nacional.344
Homologada no Brasil a sentença condenatória ou arbitral estrangeira, poderá ela permitir o início da fase de cumprimento de sentença perante o juiz federal competente, observadas as regras do NCPC (art. 516, III). Aliás, o NCPC inovou em relação ao CPC de 1973, ao indicar que a execução da sentença, de um modo geral (excluindo-se aquelas proferidas em competência originária por tribunais de segunda ou terceira instância, e incluídas as execuções de sentença estrangeira), poderão ser propostas no juízo do atual domicílio do executado, do juízo em que houver bens sujeitos à execução ou do juízo do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem.
342 MOREIRA, José Carlos Barbosa, Problemas relativos a litígios internacionais, in Temas de direito processual: quinta série, cit., p. 140.
343 MOREIRA, José Carlos Barbosa, Problemas relativos a litígios internacionais, in Temas de direito processual: quinta série, cit., p. 141.
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O artigo 22 do Protocolo de Las Leñas e o Regime de Bruxelas-Lugano, vigente na União Europeia, ao invés, privilegiou o critério da velocidade na propositura da demanda, pela da regra first-come, first-served (“primeiro a chegar, primeiro a ser servido”), que significa uma prioridade exclusiva da primeira jurisdição que receber uma demanda (EISENGRAEBER, Julia. Lis alibi pendens under the Brussels I Regulation: how to minimise ‘torpedo litigation’ and other unwanted effects of the ‘first-come, first-served’ rule. 2004. Dissertation (Master of Law in International Business Law) − Centre for European Legal Studies, University of Exeter, Exeter, UK, 2004. p. 15. (Papers in European Law, No. 16).
No artigo 23 do NCPC taxativamente enumera os casos de competência internacional exclusiva da Justiça brasileira, ou seja, nas hipóteses de se tratar de ação relativa a imóvel situado no Brasil ou de inventário e partilha de bens situados em território pátrio. Além desses casos, o artigo 63 do NCPC prevê a competência exclusiva da Justiça brasileira para apreciar os litígios em que houve eleição de foro brasileiro pelas partes. Em todos esses casos, à falta de um tratado internacional ou de um acordo bilateral que regule a matéria, se a causa tiver sido proposta ou decidida em outro Estado, a sentença não poderá ser executada no Brasil.
A competência internacional exclusiva determina que as sentenças estrangeiras que tenham tratado do tema não possam no Brasil gerar efeitos, independentemente da concorrência de quaisquer das circunstâncias dos artigos 21 e 22 do NCPC.
Declarada a incompetência internacional da Justiça brasileira, o juiz não declinará de sua competência, nem remeterá os autos ao juízo de outro Estado, pelo princípio da plenitudo jurisdictionis, mas o processo será extinto sem julgamento do mérito (art. 485 IV do NCPC), cabendo ao autor renovar a propositura da ação perante o juízo internacionalmente competente.
Importante questão relaciona-se ao conflito positivo de jurisdições, em que ambas ou pelo menos uma das jurisdições envolvidas defina-se como exclusiva, como é o caso do artigo 24 do NCPC.
Sob o mesmo tema quanto ao CPC de 1973, entendeu Leonardo Greco que a eventual ação proposta no estrangeiro deveria ser julgada extinta justamente pela ausência de jurisdição, e não pelo princípio da efetividade, que por sua vez geraria a inutilidade do provimento no estrangeiro. E fundamenta seu entendimento pelo fato de a lei de cada Estado não poder conferir aos seus órgãos jurisdicionais uma parcela de jurisdição que exceda dos limites em que a própria soberania estatal se exerce345. Essa posição parece confundir a causa e suas consequências, na medida que o juiz, ao exercitar sua jurisdição, verificará se a futura coisa julgada será compatível com o sistema jurídico estrangeiro, dentro de uma análise binomial de necessidade-utilidade, sem que isso macule as regras de
jurisdição internacional que permitiram a esse mesmo juiz receber a causa. E isso se relaciona com uma das condições da ação: a possibilidade jurídica do pedido, que não se confunde com o poder estatal de que está o juiz investido (jurisdição).