1. SANAYİ TOPLUMU ÖNCESİNDE OYUNUN TARİHSEL GELİŞİMİ
1.5. Oyun Türlerinin Ciddiyet Bağlamındaki Yeri
1.5.2. İnanç ve Ritüellerin Oyunsal Yanı
No terceiro nível de forum shopping, o demandante se vale de uma sentença transitada em julgado386, podendo dela extrair efeitos no estrangeiro.
Num primeiro momento, os efeitos da coisa julgada são limitados à jurisdição em que foi proferida. Assim dispõe o artigo 16 do NCPC: “A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste
Código”.
Porém, é possível, factível e cada vez mais comum que sentenças originadas em um Estado sejam reconhecidas por outros, como se nacionais o fossem. Para isso, basta que o Estado de destino reconheça, por meio de critérios próprios de homologação, a eficácia da sentença (rectius: coisa julgada) estrangeira387. Os requisitos para homologação da sentença estrangeira estão definidos na Resolução n. 9, de 4 de maio de 2005, do STJ e, a partir de 17 de março de 2016, no artigo 963 do NCPC.
Uma vez homologada, a sentença estrangeira estenderá ao território do foro a mesma imutabilidade que detinha no Estado de origem, podendo ser executada como se fosse uma sentença nacional, tal qual prevista no artigo 515, VIII, do NCPC.
E essa homologação ocorrerá no Brasil ainda que esteja pendente ação idêntica, posto que o artigo 24 do NCPC afasta os efeitos da litispendência internacional. Concedido o exequatur pelo STJ, a ação proposta no país deverá ser extinta388, por força da coisa julgada.
386 Segundo Barbosa Moreira, a coisa julgada é uma característica da sentença, consistente na imutabilidade de seu conteúdo (MOREIRA, José Carlos Barbosa. O novo processo civil brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 88). Dinamarco entende que a coisa julgada é um atributo específico dos efeitos da sentença, ou seja, a impossibilidade de modificação, que se agrega aos reflexos que ela produz, estabilizando-os. Seria a própria imutabilidade dos efeitos da sentença (DINAMARCO, Cândido Rangel, Instituições de direito processual civil, cit., v. 1, p. 302).
387 “Reconhecer uma sentença estrangeira é atribuir-lhe no Estado do foro (Estado requerido, Estado ad quem) os efeitos que lhe competem segundo a lei do Estado onde foi proferida (Estado de origem, Estado a quo), ou pelo menos alguns desses efeitos.” (CORREIA, António de Arruda Ferrer, Lições de direito internacional privado, cit., v. 1, p. 454).
388 JATAHY, Vera Maria Barrera, Do conflito de jurisdições: a competência internacional da justiça brasileira, cit., p. 149.
Nesse caso, se antevê o uso do forum shopping de terceiro nível, que é a busca da coisa julgada estrangeira como forma de se extinguir uma eventual ação proposta no foro local. Para isso, deve haver competência concorrente entre duas ou mais jurisdições e é necessário que entre elas não existam consequências pela ocorrência dos procedimentos paralelos (como a litispendência internacional).389
O forum shopping de terceiro nível, portanto, serve de anteparo pelo litigante, que pode ou não se servir dos efeitos da coisa julgada estrangeira, com o propósito de extinguir outra demanda que esteja tramitando no Brasil.
No REsp n. 1.203.430-PR, o STJ manteve a extinção de uma ação de cobrança cumulada com pedido de indenização ajuizada por uma sociedade brasileira exportadora, em face de uma sociedade italiana, pelo fato desta última ter obtido a homologação de uma sentença arbitral estrangeira, movida entre as mesmas partes, que por sua vez afastou a responsabilidade da sociedade italiana.
Já na MC n. 15.398/RJ, o STJ extinguiu uma ação cautelar inominada preparatória de recurso especial, interposto contra a extinção de uma ação de indenização movida por uma empresa de engenharia em face da Petrobras, sob o argumento de que a mesma ação já havia sido proposta entre as mesmas partes na Inglaterra, com resultado desfavorável à empresa de engenharia. Assim, muito embora a sentença inglesa de improcedência ainda não tivesse sido homologada pelo STJ, a propositura da mesma ação proposta na Inglaterra em tribunais brasileiros configurava um ato de violação à boa-fé objetiva, segundo entendeu o STJ.
Em outro caso de grandes proporções, um grupo de indígenas equatorianos da província de Sucumbíos propôs uma ação coletiva ambiental em face da Texaco Inc., por suposta contaminação de parte de seu território, localizado na Amazônia equatoriana. A contaminação teria sido causada entre os anos de 1964 e 1990 pela empresa Texaco, posteriormente adquirida pela Chevron Corporation, sediada nos Estados Unidos. A ação
389
Barbosa Moreira, cuja opinião balizou a jurisprudência do STF desde os anos 70, mostrou que a sentença que primeiro se tornar eficaz, com trânsito em julgado, é aquela que prevalecerá: a nacional, pelo comando expedido pelo juiz competente, ou a estrangeira, desde que deferida a homologação pelo STJ (MOREIRA, José Carlos Barbosa. Relações entre processos instaurados sobre a mesma lide civil, no Brasil e em país estrangeiro. In: ESTUDOS Jurídicos em homenagem ao professor Oscar Tenório. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), 1977. p. 365).
foi originariamente proposta em 1993 nos Estados Unidos, na corte federal de Nova York, sendo o feito extinto em 2002, com base na doutrina do forum non conveniens390. A ação foi reproposta em 2003 no Equador e a Chevron Corporation – sucessora da Texaco – foi condenada em 2012 ao pagamento de US$ 9,5 bilhões em favor dos indígenas pela Corte Nacional de Justiça do Equador391. Em 2013, com o trânsito em julgado da sentença, e tendo a Chevron encerrado suas atividades no Equador, os indígenas promoveram pedidos de homologação de sentença estrangeira na Argentina, no Canadá e no Brasil392. Enquanto isso, a Chevron propôs em 2009 um procedimento perante o Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA) na Haia, em face do governo do Equador, acusando o Judiciário do país de ter permitido fraudes processuais na ação movida contra a Chevron, o que violaria o Tratado de Incentivo e Proteção Recíproca de Investimentos, firmado entre os Estados Unidos e o Equador em 27.08.1993393. O caso continua em aberto, não tendo havido até o momento a homologação da sentença equatoriana nas jurisdições do Brasil, Argentina ou Canadá. Do mesmo modo, ainda não houve o julgamento da arbitragem instaurada na Haia.
Nesse caso Aguinda v. Texaco, a utilização do forum shopping de terceiro nível pelos indígenas, que é a homologação da sentença equatoriana na Argentina, Canadá e Brasil (e posterior execução), poderá ser barrada pela eventual homologação de uma decisão favorável no procedimento instaurado pela Chevron perante a Corte Permanente de Arbitragem, nas mesmas jurisdições394, o que também não deixa de ser outro forum shopping de terceiro nível, porém reverso.