4.5. BeĢinci Alt Probleme ĠliĢkin Bulgular
4.5.1. Hz Osman Devrinde YaĢananlar
A ciência moderna tinha seus princípios estruturados, a priori, de modo que os controles produtivos podiam se servir dela como instrumentos conceituais. O método científico que trazia o domínio sobre a natureza trouxe também o domínio do homem sobre os homens. Essa dominação expande-se e intensifica-se não só mediante a tecnologia, mas como a própria tecnologia.
o verdadeiro motivo, a manutenção da dominação objectivamente caduca, é ocultado pela invocação de imperativos técnicos. Semelhante invocação é possível só porque a racionalidade da ciência e da técnica já é na sua imanência uma racionalidade do dispor, uma racionalidade da dominação. (HABERMAS, 2006, p. 49)
Nesse sentido, a ciência, que nasce como um projeto de libertação, assume um papel ideológico em que se torna, juntamente com a técnica, elemento de dominação. A partir daí, a união da técnica e da dominação guardam um projeto de mundo que é determinado pelos interesses históricos e de classe.
O que está em jogo nessa discussão é o entendimento de como a ciência e a técnica são fomentadas por interesses ou visões de mundo determinadas e como isso vai influenciar o próprio desenvolvimento técnico e científico e, por conseguinte, a própria sociedade.
Todavia, dadas as contingências infligidas pela imposição técnica, as quais nos são irrenunciáveis, devemos estar atentos para o fato de que
o limiar que existe entre a sociedade tradicional e uma sociedade que entrou em processo da modernização não se caracteriza pelo facto de, sob a pressão de forças produtivas relativamente desenvolvidas, se ter imposto uma mudança estrutural do marco institucional – este foi, desde o início, o mecanismo da história evolutiva da espécie. Novo é, pelo contrario, um estado evolutivo das forças produtivas que torna permanente a expansão dos subsistemas de acção racional teleológica e que, deste modo, impugna a forma que as culturas superiores têm de legitimar a dominação mediante interpretações cosmológicas do mundo. (HABERMAS, 2006, p. 63)
Cabe destacar que essa visão legitimadora da dominação vai impondo, à própria ciência, um novo papel na sociedade contemporânea, diante do qual ela geraria um saber tecnicamente utilizável.
Seguindo esse pensamento, Wersig afirma que “the new situation of knowledge- being caused by the development of sciences themselves and the development of a set of technologies crystallizing in the phenomenon of ‘“informatization” (Nora & Mint, 1979) – requires a science of the new type.29” (WERSIG, 1993, p. 235).
Assim, a partir do momento em que a ciência se alia à técnica, essa união – ou o progresso técnico científico – torna-se o fundamento da legitimação, que segundo Habermas (2006, p. 80), perdeu a forma de ideologia.
Esse papel, assumido por uma consciência tecnocrática, é menos ideológico que as ideologias que o precederam, por outro lado, entretanto, a ideologia por trás dessa consciência tecnocrática faz da ciência um feitiço irresistível e de maior alcance do que as ideologias anteriores, conforme apontado por Habermas (2006, p. 80). Desse entendimento decorre que
As informações de natureza estritamente científico-natural só podem entrar num mundo social da vida, por meio da sua utilização técnica, como saber tecnológico: prestam-se aqui à ampliação do nosso poder de disposição técnica. Por isso, não se situam no mesmo plano do da autocompreensão, que orienta a acção dos grupos sociais. Para seu saber prático, que se exprime na literatura, o conteúdo informativo das ciências não pode, pois, ser relevante sem mediações – só pode adquirir significação pelo desvio através das consequências práticas do progresso técnico. (HABERMAS, 2006, p. 95)
A mudança do papel do conhecimento, ao lado da questão filosófica, tem também uma dimensão de natureza tecnológica, como afirma Wersig, e esta mudança é gradativa, e só se fez sentir, mais intensamente, no começo do século XX. Ainda segundo o autor, ela se tornou mais relevante a partir dos anos 60, a partir dos quais a mudança do papel do conhecimento, pautada por essas dimensões filosóficas e tecnológicas, passaram a integrar um movimento chamado pós-moderno.
O que precisa ficar entendido, como nos diz Habermas (2006, p. 110), é que sobre necessidades sociais e situações objetivas da consciência, sobre direções emancipatórias e da regressão, não se podem fazer proposições vinculantes ligadas às investigações que têm por fim aumentar o poder técnico, pois “só na medida em que, apoiados no conhecimento do poder técnico, orientamos a nossa vontade historicamente determinada segundo a situação
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O novo papel do conhecimento como causa do desenvolvimento da ciência em si mesma e do desenvolvimento do aparato de tecnologias que cristalizaram o fenômeno da “informatização” (NORA e MINC, 1979), requer um novo tipo de ciência. (tradução de Mário Lúcio Caixeta)
dada é que também podemos saber, inversamente, que ampliação queremos, no futuro, do nosso saber técnico e em que direcção.” (HABERMAS, 2006, p. 121).
Nesse sentido, precisamos ter em mente que “uma sociedade científica só poderia constituir- se como sociedade emancipada, na medida em que a ciência e a técnica fossem mediadas pelas cabeças dos homens juntamente com a prática vital” (HABERMAS, 2006, p. 127), em que, de acordo com Habermas (2006, p. 141) a disposição técnica, de compreensão prático- vital e de emancipação diante da natureza, determinaria os pontos de vista específicos da história sobre os quais se poderia, pela primeira vez, conceber a realidade como tal.
Decorre daí que “os processos de conhecimento, a que está incondicionalmente ligada a formação da sociedade, não podem funcionar apenas como meio da reprodução da vida: determinam em igual medida as definições desta vida.” (HABERMAS, 2006, p. 142). Posto isso, o conhecimento deve subsidiar as decisões que os atores tomam para lidar com situações cotidianas, baseadas no crescente e complexo universo informacional. O conhecimento, cada vez mais relevante no contexto social, pode ajudar os indivíduos nessa configuração contemporânea da sociedade, a decidir com mais segurança que ações irão desenvolver e que escolhas podem ser mais apropriadas ao seu contexto, dentro do extenso leque de opções oferecido pela complexidade do conhecimento na sociedade contemporânea.
Assim, Habermas apresenta-nos três categorias de saber possível, que são estabelecidos pelos pontos de vista específicos sob os quais concebemos a realidade:
informações, que alargam o nosso poder de disposição técnica; interpretações, que possibilitam uma orientação sob tradições comuns; e análises, que emancipam a consciência da sua dependência relativamente a poderes hipostasiados. Esses pontos de vista derivam da conexão de interesses de uma espécie que, por natureza, está vinculada a determinados meios de socialização: ao trabalho, à linguagem e à dominação. (HABERMAS, 2006, p. 143)
Somente em uma sociedade emancipada o saber poderia se constituir com base nestes três conceitos, que ajudariam os indivíduos em sua vivência. Assim, Wersig considera que sob uma ótica específica, seria objeto da Ciência da Informação ajudar as pessoas “being confused by the situation of knowledge usage (which will become even more confused under the shaping of postmodern society)30” (WERSIG, 1993, p. 233) e, nessa perspectiva, inferimos
30 Confusas pelas situações causadas pelo uso do conhecimento (que se tornou muito mais complexo dentro da
que para alcançar seu objetivo – a ajuda a pessoas – a Ciência da Informação poderia buscar a combinação destas três categorias de saber, por meio das quais o uso de informações para utilização de técnicas poderia se associar às interpretações, que seriam um modo de nos orientarmos, e às análises, que teriam então o importante papel emancipatório da consciência. O que Habermas nos apresenta nessa discussão, na qual a ciência aparece tão intimamente relacionada à técnica, é que os elementos da realidade não são uma coisa só, antes, eles comportam em si múltiplos olhares e, só a partir daí que se pode instaurar um projeto de ciência livre da dominação e capaz de inserir-se numa sociedade emancipada.