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2.7. Diğer Kazanç ve İratlar

2.8.4. Ortalama Emsal Oranları

O reconhecimento da relação de consumo implica a aplicação das normas protetivas previstas na Lei 8.078/90. O CDC é composto de princípios próprios e direitos básicos que compõem o regime jurídico específico de tutela do consumidor.

O princípio da vulnerabilidade (artigo 4º, I) reconhece o consumidor como a parte frágil da relação de consumo, já que é o fornecedor quem detém o acesso aos meios de produção de produtos e serviços e às técnicas de publicidade e persuasão. É o princípio central de todo o microssistema do CDC, que se relaciona com a igualdade material. Busca equalizar as relações entre consumidores e fornecedores.

Segundo Cláudia Lima Marques, a vulnerabilidade pode ser: técnica, relacionada à falta de conhecimentos específicos do consumidor sobre o produto ou serviço que está adquirindo, sendo presumida para o consumidor não profissional;

12 BENJAMIN, Antônio Herman V; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo Roscoe. Manual

de Direito do Consumidor. 3ª ed. rev. atual. e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010, p. 103.

13 BENJAMIN, Antônio Herman V; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo Roscoe. Op. cit. p.

jurídica ou científica, relacionada à falta de específicos conhecimentos jurídicos, contábeis ou econômicos, presumida para o consumidor não profissional e as pessoas físicas; e fática ou socioeconômica, decorrente da submissão do consumidor ao grande poder econômico do fornecedor (em casos de monopólio, por exemplo) ou em razão da essencialidade do serviço oferecido. 14

A vulnerabilidade não se confunde com a hipossuficiência: esta é instituto de direito processual de defesa do consumidor, qualificando-se como fática (quando o consumidor não tem condições de custear a realização de prova no processo) ou técnica (quando o consumidor não tem condições de provar o nexo de causalidade, pois é o fornecedor quem possui as informações e o conhecimento técnico sobre o produto ou serviço). A vulnerabilidade é conceito de direito material necessário à configuração da relação de consumo (artigo 4º, I), ao passo que a hipossuficiência é instituto de direito processual que pode ser levado em conta pelo juiz para a inversão do ônus da prova (artigo 6º, VIII, do CDC). “Todo consumidor é vulnerável, mas nem todo consumidor é hipossuficiente”. 15

A aplicação do princípio da vulnerabilidade deve levar ao equilíbrio das relações entre consumidores e fornecedores no mercado de consumo, sem criar privilégios ou desvantagens desproporcionais para o consumidor. Vigora também o princípio do equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores como diretriz necessária para assegurar o desenvolvimento das atividades dos fornecedores no regime de livre iniciativa, pautada pela lei econômica da oferta e da procura. A legislação consumerista exige a “compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica” (artigo 4º, III).

O princípio da defesa do consumidor pelo Estado (artigo 4º, II) é oriundo do direto fundamental que determina a promoção estatal, na forma da lei, da defesa do consumidor (artigo 5º, XXXII, CF/88) e é concretizado pela criação de órgãos públicos para tanto, como os Procons.

O princípio da boa-fé objetiva (artigo 4º, III) impõe a observância de um standard objetivo de comportamento que deve ser observado pelos fornecedores e consumidores antes, durante e depois da relação consumerista. Este comportamento

14 BENJAMIN, Antônio Herman V; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo Roscoe. Manual

de Direito do Consumidor. 3ª ed. rev. atual. e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010, p. 90-91.

15 NOVAIS, Elaine Cardoso de Matos. Serviços públicos e relação de consumo: aplicabilidade do

deve ser pautado pela honestidade e moralidade. Não se confunde com a boa-fé subjetiva, já que esta diz com o elemento anímico do agente, seu conhecimento ou ignorância de determinada situação que poderia influir na realização do negócio jurídico.

O princípio da informação e educação impõe aos fornecedores o dever de divulgação de informações adequadas e claras sobre os produtos e serviços, especificando-se corretamente a qualidade, características, composição, preço e riscos que apresentem. Por esse princípio, os órgãos públicos e os fornecedores devem informar à população sobre seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo. Nesse sentido, a Lei 12.291/10 obriga os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços a manterem, em local visível e de fácil acesso ao público, um exemplar do Código de Defesa do Consumidor, sob pena de multa.

O princípio da segurança e qualidade, também denominado de princípio da adequação, impõe que os fornecedores velem pela segurança e qualidade dos produtos e serviços para assegurar a integridade física e psíquica do consumidor, “bem como assegurar-lhe um produto ou serviço capaz de oferecer a utilidade dele esperada”. 16

Por fim, o princípio do combate ao abuso (artigo 4º, VI) almeja a eficiente coibição e repressão de todos os abusos praticados no mercado de consumo, inclusive a concorrência desleal e a utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar prejuízos aos consumidores.

Os direitos básicos do consumidor estão previstos no artigo 6º do CDC: vida, saúde e segurança; liberdade de escolha; informação; transparência e boa-fé (combate ao abuso); prevenção e reparação de danos morais e materiais, com possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, nos termos do artigo 28 do CDC; acesso à justiça e inversão do ônus da prova (quando a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando o consumidor for hipossuficiente); e a prestação de serviços públicos adequados e eficazes. 17

16 NOVAIS, Elaine Cardoso de Matos. Serviços públicos e relação de consumo: aplicabilidade do

Código de Defesa do Consumidor. Curitiba: Juruá, 2008, p. 102.

17 O artigo 6º do CDC diz que são direitos básicos do consumidor: I - a proteção da vida, saúde e

segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações; III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; IV - a proteção contra a