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Menkul Sermaye İratlarında Özellik Arz Eden Durumlar

2.6. Türkiye’de Elde Edilen Menkul Sermaye İratları

2.6.3. Menkul Sermaye İratlarında Özellik Arz Eden Durumlar

A aplicação integral do CDC pressupõe a configuração de relação de consumo, que nada mais é do que uma relação jurídica que possui elementos subjetivos (as partes envolvidas: consumidor e fornecedor) e objetivos, que compreendem os bens (produto ou serviço) sobre os quais recai o interesse da relação.

Consumidor é “toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final” (artigo 2º, caput, da Lei 8.078/90). Duas correntes doutrinárias se formaram quanto à definição legal.

Para os maximalistas, o CDC deve ser aplicado da forma mais ampla possível, não somente para proteger o consumidor não profissional. Basta a destinação fática do bem, que o produto seja retirado do mercado, ainda que seja reutilizado na cadeia produtiva. Exemplo de relação de consumo: empresa que compra couro para fabricar bolas de futebol.

A corrente dos finalistas adota interpretação mais restrita: somente se aplica o CDC aos que não se utilizem dos produtos ou serviços como insumos de produção. O destinatário final deve ser o destinatário fático e econômico do bem ou serviço. Exemplo de relação de consumo: pai que compra uma bola de futebol para presentear o filho.

A corrente que tem prevalecido no STJ, segundo Cláudia Lima Marques, é a do finalismo aprofundado, baseado na noção de vulnerabilidade e no exame in concreto do caso.10 Para essa corrente, mesmo em algumas situações em que não haja destinação fática e econômica do bem, haverá relação de consumo, se ficar provada a vulnerabilidade do consumidor. Exemplo de relação de consumo: pequena empresa que adquire insumo para produção, fora da área de sua expertise, desde que comprovado nos autos a vulnerabilidade da adquirente.

Na outra ponta da relação jurídica há o fornecedor: toda pessoa física

9 BENJAMIN, Antônio Herman V; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo Roscoe. Manual

de Direito do Consumidor. 3ª ed. rev. atual. e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010, p. 87.

10 BENJAMIN, Antônio Herman V; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo Roscoe. Op. Cit.

ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, assim como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de exportação, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços (artigo 3º do CDC).

Imperioso destacar que o conceito legal permite que as pessoas jurídicas de direito público interno – União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias, associações públicas e demais entidades de caráter público criadas por lei (artigo 41 do Código Civil) – sejam qualificadas como fornecedoras na relação consumerista.

O mesmo ocorre com as entidades civis do Terceiro Setor, que também podem figurar como fornecedoras: são pessoas jurídicas de direito privado (associações ou fundações) que prestam serviços (de relevância pública). Nesse sentido, é esclarecedora a lição de Elaine Cardoso de Matos Novais: 11

O fato, porém, de certas entidades não objetivarem a repartição do excedente auferido entre seus membros ou instituidores não quer dizer que elas não exerçam atividade ou prestem serviços consoante previsão delineada no CDC. A finalidade de ganho no microssistema consumerista consiste no escopo de um resultado positivo, na captação de recursos que poderão ser reimpregados no próprio ente jurídico ou divido entre os sócios.

Corroborando a posição em comento, Roberto Senise Lisboa reconhece que “podem ser fornecedoras todas as pessoas jurídicas de direito privado, a saber: as sociedades civis, as sociedades empresariais ou mercantis, as associações e as fundações”.

Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial (artigo 3º, §1º, do CDC). Se a relação obrigacional for de dar, o objeto de consumo será um produto. Ainda que o produto seja gratuito, haverá relação de consumo. Assim, por exemplo, as amostras grátis repassadas pelo fornecedor ao consumidor ensejam a aplicação do CDC.

Por fim, serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as de correntes das relações de caráter trabalhista (artigo 3º, §2º). Se a obrigação for de fazer, o objeto de consumo será um serviço.

Cláudia Lima Marques ensina que pode haver três situações diferentes sobre o que se entende por remuneração do serviço, para fins de configuração da relação

11NOVAIS, Elaine Cardoso de Matos. Serviços públicos e relação de consumo: aplicabilidade do

de consumo: 12

a) ou o serviço é remunerado diretamente pelo consumidor; b) ou o serviço não é oneroso para o consumidor, mas remunerado indiretamente, não havendo enriquecimento ilícito do fornecedor, pois o seu enriquecimento tem causa no contrato de fornecimento de serviço, causa esta que é justamente a remuneração indireta do fornecedor; c) ou o serviço não é oneroso de maneira nenhuma (serviço gratuito totalmente) nem o fornecedor remunerado de nenhuma maneira, pois, se este fosse “remunerado” indiretamente, haveria enriquecimento sem causa de uma das partes. Conclui-se, pois, que, no mercado de consumo, em quase todos os casos, há remuneração do fornecedor, direta ou indireta, há “enriquecimento” dos fornecedores pelos serviços dito “gratuitos”, que é justamente sua remuneração. Importante que estes estejam submetidos ao CDC.

Logo, somente quando o serviço for realmente gratuito não haverá relação de consumo. A referida autora apresenta alguns exemplos de remuneração indireta que atraem a incidência do CDC: estacionamento, poupança popular, transporte de clientes, viagens-prêmio, coquetéis gratuitos e lavagens de carro de brinde. 13

Enfim, para a configuração da relação de consumo e aplicação integral do CDC, há necessidade de conjugação de todos os elementos subjetivos e objetivos da relação jurídica: fornecedor, consumidor e a comercialização de produtos ou fornecimento de serviços.