3.3. Dar Mükellef Kurumlarda Vergilendirme Yöntemleri
3.3.2. Kaynakta Kesinti Yoluyla Vergilendirme
3.3.2.2. Dar Mükellef Kurumlarda Kaynakta Kesintiye Tabi Kazanç ve İratlar
3.3.2.2.2. Serbest Meslek Kazançları
O dever de prestação de contas das entidades do Terceiro Setor que
convênios a Portaria Interministerial MP/MF/CGU nº 507, de 24 de novembro de 2011, a qual menciona expressamente os termos de parceria (artigo 1º, §2º, XXV), e deve ser aplicada subsidiariamente tanto à OSCIP quanto à OS, devido à natureza convenial dos termos de parceria e contratos de gestão.
91 ROCHA, Cármen Lúcia Antunes. República e federação no Brasil. Belo Horizonte: Del Rey, 1996,
recebem recursos públicos decorre do princípio republicano e do artigo 70, parágrafo único, da Constituição Federal.
Todas as entidades privadas sem fins lucrativos, como condição para receberem recursos públicos por meio de transferências voluntárias, devem apresentar a prestação de contas dos recursos anteriormente recebidos, nos prazos e condições fixados na legislação. Não deve haver prestação de contas rejeitada (artigo 34, V, da Lei 12.465/11).
Em relação aos convênios e contratos de repasse, a prestação de contas dos recursos recebidos será registrada no SINCOV, na forma da Portaria Interministerial MP/MF/CGU nº 507, de 24 de novembro de 2011, garantindo-se ampla publicidade. O órgão descentralizador dos recursos possui competência para analisar as prestações de contas, nos termos do artigo 116, §3º, I, da Lei 8.666/93.
A prestação de contas dos convênios e contratos de repasse compõe-se dos seguintes documentos: Relatório de Cumprimento do Objeto; Notas e comprovantes fiscais, quanto aos seguintes aspectos: data do documento, compatibilidade entre o emissor e os pagamentos registrados no SICONV, valor, aposição de dados do convenente, programa e número do convênio; Relatório de prestação de contas aprovado e registrado no SICONV pelo convenente; declaração de realização dos objetivos a que se propunha o instrumento; relação de bens adquiridos, produzidos ou construídos, quando for o caso; a relação de treinados ou capacitados, quando for o caso; a relação dos serviços prestados, quando for o caso; comprovante de recolhimento do saldo de recursos, quando houver; e termo de compromisso por meio do qual o convenente será obrigado a manter os documentos relacionados ao convênio. 92
O prazo para prestação de contas deve constar em cláusula expressa do convênio ou contrato de repasse.93 Depois de prestadas as contas, o concedente terá o prazo de 90 dias, contados da data de seu recebimento, para apreciá-las (artigo 10, §7º, do Decreto 6.170/07). Esses prazos são comumente desrespeitados na prática.
A prestação de contas correspondente ao exercício financeiro das Organizações Sociais (prevista no artigo 8º, §1º, da Lei 9.637/98) será apresentada à entidade pública supervisora signatária do contrato, ao término de cada exercício ou a qualquer momento, conforme recomende o interesse público.
A prestação de contas das OSCIPS será realizada anualmente sobre a totalidade das operações patrimoniais e resultados da entidade com o objetivo de
92 Artigo 74 da Portaria Interministerial MP/MF/CGU nº 507, de 24 de novembro de 2011. 93 Artigo 43, XXVII, da Portaria Interministerial MP/MF/CGU nº 507, de 24 de novembro de 2011.
comprovar a correta aplicação dos recursos públicos recebidos. A OSCIP deverá realizar auditoria independente da aplicação dos recursos públicos recebidos quando receber valor superior a R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) referentes a um ou vários termos de parceria, firmados com um ou vários órgãos estatais (artigo 19 do Decreto 3.100/99). As contas serão analisadas pelo órgão estatal parceiro.
Duas observações se fazem necessárias quanto ao órgão competente para a análise da prestação de contas das entidades do Terceiro Setor.
A primeira: as normas legais conferem competência para tal análise aos órgãos de controle interno, ou seja, ao órgão descentralizador (no caso dos convênios e contratos de repasse), à entidade supervisora (contratos de gestão, OS) e ao órgão estatal parceiro (termos de parceria, OSCIPs). Trata-se da concretização do dever constitucional próprio do sistema de controle interno, com a finalidade de comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado, conforme previsto no artigo 74, II, da Constituição Federal.
Eis a segunda: o exercício do controle interno não é excludente do controle externo, também previsto constitucionalmente, a cargo do TCU e do Ministério Público.
No caso do TCU, a competência para análise das contas do Terceiro Setor decorre diretamente do artigo 70 da Constituição Federal: a atividade administrativa de fomento é expressamente mencionada no caput do referido artigo nas expressões aplicação das subvenções e renúncia de receitas. E, em complemento, o parágrafo único do artigo 70 estabelece o dever de prestação de contas das entidades privadas que gerenciem recursos públicos e o artigo 71, II, prevê a competência do TCU para julgamento dos responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos.
O TCU havia reconhecido sua competência para julgar as contas anuais das Organizações Sociais na Decisão 592/98, mas no Acórdão 1952/2007 decidiu pela não-obrigatoriedade de prestação dessas contas diretamente ao TCU, tendo em vista que os órgãos governamentais contratantes (supervisores) das Organizações Sociais já devem, por disposição legal, supervisioná-las, acompanhá-las e avaliá-las.
No tocante à incidência do controle externo da prestação de contas da OSCIPs, o TCU (TC-014.334/1999-2, Decisão n.º 931/99-Plenário) chegou às seguintes conclusões: não cabe prestação de contas sistemática das OSCIPs ao TCU, mesmo em relação aos recursos vinculados ao termo de parceria, pois as prestações de contas
devem ser apresentadas aos órgãos repassadores; a instauração de tomada de contas especial pode alcançar os agentes responsáveis pelo termo de parceria no âmbito das OSCIPs, inclusive diante da omissão no dever de prestação de contas; e, a mais importante delas, no sentido de que o Tribunal de Contas tem competência para fazer a fiscalização direta do termo de parceria.
Para o exercício de 2011, os entes administrativos que firmaram contrato de gestão nos termos da Lei 9.637/98 tiveram a obrigação de apresentar ao TCU relatório de gestão com informações sobre o acompanhamento das ações relacionadas ao contrato de gestão, contemplando, entre outras, o volume de recursos repassados, a execução do contrato pelo contratado e os resultados obtidos com a contratação. Nesse mesmo sentido, as unidades administrativas que firmaram termo de parceria consoante a Lei 9.790/99, tiveram que apresentar à Corte de Contas informações sobre o acompanhamento das ações relacionadas ao termo de parceria, contemplando, entre outras, a forma de escolha do parceiro, a execução do cronograma físico-financeiro e os resultados da parceria. 94
Em relação ao Ministério Público, a atribuição constitucional para o exercício do controle externo tem fonte no artigo 129, II e III, que tratam, respectivamente, das funções de zelar pelo efetivo respeito dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição e promover o inquérito civil e a ação civil pública para proteção do patrimônio público e social (infra, V-2.1).
No julgamento da ADI 1923/DF pelo Supremo Tribunal Federal, o Ministro Ayres Britto reconheceu que a fiscalização realizada pela entidade supervisora sobre o contrato de gestão da Organização Social ocorre em paralelo “àquela que já faz parte das competências constitucionais do Ministério Público e dos Tribunais de Contas” e à exercida pelos próprios cidadãos. No mesmo sentido, o Ministro Luiz Fux julgou parcialmente o pedido para, entre outras determinações, “afastar qualquer interpretação que restrinja o controle, pelo Ministério Público e pelo TCU, da aplicação de verbas públicas”.
Portanto, no tocante à fiscalização da aplicação de recursos públicos pelo Terceiro Setor, o controle externo não é residual, indireto ou de 2º grau, eis que decorrente diretamente da Constituição, podendo incidir inclusive de forma paralela e independente ao controle interno. O TCU, por exemplo, tem competência para analisar,
94 Conforme Portaria TCU Nº 123, de 12 de maio de 2011, que dispõe sobre orientações às unidades
jurisdicionadas ao Tribunal quanto ao preenchimento dos conteúdos dos relatórios de gestão referentes ao exercício de 2011.
diretamente, denúncia sobre malversação de recursos públicos federais repassados a entidade do Terceiro Setor, inclusive realizando a fiscalização necessária para apurar a procedência da denúncia.95 Da mesma forma, o Ministério Público tem atribuição constitucional, por exemplo, para instaurar inquérito civil com o escopo de apurar prática de atos de improbidade administrativa, consistentes no enriquecimento ilícito de gestores de entidades privadas sem fins lucrativos que se apropriaram ilegalmente de recursos públicos. Essas atribuições realizadas pelo TCU e pelo Ministério Público defluem diretamente da Constituição Federal e, por isso, independem de qualquer fiscalização prévia realizada pelo sistema de controle interno.
A coexistência das atribuições de controle interno e externo sobre a aplicação de recursos públicos pelas entidades do Terceiro Setor não traz qualquer risco de sobreposição de competências ou de fiscalização excessiva, como vislumbrado por Floriano de Azevedo Marques Neto.96 A realidade brasileira demonstra exatamente o contrário: a completa deficiência da fiscalização exercida sobre o repasse de recursos públicos (supra, III-1).