TÜRKİYE’DE OKUL ÖNCESİ DİN ve AHLAK EĞİTİMİ İÇİN POLİTİKA ÖNERİLERİ
2. Okul Öncesi Çoğulcu/Tercihli Din ve Ahlak Eğitimi Modeli
[...] a educação não é um produto como pão ou cartões, mas deve ser vista como uma seleção e organização de todo o conhecimento social disponível em determinada época. Pelo fato de essa seleção e organização envolverem escolhas sociais e ideológicas conscientes e inconscientes, a tarefa primordial dos pesquisadores do currículo é relacionar esses princípios de seleção e organização do conhecimento a seus ambientes institucional e interacional nas escolas e depois a um âmbito mais amplo de estruturas institucionais que cercam as salas de aula (WILLIAMS apud APPLE, 2006, p. 50).
A citação de abertura desse capítulo coloca as escolhas sociais e ideológicas como elementos que permeiam a seleção e a organização do conhecimento para fins educacionais, indicando que análises curriculares devem relacionar esses elementos aos seus ambientes institucional e interacional como ponto de partida.
Esse é, justamente, o enfoque do presente capítulo: contextualizar o processo estudado e aqueles com os quais ele foi parte no âmbito da Instituição de Ensino Superior Privada e das interações sociais nela mantidas.
Para tanto, são apresentados os aspectos caracterizadores da IESP, algumas informações sobre o Processo de Mudança Curricular de Abrangência Institucional (PMCAI) e a descrição do Processo de Mudança Curricular no Âmbito das Licenciaturas (PMCAL), até algumas ações de implantação das Diretrizes Institucionais sobre Formação Pedagógica Inicial de Professores Especialistas (DIFPIPE), quando foram abertas as primeiras turmas sob o novo viés formativo.
Professores Especialistas foram balizadoras das propostas formativas dos diversos cursos de Licenciatura mantidos pela Instituição selecionada para a realização desse estudo, exceto o de Pedagogia, dadas as especificidades formativas do pedagogo.
Antes das mudanças curriculares em questão, os currículos dos cursos mantidos pela Instituição eram avaliados e revistos periodicamente a partir da atuação dos colegiados de curso, liderados por seus coordenadores. Algumas ações de orientação para determinadas áreas eram realizadas, mas sem a instauração de um processo de mudança curricular baseado em referenciais norteadores comuns.
Essa prática foi modificada a partir do 1º semestre de 2007, quando, devido a demandas internas e externas, a Alta Gestão5 da IESP envolvida na pesquisa instituiu o
Processo de Mudança Curricular de Abrangência Institucional, sob a tutela e a gestão da Vice-reitoria Acadêmica, desenvolvido com base em um único conjunto de aspectos caracterizadores gerais que apresentava certa riqueza de detalhes e referenciais norteadores.
Assim sendo, o processo estudado não foi um movimento isolado ocorrido na vida da Instituição, mas parte constituinte de outro ainda mais abrangente, com o qual esteve imbricado: o Processo de Mudança Curricular de Abrangência Institucional alicerçado em princípios acadêmicos, administrativos e financeiros essenciais comuns.
Dessas informações iniciais, emergem os primeiros aspectos que caracterizam os processos de mudança curricular em análise na pesquisa: os processos foram desenvolvidos sob a tutela e a gestão da Vice-reitoria Acadêmica e foram balizados por um conjunto de aspectos caracterizadores gerais que apresentava certa riqueza de detalhes e referenciais norteadores.
Os trabalhos foram instalados para atender dois objetivos principais, impulsionadores dos processos de mudança curricular desenvolvidos. Dentre esses, o mais urgente esteve vinculado à necessidade de adequação das propostas curriculares dos cursos de graduação mantidos pela IESP estudada para atender os dispositivos oficiais Resolução CNE/CES nº 3/ 2007 (BRASIL, 2007b) e Resolução CNE/CES nº 2/2007 (BRASIL, 2007a), que tratam das novas diretrizes para a integralização das cargas horárias dos cursos de graduação, de modalidade presencial.
O segundo objetivo principal esteve vinculado ao aprimoramento da formação
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Essa expressão era utilizada na IESP estudada, na época em que foi realizado o Processo de Mudança Curricular de Abrangência Institucional, para designar o grupo de gestores formado pelo Presidente e membros da Diretoria da Entidade Mantenedora e o Reitor, um representante do Chanceler, o Vice-reitor Acadêmico, o Vice-reitor Administrativo e o Vice-reitor de Extensão e Apoio Comunitário da Entidade Mantida – a universidade pesquisada.
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acadêmica dos graduandos, com ênfase na modernização das propostas formativas dos cursos e da criação e/ou do fortalecimento da identidade profissional de cada área de conhecimento dos cursos de graduação oferecidos pela Instituição.
Esse objetivo foi entendido como o mais importante para a vida acadêmica e inspirado pelas indicações presentes nos documentos oficiais e na literatura especializada e pelas demandas vindas do campo de atuação profissional dos egressos.
A natureza dos objetivos principais impulsionadores dos processos de mudança curriculares em análise, descritos nos documentos institucionais, configuraram- se em outros de seus aspectos caracterizadores: atender as demandas oficiais, promover o aprimoramento dos processos formativos e garantir a sustentabilidade financeira da IESP, sendo velada a qualidade educacional.
O planejamento e o desenvolvimento do processo de mudança curricular de abrangência institucional, assim como os seus subprocessos, estiveram apoiados em referenciais teóricos, dos quais foram destacadas e utilizadas, como subsídios, concepções sobre:
a) desenvolvimento do sujeito e o papel das interações sociais nesse processo (WALLON, 2005);
b) funcionamento de grupo (WALLON, 1980; CASTELLAN, 1987); c) a função de liderança do coordenador de curso (SANTOS, 2007); d) currículo (GIMENO SACRISTÁN, 2006; GIMENO SACRISTÁN, 2007); e) docência no ensino superior (MASETTO, 2003);
f) gestão educacional (KELLER apud ESTRADA, 2000; MEYER JR.; SERMANN; MANGOLIM, 2004);
g) descentralização da gestão e participação (CASASSUS, 1999).
Aqui se tem mais um aspecto que caracterizou os processos em análise: a existência de referenciais teóricos subsidiários ao seu desenvolvimento, dos quais foram apropriados outros tantos de seus aspectos caracterizadores.
Nessa direção, com base nas concepções selecionadas na literatura, empregadas no decorrer do planejamento e da execução do referido processo de mudança curricular, as atividades a ele vinculadas desenrolaram-se de forma a se concretizar os seguintes aspectos caracterizadores, que foram assim sintetizados pelo pesquisador:
representantes dos colegiados de curso, para, então, serem analisadas e aprovadas pela Alta Gestão da Instituição e serem indicadas ou não para implantação e/ou implementação6;
b) os grupos receberam tarefa(s) a ser(em) desenvolvida(s) de maneira participativa e colaborativa e foram compostos por aqueles profissionais que melhor pudessem contribuir para as discussões e decisões a serem tomadas, de acordo com a proximidade de atuação que possuíam com o tipo de decisão(ões) a ser(em) tomada(s);
c) os grupos realizaram escolhas conscientes que pudessem atender aos interesses acadêmicos comuns da Instituição e às necessidades de adequação de seus processos acadêmicos, administrativos e financeiros, uma vez que o consenso teórico e ideológico não foi algo esperado em cada etapa dos processos de construção coletiva;
d) as manifestações cognitivas e afetivas dos membros dos grupos constituídos foram tomadas em igual grau de importância no desenvolvimento das atividades;
e) as atividades dos grupos foram planejadas e desenvolvidas a fim de que pudessem contribuir para o desenvolvimento e a ressignificação de concepções de cada sujeito nelas envolvido;
f) os espaços de discussão foram preparados de forma a se criar um meio favorável às discussões e território neutro entre os cursos representados nas discussões, com a disponibilização de recursos tecnológicos, documentos oficiais e outros que se fizeram necessários;
g) as influências exercidas reciprocamente entre os vários meios constituintes da IES foram consideradas e mapeadas a fim de tornar o processo de mudança curricular efetivo e fecundo;
h) a manutenção de um clima organizacional favorável ao funcionamento dos grupos e da implantação e/ou implementação das mudanças foi buscada em cada etapa do processo, isso não entendido como ausência de situações de conflitos de interesse e entre referenciais pessoais de seus membros;
i) a formação continuada foi proporcionada aos membros da comunidade acadêmica interna, ao serem ofertados cursos de especialização totalmente subsidiados pela Instituição, um com ênfase na gestão de instituições de ensino e outro na docência
6 Emprega-se o termo implantação para fazer referência ao processo de operacionalização de propostas educacionais novas, de estrita ou larga abrangência; já o termo implementação, é empregado para indicar a operacionalização de mudanças realizadas em propostas formativas em desenvolvimento, de pequeno ou grande vulto.
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no Ensino Superior, sempre sendo tomado como base a ressignificação de concepções dos membros das equipes pedagógicas da IESP estudada e o alinhamento de seus referenciais pedagógicos e formativos;
j) os processos de construção coletiva realizados ocorreram de maneira a tentar fazer com que cada membro se sentisse parte integrante do processo e que as propostas fossem percebidas como resultantes do esforço coletivo e como pertencente a todos;
k) o processo de mudança curricular vislumbrou atingir tanto os textos curriculares quantos as práticas curriculares, perpassando vários aspectos relacionados ao currículo, na direção de se obter inovações em relação ao vigente na Instituição;
l) os currículos em (re)construção foram entendidos como artefato social e como a manifestação do equilíbrio de interesses e de forças presentes no contexto educativo que o abarca, perpassado por interesses particulares e coletivos;
m) os conteúdos e as estratégias selecionados para os componentes curriculares comuns atenderam às indicações dos documentos oficiais e da literatura especializada;
n) os referenciais norteadores da gestão do processo de mudança foram elencados e arranjados de forma a contemplar às necessidades e condições concretas da Instituição e às características dos sujeitos envolvidos no processo;
o) as atividades dos grupos contaram com instâncias diferentes de liderança, uma direta e presente nas atividades e outras, de maior nível hierárquico, atuando, predominantemente, no exercício da supervisão dos processos.
Apresentadas informações iniciais acerca do planejamento e do desenvolvimento processos de mudança curricular imbricados com o objeto de estudo em análise na pesquisa e acerca de alguns de seus aspectos caracterizadores, passa-se à descrição das características e do contexto da Instituição estudada. Isso se dá ao considerar que, ao se tratar do currículo de um curso ou grupo de cursos de uma IESP, é imprescindível descrever o contexto no qual ele acontece.
2. 1. Alguns aspectos caracterizadores da Instituição de Ensino Superior estudada
A Instituição de Ensino Superior (IES) escolhida para a realização dessa pesquisa é de iniciativa privada, sendo a mantenedora uma Pessoa Jurídica com natureza jurídica que a define como sem fins lucrativos. Possui mais de 40 anos de existência; foi criada na década de 1970 na condição de faculdades integradas e transformada em Universidade na década de 1980, mantendo-se nessa condição até os dias atuais.
Está sediada na Região Metropolitana de São Paulo, com campi mantidos em cidades da mesma Região e fora dela, sendo mais de uma unidade existente no município da sede. Na época do início da pesquisa, em 2010, quando foram coletados os dados para sua caracterização, a Instituição oferecia 47 cursos de graduação, 20 cursos de pós-graduação lato sensu e 4 cursos de pós-graduação stricto sensu, sendo seus cursos oferecidos na modalidade presencial, com algumas disciplinas cujas atividades eram desenvolvidas na modalidade semipresencial.
A Instituição informava também, nesse mesmo período, que acolhia cerca de 16.000 alunos, distribuídos entre os cursos que mantinha, e contava com cerca de 600 professores para o desenvolvimento de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Além das atividades de ensino, a Instituição mantinha as de pesquisa envolvendo alunos e professores da graduação e da pós-graduação, tendo seus resultados socializados por intermédio de relatórios de iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso de graduação, monografias de especialização, artigos científicos, dissertações e teses.
Ainda no que tange à pesquisa, realizava eventos científicos relacionados aos diversos níveis de produção fomentados pela própria IESP, mantinha 24 grupos de pesquisa em funcionamento e fomentava 25 pesquisas docentes. Estas últimas tinham suas temáticas e recortes definidos pelos próprios docentes em projetos inscritos por eles, sendo a seleção feita com base na pertinência e na qualidade dos projetos apresentados, os quais eram selecionados pelo comitê científico incumbido de avaliá-los.
Parte das pesquisas realizadas era fomentada pela própria Instituição e por agências de fomento à pesquisa, tais como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). As agências de fomento contribuíam com concessão de bolsas de
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pesquisa, Programas de Educação Tutorial (PET) e com financiamento de pesquisas vinculadas aos programas de stricto sensu.
Em sua estrutura eram abrigados um Comitê de Pesquisa, um Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, um Comitê de Ética no Uso de Animais em Experimentação e quatro revistas científicas.
A Instituição também mantinha ações de extensão envolvendo alunos e professores da graduação, visando atender às demandas das comunidades interna e externa. Entre suas ações estavam atendimentos à comunidade em iniciativas de promoção da saúde, cursos de férias e atividades formativas destinadas a cidadãos da terceira idade. Entretanto, nem todas as áreas formativas ou cursos eram contemplados com esse tipo de atividade.
O Plano de Desenvolvimentos Institucional (PDI) da IESP analisada previa, entre tantas outras coisas, a necessidade de se realizar recorrentes avaliações acerca dos projetos pedagógicos dos cursos que mantinha, o que tornava o Processo de Mudança Curricular de Abrangência Institucional e os subprocessos dele decorrentes uma prática prevista institucionalmente. Embora, conforme já anunciado, essa prática avaliativa ocorresse recorrentemente no âmbito dos cursos, decorrentes de ações independentes, raramente ela resultava de um movimento articulado envolvendo toda a Instituição.
Aqui parece se configurar mais um aspecto caracterizador dos processos em análise na pesquisa: o atendimento de cumprimento de uma prática prevista no Plano de Desenvolvimento Institucional da IESP, realizada de maneira sistematizada e com abrangência institucional.
O Projeto Pedagógico Institucional (PPI) previa diretrizes pedagógicas a serem atendidas no âmbito dos cursos mantidos pela Instituição estudada. Contudo, essas diretrizes apresentavam referenciais educacionais muito gerais, o que demandava transposições e detalhamentos dos referenciais educacionais assumidos, a fim de torná- los mais concretamente aplicáveis nas atividades acadêmicas a serem desenvolvidas, além de melhor caracterizar a cultura pedagógica institucional.
Entre essas diretrizes estavam: consolidar a construção do ensino com base no conhecimento contextualizado; fortalecer a articulação da teoria com a prática; valorizar os conhecimentos, competências e habilidades adquiridas fora da universidade; fortalecer a cultura de realização de avaliação continuada do rendimento acadêmico do aluno; incentivar a participação do alunado em programas de voluntariado; incentivar a realização de atividades acadêmicas mais autônomas por parte dos alunos; articular os
níveis e as modalidades de ensino e as áreas de atuação acadêmica, inclusive por meio da oferta do ensino, da pesquisa e da extensão (ANEXO A – PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL INTEGRADO, 2007).
Daqui decorre outro aspecto caracterizador dos processos em análise na pesquisa: o atendimento às diretrizes pedagógicas anunciadas no Plano de Desenvolvimento Institucional Integrado ao se (re)definir diretrizes institucionais e ao se promover mudanças nas propostas formativas de curso de graduação ou grupos de cursos.
Os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) não apresentavam uma padronização quanto à estrutura e às informações a serem contempladas em seu conteúdo, o que foi modificado no decorrer do processo de mudança curricular de abrangência institucional em questão. Isso se deu porque uma das etapas desse processo consistiu na criação e na implementação de um modelo PPC com sumário predefinido e com alguns de seus textos comuns a todos os cursos da IESP estudada ou daqueles com área de formação geral comum.
Os processos acadêmicos relativos à criação e à mudança de matrizes curriculares não possuíam uma padronização claramente estabelecida sobre o cômputo de horas referentes às atividades formativas, sobre a distribuição de componentes curriculares ao longo dos semestres letivos e sobre a criação de nomenclatura para os componentes curriculares. Essa falta de padronização dificultava os processos de aproveitamento de estudo de egressos da própria Instituição em uma segunda graduação ou em processos de transferência interna, aspecto também mudado com os processos em análise.
No tocante aos PPC e aos processos acadêmicos, destacam-se os seguintes aspectos que caracterizam os processos em análise: os processos contaram com a criação e a implementação de um modelo de Projeto Pedagógico de Curso a ser adotados por todos os cursos de graduação e com a padronização na forma de computar a carga horária das atividades formativas dos alunos.
A escolha do gestor principal da Instituição – o reitor – era feita pela Entidade Mantenedora, sendo o profissional selecionado ora dentre os membros de sua comunidade interna, ora no “mercado” das Instituições de Ensino Superior. A decisão sobre a manutenção ou o afastamento desse gestor também cabia à Entidade Mantenedora.
A ocorrência de troca desses gestores foi um tanto recorrente desde o final da década de 1990, o que produziu mudanças recorrentes de referenciais educacionais e
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dos rumos institucionais. Isso pode ter ocorrido porque o perfil de gestão de cada um dos reitores alternou entre os perfis profissionais diferentes, compatíveis com seus históricos acadêmicos e profissionais, marcados por ênfases no campo acadêmico-pedagógico ou administrativo-financeiro.
Com isso, produziam-se ações de gestão por vezes mais focadas nas questões de ordem acadêmico-pedagógica e por outras, nas questões administrativo- financeiras. No entanto, apesar da alternância entre essas diferentes ênfases, a partir de 2007 iniciou-se um movimento institucional buscando conciliar as demandas acadêmico- pedagógicas e administrativo-financeiras em seus processos de gestão, nas diversas instâncias hierárquicas.
Os coordenadores de curso vinham sendo selecionados, predominantemente, da comunidade acadêmica da IESP, sendo a escolha feita pela sua Alta Gestão, que recebia anuência da Entidade Mantenedora para a contratação e/ou a nomeação dos profissionais para desempenharem a função. O mesmo se passava com a decisão de se manter ou de se afastar esses gestores de sua função.
A forma e a periodicidade na troca de gestores na IESP estudada acabam por se configurar em uma dinâmica que perpassava os aspectos que caracterizaram os processos em análise na pesquisa: os Reitores que comandaram a IESP no decorrer do PMCAI, escolhidos pela Entidade Mantenedora, focaram as questões de ordem acadêmico-pedagógica, sem descuidar das questões administrativo-financeiras; e os coordenadores de curso envolvidos com os processos, na sua grande maioria, estavam à frente dos cursos há tempo suficiente para conhecer suas equipes pedagógicas, as dinâmicas internas do curso e as características e dinâmicas institucionais.
No período de realização do Processo de Mudança Curricular de Abrangência Institucional, a Vice-reitoria Acadêmica realizava reuniões semanais com a participação de todos os coordenadores de cursos e de sua assessoria. Eram discutidos os problemas emergentes do cotidiano institucional e dos cursos que implicassem em consequências na dinâmica acadêmica dos cursos e da IES e indicados encaminhamentos para a organização das atividades dos coordenadores de curso com foco na gestão do(s) curso(s) que coordenava(m).
A forma como a Vice-reitoria atuava junto aos coordenadores de curso se apresenta como outra dinâmica que perpassa os aspectos que caracterizaram os processos de mudança curricular em análise na pesquisa.
Apresentadas algumas das características e alguns aspectos do contexto institucional da Instituição de Ensino Superior Privada destacada para a realização do
estudo, e daí elencados alguns aspectos caracterizadores dos processos em análise, passa-se à descrição de aspectos da mudança curricular de abrangência institucional e da mudança curricular no âmbito das Licenciaturas com ênfase em áreas do conhecimento específicas. Essas informações são descritas nos itens subsequentes desse capítulo.
2. 2. O Processo de Mudança Curricular de Abrangência Institucional
O Processo de Mudança Curricular de Abrangência Institucional (PMCAI) esteve sob a tutela da vice-reitoria acadêmica e foi gerido por um de seus assessores, que foi incumbido de estabelecer o modus operandi para o processo, com referenciais norteadores emergidos das discussões realizadas com um Grupo de Trabalho inicial, constituído por três dos dez coordenadores de curso da área da saúde – Enfermagem, Fonoaudiologia e Nutrição – e pelo referido assessor.
O modo operacional e os referenciais norteadores emergidos desse grupo foram ajustados e complementados pelo Grupo de Trabalho formado pelos dez coordenadores da área da saúde e, posteriormente, com modificações em menor vulto, pelo constituídos pelos coordenadores de curso das Licenciaturas.
A gestão dos Grupos de Trabalhos, constituídos ao longo do PMCAI, assim como o planejamento e a realização de suas atividades, estiveram apoiada em referenciais teóricos sobre sujeito e seu desenvolvimento, meios e funcionamento de