OKUL ÖNCESİ DİN ve AHLAK EĞİTİMİNDE BAZI ÜLKE ÖRNEKLERİ
2.6. Almanya’da Okul Öncesi Eğitim ve Din Dersleri
A nosso ver, prestação de serviço à comunidade é reverter o “des-serviço” prestado. É saber viver em comunidade, é cuidar de si, do outro e do que é comum a todos, portanto, do que é público. Com “habilidade” ou “sem habilidade”, enquanto seres sociais, somos chamados cotidianamente a exercer nosso papel de cidadão. Cabe, então, na relação educando-educador, estabelecer os procedimentos necessários para esta prática. Nesta “com-vivência” educando- educador serão desveladas as faltas, as lacunas e as possibilidades de um novo “com-vívio” social. Reflexões valorativas irão compor os porquês dos atos realizados. As tarefas deverão valorizar o processo deste aprendizado. Assim, a prestação de serviço à comunidade será o produto final de uma ação valorativa positivamente, proporcionando a este jovem que ele valorize, mas também seja valorizado em sociedade. (Losacco, 158)
Para o adolescente em Prestação de Serviços à Comunidade (PSC), o período de permanência no programa sofria alterações conforme a normativa legal, sendo que sua média era de três meses.
Os procedimentos iniciais da PSC eram os mesmos da LA: encontro no Fórum, interpretação da medida, entrevista de coleta de dados e inserção em grupo. No grupo de PSC o adolescente era orientado e capacitado, com base em suas habilidades e necessidades da comunidade, a prestar um serviço que tivesse caráter pedagógico e prazeroso, tanto para ele, quanto para a comunidade.
Eu mudei mesmo a partir da minha entrada no teatro. A ‘história do malandro’ (baseada na Ópera do Malandro de Chico Buarque de Holanda) mudou a minha história. (Mateus, adolescente em entrevista)
Os temas trabalhados eram levantados junto ao próprio grupo e a demanda pela atividade provinha de parceiros da rede de atenção, sendo que, freqüentemente, as ações eram dirigidas às organizações sociais.
Temas da atualidade eram desenvolvidos pelos adolescentes que integravam o programa. Os educadores, a depender do tema levantado, iam em busca de profissionais que pudessem transmitir conteúdos ao grupo de adolescentes de forma a prepará-los para a atividade. Posteriormente, os jovens tinham como tarefa a elaboração de um
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projeto para o desenvolvimento da atividade, o qual era submetida à aprovação, primeiramente dos educadores e, em seguida, da instituição que receberia o serviço.
Todo o processo de elaboração dos materiais e dos roteiros utilizados nas ações interventivas era acompanhado pelos educadores para que as atividades fossem desenvolvidas de forma lúdica, participativa e envolvente, tanto para os jovens quanto para os receptores da atividade.
Após a execução das atividades nas instituições da comunidade eram realizadas reuniões de avaliação, onde se analisava: o que havia mudado em seu modo de se relacionar com a sociedade, sua assimilação dos conteúdos socioeducativos trabalhados, o significado que a prática infracional passara a ter em sua vida, as atitudes pró-ativas que desenvolveram e a reformulação de seu projeto de vida.
A atuação do Educador
Os educadores que acompanhavam o cumprimento da medida coordenavam os grupos e estabeleciam uma relação afetiva e vincular. Nessa relação, eram construídos vínculos de confiança com os adolescentes, mantendo uma postura maleável e acolhedora.
Para que a exigência do cumprimento das regras da medida socioeducativa não perturbasse esse tipo de relação, era o coordenador do programa que assumia as funções de controle de sua efetivação, desde os comparecimentos, a pontualidade, até o comportamento formal esperado quanto a regras de educação23. Neste caso os papéis eram bem definidos.
Como facilitadores da descoberta de novas formas de expressão de conteúdo, experiências e emoções, os educadores buscavam diversificar a linguagem, utilizando técnicas diferentes como as de expressão corporal, música, desenho, pintura, colagem, poesia e dramatizações.
23Nos momentos de reunião, o coordenador passava pelos grupos para indagar se havia faltado alguém.
Quando informado da ausência de algum adolescente, determinava que fosse enviado um telegrama de convocação - para que o grupo sentisse o controle e quem controlava.
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Tanto para LA quanto para PSC, muito mais importante do que o tema tratado em cada reunião, era a aproximação que se estabelecia entre o educador, o adolescente e os seus pares. Era fundamental conseguir estabelecer comunicação e construir, nessa relação, a possibilidade de mudança. Esta era a ‘filigrana de ouro’ do trabalho.
Se o jovem vivia naquele momento uma medida socioeducativa era porque cometera uma infração e isto devia ser encarado de frente. Era no grupo que se apreendiam os interesses e as tendências. A tarefa do educador passava a ser trabalhar o grupo insistente e constantemente no sentido de um fazer e um refazer permanente, construindo outra realidade possível, que permitisse ao jovem não reincidir na infração.
Ao término de cada reunião sempre era feita uma avaliação dos trabalhos, na qual participavam os educadores e o coordenador. Esse era o momento em que o coordenador fazia supervisão do trabalho técnico e os educadores traziam seus ‘achados’e suas dúvidas. Era também o momento de construção e reconstrução da proposta pedagógica, na qual os educadores tinham presente que, além das necessárias alterações na vida pessoal, o processo socioeducativo devia propiciar ao adolescente a oportunidade de aprender a ser e a conviver, para fortalecer o seu desenvolvimento e potencializar seus saberes e aptidões.
A ação individualizada emergia das necessidades postas no grupo. Quando isto ocorria era marcada uma entrevista individual, e o adolescente era atendido separadamente. Se necessário, podia-se suspender o seu atendimento grupal até que o jovem pudesse ser (re)inserido sem que houvesse prejuízo para si ou para o grupo.
Quando o adolescente não estava disposto a compartilhar com o grupo os seus sentimentos e suas sensações, os momentos de diálogo individual funcionavam como ‘válvula de escape’ para reflexão sobre seu projeto de vida, suas angústias e seus desafios e ocorriam sempre que ele ou os educadores sentissem necessidade. Estes momentos serviam para redimensionar e refazer os caminhos do processo da ação/reflexão/ação sendo essencial para o fortalecimento dos vínculos significativos.
Na abordagem individualizada os educadores esclareciam, de imediato, o propósito da entrevista, o objetivo do encontro e sua natureza confidencial, tornando a relação com o adolescente sempre que possível prazerosa, possibilitando o exercício de
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seu protagonismo e a percepção de seus limites, os quais lhes eram colocados de forma clara e objetiva.
As visitas domiciliares
As visitas domiciliares eram feitas às casas de todos os adolescentes pela dupla que atendia o grupo. O objetivo dessas visitas era apreender como eles moravam, qual o entorno de suas residências e com quais os atores com quem eles tinham interlocução. Essas visitas tinham também a função de tornar os educadores mais próximos dos jovens e de seus familiares, de forma a que eles pudessem recorrer aos seus serviços sempre que sentissem necessidade, sem acanhamento e com confiança. Nessa oportunidade, os educadores conversavam com adolescentes e sua família para conhecer a particularidade de suas histórias, de suas características individuais, do relacionamento familiar, comunitário, com os grupos de referência e com as instituições locais.
Muito importante era também observar, naquele contexto onde o ato infracional praticado se inseria, que conseqüências ocorreram em suas relações, e quais as dificuldades havia para superá-las. Este conhecimento era fundamental para poder ajudar o jovem a construir novos caminhos. Era importante também que o adolescente sentisse no educador um apoio que extrapolava a burocracia, podendo contar com ele quando se visse pressionado a fazer escolhas e tomar decisões importantes – ainda que algumas fossem socialmente consideradas incorretas.
As famílias como parceiras no processo
A inclusão da família como parceira no processo socioeducativo teve por base a convicção de que o núcleo familiar é o espaço privilegiado de acolhida e de defesa do adolescente, além de um ponto de apoio consistente para dar suporte à ação institucional interventiva e, ainda, para dar continuidade ao processo pós cumprimento da medida24.
24 Ter esta convicção não significou ignorar situações especiais de famílias inadequadas (tóxicas) para o
exercício de seu papel de acolhida e defesa de seus filhos. O enfrentamento deste tipo de questão era realizado da forma considerada adequada, caso a caso.
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Esta convicção se apóia também na premissa de que o vínculo afetivo e a referência familiar são fundamentais para o desenvolvimento e para a construção da integridade física, psicológica, afetiva e moral do adolescente.
Ao trabalhar com medidas socioeducativas não se pode esquecer do envolvimento da família no processo, para o que, há necessidade do equacionamento de suas fragilidades em razão de ter um filho processado judicialmente e de suas dificuldades nas relações com as instituições que operam o direito, principalmente pela cultura que as norteia.
O reconhecimento da família como parceira no trabalho levou a equacionar o seu significado efetivo para o enfrentamento das questões relacionadas ao seu filho no dia-a-dia. Tendo em vista efetivação dessa parceria, foi trabalhada a disponibilidade do educador para a escuta, para a presença, para uma relação vincular com a família e para a permanente necessidade de atualização e revisão de seus ‘pré-conceitos’, de suas limitações, de seus modos de relação.
A equipe acreditava que o estabelecimento de um vínculo com o adolescente e com a família era primordial: onde não se estabelecessem vínculos, corria-se o risco de não se ter eficácia.
Na parceria estabelecida com o Case, as famílias eram acompanhadas e apoiadas no desenrolar de todo o processo, inclusive financeiramente. A concessão de vales- transporte para o comparecimento às reuniões, a disponibilização permanente de um número telefônico (com chamadas já pagas) para apoio em situações emergenciais, a inclusão em programas assistenciais, de saúde, etc., possibilitava criar estratégias coletivas de enfrentamento e solução das questões às quais as famílias e os adolescentes estavam sujeitos.
Desde o contato inicial os educadores deixavam claro que a família seria encarada como parceira na busca de soluções e que, no encaminhamento da execução da medida socioeducativa, seu envolvimento era essencial.
Tendo em vista que, em São Paulo por aquela época (prática que ainda permanece), adolescentes que cumpriam a medida socioeducativa de privação de liberdade, invariavelmente, ao final da internação, tinham como progressão dessa
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medida a aplicação de LA, a equipe sentiu necessidade de ampliar a oferta de serviços junto às famílias e deliberou iniciar seu trabalho ainda quando os adolescentes privados de liberdade, residentes em São Bernardo do Campo, estavam em internação.
Este trabalho tinha como objetivo antecipar a acolhida e preparar a família para o retorno do adolescente à vida comunitária. As reuniões com as famílias eram intercaladas com visitas dos educadores às unidades de internação para iniciar a construção da parceria e, posteriormente, facilitar a inclusão dos adolescentes no programa.
A rede de atenção - a incompletude institucional
Uma rede de atenção é resultado de um processo de desconcentração de meios de ação das organizações de um sistema e de seus subsistemas - suas políticas, seus programas e seus projetos - com ações articuladas e estabelecimento de responsabilidades claramente delimitadas e convergentes.
São componentes necessários para a articulação de uma rede de atenção a adolescentes em medida socioeducativa, as ações decorrentes das políticas sociais básicas – educação, saúde, assistência social, habitação – e de programas especializados, constituídos por uma agregação simultânea de ações do poder executivo, do poder judiciário e de outras instituições que se complementam tendo por objetivo a inclusão social do adolescente autor de ato infracional em cumprimento de medida socioeducativa.
Deste modo, a implantação do trabalho em rede, descentralizado e participativo, reordenou as competências e atribuições do Case.
Em termos gerais, pode-se dizer que o "atendimento em rede" ao adolescente infrator constitui-se, em São Bernardo do Campo, pela articulação do esforço da equipe do programa, a partir das expectativas e valores culturais compartilhados com outras instituições. Sua integração com as demais organizações do sistema protetivo ocorreu por meio de ações complementares ao processo de execução da medida socioeducativa.
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A operacionalização da proposta deste atendimento em rede procurou alcançar e compreender o movimento real que ocorria na articulação com as instituições que compunham essa trama, tais como: as pressões e tensões que percorriam as relações internas da instituição e as que impregnavam suas relações com o Estado e com a União, representadas pelos seus organismos locais, atuantes no município, e pelas unidades executoras das políticas sociais básicas municipais. Programas de auxílio, socialização, prevenção, terapia e apoio ao adolescente, orientação e promoção das famílias e mobilização dos recursos da comunidade faziam parte também do conjunto de serviços que compartilhavam na construção do projeto de ação com o adolescente.
Todas as organizações envolvidas no atendimento eram instigadas a mobilizar-se para elaborar procedimentos integrados, tecendo a rede de atenção com solidariedade construtiva e não burocrática.
Desse modo, a proposta do atendimento em rede abarcou diferentes ângulos de necessidades e direitos do adolescente em cumprimento de medida socioeducativa e tendeu a equacionar os desafios considerados substantivos na atenção a esse jovem.
Essa articulação em rede ofereceu importante ponto de apoio para a implementação de um sistema descentralizado e participativo que reordenou as competências e as atribuições das organizações nos diferentes espaços de intervenção, fossem elas governamentais ou não governamentais.
A questão da drogadição
No convênio com a Febem estava inscrita a necessidade de estabelecer parcerias com instituições que tratavam de adolescentes usuários de drogas, nos níveis ambulatorial e de internação, ou então, manter um serviço na própria Fundação.
Entendemos que esse trabalho não poderia ser efetuado pelo Case, nem por unidades internas à Fundação Criança por considerarmos que esta era uma das competências da área da saúde e, portanto, teria que ser conveniado com instituições especializadas.
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A preocupação com a forma como iríamos estabelecer esses convênios impulsionou a equipe a aprofundar o conhecimento do adolescente que freqüentava o Case - que tinha as mesmas características daqueles que estavam no abrigo, no Centro de Atendimento à Comunidade e no Centro de Atenção à Família.
Após visitas a vários locais de atendimento, a Fundação firmou um convênio para 5 vagas de internação, muito embora a determinação do juiz previsse 10 vagas de internação e 20 vagas para tratamento ambulatorial.
O aprofundamento do estudo da questão, a observação empírica e a prática permitiram apreender que a dependência química, naquele momento, era mínima em relação ao alarme que era feito em torno da questão da droga. A equipe passou a discutir e a buscar conhecimentos relacionados a questões como: qual o conceito que devemos ter de drogadição? Qual a representação social que é expressada quando as pessoas falam que estão preocupadas com a droga? O que podemos considerar como dependência química? O que é ser usuário de droga(s)? O que é ser experimentador de droga? Como poderíamos lidar com essas questões?
A equipe passou então a introduzir o assunto nas discussões técnicas. Se estas discussões não forem bem aprofundadas, a qualquer momento poder-se-ia internar um adolescente numa clínica de recuperação. E não é assim que se faz um bom trabalho.
“Meu humor era super variado. Se eu não acordava bem e ia para a escola, se eu estivesse quieto a diretora achava que eu tinha usado droga a noite inteira, se eu estava falando, conversando, brincando, 'aprontando', é porque era 'maconheiro'...” (Anderson, adolescente em entrevista)
A Educação
Com a educação estadual, cuja estrutura era muito fechada, foram feitas inúmeras tentativas para ultrapassar as dificuldades nas relações com a diretoria regional de ensino e com os diretores das escolas, com o objetivo de divulgar o trabalho do Case e estabelecer parcerias. Porém, estas incursões revelaram-se infrutíferas. Havia diretores que boicotavam os adolescentes que cumpriam medida socioeducativa e os rotulavam como “ex-Febem”.
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Na rede municipal de ensino, a entrada e a permanência dos adolescentes era bastante tranqüila; a direção mostrava-se aberta ao acolhimento. Eram realizados encontros com as escolas, por um lado, para falar de adolescência e de violência e, por outro lado, para combinar, implementar e realizar atividades da prestação de serviços à comunidade por adolescentes do Case. Quando surgia alguma questão com esses adolescentes, a direção da escola telefonava para o Programa e colocava o problema, a partir do qual era combinado um trabalho conjunto. Deste modo, a rede municipal era vista pela equipe como um lócus fundamental, um espaço estratégico, para o sucesso do trabalho, uma vez que ela dava conta dessa demanda, sem preconceitos e, portanto, sem risco iminente de expulsá-los. Essa preocupação estava sempre presente nas relações com as escolas, porque, quando o adolescente era excluído do convívio escolar, sua situação se complicava e sua vulnerabilidade para reincidência aumentava.
A relação com o Sistema de Justiça
No trabalho com a infração adolescente, o entrelaçamento com o discurso e com a ação da justiça fica muito forte. Para Winnicott, a questão da delinqüência está impregnada na figura do Juiz que se apropria do poder e culpabiliza o delinqüente, evocando toda a raiva, toda a ira da sociedade. Portanto competia aos integrantes da equipe estabelecer um diálogo com esses pares para dar sentido à verdadeira socioeducação proposta pelo ECA.
Nesse sentido, os seus profissionais sempre cuidaram de estabelecer estreita relação com o Sistema de Justiça - com o Juiz e com a Promotora de Justiça25. Era preciso que eles acreditassem no trabalho e estabelecessem conosco uma estreita parceria, que nos permitisse discutir os casos antes que determinada medida socioeducativa fosse aplicada.
25 No caso de São Bernardo, o titular da Vara da Infância era um juiz jovem, que esteve na Fundação
para conhecer o trabalho. Sentou com a direção e com todas as gerências para ouvir a proposta de trabalho. Também, São Bernardo contava com uma Promotora de Justiça que tinha um olhar muito social para toda a questão da infração, chegando ao ponto de discutir a questão de determinados meninos, antes de fazer a representação ao juiz.
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