1.2. Normanlar İtalya’dalar
1.2.2. Normanlar İtalya’yı İşgal Ediyor
O mapa de duas faces elaborado para o projeto (FIGURA 29) 94 tem numa face um mapa topográfico de um trecho da cidade de Tel Aviv com os traçados em preto, traços mais grossos com as principais vias e mais finos com as secundárias, o terreno em branco e algumas manchas verdes nos quarteirões representando as áreas verdes. Há linhas azul-claras representando os rios e, no canto superior, formando um triângulo, o Mar Mediterrâneo também em azul-claro. O traçado do mapa não possui detalhes da cidade, mas funciona como uma carta em que os leitores de hebraico podem se localizar, já que tem todas as ruas com os nomes nesse idioma. Esse fato explicita o direcionamento do projeto para um público específico (residente em Tel Aviv e com entendimento de hebraico).
A outra face do mapa tem uma imagem de satélite de parte da cidade de Gaza. Há uma textura na imagem com variados tons, do branco ao ocre,95 e algumas manchas verde-escuras. Pelo mapa há espalhados números do 1 ao 20, que correspondem aos luga esà ueàpode àse à isitados à oàtour e cujo áudio descritivo pode ser ouvido. No canto superior esquerdo do mapa, um triângulo em tom verde-escuro representa o Mar Mediterrâneo, cuja área coincide exatamente com o mar no mapa de Tel Aviv.
93 Atualmente este blog chama-se Gaza Mom. Disponível em: <http://www.gazamom.com>. Acesso em: 12/03/2014.
94 Este mapa está impresso nas duas faces e disponibilizado no anexo 3 de forma que possa ser manipulado.
101 FIGURA 29 - DETALHE DO MAPA QUE EXPLICA COMO USÁ-LO
FONTE: <http://youarenothere.org/gaza-tlv/yanh_gaza_two-sided.pdf>. Acesso em: 02/04/2014.
Há um box na parte inferior do mapa de Tel Aviv que se sobrepõe à imagem. Ali estão os nomes dos locais que podem ser visitados em Gaza e ilustrações que explicam o modo de usar o mapa (FIGURA 30). Para que os espaços das duas cidades coincidam, é preciso que se veja o mapa contra a luz do sol, de forma a sobrepor os traçados das duas cidades (FIGURA 31). Assim é possível andar pelas ruas de Tel Aviv para encontrar os adesivos no espaço físico. Nota-se então o esforço dos artistas-designers para fazer coincidir os traçados das cidades, com uma combinação inteligente das cores e linhas em cada mapa, formando um mapa híbrido. Um mapa da sobreposição dos lugares, criando, assim, um outro lugar, híbrido.
FIGURA 30 - MAPA GAZA/TEL AVIV VISTO CONTRA A LUZ DO SOL
102 O mapa é um convite para participar de um jogo, exige um desvendamento do próprio mapa e do lugar, afinal, os participantes se dispõem à busca de referenciais no espaço físico. Aqui a noção de jogo96 tem clara influência situacionista, em que o ele e toà de competição deve desaparecer em favor de um conceito realmente oleti oàdeàjogo:àaà iaç oà o u àdasàa i iasàlúdi asàes olhidas à INTERNACIONAL SITUACIONISTA, 1958, apud JACQUES, 2003, p. 61).
Conforme comentado anteriormente, o mapa do projeto You Are Not Here: Walking tour of Gaza through the streets of Tel Aviv foi publicado na Block Magazine, na edição intitulada Occasional Cities97, em maio de 2007. Neste mesmo ano foi organizado
um tour coletivo por Tel Aviv, documentado pelo site de notícias israelense Walla, conforme mostram as FIGURAS 32 e 33.
FIGURA 31 - TOUR EM TEL AVIV DO PROJETO YOU ARE NOT HERE: WALKING TOUR OF GAZA THROUGH
THE STREETS OF TEL AVIV. FONTE: <http://home.walla.co.il/?w=/4410/1139298>. Acesso em:
10/04/2014.
FIGURA 32 - ADESIVO DO PROJETO YOU ARE NOT HERE: WALKING TOUR OF GAZA THROUGH THE
STREETS OF TEL AVIV. Fonte: <http://home.walla.co.il/?w=/4410/1139298>. Acesso em: 10/04/2014.
96 O conceito de jogo situacionista tem como referência Huizinga.
103 Para aqueles que estão em Tel Aviv, a experiência que ocorre tem um o po e teà deà des io ,à poisà aà pessoaà oà est à dia teà daà paisage à ueà oà udio descreve, mas diante de uma paisagem totalmente distinta, provavelmente a que conhece do cotidiano. De modo que, a este lugar com o qual cada indivíduo tem uma relação singular (um afeto), sobrepõe-se uma camada de informação a respeito de outro lugar. No caso, um lugar ao qual provavelmente nunca irão e não pretendem ir por causa de contrastes e conflitos históricos. Um lugar com proximidade física (menos de 100 km de Tel Aviv), mas com uma grande distância cultural (religiosa, política, militar). Um lugar que diz respeito a outro, um outro que é habitante de Gaza, uma palestina, muçulmana, uma alteridade potencializada ao extremo. O projeto cria uma zona de contato com o campo inimigo, isolado e recluso do restante do mundo.
A sobreposição dos mapas, que cria a duplicidade dos lugares, é funcional (permite que o jogo entre os lugares se realize) e simbólica. A sobreposição das cidades demonstra o interesse em abordar, além do jogo, uma ação interpelativa98, conforme Edward Prutzer III (2013) defende, sobre a ocupação israelense e o acesso aos espaços palestinos. Afinal, não são quaisquer cidades que estão postas em relação, trata-se de Tel Aviv, uma cidade israelense foco de poder político, militar, cultural, que no processo de ocupação expulsou inúmeros palestinos, e Gaza, uma cidade isolada, controlada, cujas condições de vida são precárias e que sofre ataques constantes dos israelenses.