1.1. Normanların Avrupa’yı İstilası
1.1.1. Norman İstilası Öncesi Avrupa’nın Genel Görünümü
John Pickles sugere uma modificação no entendimento da cartografia, reconhecendo-a aberta a uma multiplicidade de práticas:
Estouàsuge i doàu à"fi àdaà a tog afiaà o oà sàaà o he ía os àouà que "cartografia não é o que você pensa". Ela é e talvez sempre tenha sido uma multiplicidade de práticas... linhas de fuga... codificada e recodificada por formas de poder institucionalizado, mas sempre com vazamentos. Este descentramento da formalização hegemônica do capitalismo tecnocientífico abre mapeamento para a sua própria pluralidade de práticas socioespaciais, para suas próprias geografias, a sua própria natureza conflituosa e bastante disputada, e suas muitas funções em inscrever linhas e delimitar identidades no mundo
63Utilizamos a noção de dissenso na acepção de Rancière (2005), como o desentendimento e campo campo de forças em que as desigualdades são mobilizadas como disputa, caso contrário, se não há de fato a pot iaàt a sfo ado aàeà defe so a àdaàigualdade,àope aà aà a ute ç oàdoàstatusà uo.
74 moderno. (PICKLES, 2004, p. 189, apud DEL CASINO & HANNA, 2006, p. 51).64
Entende-se que os três trabalhos cartográficos aqui analisados – 12 ejercicios de medición sobre la ciudad de Córdoba, Descartógrafos e Canal*Motoboy – têm abordagens, metodologias, técnicas e intencionalidades distintas para utilizar a linguagem cartográfica. Porém, é possível reconhecer alguns elementos que evidenciam estratégias comuns para a elaboração dos mapas. Afinal, os trabalhos partem de uma base cartográfica preexistente (um decalque?) e atualizam o mapa a partir da experiência cotidiana e da presença do corpo no espaço. Os percursos e traçados contemplam, além das espacialidades, as temporalidades. Tal corpografia pode ser, inclusive, visível de diferentes formas nos traçados do mapa.
Desse modo, demonstram a incompletude do mapa e a necessidade de ele estar sempre no movimento de refazer-se. São investigações a partir da rua, do cotidiano e dos habitantes da cidade. Nesse sentido, de diferentes modos, os trabalhos evocam a participação: em Valcárcel Medina por meio de perguntas para os transeuntes; no Coletivo E/Ou pelo convite à elaboração de uma cartografia colaborativa livre e aberta a novos signos e símbolos; e em Antoni Abad a participação é mobilizada por um grupo social que dá ao mapa constante movimento, sempre com novos conteúdos sendo atualizados.
A essa multiplicidade de práticas que constituem os mapas, e que os trabalhos de arte convocam, pode-se relacionar a noção de espaços-mapa de Vincent Del Casino e Stephen Hanna (2006). Tais autores buscam superar a dualidade entre representação e não representação e defendem que apasàeà apea e tosàs oà epresentações e práticas (leia-se: performances65) simultaneamente. Nem são totalmente inscritos com
64 Iàa àsuggesti gàa à e dàofàà a tog aph àasà eàk e àit ào àthatà a tog aph àisà otà hatà ouàthi k .àItàisà a dàpe hapsàhasàal a sà ee àaà ultitudeàofàp a ti es…àli es ofàflight…à odedàa dà e odedà àfo sàofà institutionalized power, but always with leakages. This decentering of hegemonic formalization of techno- scientific capitalism opens mapping to its own plurality of socio-spatial practices, to its own geographies, to its own conflicted and highly contested nature, and to its many roles in inscribing lines and delimiting ide titiesài àtheà ode à o ld. à(PICKLES, 2004, p. 189, apud DEL CASINO & HANNA, 2006, p. 51, tradução nossa).
65Para pensar a performance no âmbito da cartografia, baseiam-se na noção de performance e identidade de Judith Butler.
75 sig ifi adosà o oà ep ese taç esà e à total e teà e e adosà o oà p ti as (DEL CASINO; HANNA, 2006, p. 36).66 Os mapas são, portanto:
[...] não apenas representações de determinados contextos, lugares e tempos. Eles são temas móveis , infundidos com significados através de conjuntos de práticas socioespaciais controvertidas, complexas, intertextuais e inter-relacionadas. Como Deleuze e Guattari sugerem, "o mapa tem múltiplas entradas" [...] e um incontável número de possibilidades, pois opera na margem e no centro ao mesmo tempo. [...] os mapas devem ser teorizados como processos, "desmontáveis, reversíveis, suscetíveis a modificações constantes". (DEL CASINO; HANNA, 2006, p. 23).67
Para Del Casino e Hanna, pensar em espaços-mapa significa que nem a produção nem o consumo de mapas são separáveis do espaço na maioria das configurações mundanas. Práticas corporais, como andar, dirigir, tocar, cheirar e contemplar, assim como sua compreensão das paisagens e lugares, podem ser orientadas e informadas por mapas e por inúmeras referências intertextuais e experienciais.
De modo que, em tal noção de espaços-mapa, mapas e espaços se coproduzem entre si por meio de práticas espaciais, sendo i possí elà sepa a à o oà oà apaà funciona no mundo das formas e como oà u doà à ealizadoà oà apa (DEL CASINO; HANNA, 2006, p. 37, tradução nossa) É, enfim, uma abordagem que não fecha a concepção de mapa e o considera como co-constitutivo do espaço.
No contexto desta pesquisa, noções como a de espaço-mapa auxiliam na reflexão sobre a produção artística. Afinal, cada projeto aqui descrito cria uma poética singular com o espaço, que é trabalhado no mapa num jogo de representação e performatividade. Onde se identificam ações propositivas em relação crítica com o lugar e a escala da cidade. São mapas processuais elaborados, que dizem respeito a aspectos da cidade e a como tornar visíveis elementos que não constam na cartografia oficial,
66 Te toà o igi al:à As such, maps and mappings are both representations and practices (read: performances) simultaneously. Neither is fully inscribed with meaning as representations nor fully acted outàasàp a ti es. à(DEL CASINO; HANNA, 2006, p. 36, tradução nossa)
67 Maps are thus not simply representations of particular contexts, places, and times. They are mobile subjects, infused with meaning through contested, complex, intertextual, and interrelated sets of socio- spatial practices. As Deleuzeàa dàGuatta iàsuggest,à theà apàhasà ultipleàe t a s […] and a myriad number of possibilities because it operates at the margin and center simultaneously. [...] Instead, maps oughtàtoà eàtheo izedàasàp o esses,à deta ha le,à e e si le,àsus epti leàtoà o sta tà odifi atio . à(DEL CASINO; HANNA, 2006, p. 23, tradução nossa).
76 bem como levantar questões, proposições ou até, como diria Medina, os perogullos, fazendo ver aquilo que é evidente. A utilização de cartografias nas artes, como as aqui descritas, apresentam essa simultaneidade como representação e como prática, com o traço performativo da ação direta no espaço da cidade. Ficam evidentes suas potencialidades na criação de poéticas contemporâneas sensíveis às práticas cotidianas no espaço e como estas criam identidades e territorialidades.
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