KUSURLULUK, SUÇUN ÖZEL GÖRÜNÜŞ ŞEKİLLERİ, MUHAKEME USULÜ ve YAPTIRIM
E- Haksız Tahrik
III- MUHAKEME USULÜ ve YAPTIRIM A Soruşturma ve Kovuşturma Usulü
A família Antunes Maciel chegou em Minas Gerais por volta de 1709. João, nomeado Tenente Coro- nel do regimento de São João Del Rey, se estabeleceu na região de Lavras, Perdões, Jacuí, Baependi e Fa- zenda da Serra (atual São Sebastião do Paraíso) nos primeiros anos da década de 1710, junto com seu ir- mão Paulo e sua irmã Maria Antunes Maciel. Em 1821 foi feita a doação pelos proprietários Domingos José e sua esposa Maria Machada Helena Antunes, Pedro José Correia de Jesus, Gabriel Antunes Maciel e José Antunes Maciel, do patrimônio a São Sebastião para construção de respectiva capela, que atendia aos mo- radores da Fazenda da Serra e também de outras fazendas das redondezas e cuja situação geográfica lhe rendia o nome Paraíso em vista de sua beleza.
Sobre a história das Congadas e Moçambiques no município, Calafiori (1996) afirma que a Congada está presente desde as primeiras habitações ali realizadas. Num primeiro momento a Congada pode ser consi- derada Festa de homens “pretos” e foi consequência da introdução de escravos na mineração, agricultura e pecuária do sul mineiro. Este movimento tem haver com a expansão da lavoura cafeeira no Brasil, que ultrapassou os limites da Vale do paraíba e atingiu o interior de São Paulo e sul de Minas, no segundo quar- to do Século XIX e antes da promulgação da Lei Eusébio de Queiroz ( 1850) que pôs fim ao tráfico de es- cravos e abriu as portas do país à imigração européia que deixou fortes marcas nesta região de Minas.
O nódulo central da devoção dos negros como de praxe, é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Vincu- lada de forma indelével às devoções congadeiras e moçambiqueiras, esta igreja foi erguida por
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volta de 1850 e destinada às Confrarias de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito para homenagearem os santos padroeiros das Congadas. A Igreja foi demolida em 1952, dando lugar à antiga Estação Rodoviária. Foi, no entanto, construída outra nos moldes da primeira, situada à Rua Padre Antônio Rodrigues, na Vila Mariana. Nesta época, o povoado conhecia um boom de comércio e firmava- se como ponto de trocas entre tropei- ros e a população local, fato impulsionado pela chegada do transporte ferroviário entre 1910 e 1920. As Estradas de Ferro São Paulo e Minas e a Estação Ferroviária Mogiana proporcionaram extraordinário pro- gresso e crescimento econômico regional.
A mudança da festividade para a Igreja matriz de São Sebastião, em vista da destruição da Igreja do Rosário tornou a prática ainda mais visível, trazendo para o centro da cidade, essas manifestações que via de regra envolvem as periferias do município. Por volta de 1954, a prática foi incorporada pela administra- ção pública, o que demonstra o enorme apelo que esta festa já desempenhava naqueles tempos idos. Na década de 60 foram instituídos os concursos que expressavam então a magnitude que o evento assumira para a vida municipal. No rito, além da marcante mudança de local, o sentido com que o cortejo circunda a praça em torno da matriz se inverteu. Até a reforma da praça no fim dos anos 80, as procissões eram no sentido horário e agora são no sentido anti-horário, já que a rua lateral ao quarteirão fechado em que a igreja se encontra, é usada atualmente para os desfiles noturnos, quando antes da reforma a rua do desfi- les era a oposta. Note-se a importância e grandiosidade que o evento vai assumindo progressivamente através da história do município. Hoje a Festa está inserida no ciclo de Festas do Natal que é iniciado em dezembro com a própria Congada, passando pelas comemorações do Natal e é finalizado no dia 06 de ja- neiro com a Festa dos Doces que marca o fim da Folia de Reis.
São Sebastião do Paraíso possui hoje aproximadamente 60 mil habitantes. As atividades econômicas de- senvolvidas no município foram amplamente diversificadas. A agricultura tem no café tipo exportação a principal fonte de geração de renda e emprego do município. A pecuária de leite e corte também se cons- titui grande responsável pelo desenvolvimento econômico regional. Um pequeno polo industrial vem sendo formado na cidade, reflexo do crescimento e ampliação da zona calçadista de Franca. Apesar dessa pujan- ça econômica, a concentração de renda mantém-se elevada como de resto em todo o país. E é justamente a população economicamente menos abastada desta cidade que anualmente organiza a Festa de Congada. Muitos dos grupos negros, como os de São Sebastião do Paraíso, mantiveram-se congregados a partir de ir- mandades negras vinculadas à Igreja Católica. (a igreja foi muito relutante em nos fornecer dados sobre as irmandades, talvez porque não considerem o congado como algo muito cristão e talvez por causa das liga- ções do congado com as religiões de transe de cunho africano de forma que estes dados ficaram como la- cuna, acrescentei estas duas frases abaixo, para dar algum estofo ). Hoje pouco resta do poder de outrora das Irmandades; o rastro mais eloquente delas é a garantia da mesa da Irmandade do Rosário que durante a festa recolhe donativos para os congados e moçambiques. Os ternos são atualmente unidades indepen- dentes e sua devoção só tangencialmente se vincula à Igreja, através da louvação dos santos e do uso do suporte físico do templo para as missas e para os pagamentos de promessas. Após a Abolição da Escravidão no Brasil, em 1888, essas irmandades foram importantes organizações capazes de fundar o reconhecimen- to grupal e preservar memórias e tradições de uma população mantida à margem. Percebe-se que é a se- paração que permitiu a manutenção de formas singulares de associação que hoje se cristalizaram nos ter- nos de congada e moçambique.
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Conforme a estudo de Lilian Ságio (2005) as Festas de Congada são também frutos de articulações,
conflitos, contestações e reivindicações locais pelo uso do espaço físico, por meios pecuniários, pela via- bilidade de oportunidade de discurso público que englobam os mantenedores da Festa enquanto
atores sociais específicos, os fiéis em geral e autoridades eclesiásticas e temporais. Assim, se por um lado, os grupos são clivados por uma distinção econômica, através de suas manifestações instauram uma outra possibilidade de reconhecimento, tornando-se guardiões de tradições que, além de serem um patrimônio espiritual inestimável, põem em marcha uma economia que deriva da ritualística e que lança toda a cida- de numa rede de expectativa e consumo diante da festa.
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