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MUĞLA’DA DURUM VE İZMİR’İN İŞGALİNİN MUĞLA’YA Y

No Brasil, durante as primeiras décadas do século XX, ganhou força o industrialismo, corrente de pensamento que defendia a industrialização como base para o desenvolvimento.

Conforme explica Bresser Pereira (1983), a luta ideológica entre o agriculturalismo e o industrialismo já era travada desde meados do século XIX, mas não tinha grande expressão, dado o domínio da aristocracia rural cafeicultora. Foi somente a partir da década de 1930, com a crise das exportações de café, e principalmente a partir da Segunda Guerra, quando já havia um desenvolvimento industrial relativamente grande no Brasil, que o industrialismo ganhou força e a disputa tornou-se significativa.

Utilizando-se do princípio das vantagens comparativas do comércio internacional, de David Ricardo, os agriculturalistas pregavam que o Brasil tinha uma vocação agrícola, por isso apenas a agricultura seria capaz de promover o desenvolvimento do País; não haveria condições para a indústria nacional, que seria sempre artificial, produzindo a altos custos e sobrevivendo graças à proteção governamental (BRESSER PEREIRA, 1983).

Já os industrialistas acreditavam ser impossível imaginar o Brasil como um país desenvolvido sem se industrializar; segundo eles, a curto prazo, os custos de produção da indústria poderiam ser altos, tornado necessária a proteção do governo, mas, a longo prazo, o problema seria resolvido (BRESSER PEREIRA, 1983).

Segundo Saes (2003), História Econômica do Brasil (1500-1820), de Roberto Simonsen, publicada em 1936, é a obra fundamental da corrente industrialista. O livro descreve os chamados ciclos da economia colonial (pau-brasil, açúcar, ouro, pecuária, etc.) e mostra que o término de cada ciclo esgotava as potencialidades desse tipo de economia primária, nada restando de sua riqueza gerada. No final do livro, o autor defende a tese de que somente a indústria poderia reter a riqueza por ela gerada, justificando, assim, a necessidade da industrialização brasileira, que deveria ser impulsionada por políticas governamentais.

A partir de 1930, o governo de Getúlio Vargas inaugurou práticas deliberadas em favor da industrialização – por meio da reforma tributária de 1934, de caráter protecionista; do aumento de créditos ao setor industrial; da criação de órgãos voltados à diversificação agrícola e ao beneficiamento da agroindústria e da legislação trabalhista – moldando o chamado processo de substituição de importações (FONSECA, 1989). Uma análise dos discursos de Vargas ao longo de sua vida, feita por este autor, mostra que eles foram transformando-se, acompanhando as mudanças da realidade nacional; assim, no período do Estado Novo (1937-45), o desenvolvimento econômico baseado na industrialização deixou de ser um ponto programático e tornou-se uma ideologia, alicerçada em outra ideologia, a populista. Por isso, pode-se dizer que já havia uma ideologia industrializante brasileira, emanada do poder central, desde a década de 1930.

A partir da década de 1950, o industrialismo brasileiro consolidou-se como corrente de pensamento, agora já influenciado pela CEPAL, defensora de políticas industrializantes como base para o desenvolvimento latino-americano (SAES, 2003). Alinhada às ideias da CEPAL, encontra-se a clássica obra Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado, de 1959.

Colistete (2006) mostra que, a partir da publicação do “Manifesto” da industrialização na América Latina, de Raul Prebisch, na Revista Brasileira de Economia, em 1949, as teses cepalinas foram rápida e amplamente acolhidas nos meios técnicos e empresariais nacionais, inaugurando nova fase das ideias favoráveis à industrialização acelerada no Brasil.

O auge da ideologia industrializante desenvolvimentista brasileira, quando a corrente industrialista finalmente venceu o embate contra o agriculturalismo (BRESSER PEREIRA, 1983), ocorreu no governo de Juscelino Kubitschek (JK), entre 1956 e 1960, com seu Plano de Metas, que prometia 50 anos de progresso em 5 anos de governo.

Num estudo sobre a ideologia do desenvolvimento presente nos discursos e nos documentos presidenciais de JK e de Jânio Quadros, Cardoso (1978) explica como JK, a expressão mais completa do desenvolvimentismo brasileiro, adotou um mito forjado no exterior (o discurso do desenvolvimento, tal como inaugurado por Truman e difundido na América Latina pela CEPAL) como expediente para tornar a incorporação da periferia rápida, efetiva e renovadamente ultraespoliadora.

De acordo com a autora, os aspectos centrais da ideologia desenvolvimentista de JK eram a defesa da ordem e a prosperidade. Esta última supunha/preconizava o crescimento econômico a qualquer custo. E este crescimento deveria vir pela via da industrialização, que seria a única forma de superar o subdesenvolvimento brasileiro. Assim, na ideologia

desenvolvimentista de JK, bastaria a industrialização para resolver os males do País; tudo o mais viria em decorrência dela.

Substituindo a necessidade de discussão política, o discurso juscelinista traz para a cena a imagem da riqueza, de progresso e de grandeza, com a sua ênfase antes de tudo econômica. Constrói uma verdadeira ânsia por crescimento econômico, cria uma mobilização, que aos poucos vai-se tornando difícil de ser contida, para a prosperidade. De acordo com a sua própria formulação, a ideologia do desenvolvimentismo se propõe a despertar a consciência da necessidade do desenvolvimento, construindo uma “nova mentalidade” e promovendo “o espírito do desenvolvimento”. Na verdade, o que ela deseja é criar uma aspiração nova dirigida para o aumento da prosperidade. Ou melhor, o que pretende é generalizar esta aspiração como uma necessidade [...].

Estimulando a confiança no País por essa via de transposição de uma situação negativa atual para a de progresso e afirmação internacional no futuro, a ideologia procura infundir sentimentos de fé, de esperança e de coragem, capazes de motivar o comportamento nos sentidos desejados e valorizados por ela. O principal meio através do qual a ideologia consegue concretizar-se é a construção social de um estado de intensa aspiração de melhoria, especialmente enquanto elevação do padrão de vida (CARDOSO, 1978, p. 420).

Assim, pode-se dizer que, com JK, o desenvolvimento representado como expansão econômica e industrialização enraizou-se definitivamente na sociedade brasileira. As primeiras frases de Milton Santos, em seu texto Fatores que retardam o desenvolvimento da Bahia: a falta de indústrias, de 1959, ilustra isso: “Industrialização e desenvolvimento são sinônimos sobretudo para as economias sub-desenvolvidas. Assim, os fatores que impedem ou dificultam a industrialização podem, com razão, ser considerados entre os que impedem ou dificultam o desenvolvimento” (SANTOS, 1959, p. 3).

O desenvolvimento, enquanto crescimento econômico e industrialização, materializava-se na valorização do modo de vida urbano – simbolizado pela construção de Brasília, a capital modernista – e na maior oferta e difusão de objetos técnicos/bens de consumo, tais como rodovias, automóveis, televisão, rádio, eletrodomésticos, etc. Conforme apontou Querino (2006), o sistema de objetos técnicos fazia-se cada vez mais presente, e seu discurso que o simbolizava como progresso seduziu a sociedade, que representava na posse daqueles objetos sua inserção no mundo da sofisticação, do conforto e do desenvolvimento.

O Plano de Metas de JK foi o primeiro de uma série de planos nacionais que visavam ao crescimento, à diversificação industrial e à integração da economia nacional, disseminando, assim, a ideologia desenvolvimentista industrializante. Depois dele, vieram o Plano de Integração Nacional (PIN, 1970/1972), o I Plano Nacional de Desenvolvimento (I

PND, 1972/1974) e o II PND (1975/1979), todos estes implantados pelos governos militares.82

O II PND, além de reproduzir o espírito do Plano de Metas (por meio de uma coleção de grandes obras e investimentos), dando seguimento ao projeto militar de um “Brasil Grande Potência” (MACARINI, 2008), também trouxe a preocupação com o desenvolvimento (industrialização) em sua escala regional/local.

6.3.3 As políticas industrializantes nas cidades paulistas: os casos de Jaboticabal, Olímpia e