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MOĞOL İTİBARININ DÜŞÜŞÜ

Um modelo é uma simplificação da realidade que pode ser usado para comparar com outros casos que estariam fora do padrão. Dessa forma, as informações e discussões apresentadas por esse capítulo permitem construir um modelo padrão sobre o uso de crianças soldado e outro modelo padrão sobre meninas soldado. Optou-se por essa divisão porque a temática das meninas soldado é especialmente visível no caso colombiano, sendo assim, seria necessário observar como a literatura sobre o tema das crianças soldado aborda essa questão.

88 Tais modelos não foram construídos a partir de um caso que seria representativo do uso de crianças soldado no mundo, mas a partir de diversos estudos quantitativos com crianças soldado e outros que utilizaram fontes primárias e dados da Coalização para Acabar com o Uso de Crianças Soldado, do UNICEF, da ONU, da Save the Children e da Human Rights Watch. Os modelos podem ser observados no Quadro 2 e no Quadro 3.

Quadro 2 – Modelo Padrão de Criança Soldado21 de Acordo com a Literatura

Características Observações/Achados

Tipo de conflito armado Curta duração, principal causa étnica. Tipo de recrutamento de menores Forçado (coação e abdução).

Fatores estruturais Presentes (destaque para pobreza, erosão do Estado e ausência de registro de nascimentos).

Cálculo de Recrutadores Presente

Cálculo dos Menores Presente

Atividades desempenhadas Militares (combatente, vigia, armar minas), de apoio logístico (cozinheiras, mensageiras), de inteligência,

recrutamento de pares e sexuais. Relação entre deslocamento e

recrutamento forçado de crianças

Presente

Impacto das Armas Leves Presente

Uso de substâncias psicotrópicas Presente

Fonte: Elaboração Própria.

Quadro 3 – Modelo Padrão de Meninas Soldado de acordo com a Literatura

Características Observações/Achados

Quantidade nos grupos armados Minoria

Tipo de Recrutamento Forçado (coação e abdução)

Atividades desempenhadas Principalmente sexuais e outros papéis de gênero

Imagem construída Vítimas

Programas de DDR e reintegração às suas comunidades

Excluídas e estigmatizadas

Necessidades sexuais e reprodutivas DSTs, gravidez indesejada, abortos forçados e infanticídio Fonte Elaboração Própria.

Esses modelos serão comparados com o estudo do caso da Colômbia a ser realizado no próximo capítulo. Sobre a questão das crianças soldado, pode-se concluir que a literatura (fortemente baseada em experiências africanas22) chama atenção para o aumento do comércio

de armas leves, o surgimento de novas guerras, a erosão do Estado e das relações familiares e

21 O termo crianças soldados se refere a características que se aplicam tanto a meninas soldado quanto aos meninos soldados. Já o Quadro 2 oferecer maior atenção para características que se aplicam mais especificamente às meninas soldado.

22 Atualmente, começa-se a discutir mais a questão das crianças alistadas a grupos terroristas (ou crianças jihadistas). Tal movimento foi reforçado pela mídia internacional, que passou a divulgar imagens de crianças envolvidas no conflito da Síria e recrutadas pelo Estado Islâmico (EI).

89 sociais como causas da elevação do número de crianças soldado no mundo. Ainda que essas duas primeiras premissas já tenham sido questionadas nesse capítulo, isso não muda o fato de que elas aparecem fortemente na literatura. Como causas do uso de crianças soldado, destacam-se fatores estruturais (a existência de conflitos armados, a pobreza e a falta de oportunidades, a ausência do registro formal de nascimento), o cálculo racional de custos e benefícios que os recrutadores realizam (no qual pesa a impunidade) e, no caso do alistamento voluntário, o cálculo racional realizado pelos próprios menores para se alistarem.

Também a literatura enfatiza, inclusive com estudos quantitativos, que há uma relação clara entre deslocamentos forçados e o recrutamento de crianças. A literatura revela, ainda, que o recrutamento dessas crianças seria majoritariamente forçado com o uso de substâncias psicotrópicas. Ademais, apesar de não focar necessariamente na questão das meninas soldado, considera-se que essas são recrutadas primeiramente para desempenharem serviços sexuais.

Uma literatura mais crítica sobre o fenômeno de crianças soldado começa a discutir o próprio conceito e a visão de vitimização das crianças soldado por trás do aumento no número de estudos e na atenção internacional dada pela mídia e por agências humanitárias. Os trabalhos de Rosen23 (2007), Brocklehurst24 (2009), Drumbl (2012), Lee (2009), Watson (2005), dentre outros, apresentam abordagens para a questão que pretendem ir além do discurso humanitário. Contudo, a literatura mais tradicional que trata da questão das crianças soldado ainda é a base das respostas internacionais e nacionais oferecidas para esse tema. Nessa e também no imaginário social internacional, a criança soldado padrão seria composta a partir de imagens da mídia como sendo do sexo masculino, armado e pertencente a um conflito de um continente africano (BROCKLEHURST, 2009, p. 262). Tal visão exclui diversas discussões que foram apresentadas nesse capítulo, como as demais atividades desenvolvidas pelos menores, além do combate e o papel das meninas soldado. Contudo, ela é a figura que está mais associada ao conceito de criança soldado, tanto por ser a África o continente mais estudado, quanto pelas representações literárias e cinematográficas apresentadas ao público. O próximo capítulo estuda o caso da Colômbia. Nele, esse modelo padrão será comparado com o uso de crianças soldado no conflito armado colombiano a fim de observar até que ponto a literatura auxilia a entender a situação no país sul-americano.

23O autor argumenta que ‘[to] understand the experience of child soldiers requires deconstructing the idea of the “child soldier” as a generic archetype of humanitarian discourse to focus concretely on the conflicts and settings in which children are more likely to experience extreme brutality and trauma’ (2007, p. 300)

24 A autora defende que “the monoissue of ‘children and armed conflict’ provides a partial answer as to why, given the very high level of concern in the international community there is as yet no reliable data or survey of children’s roles in conflict world-wide, nor any way of even establishing their number” (2009, p. 267).

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