C. II MES’UD’UN İKTİDARA YÜRÜYÜŞÜ
2. Moğol Şehzadesi Geyhatu’nun Anadolu’ya Gelişi ve Türkmenlerin Sindirilmesi
As aulas de Educação Física devem proporcionar aos alunos o desenvolvimento de habilidades cognitivas, corporais, afetivas, éticas, estéticas, de relação interpessoal e da inserção social por meio do desenvolvimento de atividades sistematizadas que garantam ao aluno o acesso aos conhecimentos práticos e conceituais (BRASIL, 1997).
Para a consecução dos objetivos da disciplina há necessidade de construção de um currículo que considere a faixa etária dos alunos, o gênero, e as diversas habilidades construídas por meio das práticas sociais. É válido acrescentar que considerar os condicionantes biológicos e as diferenças não significa balizar o currículo nas aptidões físicas e características biológicas, reforçando estereótipos, mas compreender as diferenças também a partir dos construtos sociais, no sentido de superar o que Cardoso (1994) denomina de
“naturalização extremada”, quando não se respeitam as diferenças, tomando todas as pessoas
como iguais: “[...] nem igualdade forçada, nem desigualdade justificada por processos naturais. A distinção entre os indivíduos deveria afirmar uma relação de alteridade, e não de
desigualdade” (DAÓLIO, 2006, p. 81).
Todos os currículos analisados neste estudo fazem a divisão dos conteúdos por séries e etapas de desenvolvimento a partir de eixos geradores. Algumas matrizes não apresentam uma fundamentação teórica clara, focando apenas nos conteúdos a serem desenvolvidos. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo não conta com uma Matriz Curricular de Educação Física para o Ciclo I, apenas para os demais níveis de ensino. Na Matriz Curricular do Ciclo II do Ensino Fundamental aponta que ao longo do Ciclo I os alunos devam ter “[...] vivenciado um amplo conjunto de experiências de Se-Movimentar e possuam várias informações/conhecimentos sobre jogo, esporte, ginástica, luta, atividade rítmica, exercício físico [...]” (SÃO PAULO, 2012,p.228). O currículo da S.E.E. apresenta quatro eixos temáticos: corpo, saúde e beleza; contemporaneidade; mídias; lazer e trabalho. Em cada um
destes eixos propõem-se as inter-relações com os eixos de conteúdos: jogo, esporte, ginástica, luta e atividade rítmica.
Na rede municipal de Cunha os professores utilizam um Plano de Curso elaborado a partir de outros modelos, sem uma básica teórica que o sustente. Trata-se de uma lista de conteúdos e habilidades a serem desenvolvidas ao longo do ano de acordo com as séries.
A Figura 26 aponta a integração dos eixos norteadores da matriz curricular do município de Maringá/SC. Nesta matriz os idealizadores buscam um reposicionamento das práticas corporais a partir da cultura do movimento com foco na socialização, na cooperação, na construção da identidade corporal por meio de brincadeiras e jogos da cultura popular.
Figura 26: Eixos da Matriz Curricular do Munícipio de Maringá/PR, 2002, p.222.
Considerar as diferentes faixas etárias dos alunos, para o desenvolvimento de um currículo único em Educação Física para trabalhar em classes multisseriadas, é um grande desafio. Estudos apontam que os professores, tanto os licenciados, quanto os polivalentes, ainda não superaram esse obstáculo, e um dos motivos que impede essa superação é, justamente a dificuldade em elaborar uma adaptação dos currículos de classes seriadas urbanas para classes multisseriadas rurais (LOPES 2012; PEREIRA 2007; OLIVEIRA, 2014). As teorias que subsidiam a elaboração destes currículos não favorecem a elaboração de objetivos mais amplos e conteúdos mais flexíveis como nota-se na matriz curricular do município de Maringá/PR.
Os currículos das escolas urbanas são fundamentados em concepções esportivistas, desenvolvimentistas, com separação por idades e valências físicas e motoras a serem desenvolvidas dentro de um padrão de desenvolvimento preestabelecido.
Freire e Scaglia (2009) observam que o currículo de Educação Física deve considerar as características intelectuais, motoras, morais, afetivas e sociais dos alunos em diferentes etapas, tendo espaço para a flexibilidade: “[...] mesmo que as faixas etárias sejam consideradas balizadoras do programa de Educação Física, o currículo da disciplina deve apresentar conteúdos abertos para que os alunos em suas práticas tenham espaço para suas manifestações individuais” (FREIRE e SCAGLIA, 2009, p. 12).
Gonzáles e Fraga (2012, p. 45,46) afirmam que os princípios que devem nortear a construção de um currículo de Educação Física que funcione como um filtro, para seleção de conteúdos adequados e recomendáveis e se possa promover aprendizagem em uma perspectiva interdisciplinar, são: a Educação Física, como responsável pela tematização da cultura corporal de movimento, ter por finalidade potencializar o aluno para intervir de forma autônoma, crítica e criativa; há necessidade de clareza nas indicações das habilidades e competências que devem ser desenvolvidas; e, há necessidade de definição de coerentes patamares evolutivos de progressão.
A disciplina centra-se na pluralidade do patrimônio cultural e na vivência das práticas corporais presentes na cultura; portanto, não é apenas um meio para aprender outras coisas, pois gera um tipo de conhecimento muito particular, insubstituível. A Educação Física deve proporcionar a apropriação crítica dos conhecimentos, diferentemente das práticas vivenciadas em escolinhas de futebol e academias. Gonzáles e Fraga (2012, p. 45,46) apresentam (de forma sintetizada, conforme Figura 27) os temas estruturadores da Educação Física organizados com base nos estudos das representações sociais que constituem a cultura de movimento.
Figura 27: Temas estruturadores da Educação Física Ensino Fundamental. Quadro elaborado por Gonzáles e Fraga (2012).
A ausência de um currículo adequado para as idades e etapas de desenvolvimento do aluno e a antecipação de atividades com enfoque nos esportes podem desfavorecer o trabalho do professor nas escolas rurais multisseriadas que apresentam espaços e materiais diversos.
Na zona rural observa-se a ausência de um planejamento que considere as referências legais da área, os documentos norteadores, os estudos sobre o currículo, os apontamentos dos pesquisadores do movimento humano e da Educação Física escolar, bem como do diagnóstico das habilidades, da faixa etária dos alunos e das condições físicas e materiais das escolas, a fim de se construir um currículo consonante com as reais possibilidades apresentadas (NUNES, 2010; LAVOURA, PEREIRA, 2007; LOPES, 2012).
A análise de algumas matrizes curriculares e dos estudos realizados nos permite inferir que os pressupostos teóricos e filosóficos que subsidiam a construção das Matrizes
Educação Física
Práticas corporais sistematizadas Representações sociais sobre a cultura corporal do movimento
Esporte Jogo Motor Práticas corporais juntoà natureza Ginástica Atividades aquáticas Lutas Práticas corporais expressivas Práticas corporais e sociedade Práticas corporais e saúde
Curriculares devem ser definidores das metodologias, conteúdos, formas de avaliação e das relações entre professores e alunos estabelecidas no desenvolvimento das situações de aprendizagem. Matriz curricular cuja base teórica fundamenta-se em concepções tradicionais, higienistas, recreacionistas, esportivistas da Educação Física, bem como de concepções psicomotoras e desenvolvimentistas como é o caso dos Parâmetros Curriculares Nacionais (RIBEIRO, 2013) não dialogam com os pressupostos políticos e filosóficos da Educação do Campo. Vale acrescentar a estas reflexões que, muitas matrizes revelam incongruência entre os seus objetivos, conteúdos, metodologias de trabalho e a base teórica adotada. Desta forma, embora afirmem desenvolver uma prática fundamentada na cultura corporal do movimento, no se-movimentar humano, no desenvolvimento de uma postura crítica pelo aluno, portanto no respeito à diversidade e na inclusão, pautam sua prática na padronização de comportamentos, na competição, na seleção, no treino de habilidades requeridas pelos esportes de massa (KUNZ, TREBELS, 2006; VASCONCELOS, CAMPOS, 2014).
A Educação do Campo pressupõe a Educação Física enquanto uma prática significativa a ser construída e reconstruída a partir da cultura dos sujeitos, que ativos neste processo, se apropriam dos conhecimentos corporais. Os documentos que tem servido como base para os professores na elaboração de suas propostas pedagógicas dificultam a construção de uma visão crítica da Educação Física, pautada na construção histórico social dos sujeitos.
As metodologias apontadas pelos professores, ora se assemelham às aulas de recreação livre, nas quais os alunos brincam livremente, ora se baseiam na repetição de movimentos sem significado para o aluno, deixando de trabalhar o movimento de forma contextualizada e significativa para o aluno, dentre as diversas possibilidades que a Educação física deve oferecer (PEREIRA, 2007, LOPES 2012).
Compreender esse cenário a partir das representações sociais desses profissionais sobre o contexto e as práticas é um importante passo para refletir sobre a Educação Física no/do Campo.
Na próxima seção apresenta-se a teoria escolhida para o estudo feito na presente pesquisa: a Teoria das Representações Sociais.