BULGULAR VE YORUM
4.3. Türkiye’de Eğitim Yöneticilerinin Seçilme, Atanma ve Yükseltilme Sürecine İlişkin Bulgular ve Yorum Sürecine İlişkin Bulgular ve Yorum
4.3.4. Yazılı Hukuk Metinlerinde Eğitim Yöneticilerinin Seçilme, Atanma ve Yükseltilmes
4.3.4.9. Milli Eğitim Bakanlığının teşkilat ve görevleri hakkında kanun
Retomando Dewey (1927), que afirma que um público é formado quando algo sai do âmbito do privado, vai para a esfera pública e passa a afetar a vida das pessoas; e Araújo (2012), que apresenta o exemplo da dengue para dizer que as pessoas sabem o que precisam fazer para evitar a doença, mas tendem a agir somente quando são diretamente atingidas pelo problema, uma indagação nos é apresentada: o que afinal afeta às pessoas, ou então, como podemos definir um assunto ou problema como sendo de interesse público?
Para Dewey (1980), as pessoas são capazes de compreender um problema a partir do momento em que o vivenciam, porque nós atribuímos sentidos às coisas quando estabelecemos uma relação com essas coisas. Para ele, “toda experiência é o resultado de interação entre uma criatura viva e algum aspecto do mundo no qual ela
vive”. (DEWEY, 1980, p. 95). Ele conclui afirmando que “para perceber, um
expectador precisa criar sua própria experiência”. (DEWEY, 1980, p. 103). Assim, a experiência é marcada pela vivência e os repertórios culturais de cada indivíduo, lembrando que esse modo de interpretar o mundo, não é dado, ele pode se modificar e se atualizar.
Paula Simões (2010) nos lembra que a experiência deve ser considerada a partir do contexto de vida dos indivíduos e ela envolve as ações racionais e as emocionais, mas que em ambos os sentidos, a experiência é constituída pelo movimento de agir e sofrer. “O sujeito age no mundo, ao mesmo tempo em que sofre alguma coisa em função dessa ação, o que impulsionará o agir subseqüente”. (SIMÕES, 2010, p. 3). Mas é importante esclarecer que para Dewey, sofrer simplesmente uma ação não gera uma reação, necessariamente. Para isso, ele cita o exemplo de uma criança que coloca a mão no fogo e que por ainda não dispor de uma experiência anterior, ela pode não ter a reação de retirar a mão do fogo. Para ele, a ação e a reação precisam estar em harmonia para fazer sentido, por isso é essencial existir um repertório passado, como pano de fundo para proporcionar uma reação.
Dewey (1980) aborda a arte para dizer da experiência estética, contudo, também podemos nos apropriar desta linha de pensamento ao refletir sobre a maneira como as pessoas são afetadas por um problema de interesse público, como é o caso da dengue. Nas peças publicitárias da Secretaria Estadual de Saúde que analisamos, vamos perceber que a instituição apresenta a dengue como um problema que afeta a vida de todas as pessoas. Porém, é necessário ponderar que cada pessoa tem um modo peculiar de ressignificar suas experiências.
Assim como Dewey (1980) defende que a experiência estética precisa de um ato de recriação do objeto para que ele seja percebido como sendo uma obra de arte, entendemos que os públicos recriam uma situação/ problema e conferem a ela novos sentidos. Deste modo, podemos utilizar dessa metáfora da experiência estética e supor que para que alguém encare um objeto como obra de arte, ou no caso de nossa pesquisa, conceba a dengue como um problema que realmente possa a/o atingir, é necessário que a/o artista (a instituição, no nosso caso) e a/o espectador (o público) saibam que há um trabalho que é realizado tanto pelo artista (instituição), quanto por quem percebe a obra ou o problema (cidadão).
Assim, para que um público veja algo como uma situação que o afeta, entendemos que é necessário que as pessoas que compõem este público estejam envolvidas com a questão, de modo que sejam capazes de dar sentido e ressignificar aquele problema para a sua realidade pessoal e também façam parte do processo empreendido para buscar as soluções para o problema. Acreditamos que sem esses elementos, há uma dificuldade maior do público se envolver com a questão.
Para Henriques (2010), quando afirmamos que um problema é público, ou de interesse público, estamos dizendo que a situação pode ser reconhecida por todos os indivíduos, tendo o potencial de afetar a vida das pessoas. Para o autor, o que se apresenta como algo de interesse público depende de dois fatores: que as questões sejam expostas publicamente, tendo visibilidade e que sejam consideradas coletivamente relevantes. Ainda de acordo com ele, a formação do interesse público é sempre instável e nunca está acabada. “Depende de como se processam as controvérsias na esfera pública, gerando entendimentos coletivos sempre provisórios sobre o que se põe em
questão”. (HENRIQUES, 2010, p. 95).
Para Henriques (2012), a afetação e as controvérsias podem surgir a qualquer momento em uma causa de interesse público. O fato de nos sentirmos afetadas pelas conseqüências de atos privados executados pode ser percebido por uma pessoa de
variadas formas, tanto a partir de nossa própria experiência ou então mediante o contato com a experiência do outro com o qual nos identificamos. Ou até mesmo no momento em que tomamos ciência do acontecimento, o que nos coloca diante do problema. Pode também ser estimulado pela movimentação dos públicos que, uma vez afetados, trabalham de forma a expor a questão e fazem com que nos reconheçamos como também submetidos às suas conseqüências, direta ou indiretamente. Mas de todo modo, aquilo que é considerado de interesse público é um conceito que é, normalmente, negociado e atualizado, não é dado.
Como abordamos anteriormente é o processo de coletivização, que possibilita que uma causa, até então privada, ganhe um caráter público. Contudo, ele também é provisório e estável, pois “gerar e posicionar uma causa na esfera pública é um desafio que pressupõe permanente envolvimento nos dilemas morais e nas controvérsias que cercam o problema”. (HENRIQUES, 2010, p. 95).
O autor também esclarece que o processo de coletivização se dá quando as ações se deslocam sempre do interesse individual para o coletivo, de modo que os problemas sejam interpretados como sendo de todos. Henriques (2010, p. 97-98) também enumera quais seriam as principais condições de coletivização para a formação e manutenção de um grupo mobilizado:
a)- Concretude: o problema percebido deve se apresentar como um problema concreto. As pessoas devem ser capazes de identificar a situação como problemática.
b)- Caráter público: apenas reconhecer o problema não é condição suficiente para que possamos compreendê-lo em sua dimensão coletiva, pública. É preciso que estejamos convencidos do caráter público da causa. Essa seria a essência da coletivização.
c)- Viabilidade: ao apresentarmos publicamente uma situação-problema, temos que gerar argumentos que demonstrem a viabilidade para compartilhar e lutar pela sua solução.
d)- Sentido amplo: uma causa não pode ser apresentada apenas em relação às características mais imediatas do problema e aos aspectos mais pragmáticos das ações que são propostas para resolvê-los. Inserir a questão num quadro de valores mais amplo, como qualidade de vida, justiça, etc. tende a facilitar o compartilhamento de ideias, além de criar um horizonte mais amplo no qual a luta conjunta faz sentido para os que dela participam. A construção desse sentido amplo provê o compartilhamento de um imaginário que se torna fundamental para convocar outros sujeitos a participar da mobilização e para manter a motivação do grupo em torno da causa.
Conforme detalhado acima, para que a coletivização ocorra é fundamental que exista uma causa de interesse público. Além disso, Henriques (2010) nos indica que o processo de coletivização é a base para qualquer projeto de mobilização social, pois só pode existir mobilização social quando há uma causa notadamente pública. Assim, entendemos que o conceito de mobilização social é crucial para nos aproximarmos de nosso objeto em análise.