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MEVLÂNÂ DÖNEMİNDE HORASAN’DAN ANADOLU’YA GELEN ÖNEMLİ MUTASAVVIFLAR MUTASAVVIFLAR

Esta lógica plural inscreve-se, de modo mais evidente, em socieda- des como a actual em que o pluralismo e a fragmentação de valores se mostram como mais acentuadas, originando por isso uma maior com- plexidade e pluralismo. Nomeadamente, conforma-se com a necessi- dade de se convocar uma certa forma de perspectivismo que consiste em tomar em conta as múltiplas formas de poder, de dominação e de opressão dispostas de um modo reticular e que preenchem, transversal- mente as sociedades modernas. Tal se traduziria no multiculturalismo crítico:

“A abordagem multicultural crítica, a nosso ver, im- plica a análise das relações de dominação e de opressão, do modo de funcionamento dos estereótipos, da resistência por parte de grupos estigmatizados a representações domi- nantes e da luta desses grupos pela sua própria represen- tação contra representações dominantes e distorcidas, no sentido de produzir representações mais positivas” (Kell- ner, 2001: 126).

A insistência na sensibilidade em relação à estranheza e consequen- temente a atenção à lógica plural que faz parte do jornalismo não pode ser separada de um traço característico do jornalismo: a sua natureza pública e o seu relacionamento com a constituição da esfera pública moderna. Para além da reivindicação de uma abordagem científica crí- tica, este tipo de preocupação interpela os próprios media e o jorna- lismo, na medida em que, em relação a este último, lhe pode sugerir um caminho particularmente profícuo que aliás coincide com uma certa ra- cionalidade que é própria ao campo: manter a sensibilidade em relação ao que é estranho, manter-se aberto à multiplicidade de realidades que

tocam o mundo da vida sócio-cultural. O imperativo da diversidade é de natureza ética, política e deontológica mas também é constitutivo da própria maneira de conhecer típica do jornalismo. Nesse sentido, a resposta a algumas perplexidades induzidas por alguns usos particu- larmente unilaterais da linguagem – verificados por exemplo, nalgu- mas representações do “arrastão” – tem uma dimensão epistemológica e política. Um dos traços que é próprio da forma de conhecer típica do jornalismo é a sua sensibilidade para a diferença, a qual todavia se pode esbater em contextos demasiado rotineiros ou marcados por lógi- cas puramente sistémicos. Não por caso, o melhor jornalismo – o que é referido como tal – tem sempre preocupações, mínimas que sejam, em apresentar ângulos e fórmulas novas, sugerir diversas leituras e apre- sentar perspectivas diferenciadas. É esse traço – que também ele pode surgir mais ou menos vincado consoante as opções editoriais e organi- zacionais – que permite o confronto do mundo da vida marcado pela familiaridade e tipicidade, e do sistema, marcado pela eficácia, com o espaço outro de reflexividade e de abertura que denominamos de esfera pública no seu sentido moderno. Só quando aceitam jogar segundo as regras reguladoras do discurso moderno, as identidades reingressam no plano ético-político da luta pelo reconhecimento. Esta desenvolve-se, em larga medida, num espaço público mediatizado.

A esfera pública moderna, na sua configuração tardia, emerge como a estrutura comunicativa de uma instância marcada pela informalidade e pela espontaneidade separada do Estado constituída pelas associações voluntárias de natureza não governamental e não económica e que, sin- tonizadas com a forma como os problemas de natureza social ressoam nas esferas da vida privada, amplifica, racionaliza e tematizam tais pro- blemas de forma a serem considerados e abordados no plano da esfera pública formal e do sistema político. A sua configuração institucional implica a sensibilidade para o pluralismo de formas de vida; o compro- misso com uma ideia de publicidade orientada no sentido do pluralismo de vozes, formas de vida e de crenças, atenção aos problemas emergen- tes no domínio do privado, atenção esta orientada por um conjunto de

garantias jurídicas têm o seu fundamento último no respeito pelos di- reitos do homem.

O jornalismo não só não ignora essa configuração institucional como uma parte de si lhe está indissociavelmente relacionada, no que respeita à finalidade e missão social que lhe estão atribuídas:

Podemos encontrar, assim, no jornalismo, os traços de um movi- mento de oscilação que se joga em numerosas ambiguidades e contra- dições: oscilação entre um mundo da vida marcado pela tipicidade e pela familiaridade, onde as identidades se mantém encerradas nas suas concepções relativamente naturais do mundo, surgindo reciprocamente como estranhas, as preocupações sistémicas (de natureza organizacio- nal, empresarial, económica e de relacionamento com outros domínios sistémicos) e outras realidades múltiplas, onde se assiste a uma refle- xividade crescente por intervenção de sistemas de linguagem diferen- ciados. Dentre estas províncias, uma delas, o espaço público, surge como o espaço da política onde as identidades e respectivas pretensões de validade se afirmam reciprocamente na luta pelo reconhecimento. Esta luta repercute-se necessariamente na ambiguidade constitutiva da linguagem jornalística.

Capítulo 6

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