3.4. Hastane ĠĢletmelerinde Organizasyon Yapısı Ve Organizasyon ġemaları
3.4.3. Matrix Örgütlenme
De modo geral, a evolução dos consórcios ocorreu sem consonância com a evolução jurídica do Direito brasileiro. Tanto isto é verdade que até a promulgação da Emenda Constitucional nº 19, de 1998, a legislação ainda não previa sua institucionalização jurídica, o que os tornava “meros acordos de colaboração, sem vínculo de permanência ou de cumprimento das obrigações assumidas” (DIAS, 2006, p. 96).
A figura dos consórcios na quase informalidade pode ser vista como um dos reflexos do discurso municipalista. Até então, o aprendizado adquirido pelas experiências de consórcios intermunicipais no Brasil foi incapaz de penetrar na agenda dos congressistas, talvez pelo mesmo motivo do insucesso da questão metropolitana5.
Já no contexto da reforma administrativa, a possibilidade de cooperação entre os entes federativos foi reforçada, na medida em que obteve sua figura jurídica reconhecida, mas não o suficiente para sua regulamentação. A ausência de critérios claros para sua constituição, assim como a dificuldade para a obtenção de recursos externos, ainda configuravam um cenário de precariedade no plano institucional, mesmo com o crescente número de municípios se organizando sob a modalidade de consórcios no país.
Tais reivindicações só vieram a ser atendidas quase dez anos depois da reforma do aparelho do Estado, com a regulamentação do Projeto de Lei nº 11.107/2005, que veremos com mais detalhes na próxima seção.
Desse modo, podemos observar que, tanto com a redemocratização como na inauguração de um novo modelo de gestão pública por resultados, os consórcios públicos não foram recepcionados com tamanha grandeza no que se refere à prioridade constitucional.
Apesar de vistos como instrumentos de canalização de ganhos para a provisão de serviços públicos de interesse comum, com ganhos de qualidade e eficiência e que de modo geral partem do interesse coletivo – portanto, democrático –, ficaram em segundo plano na agenda de reformas governamentais.
É importante lembrar, embora pareça redundante, que nesses dois momentos o que se pretendia estabelecer era a concretização dos direitos fundamentais sob a forma de um federalismo mais cooperativo, tendo em vista “o equilíbrio do desenvolvimento e do bem- estar em âmbito nacional” (BRASIL, 1988, art. 23). Esta, inclusive, é uma finalidade lógica dos consórcios intermunicipais.
Ao longo de sua evolução, o federalismo brasileiro tem-se pautado por arranjos políticos e territoriais construídos que refletem o arcabouço de suas constituições e ao mesmo tempo representam o contexto histórico de sua atualidade. Isso nos permite concluir que, sem dúvida alguma, seu modelo no Brasil foi marcado por uma trajetória de centralização e descentralização, associado de modo frequente aos períodos de autoritarismo e avanço democrático, fenômeno que, embora questionado, é chamado de “movimento pendular”.
O que parece representar bem esse movimento assimétrico, ou pendular, de alternância entre centralização/descentralização e autoritarismo/democracia é uma concepção que consegue contemplar as diversas variações institucionais dentro do federalismo brasileiro. Tal ideia parte do critério de que os arranjos políticos e territoriais construídos ao longo da evolução do federalismo brasileiro têm-se movido como um continuum, que passa por sistemas com restrições mínimas a sistemas com restrições máximas. Assim, chegamos a um estágio de maior equilíbrio entre os entes constitutivos da Federação e as instituições relacionadas, apesar da contradição apresentada pelo papel da União, legislando sobre temas concorrentes aos demais entes e ao mesmo tempo atendendo às demandas municipais no período crítico de redemocratização (SOUZA, 2003).
No entanto, na visão de Rocha e Faria (2010) essa concepção de continuum, apesar de conveniente, pareceu insuficiente para explicar a distribuição de poder entre os entes. Para os autores, é necessário ir além das instituições, analisando o federalismo como um processo político, classificando os padrões de autoridade estabelecidos entre os entes governamentais. A partir da observação das relações intergovernamentais predominantes, os autores apoiaram- se nas definições de autoridade coordenada, inclusiva e superposta desenvolvidas por Wright (apud ROCHA; FARIA, 2010, p. 106).
Para os autores, o padrão que melhor descreve as relações intergovernamentais do sistema atual é o modelo de autoridade superposta, caracterizado por interações negociadas entre os entes, em que as áreas operacionais do governo incluem ao mesmo tempo unidades e funcionários nacionais, estaduais e locais, e a autonomia e a autoridade são comumente negociadas (ROCHA; FARIA, 2010).
O modelo proposto parece atender bem ao sentido de nosso trabalho, na medida em que, ao analisar as mudanças recentes que operaram no sistema federativo brasileiro e que implicaram alterações nos padrões de comportamento dos entes da Federação, mais objetivamente, que implicaram mudanças no quadro institucional-legal dos consórcios públicos, parece demonstrar de fato que, mesmo que a União opere com certa centralidade na
formulação de políticas públicas e na revisão da legislação competente, é necessário que haja negociação constante com os demais entes para sua implementação.
No entanto, aceitar tal padrão de relações intergovernamentais não significa aceitar a superação das tensões e desequilíbrios da Federação. Até porque, se até a CF 88 os principais desafios do federalismo já estavam no campo das relações intergovernamentais, com a inauguração da Federação trina ampliaram-se ainda mais as tensões e desequilíbrios entre elas. Obviamente, a manutenção de um sistema político voltado para essa divisão de poderes, sem promover desequilíbrios entre os entes, já implica por si só conflitos e tensões.
Talvez essa ampliação dos dilemas do federalismo no Brasil pós-Constituição de 1988 não se explique pela questão do federalismo. Para Souza (2003), em se tratando das teorias do federalismo e até de suas origens, a existência de uma terceira parcela territorial dotada de autonomia – o município – não está prevista.
Dessa maneira, se, por um lado, o peso adquirido pela autonomia constitucional dos municípios pode representar prejuízos a uma atuação mais voltada para o interesse regional, por outro, no nível territorial a configuração de um padrão de relações intergovernamentais em constante negociação pode representar ganhos para a superação de problemas que extrapolam as divisas administrativas.
3 PANORAMA DOS CONSÓRCIOS PÚBLICOS NO BRASIL: TRAJETÓRIA E