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4. DESTİNASYON PAZARLAMASI VE MARKALAŞMASI

4.6. Marka Destinasyonlar

A primeira versão que deve ser lembrada é a de Karl Popper (1902-1994), que apresentou uma teoria sobre a ciência que mesclava elementos positivos (como o valor do experimento) com argumentos críticos ao cientismo (como a crítica às generalizações via indução do pensamento). Karl Popper fez parte do grupo de pensadores da década de 1930 conhecido como Círculo de Viena, cuja proposta era “unificar as ciências por meio de um linguajar por assim dizer neutro (isto é, axiologicamente neutro), capaz de expressar pelos mesmos símbolos e pelas mesmas operações lógicas os mais diferentes fenômenos” (Lacerda, 2009:332). Esse projeto foi batizado por alguns dos seus membros de “empirismo lógico”, embora o termo “neopositivismo” também seja muito comum para caracteriza-lo – em especial entre aqueles que discordam das suas ideias ou enxergam nas suas propostas semelhanças demais com o sistema de valores formulado por Auguste Comte. No entanto, para caracterizar a filosofia da ciência de Popper, Silveira (1996a) escolhe uma expressão intermediária, o “racionalismo crítico”.

Segundo Furlan (2003), a crítica mais importante que Popper fez ao método científico se refere à afirmação de que a universalização teórica via indução do pensamento não passa de um mito. Não é porque uma grande quantidade de aves observadas consegue voar, por exemplo, que todas as aves têm esse mesmo poder ou sempre o terão ao longo da

história. Popper também recusa o recuo dos indutivistas rumo à probabilidade, ou seja, o argumento de que quanto maior for o número de aves voadoras observadas em diferentes tipos de situações maior será a chance de que as próximas aves observadas também consigam voar.

Não exigirei que um sistema científico seja suscetível de ser dado como válido, de uma vez por todas, em sentido positivo; exigirei, porém, que sua forma lógica seja tal que se torne possível validá-lo através de recurso a provas empíricas, em sentido negativo: deve ser possível refutar, pela

experiência, um sistema científico empírico (Popper, 2002:42) (grifo

meu).

Sendo assim, baseada na negação de hipóteses via experimentação, a proposta de Popper pode ser chamada de “falsificacionismo” (Chalmers, 1993). Segundo essa versão, o cientista não deve esperar o fim de longas repetições ou sucessões de eventos para, então, começar a refletir sobre os problemas observados. Popper defende que o pensamento deve vir antes da experiência. Isto é, o cientista deve formular hipóteses explicativas antes de testá-las rigorosamente através de experiências, para saber se elas têm validade (confirmação) ou não (falsificação). Popper ainda diz que as hipóteses permanecem válidas enquanto resistirem às provas empreendidas pela comunidade científica32, o que permite fazer duas importantes conclusões: a falsificação das conjecturas via experiência é o processo que distingue a ciência moderna das outras formas de conhecimento e o poder de explicar o mundo e ainda resistir aos testes da comunidade científica é o critério (de demarcação) que aponta qual é a melhor teoria científica à disposição.

Em síntese, não há para Popper lógica da descoberta científica, já que se nega o princípio da indução, há apenas a da justificação. O processo de descoberta é objeto para ciências empíricas (psicologia ou sociologia), não para uma epistemologia que cuida apenas do caráter lógico da teoria. Tudo vale na formação de teorias: insights, intuição, imaginação, observações controladas, e até mesmo sonhos que sugerem soluções para o problema pesquisado, como teria sido o caso da descoberta da fórmula química do benzeno, por Kekulé. Não é objeto da epistemologia perguntar como se chega às hipóteses e conclusões, mas distinguir 32

“Se a decisão for positiva, isto é, se as conclusões singulares se mostrarem aceitáveis ou comprovadas, a teoria terá, pelo menos provisoriamente, passado pela prova: não se descobriu motivo para rejeitá-la. Contudo, se a decisão for negativa, ou, em outras palavras, se as conclusões tiverem sido falseadas, esse resultado falseará também a teoria da qual as conclusões foram logicamente deduzidas” (Popper, 2002:34) (grifos do autor).

enunciados científicos de pseudo-científicos através da lógica da justificação: pode-se deduzir de enunciados gerais os particulares (ocorrência de fatos) e confrontá-los com a experiência (Furlan, 2003:128-129) (grifo do autor).

Logo, o progresso da ciência feita nesse molde pode ser entendido como um processo impessoal e gradativo, no qual os cientistas contribuem vez ou outra para aumentar o estoque sempre crescente de conhecimentos e técnicas da humanidade (Kuhn, 2007).

Contudo, o falsificacionismo popperiano possui limitações. Talvez o seu maior problema tenha a ver com o próprio processo de comprovação ou falsificação. Enquanto as hipóteses confirmadas têm validade temporária – até que uma experiência as falsifique – as respostas negativas são definitivas. Porém, nem sempre uma negação pode obrigar os cientistas a descartarem suas propostas ou recomeçarem seus trabalhos. Segundo Lakatos (1989:12-13)

Os cientistas têm a pele grossa. Não abandonam uma teoria apenas porque os fatos a contradizem. Normalmente, inventam qualquer hipótese auxiliar para explicar o que eles chamam depois de uma anomalia simples ou, se não conseguem explicar a anomalia, ignoram-na e se concentram em outros problemas (tradução minha).

De fato, o método falsificacionista sofre do mesmo mal que ataca o método indutivista, embora apareça aqui deslocado no passo-a-passo científico: assim como não há justificativa lógica para induzir um enunciado singular à condição de enunciado universal, não existe nada que valide o resultado obtido via experimento como algo melhor ou mais verdadeiro que a hipótese produzida pela razão. Em resumo, nada garante que a experiência esteja mais próxima da realidade do que o pensamento humano.

Um fato histórico embaraçoso para os falsificacionistas é que sua metodologia tem sido aceita estritamente por cientistas cujas teorias são vistas geralmente entre os melhores exemplos de teorias científicas que nunca teriam sido desenvolvidas porque seriam rejeitadas ainda na infância. Dado qualquer exemplo de uma teoria científica clássica, seja na época em que foi proposta pela primeira vez ou numa data posterior, é possível encontrar proposições observacionais que eram geralmente aceitas na época e foram consideradas inconsistentes com a teoria. Não obstante, aquelas teorias não foram rejeitadas, e foi bom para a ciência que tenha sido assim (Chalmers, 1993:98).