1.6. Marka ve Marka Bağlılığı Yaratma Süreci
1.6.4. Marka Bağlılığı (Sadakati) Yaratma
Esse conjunto de motivos se fundamenta no fato de as comunidades emigrantes, quando não há uma relação demasiadamente conflituosa, freqüentemente advogarem em defesa da terra natal em suas novas localidades, principalmente quando valorizadas pelas regiões de origem. As diásporas atravessam as fronteiras do Estado-nação e podem suplantar a lealdade aos países nos quais se estabeleceram. “Colocadas acima do nível da cultura nacional, as identificações globais começam a se deslocar e, algumas vezes, a apagar, as identidades nacionais”.532 As identidades nacionais são antes de tudo um sistema de representação cultural. E as mudanças operadas no interior de suas fronteiras explicam como a percepção dos membros e grupos espalhados pelo exterior podem se transformar e despertar o sentimento de lealdade. “Uma nação é uma comunidade simbólica e é isso que explica seu poder para gerar um sentimento de identidade e lealdade” 533.
Essa flexibilidade de posições político-identitárias é também consequência de um contexto de mudanças na construção de fronteiras e nacionalidades e de intensificação das relações sociais em escala mundial, criando, como afirma Anthony Giddens, um ambiente propício ao nacionalismo diaspórico, uma forma de patriotismo “sem Estado".
A globalização não levou ao fim do nacionalismo, como algumas análises apontavam, e sim ao seu ressurgimento, mas a partir de um novo recorte, que se manifesta tanto pelo desafio que impõe aos Estados-nação estabelecidos como pela ampla (re) construção da identidade.534
531 TAGER, Michael. Expatriates and Elections. Volume 15, Number 1, Spring 2006, p.2.
Como afirma Tveztan Todorov, a segunda metade do século XX entrará para os anais da história como uma nova era de proliferação de movimentos nacionalistas.
532 HALL, Stuart. “Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais” in SOVIK, Liv (org). Da diáspora.
Identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG/UNESCO, 2003, p. 73.
533SCHWARZ, Bill apud HALL, Stuart. 2002, op. cit., p.48. 534 CASTELLS, Manuel, op.cit., p. 44.
A rede de comunicação transnacional cria uma nova topografia de lealdade e identidade que desconsidera as estruturas do Estado-nação e redefine os elos de identificação. As diásporas enquadram-se nesse contexto, rompendo a seqüência de laços entre lugar e consciência, provocando a ruptura com o poder do território para determinar a identidade.535 Esse quadro teria como conseqüência o que a pesquisadora Nina Glick Schiller chama de transnacionalismo: quando as relações de formação social, política e econômica entre os emigrantes se estendem por diversas sociedades, espalhando-se para além dos limites do Estado-nação.
The emergence of such populations holds profound implications for the state. Baudock sees multiple membership in different societies deriving from migration as a decisive contribution to what he calls the slow emergence of interstate societies536.
Stuart Hall reitera essa visão, afirmando que as diásporas são as comunidades exemplares do momento transnacional, mas ressalta que o termo não significa somente transnacionalidade e movimento, mas também lutas políticas para definir o local, como comunidade distinta, em contextos históricos de deslocamento.
Esse novo contexto pode levar setores do país de acolhimento a duvidar da lealdade dos grupos que mantém uma intensa ligação com os lugares de origem537. Segundo o antropólogo Nigel Rapport, Norman Tebbit, membro do gabinete de Margareth Thatcher, questionou nos anos 1980 se os imigrantes asiáticos apoiariam a Inglaterra se o Paquistão, o Sri Lanka ou a Índia fossem adversários do país no cricket538
Concebendo-se como operando num espaço global, os judeus teriam pouca ligação ou lealdade para com qualquer espaço local
. Rapport afirma ainda que é por conta desse mesmo raciocínio que muitos nacionalistas consideram o "cosmopolitismo judaico" um motivo para suspeita.
535 MENEZES SANTOS, Eufrázia Cristina. Revista de Antropologia. Rev. Antropol. vol.45 no.1 São Paulo 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034- 77012002000100013&script=sci_arttext>
536 VAN HEAR, Nicholas, op.cit., p.5
537 “La paradoja que da fuerza a la diáspora es que residir aquí supone solidaridad y conexión allá. Pero allá no es necesariamente un solo lugar o una nación exclusivista.” CLIFFORD, James, op. cit., p. 329. 538 RAPPORT, Nigel. Em louvor do cosmopolita irônico: Nacionalismo, o "judeu errante" e a cidade
pós-nacional. Revista de Antropologia. V.45 N.1 São Paulo, 2002. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012002000100004>. Acesso em: 20 dez. 2008.
particular. Encontram-se ecos disso, obviamente, em relação a vários grupos de imigrantes, cujos centros de referência são colocados em questao pelos chauvinistas locais.539
E nesse ponto joga papel fundamental a forma como os países de acolhimento lidam com os grupos que mantém proximidade com a terra de origem, uma relação que nas democracias liberais costuma ser tolerado dentro de certos imites.
David Martin notes that modern democracies tolerate many loyalties and affinities (local, regional, religious, civic, political etc.) without considering them incompatible with loyalty to the nation-state 540.
Por outro lado, segundo Stuart Hall, em países de ideologias nacionais assimilacionistas, como os Estados Unidos, os emigrantes “não podem” experimentar uma sensação de lugar perdido, conservando lealdades e vinculações práticas com a terra natal. Tal construção social explicaria o mal estar com as comunidades que continuam a ser leais à terra natal, como os emigrantes latino-americanos que utilizam o castelhano em suas relações sociais.
Tales ideologías están destinadas a integrar a los inmigrantes, no a la gente de las diásporas. Sea que la narrativa nacional se refiera a los orígenes comunes o a las poblaciones reunidas, no puede asimilar a grupos que conservan importantes lealtades y vinculaciones prácticas con una tierra natal o una comunidad dispersa ubicada en otro sítio 541.
A assimilação que muitos autores e governos consideravam e/ou esperavam ser o caminho natural dessas comunidades não aconteceu de forma total e o que se vê é um cenário cada vez mais marcado pela valorização das identidades e pela busca de direitos com base no passado. “Kevin Robin afirma que ao lado da tendência em direção a homogeneização global, há também uma fascinação com a diferença e com a mercantilizarão da etnia e da “alteridade”.542 Pesquisa sobre os emigrantes de Barbados na Grã-Bretanha, por exemplo, indicou que os elos com a região de origem continuam fortes e que a determinação de construir identidades barbadianas no país, “poderá ser potencializada e não diminuir com o tempo” 543
539 RAPPORT, Nigel, op.cit.
.
540 TAGER, Michael, op.cit., p.11. 541 CLIFFORD, James, op.cit., p. 307. 542 HALL, Stuart. 2003, op. cit., p. 77.