2.4. Marka ĠletiĢim Araçları
2.4.1. KiĢisel SatıĢ
Nesta segunda etapa, foram selecionados cinco enfermeiros diagnosticadores do Grupo de pesquisa Práticas Assistenciais e Epidemiológicas em Saúde e Enfermagem. Esse grupo desenvolve atividades sobre Sistematização da Assistência de Enfermagem e a qualidade do cuidado, dentre outros.
Os diagnosticadores foram selecionados intencionalmente e possuíam pesquisas publicadas sobre diagnósticos de enfermagem e/ou prática clínica ou de ensino sobre nefrologia. Receberam via e-mail uma carta convite (APÊNDICE D), contendo a identificação do pesquisador, esclarecimentos sobre os objetivos da pesquisa, quais seriam as suas atribuições no processo, bem como a disponibilidade em participar de um treinamento e em responder o instrumento proposto.
Após o aceite do convite, foi entregue no dia do treinamento o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE E), o qual foi assinado pelos participantes. Ademais, o treinamento ministrado aos diagnosticadores pela pesquisadora foi finalizado com uma avaliação destes, com vistas a verificar a capacidade de inferência diagnóstica de cada participante.
A realização do treinamento traduz-se como importante por minimizar o viés no momento da inferência diagnóstica. Faz-se necessário que os participantes sejam devidamente treinados, tendo-se em vista que a enfermagem não possui padrões de referência perfeitos, o dito padrão ouro, por não possuir instrumentos que garantam com fidedignidade a presença ou a ausência das respostas humanas (LOPES, SILVA, ARAÚJO, 2013).
Atrelado a isso, sabe-se que, apesar de os avaliadores apresentarem proximidade com os diagnósticos de enfermagem ou com a área de nefrologia, na maioria das vezes, não são próximos aos dois temas conjuntamente ou não trabalham com o diagnóstico ora estudado de forma aprofundada. Assim, por meio do treinamento as inferências realizadas pelos diagnosticadores tonam-se mais coerentes e homogêneas (BELTRÃO, 2011; LOPES, SILVA, ARAÚJO, 2013).
Portanto, foi realizado um treinamento, durante o mês de julho de 2013, explanando os objetivos da pesquisa, a etapa em que cada diagnosticador atuaria, uma contextualização sobre estudos de acurácia diagnóstica, raciocínio clínico e inferência diagnóstica, sobre a clientela com insuficiência renal crônica e o diagnóstico Volume de líquidos excessivo, e, por fim, sobre as definições operacionais dos componentes do referido diagnóstico.
Após o treinamento, foi realizada uma avaliação visando identificar quais diagnosticadores possuíam desempenho satisfatório no que concerne à inferência diagnóstica. Para isso, foi utilizado o método de classificação de atributos proposto por Hradesky (1989), que visa verificar a capacidade de um indivíduo classificar corretamente dois estados. Para isso, são fornecidas histórias verdadeiras e falsas para cada diagnosticador, nas quais são assinaladas a presença ou ausência do diagnóstico de enfermagem de acordo com seu julgamento (LOPES; SILVA; ARAUJO, 2012, 2013).
De acordo com Hradesky (1989), o número de casos depende da quantidade de participantes. Dessa forma, quando o número de diagnosticadores for igual ou maior que três, devem ser confeccionados 12 casos, os quais deverão ser repetidos três vezes aleatoriamente, de forma que cada diagnosticador realize a inferência diagnóstica em 36 casos.
Assim, como a amostra foi composta por cinco diagnosticadores neste estudo, distribuíram-se 12 histórias aos participantes, nas quais na metade o diagnóstico estava presente e na outra metade estava ausente. Cada história foi fornecida e analisada três vezes por cada diagnosticador, sendo distribuídas de modo aleatório em cada rodada. Em cada história, era assinalado se o diagnóstico Volume de líquidos excessivo estava presente ou ausente de acordo com as características definidoras apresentadas e a partir do julgamento diagnóstico de cada participante.
Ao término, o desempenho de cada diagnosticador foi avaliado, levando-se em consideração quatro aspectos distintos, a saber: a eficiência, a taxa de falso positivo, a taxa de falso negativo e a tendência proposta por Hradesky (1989). De acordo com Lopes, Silva e Araújo (2012), a taxa de falso negativo (FN) indica a probabilidade de um indivíduo com o diagnóstico de enfermagem ser identificado como não o tendo, cuja fórmula é FN= Nº de indivíduos com o diagnóstico de enfermagem incorretamente classificado/Nº total de indivíduos com o diagnóstico de enfermagem. A taxa de falso positivo (FP) calcula a probabilidade de se identificar um diagnóstico de enfermagem em um indivíduo que não o possui. Apresenta como fórmula: FP= Nº de indivíduos sem o diagnóstico de enfermagem erroneamente classificado como tendo/Nº total de indivíduos sem o diagnóstico de enfermagem.
A eficiência (E) refere-se à capacidade de um diagnosticador detectar corretamente a presença ou ausência do diagnóstico de enfermagem. É mensurada
pela seguinte fórmula: E= Nº de identificações corretas/Nº total de casos. E a tendência (T) representa o viés de o diagnosticador classificar um indivíduo como tendo ou não o diagnóstico. Cuja fórmula é T=T[PF]/T[FN].
Para avaliar se os julgamentos apresentados por cada diagnosticador foram satisfatórios, compararam-se os resultados obtidos aos parâmetros expostos na Tabela 1 a seguir. A partir da determinação desses critérios classificou-se o resultado de cada diagnosticador em marginal, inaceitável ou aceitável (HRADESKY, 1989).
Tabela 1 – Pontos de corte para avaliação da capacidade de inferência diagnóstica sugerida por Hradesky (1989)
Parâmetros Aceitável Marginal Inaceitável
E 0,9 ou mais > 0,8 - 0,9 Menos de 0,8
FP 0,05 ou menos ≤ 0,10 Mais que 0,10
FN 0,02 ou menos ≤0,10 Mais que 0,10
T 0,80 – 1,20 0,50 – 0,80 ou 1,2 – 1,5 Menos que 0,50 ou mais que 1,5 Fonte: Hradesky (1989). E: Eficácia; FP: Taxa de falso positivo; FN: Taxa de falso negativo; T: Tendência.
Neste estudo, utilizou-se como ponto de corte a classificação marginal. Assim, na primeira rodada, dois diagnosticadores atingiram as pontuações desejáveis, conforme demonstra a Tabela 2 abaixo. Dentre os três diagnosticadores que não atingiram os escores desejados, foi escolhido aquele que apresentou melhor pontuação dentre os reprovados, para um novo treinamento e avaliação. Nesse treinamento, os indicadores clínicos foram revisados e os erros cometidos durante a inferência diagnóstica foram enfatizados. Posteriormente aplicaram-se mais 12 histórias, em três rodadas aleatórias. Ademais, o diagnosticador foi julgado com os mesmos critérios anteriormente citados.
Tabela 2 – Resultado da avaliação realizada após o treinamento com os diagnosticadores. Natal, 2013
Volume de líquidos
excessivo FP FN Eficácia Tendência
Diagnosticador 1
1ª rodada 0 0.1667 0.9167 0
2ª rodada 0 0 1 1
Diagnosticador 2
Diagnosticador 3 1ª rodada 0 0.0556 0.9722 0 Diagnosticador 4 1ª rodada 0 0.1667 0.9167 0 Diagnosticador 5 1ª rodada 0.1667 0 0.9167 -
FN: Taxa de falso negativo; FP: Taxa de falso positivo.
De acordo com a Tabela 2, foram necessárias duas rodadas para que o diagnosticador 1 atingisse o escore mínimo. Na primeira rodada, devido aos valores atribuídos à taxa de falso negativo, o resultado desse diagnosticador foi classificado como inaceitável, entretanto, na segunda rodada ele foi classificado como aceitável. Assim, três diagnosticadores foram aprovados e compuseram a amostra final para o desenvolvimento da segunda etapa da pesquisa.