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B. Kamuya Yapılacak Açıklamaların Zamanlaması Suretiyle Hisse Senedi

VIII. Mali Haklar Nedeniyle Ortaya Çıkan Sorunlara Yönelik Çözüm

5. Mali Haklar Komitelerinin Bağımsız Yönetim Kurulu Üyelerinden

De acordo com Skliar (2003, p. 14), todo problema do tempo deve ser considerado do ponto de vista do humano, já que “Não existe nada humano fora do tempo e não existe nenhum tempo fora do humano”. E o autor afirma, ainda, que, além de não existir ser humano fora do tempo, também não existe um único ser humano dentro do tempo, nem um único tempo dentro do humano. E assim surge a perplexidade dos tempos atuais, resultante da relação entre o humano e sua temporalidade.

Perplexidade não como assombro que, de imediato, permitirá a compreensão de tudo o que acontece em volta. Não como ingenuidade ou imaturidade ou desconhecimento. Perplexidade que irrompe para também nos desvanecer, para criar uma temporalidade outra. Perplexidade como acontecimento. Perplexidade que permite desnudar os projetos arrogantes tecidos por esse tempo denominado modernidade: o tempo da ordem, da coerência, do significado preciso, do aprisionamento de Tudo o que é vago, a certeza de toda palavra, o futuro certo e seguro de si mesmo, o passado nostálgico do que acreditamos ser e não fomos, ou não pudemos ser (SKLIAR, 2003, p. 9).

Como já mencionado anteriormente, presenciamos, nos dias atuais, várias tentativas de restaurar os valores perdidos com a inibição da reflexão provocada pelo progresso desenfreado. Agora, o homem é consciente de que os problemas da vida moderna não podem ser solucionados se estiverem dissociados da subjetividade humana. Essa precisa estar em equilíbrio com a vida prática, o que constitui um grande desafio, porque a tendência do humano é a de tudo clarificar, explicar, de buscar a coesão e a eliminação de tudo o que é vago. Tal intento não se coaduna com a complexidade da mente humana, obscura e indiferente à racionalização. A necessidade de ordenamento de fatos e de condutas, de soluções fixas e inalteráveis faz parte do plano do esclarecimento. “No sentido mais amplo do progresso do pensamento, o esclarecimento tem perseguido sempre o objetivo de livrar os

homens do medo e de investi-los na posição de senhores” (ADORNO; HORKHEIMER,

1985, p. 4).

Os problemas inerentes à subjetividade humana, no entanto, não podem ser ordenados e solucionados da mesma forma como se ordena a vida prática. Existem maneiras de analisá- los, de observá-los e de manter certa previsibilidade, mas jamais podem ser mensurados em sua totalidade, pois estão entrelaçados com uma infinidade de fatores instáveis, conscientes e inconscientes. Inclusive, a maior parte desses fatores advém da vida prática, evidenciando a influência que seu ordenamento exerce sobre a subjetividade humana.

Como o homem não pode negar a complexidade da subjetividade, tampouco sua importância, ele tenta eliminar dela o desconhecido, de maneira que mantenha sua posição de senhor sobre si mesmo e sobre os demais. Para tanto, a subjetividade humana precisou ser objetivada, colocada em um plano lógico, ainda que sua essência imperscrutável seja negada. E assim, o espírito humano passa a ser coisificado e as próprias relações do homem são enfeitiçadas, inclusive as relações de cada indivíduo consigo mesmo. “Ele se reduz a um ponto nodal das reações e funções convencionais que se esperam dele como algo objetivo” (ADORNO; HORKHEIMER, 1985, p. 15). A coisificação do espírito representa uma das formas de manipulação da subjetividade humana, redundando em novas maneiras de aproximação dos indivíduos, cujas diferenças e singularidades adquirem outros significados.

Dessa forma, todos os indivíduos, com suas manifestações objetivas e subjetivas, normais ou anormais, são incluídos nos mesmos mecanismos de ordenamento e nas mesmas técnicas de normalização. Estas, por meio de seus parâmetros de normalidade preestabelecidos, determinam a divisão entre normais e anormais, quem está de acordo com a norma e quem precisa ser disciplinado, moldado para equiparar-se aos demais.

As técnicas de normalização são descritas na teoria de Foucault, compondo um dos objetos principais de seu estudo e crítica, em seu texto resultante de uma de suas aulas no

Collège de France em 1978, acerca dos dispositivos de segurança – a normalização. O autor

esclarece que não se pode confundir as técnicas de normalização com a normatização proveniente dos dispositivos legais. A normatização é o processo de codificação de uma determinada norma, ao passo que a normalização consiste em submeter todos a uma norma já estabelecida, que possui em si uma faixa de normalidade, um limite que determina quem está dentro e fora dela.

Foucault (2008) assegura que a demarcação entre o normal e anormal acontece a partir da disposição que cada indivíduo apresenta ao ser submetido a certos procedimentos de adestramento estabelecidos pela disciplina. Os normais são os considerados capazes de conformar ao modelo disciplinar estabelecido e os anormais, quem não é capaz. O modelo disciplinar é construído em função de certo resultado e a operação de normalização disciplinar consiste em procurar tornar as pessoas, os gestos, os atos, conformes a esse modelo. Foucault afirma, ainda, que o fundamental na normalização disciplinar não é o normal ou o anormal, e sim a norma. O seu caráter prescritivo é o que torna possível a determinação do normal e anormal. Sendo assim, a normalização constitui uma das operações de ordenamento efetuadas pela modernidade.

Para Skliar (2003), a norma, de maneira geral, tende a ser implícita, quase invisível e é esse caráter de invisibilidade que a faz inquestionável. A normalização passa a ser entendida como consequência natural e necessária à convivência e ordem social, o que potencializa seu poder sobre os indivíduos. Veiga Neto (2001, p. 110) diz que, apesar de o pensamento moderno admitir que o mundo em si não é naturalmente ordenado, a modernidade, em sua

vontade de ordem, naturaliza as suas operações de ordenamento. “as díades que se criam a

partir de uma operação de ordenamento são sempre naturalizadas” e tal naturalização resulta do ocultamento do poder que está na gênese das operações de ordenamento.

Segundo o autor, a inclusão, como aproximação com o outro, pode ser vista como o primeiro passo em uma operação de ordenamento, resultando em políticas específicas para a organização de sistemas inclusivos. Veiga Neto (2001) diz que essas políticas enfrentam várias dificuldades de ordem epistemológica ou mesmo prática. Isso porque a inclusão pretende tratar de modo generalizante e indiferenciado as inúmeras identidades culturais que “povoam” aquilo que se costuma denominar de “todo social”. Não leva em consideração que tais identidades culturais têm suas raízes em camadas muito mais profundas do que fazem crer aqueles discursos progressistas mais simplificadores, que costumam ver o mundo sempre a partir da famosa dicotomia dominadores-dominados, exploradores-explorados (VEIGA NETO, 2001).