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B. Kamuya Yapılacak Açıklamaların Zamanlaması Suretiyle Hisse Senedi

4. Enron Olayı ve Yöneticilerin Mali Haklarının Enron Şirketinin İflasındaki

Nessas primeiras décadas do século XXI, nota-se um movimento que tenta reparar as perdas relegadas pelo esclarecimento irrefletido à humanidade. Tal movimento teve início nas últimas décadas do século XX, a começar pela crítica de intelectuais como Adorno e

Horkheimer, que, com suas considerações em “A dialética do esclarecimento”, publicado em

meados do século passado, constitui um marco para as reflexões posteriores acerca do progresso econômico e da regressão no plano da vida humana.

Há uma percepção geral de que os séculos de domínio inescrupuloso sobre a natureza têm minado as condições de vida saudável na Terra, gerando inúmeros empenhos na recuperação dos recursos naturais. Também é crescente o desejo de restaurar o homem perdido no mundo sob o poder da técnica e dos valores econômicos, de estímulo à capacidade

de reflexão que o oriente a um encontro consigo e com o outro — o outro anulado quando os

homens anularam a si mesmos na negação da reflexão. Esses dois encontros, nada casuais, mas como um compensar de contas, transfiguram-se na vida real em ideais de igualdade em níveis sociais amplos e restritos; dão origem a projetos resultantes de sistematização de ideias de convivência harmônica entre todos. Para tanto, fez-se necessário lançar um olhar diferenciado sobre os antes incapazes, desprovidos de condição própria, os discriminados por suas diferenças em todos os níveis possíveis de serem encontradas. Assim, parece-nos que dois objetivos são alcançados em um só: O homem encontra a si mesmo ao refletir sobre sua conduta, tentando desvincular-se de sua natureza egocêntrica ao olhar para o outro e, ao fazê- lo, traz de volta esse outro que seu irracionalismo excluiu, relegou à margem do sistema.

Tais indivíduos se colocam diante dos demais como portadores de um esclarecimento, um entendimento elevado que os conduziu a uma reflexão capaz de gerar alterações na maneira de encarar o progresso. Obviamente não deixamos de reconhecer o valor dessas concepções e a força de sua influência em muitas mudanças já percebidas na vida de todos nós. As reflexões desenvolvidas nesse texto não tencionam anular o valor das evoluções reais ocorridas principalmente no campo de ação dos direitos humanos. O nosso objetivo consiste em observar se a espécie de esclarecimento de que se dizem portadores não se trata de mais um desdobramento do poder e controle descrito anteriormente. Consideramos importante analisar as verdadeiras implicações dessa mudança de paradigma, verificando o desenvolver de sua extensão, as manifestações objetivas e subjetivas advindas dos planos traçados e os resultados que esses produziram.

Uma das manifestações dessa mudança encontra-se no argumento inclusivista, cujas raízes já se estenderam a todos os níveis da sociedade. Embora originado nos discursos dominantes, as grandes massas se apropriaram do mesmo argumento, ainda que não lhes interesse refletir acerca das conveniências dos governantes em apregoar a igualdade social, bastando entender que estão rumando para sua conquista. Contudo é de nosso interesse refletir criticamente acerca dos sistemas inclusivos criados pela sociedade atual, verificando o

sentido da ideia de inclusão na sociedade esclarecida contemporânea e quais as

ainda, quais os sentimentos produzidos naqueles sujeitos suscetíveis dessa compreensão esclarecida que “inclui a todos”.

Entendemos que é preciso aprofundar a discussão acerca dos “outros da inclusão”, atentando para as suas impressões ao serem alocados nos sistemas inclusivos, as implicações da atenção diferenciada e as consequências do caráter especialista das instituições e de seus profissionais a que estão submetidos. A análise em torno desse outro será efetuada sob dois enfoques: o outro produzido pela inclusão, por ela estigmatizado com uma segunda natureza, a natureza do excluído. “um outro que se determina e se estabelece a partir da relação nós- eles” (SKLIAR, 2003, p. 36). O sujeito sob o segundo enfoque trata-se daquele outro que não é outro, mas é idêntico a todos na essência de sua humanidade, possuidor dos mesmos “deuses e demônios” que qualquer ser humano, mesmo sendo identificado por alguma diferença física, intelectual, cultural ou social; o outro visado pela inclusão, mas só encontrado fora dela. Ambos os casos, trata-se de representações, muitas vezes atribuídas a um mesmo indivíduo como ser físico em um determinado tempo e espaço. É nas instituições especializadas e inclusivas que encontramos a motivação para construirmos a nossa discussão em torno do outro produzido pela inclusão; e é fora delas, dos seus limites de controle, que buscamos refletir sobre o segundo outro real.

Cabe então o seguinte questionamento por parte do leitor crítico: quem poderia falar dos sentimentos desse outro real senão ele mesmo? Qualquer olhar de fora, por mais próximo de sua realidade interior faltaria com a essência daquele que sente no corpo e na mente as impressões das tentativas alheias de reconhecimento de sua alteridade. Só ele é capaz de olhar para dentro de si e verificar se são ou não coerentes com aquilo que realmente é. Só ele sabe dizer precisamente quais condutas verdadeiramente reconhecem sua humanidade. Destacamos que apesar de essa pesquisadora ser considerada como um dos sujeitos dessa inclusão, ela jamais seria a porta-voz de todos os demais pertencentes aos diferentes, já que cada um possui um nível de compreensão acerca dos mecanismos externos que o rodeiam, além de possuir histórias e culturas particulares que determinam sentimentos distintos, levando em conta ainda a natureza e o grau de sua “diferença”.