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9. Münferit Olarak BaĢlanılan Farz Namaz Esnasında Ġktidâ‟ya Niyet Etme
Também vamos usar para comparação os elementos que o autor José Furtado (2006) apresenta como affordances dos suportes. O autor usa a classificação de affordances do livro, estabelecida por Abigail J. Sellen e Richard Harper. As affordances são propriedades físicas do suporte livro e dos tablets que possibilitam a ação de ler, e essas características são únicas. São essas características peculiares de cada suporte que também vamos usar como matriz de comparação.
A primeira affordance que Furtado (2006, p.140) apresenta do livro é a tangibilidade: Ao lermos um livro, termos a experiência do texto usando tantos os nossos olhos como as nossas mãos. Quando um documento é em papel, podemos ver a dimensão, manusear as páginas para calcular o seu tamanho, podemos dobrar o canto de uma página enquanto procuramos outra seção do texto. Essa tangibilidade está ligada a própria materialidade dos suportes. O livro impresso permite uma noção maior de tangibilidade, as páginas físicas e “independentes” ajudam nessa questão. Nos e-books, alcançar essa affordance é mais difícil, a emulação das páginas é geralmente a estratégia mais usada pelos designers, mas não é a das mais úteis. Nesses casos, é comum ocorrer “problemas contextuais, como a percepção da localização no interior de um documento ou a perda da memória espacial” (FURTADO, 2006 p. 142). Essa noção do “tamanho” do conteúdo dá uma segurança a esse leitor. Quando tomamos um livro nas mãos já temos uma primeira ideia da quantidade de conteúdo que temos à disposição. Alguns são bem finos, outros são compostos por uma grande quantidade de páginas. Essa noção de quantidade aproxima o leitor à prática da leitura concentrada.
A segunda affordance do livro destacada por Furtado é a flexibilidade espacial. “Os documentos em suporte de papel permitem ao leitor interagir com mais de um texto simultaneamente. Vários documentos podem ser dispostos de um modo muito próximo numa mesa de trabalho” (FURTADO, 2006, p. 140). Essa característica do livro pode ter sido um dos diferenciais que popularizaram esse suporte. Se antes, na época dos rolos, o manuseio de vários exemplares era uma dificuldade, com os livros isso foi facilitado, pois não era mais preciso desenrolar todo o rolo toda vez que fosse buscar uma nova informação, bastava marcar a página do livro e abri-la sempre que necessário.
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Essa affordance também pode ser identificada no iPad ou no Kindle25, mas a flexibilidade espacial dos tablets está dentro da própria rede. Quando lemos na tela a possibilidade de links e hipertexto faz essa flexibilidade ser quase infinita. Podemos buscar referências em outras obras com um simples clicar. Antes, então, era possível abrir vários livros na mesa de estudo e mesmo assim ficava restrito ao número possível de livros que a mesa suportaria. Agora é possível ter ao dispor muito mais “livros” ao mesmo tempo. A passagem de uma obra para outra, nos tablets, pode ser mais difícil que entre um livro e outros abertos na mesa, mas, mesmo assim, ainda há flexibilidade.
A manipulação é a terceira affordance destacada por Furtado. Os livros são feitos de um material que pode ser modificado com facilidade, o papel. “É fácil para os leitores de um livro impresso anotar e acrescentar apontamentos [...] muitas vezes os leitores escrevem um documento à medida que lêem” (FURTADO, 2006. p. 140). A prática de leitura “individual”, “solitária”, favorece essa prática de anotar enquanto se lê, e não só em livros. As fotocópias, tão comuns entre os estudantes de todos os níveis, são um ótimo exemplo, de como é possível fazer anotações, destacar trechos, rabiscar, fazer quase todo tipo de intervenção, sem danificar a obra original. Além disso, podemos fotocopiar só alguns capítulos das obras, juntar no mesmo calhamaço de papel trechos de várias obras, criar uma obra híbrida totalmente exclusiva e ainda acrescentar anotações ao longo dessa obra híbrida.
Na tela dos tablets, essa manipulação é um pouco mais difícil, mas novamente temos que levar em conta em que contexto ocorre essa comparação. Nos tablets, por exemplo, destacar trechos, como se faz com os marca-textos analógicos, é um pouco mais difícil. Mas, em contra partida, a cognição dos usuários de tablets permite destacar, anotar, realçar trechos de outras formas. No Kindle, os leitores têm à disposição a possibilidade de criar bookmarkers, que são marcações ao longo do arquivo que funcionam como atalhos. Ao criar um bookmarkers em alguma página, é possível facilmente retornar para a mesma com um clique. Isso é uma forma de interagir com o texto, uma forma de manipular.
Furtado também destaca affordances que dão “vantagens” aos tablets em relação aos livros. São características próprias dos suportes eletrônicos de leitura que facilitam a experiência de leitura de forma única. A primeira vantagem dos dispositivos eletrônicos dedicados à leitura é o armazenamento e acesso a grandes quantidades de informações.
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Dependendo do modelo o Kindle, por exemplo, pode armazenar na sua memória26 milhares de livros. Muitas vezes, a memória de um Kindle pode ter muito mais “livros” que uma biblioteca de pequeno porte, vantagem também apresentada pelo iPad. Além do mais, esses dois dispositivos (dependendo do modelo) possuem acesso à internet, o que estende muito mais a capacidade de armazenamento.
No livro, isso simplesmente não ocorre devido a sua própria estrutura. O conteúdo do livro é restrito ao seu suporte, portanto, todo o conteúdo possível que um livro pode apresentar já está nele. O que é novo é a atualização que cada leitor faz do texto.
O leitor de um livro ou de um artigo no papel se confronta com um objeto físico sobre o qual uma certa versão do texto está integralmente manifesta. Certamente ele pode anotar nas margens, fotocopiar, recortar, colar, proceder a montagens, mas o texto inicial está lá, preto no branco. já realizado integralmente. (LEVY 1996, p. 39)
Como cada leitor faz as ligações semânticas dentro da própria memória com outras obras e com toda a sua bagagem intelectual, a leitura é sempre algo novo. Mas o conteúdo do livro é estático, bem diferente dos tablets que tem acesso ao conteúdo dinâmico da rede. O livro só armazena aquilo que as suas folhas comportam, nem mais nem menos. Mesmo com a manipulação e a possibilidade de acrescentar notas nas bordas brancas, ainda assim esse acréscimo de conteúdo não é nem próximo do que é possível armazena em um tablet.
Dentro da affordance do armazenamento cabe também a questão da atualização. Com os livros virtuais é muito mais simples fazer atualizações do conteúdo. Caso algum conteúdo esteja errado ou faltando alguma parte, um simples download pode resolver. No entanto, se esse mesmo problema acontecer com um livro físico, essa ação fica um pouco mais complicada de ser realizada. Será preciso esperar um nova edição da obra para que tudo seja consertado e, mesmo assim, surge outro problema: teremos dois objetos físicos que têm quase o mesmo conteúdo. Nos e-books, essa substituição não existe, há somente um acréscimo.
Os e-books têm ainda a vantagem de serem multimídia, não só no conteúdo, mas na própria interação homem-máquina. Alguns livros eletrônicos têm o seu conteúdo montado com hipertextos, que podem trazer textos com sons, imagens, vídeos, etc. Essa prática de leitura, tão própria do leitor imersivo, mostra que os tablets estão mais coerentes a esse leitor. Os livros impressos também podem ser multimídia, já que ilustrações e imagens também são formas de multimídia. Outros recursos também são muito utilizados para agregar
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Em informática, memória são todos os dispositivos que permitem a um computador guardar dados, temporariamente ou permanentemente. Memória é um termo genérico para designar componentes de um sistema capazes de armazenar dados e programas.
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características multimidiáticas aos livros impressos. Muitas publicações vêm com recursos sonoros, como CDs e MP3s, que devem ser acionados quando sua leitura chega em determinada página do livro.
Há ainda tentativas de interação, com recursos em algumas publicações, como aquelas voltadas para o público infantil, que trazem partes móveis que são manipuladas de acordo com o estímulo que a criança provoca. No entanto, esses recursos não representam uma verdadeira definição de multimídia. Podemos dizer que se trata de uma “multimídia analógica”, já que não há uma verdadeira junção dos conteúdos, diferente do elo nos e-books, nos quais os conteúdos diversos estão imbricados e suas fronteiras se desfazem.
Os e-books têm outra vantagem que Furtado chama de Full-text: a capacidade de pesquisas rápidas dentro do conteúdo. “As pesquisas por palavras-chave possibilitam aos leitores encontrar rapidamente informação específica em documentos de grande dimensão.” (FURTADO, 2004, p. 141). A seguir, apresentamos um “quadro-resumo” (Quadro 2) das affordance descritas por Furtado (2004) que serão levadas em consideração na análise deste trabalho.
Quadro 2 – Sistematização das características que compõe as affordances de um livro
Affordances
Tangibilidade Está relacionado a manipulação do suporte. O modo como o leitor utiliza e percebe as propriedades físicas do suporte.
Flexibilidade espacial Tem relação com a possibilidade que os suportes permitem quanto a seus usos de formas variadas.
Manipulação É a qualidade do suporte que permitem ou não a manipulação do seu
conteúdo, seja destacando, acrescentando, etc. Armazenamento e acesso a
grandes quantidades de informações.
Está relacionado a capacidade de aumento do conteúdo que o suporte permite.
Questão da atualização A facilidade ou não que suportes permitem corrigir erros e acrescentar novas partes ao conteúdo.
Full-text A possibilidade de se fazer buscas dentro do conteúdo da obra.