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5. AkĢamın BitiĢ Vakti
Como dito anteriormente, não podemos deixar lado e negligenciar o fato dos e-books serem uma mídia híbrida. Eles têm um pé no impresso e outro no digital. Muitas vezes os e- books trazem consigo características do impresso e do mundo da internet. Por isso, padrões definidos do webdesign são absorvidos e utilizados nos e-books.
Uma das principais características a ser levada em consideração em um projeto de webdesign é a usabilidade, ou seja, o que define o quão fácil é para o usuário utilizar uma determinada interface. Ela não é um conceito exclusivo do webdesign, qualquer sistema, aparelho, produto e etc. que seja utilizada por pessoas tem um nível de usabilidade, que pode ser boa ou ruim. Para o design de interface a usabilidade está ligada a alguns pontos chaves.
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Componentes múltiplos que precisam estar presente no design ainda no momento do projeto. Segundo Memória (2005), para uma interface ter uma boa usabilidade ela precisa: ser de fácil apreensão (o sistema precisa ser simples a ponto de usuário aprender de forma rápida e intuitiva); eficiente na utilização (para que, depois de aprendido a dinâmica do sistema, o usuário possa aproveitar ao máximo o que ele oferece); fácil de ser recordado (a facilidade de usar o sistema precisa ser feita no nível que o usuário aprenda realmente a dinâmica do sistema, é preciso acrescentar à cognição do usuário o novo aprendizado); ter poucos erros (experimentar e fazer testes para que erros do sistema não atrapalhem a experiência do usuário); subjetivamente agradável (está ligado com a satisfação da experiência de utilização do sistema pelo usuário).
Essas diretrizes sugeridas pelo autor precisam ser seguidas caso se busque a melhor experiência de usabilidade possível em um site, mas podemos também buscar essa usabilidade quando falamos na experiência de leitura de e-books, afinal a lógica de “interface” é a mesma. Podemos levar em conta ainda a questão da “cultura do digital” que os suportes trazem, pois o usuário/leitor, ao utilizar os suportes digitais, recorre a sua cognição que está ligada a cultura da internet. Sendo assim, utilizar o princípio da usabilidade no momento do projeto de e- books pode ser coerente.
Segundo Memória, o design de projetos para web precisa ser centrado no usuário. Parece uma obviedade desnecessária ressaltar esse aspecto, no entanto, muitos designers, no momento do projeto, priorizam o funcionamento dos sistemas do que a usabilidade. O foco das soluções propostas, muitas vezes, está mais ligado ao desempenho dos suportes do que na experiência do usuário. Podemos dizer que isso muitas vezes está relacionado ao “encantamento” que as tecnologias trazem para as pessoas. Muitas vezes busca-se um diferencial focado na tecnologia para determinado produto quando seria muito mais fácil focar na usabilidade da experiência para chamar a atenção. Alguns críticos dos e-books apontam justamente isso como um desvio de foco. A maioria dos aplicativos pra leitura de e- books trazem opções como compartilhamento de trechos das obras nos perfis das redes sociais, a crítica está justamente nesse encanto com a tecnologia. Os críticos não veem a real relevância de tal característica para a leitura. O leitor realmente estaria interessado em poder fazer isso? Isso não estaria muito mais atrapalhando a experiência da leitura? Essas são as perguntas que alguns críticos propõem sobre o uso das tecnologias na leitura dos e-books, pois para eles ainda não está muito claro se essas funcionalidades atraem mais leitores para o
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mundo dos e-books. Muitas vezes o foco está na tecnologia e não no principal, que é o conteúdo.
O próprio Memória também deixa claro que é preciso focar no conteúdo, afinal, é o principal recurso que um usuário busca em um site, no entanto não é possível deixar de lado os outros aspectos.
Como veremos a seguir, um produto bem projetado envolve muito mais do que apenas um conteúdo de qualidade. Questões como facilidade de uso, desempenho e design gráfico também são importantes. A satisfação subjetiva, a “agradabilidade”, tanto estudado por Donald Norman, também faz parte desse todo. O conjunto resultante de todos esses fatores, mais a questão do flow, ou seja, da fluidez e imersão total, tem a capacidade de gerar aquilo que podemos chamar de “experiência perfeita”. (Memória, 2005, p. 10)
A partir dessa definição do autor podemos relacionar três pontos com a questão dos livros e e-books. O primeiro é a questão da “facilidade de uso”, o segundo a da “agradabilidade” e por último a “experiência perfeita”. A facilidade de uso dos e-books está ligada diretamente à facilidade do uso dos próprios tablets, já a facilidade do uso dos livros está ligado ao próprio livro. Isso já mostra como é válido o uso da materialidade como viés de análise. O fato de se acreditar que estamos falando do mesmo produto, o livro – seja impresso ou digital, pode nos levar a acreditar que a noção de facilidade de uso seja a mesma pra ambos.
Podemos levantar nesse ponto a questão da emulação dos livros impressos nos e- books, na qual o formato do livro está ligado com a facilidade de uso do impresso. Quando esse formato é transportado diretamente para o digital pode ser que esta facilidade existente não funcione, gerando na verdade um efeito totalmente oposto do buscado. A construção do conteúdo tem que levar em consideração a facilidade de uso de cada suporte, para assim melhorar o segundo ponto de comparação, a “agradabilidade”. O autor fala da “agradabilidade” de um site, sendo a busca pelo maior conforto do usuário no uso da interface. Com os livros e os e-books há a mesma busca, sendo que no impresso essa “agradabilidade” já está consagrada e “naturalizada”, como já foi dito anteriormente. Já no caso dos e-books, essa “agradabilidade” ainda está sendo construída, seja copiando o formato dos livros impressos, ou fazendo testes a partir das funcionalidades dos suportes tecnológicos. O terceiro ponto é o que o autor chama de “experiência perfeita”, que poder ser entendido como o que estamos chamando de “experiência de leitura”, ou seja, quando são dadas ao leitor as ferramentas mais adequadas, de acordo com cada suporte, para uma leitura agradável. No livro impresso essa experiência de leitura já está definida, são anos de cultura
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do impresso, suas diretrizes e padrões já estão estabelecidos. No livro digital várias experiências são apresentadas ao leitor/usuário, ainda estamos na fase de experimentações, nada ainda está muito bem definido. A materialidade do suporte, que no impresso é tão bem conhecida e experimentada, no digital ela ainda é muito recente.
Já falamos sobre o hibridismo dos e-books, um produto que pode ser “confundido” tanto com um livro impresso como com uma interface digital. Pode ser encarado como uma simples emulação de um livro ou como um software aplicativo. Sendo assim é possível analisar aspectos de influência, tanto da cultura do impresso, quanto da cultura da internet, tanto do design gráfico, quanto do webdesign.
Segundo Memória, há uma série de “normas e boas práticas” (2005, p. 52) que podem ser seguidas para que o projeto de site seja bem sucedido quanto à usabilidade. São modos de apresentação do conteúdo que facilitam a experiência de uso. Formas de organização da página que diminuem o estranhamento do usuário. Segundo o autor, essas boas práticas começam respondendo três perguntas básicas do usuário “onde estou?”, “onde estive?”, “onde posso ir?”. São três perguntas simples, que na verdade estão ligadas a indicações espaciais dentro da página.
Podemos fazer uma relação direta com nossos balizadores de leitura, que servem para guiar o leitor nas páginas do livro. O autor fala sobre sites e homepages, mas podemos utilizar a mesma definição para os e-books, nesse caso também é necessário o uso dessas indicações, pois a referência de espacialidade que o livro impresso traz, perde-se na digitalização. No caso de sites e portais, as indicações são feitas com links, botões, menus. No caso dos e-books, temos alguns outros modos de indicar. Pela própria característica híbrida, é preciso pensar além de simples botões e links. O desafio do designer é associar os padrões da internet com os indicadores do impresso.
Outro item que é de extrema importância para uma “experiência perfeita” é a legibilidade. Segundo Jakob Nielsen (2000), de nada adianta buscar o melhor design, a melhor tecnologia, e o melhor conteúdo, se o usuário não consegue ler os textos. Assim como na busca por uma “experiência perfeita” há normas e regras a serem respeitadas, a legibilidade pode ser alcançada seguindo-se algumas normas.
Segundo Nielsen, para garantir a legibilidade os websites devem usar cores em alto contraste entre fundo e texto. Ainda segundo o autor “a legibilidade ótima requer o texto preto em fundo branco” (NIELSEN, 2000, p. 125). O contraste negativo, texto branco sobre fundo preto, também alcança o mesmo resultado de legibilidade, no entanto essa combinação
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desacelera o ritmo de leitura. Para o autor, o uso de outras combinações cromáticas prejudica a legibilidade, por isso os designers têm que redobrar a atenção no momento do projeto quando for optar por outras cores para produzir contraste. A legibilidade também é melhorada quando se usa cores lisas ou “padrões de cores extremamente sutis” (NIELSEN, 2000, P. 126), o uso de elementos muito complexos como fundo das páginas gera ruídos que dificultam a legibilidade. É preciso pensar a questão do tamanho dos textos. Letras muito pequenas dificultam a leitura e afastam o usuário das páginas.
Segundo Nielsen, deve-se evitar ao máximo modificar o texto. O autor recomenda manter o texto imóvel, modificações como piscar, dar zoom, ou mesmo mover o texto, interferem na legibilidade. Textos pequenos com no máximo 10pts, quando expostos em tela, devem ser apresentados em fontes sem serifa. Para o autor os pequenos detalhes das serifas não são bem apresentados pelos pixels das telas. Isso é o oposto das recomendações, quando falamos de texto impresso.
A legibilidade não é uma característica exclusiva do webdesign, ela precisa ser alcançada nos livros impresso, bem como na maioria do material que precisa ser lido. Mas quando o autor fala especificamente da legibilidade para sites, é quase automático fazermos um paralelo com os e-books e os livros impressos. Ambos necessitam de uma perfeita legibilidade. Os livros impressos têm a legibilidade alcançada no contraste entre o papel e as tintas, seguindo a teoria de Nielsen, quanto mais alvo o papel usado, maior a legibilidade alcançada. Essa é uma das primeiras críticas que surgiram sobre os e-books, pois dizia-se que na tela era impossível conseguir a mesma legibilidade de uma página impressa, por isso os leitores iriam se cansar muito mais fácil ao ler livros eletrônicos. Mas como já foi dito aqui, a legibilidade do papel é tão boa quanto a de uma tela com contraste de preto sobre branco.
Outro ponto interessante que podemos fazer um paralelo é com relação à manipulação do texto. Segundo Nielsen, deve-se evitar a manipulação do texto, pois isso prejudica a leitura. No entanto, essa possibilidade tecnológica – manipular o tamanho das fontes – muitas vezes é explorada em demasia pelos designers no momento do projeto de um livro digital. Contraditoriamente esse sempre foi um dos pontos de defesa dos e-books, na medida em que essa possibilidade tecnológica poderia dar maior liberdade de criação e inovação no design dos livros. Novamente, vemos o uso do design com foco na tecnologia dificultando a experiência da leitura. Nesse sentido, pretendemos no capítulo a seguir, que trata das estratégias e dos procedimentos metodológicos, analisar quais os elementos que podem
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enriquecer a experiência de leitura, levando em consideração materialidade do suporte analisado, e se, de fato, estão sendo utilizados em todo o seu potencial.
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3 DAS ESTRATÉGIAS AOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Os resultados deste trabalho serão baseados na descrição, análise e comparação de uma mesma obra em três diferentes suportes de leitura: livro impresso, iPad e Kindle. Nesse sentindo, é importante ressaltar que toda a estrutura teórico-metodológica desta pesquisa está centrada na teoria das materialidades da comunicação, “que propõe uma visão teórica menos antropocêntrica, menos anti-tecnológica e menos hermenêutica” para os estudos da comunicação. (SANTAELLA et al, 2012, online). Felinto afirma que o método de trabalho da materialidade “é eminentemente descritivo e não-interpretativo; seu foco são os meios e as instituições que deles fazem uso; seu campo é a materialidade histórica da época em pauta (sempre percebida a partir do prisma de seus discursos e tecnologias dominantes)” (FELINTO, 2006, p. 62).
Neste capítulo, vamos apresentar primeiramente os padrões balizadores de leitura consagrados do livro impresso como elementos para uma análise comparativa, a fim de verificar se esses mesmos balizadores se adequam aos livros eletrônicos, levando-se em consideração a materialidade dos suportes. Em seguida, serão apresentados os principais elementos que influenciam a atividade de leitura nos e-books e que também serão levados em consideração em nossa análise. Por fim, apresentaremos os procedimentos metodológicos adotados nesta pesquisa e os critérios de escolha das obras analisadas.