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Inserida no contexto da terceira fase do jornalismo esportivo, a presente pesquisa tem como objeto de estudo o programa Globo Esporte, transmitido pela Rede Globo de Televisão. No ar desde 14 de agosto de 1978, a atração começou apostando no formato de programa de notícias esportivas. Embora o apresentador Léo Batista não aparecesse em uma bancada, ele emprestava um toque formal ao noticiário por meio da leitura do texto pelo telepromper74. A primeira reformulação veio em 2001, quando Sidney Garambone assumiu o posto de editor chefe da atração. “O Globo Esporte muda o formato, adotando mais criatividade e leveza nas matérias. Uma mistura para juntar os apaixonados e os que não se interessam muito pelo esporte75”, revela o trecho extraído do histórico disponível no site do programa na internet.

A segunda grande alteração seria feita em 2008, motivada pela comemoração dos 30 anos, e, especialmente pela queda nos índices de audiência. De acordo com Rangel (2008), entre 2005 e 2008 o programa foi sucessivamente derrotado no Ibope pelo seriado mexicano Chaves, do SBT. “Diversos motivos levaram a esta situação, principalmente o formato engessado da atração e a nacionalização da notícia esportiva”, ressalta a autora (RANGEL, 2008, p. 3). Até passar pela reformulação de 2008, o Globo Esporte era apresentado do Rio de Janeiro, em rede nacional, por Milena Ceribelli e Léo Batista. Apenas São Paulo e Belo Horizonte contavam com edições locais do programa76. “(...) segundo Renata Cuppen, atual editora de texto (...), a linguagem era ainda muito dura, apenas uma troca de câmera, o que deixava o apresentador muito estático com o chroma key77no fundo”, afirma Rangel (2008, p. 3). Por isso, no começo de 2008 a direção da Rede Globo decidiu apostar na nacionalização da notícia esportiva e levou todo o Globo Esporte para a rede a partir do Rio de Janeiro. A intenção era conceder ao programa um caráter de Jornal Nacional78 para o assunto esporte.

Veio, então, um novo cenário que permitia a mobilidade dos apresentadores Tino Marcos e Glenda Kozlowski. Elementos como televisão de plasma, telão, chroma key e outras

74 Segundo Paternostro (1999, p. 51), telepromper ou TP “é o aparelho que permite a reprodução do script sobre

a câmera, facilitando a leitura”. Com ele, não há mais a necessidade de o apresentador baixar os olhos para ler.

75 Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/ESP/Programa/GloboEsporte/0,,4723,00.html>.

76 Nas outras praças, as notícias locais eram apresentadas em um dos blocos da versão nacional do programa, o

que muitas vezes provocava uma situação inusitada, já que o telespectador assistia duas vezes à mesma matéria.

77 Trata-se, segundo Squirra (1989, p. 162), “da possibilidade técnica que permite eliminar as informações

visuais contidas num cenário em uma das cores básicas, normalmente o azul. Com isso, é possível fazer fusão apenas das partes das imagens que nos interessam, superpondo-as a outra imagem gerada por outra câmera”.

variações estéticas tornavam mais dinâmica a chamada das notícias. O novo formato, no entanto, não reverteu a tendência de queda na audiência, especialmente no estado de São Paulo. “(...) foi justamente nesta época que o programa de esportes diário (...) sofreu os piores índices de audiência da história (...) na Grande São Paulo”, argumenta Rangel (2008, p. 3).

Para um programa curto e rápido (...) de apenas 23 minutos (...) e tendo que falar em rede, para um público abrangente e sobre vários times considerados importantes, as matérias tinham que ser sempre muito pequenas, algumas mais trabalhadas como as de jogo, tinham em média 1’10” ou 1’30” no máximo. O Globo Esporte passa por uma crise sem precedentes (...) Sentindo a pressão da queda de audiência, a (...) TV Globo resolve apostar em um outro formato, com uma versão produzida somente para (...) São Paulo, sob o comando de (...) Tiago Leifert. (RANGEL, 2008, p. 3). Assim, em 2009, o Globo Esporte passou a ter duas edições: uma apresentada diretamente de São Paulo e outra produzida no Rio de Janeiro e apresentada para todo o Brasil. A versão paulista do programa não apenas reverteu a queda nos índices de audiência como superou, em termos de aceitação do público, o formato nacional. O estilo despojado do apresentador Tiago Leifert, que aboliu o telepromper e mudou o tom para algo parecido com uma conversa com o telespectador, chamou a atenção da audiência. “Antes parecia que era tudo muito ensaiadinho, combinado e acertado, e agora a gente tenta de tudo para que seja espontâneo, porque todos os repórteres sabem do que estão falando, não precisa ser ensaiado”, argumentou o jornalista em entrevista à Rangel (LEIFERT apud RANGEL, 2008, p. 4).

O novo Globo Esporte trazia matérias mais longas, de cinco minutos de duração, e propunha uma drástica ruptura no estilo de narrativa que até então vinha sendo praticado pelo jornalismo esportivo. Com a ênfase no infoentretenimento, os elementos essencialmente jornalísticos foram gradativamente sendo substituídos. “Quando falamos de esporte no nosso dia-a-dia, geralmente no final de semana ou no happy hour com os amigos, a gente quer se divertir. A gente tenta colocar isto nos textos do programa”, explicou o apresentador à Rangel (LEIFERT apud RANGEL, 2008, p. 4). A partir dessa nova linguagem, ganharam mais espaço os acontecimentos que, em princípio, não teriam qualquer relação com os esportes de competição. “São matérias que tem um cunho mais comportamental. Na edição do dia sete de julho de 2009, foi para o ar uma matéria (...) sobre o Agility, que é praticamente uma competição de hipismo para cães. (...) Puro entretenimento”, afirma Rangel (2008, p. 6).

Satisfeita com a audiência obtida em São Paulo, a Rede Globo optou por repetir a fórmula de uma edição regional em outros sete estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Ceará. A partir de 16 de maio de 2011, em vez de

noticiar os acontecimentos locais em um bloco curto (até sete minutos) do Globo Esporte nacional, essas praças passaram a produzir as suas próprias edições do programa79, com uma média de 23 minutos de duração. No Rio Grande do Sul, a RBS TV, afiliada da Rede Globo, escolheu os apresentadores Paulo Brito80 e Alice Bastos Neves para comandar a edição local.

De acordo com Sousa (2005, p. 116), todas as mudanças editorias por que passaram o Globo Esporte estavam em sintonia com as transformações da esfera esportiva e com as alterações da sociedade consumidora de notícias. “O público (...) deixou de ser majoritariamente adulto e masculino. As novas demandas passaram a fazer parte dos critérios de seleção adotados para a notícia esportiva, culminando com o modelo editorial atualmente em vigor”. Esse modelo refere-se a um programa de notícias esportivas de 23 minutos, com ênfase nos acontecimentos locais e que vai ao ar de segunda-feira a sábado entre 12h45min e 13h20min. Para atender à demanda por informações nacionais e internacionais, as praças recorrem à Agência Globo Esporte, que concentra toda a produção dos repórteres de rede.