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UYGUN KALİTE

2.1.3.4. Müşteri Tatmini Kuramları

O sindicalismo brasileiro apresenta como uma de suas características estruturantes a pré-definição pelo Estado de sua organização e estrutura previstas em legislação. Esse regramento atende aos interesses do Estado no controle dos trabalhadores, que se utiliza entre outras coisas da divisão categorial e territorial para impor uma base de fragilização às suas lutas coletivas.

Essa intervenção do Estado é consolidada durante a Ditadura Vargas com a promulgação de leis trabalhistas44, tendo por base ideológica o populismo corporativista, cujo efeito mais significativo para a classe trabalhadora brasileira foi a incorporação de grande parte dos trabalhadores ao projeto político hegemônico do populismo, que entre outras coisas pregava a colaboração de classes como estratégia para o desenvolvimento social e econômico do país.

O processo de incorporação viabilizou-se pela repressão da ditadura Vargas aos sindicatos independentes, fundamentalmente os sindicatos anarquistas e comunistas, deixando aberta a possibilidade de implementação do modelo sindical, a grosso modo mantendo seus pilares básicos até os dias atuais.

Ao promover a definição de uma institucionalidade jurídica no momento em que se preparava o país para uma mudança substancial do seu perfil econômico, garantiu à ditadura Vargas a oportunidade de ver crescer o operariado fabril e urbano de forma geral sob as determinações do regramento estabelecido pela legislação de inspiração fascista. Um significado importante disso foi a consolidação da figura de Getúlio Vargas como o “pai dos pobres” pela criação de um direito social elementar extensivo ao Brasil urbano, num período em que talvez a sociedade civil brasileira não dispusesse de força coletiva para crer que poderia lutar por ele. Esta é, sem dúvida, uma proposição polêmica, já que aparentemente estaríamos descartando a história de lutas sociais que eram travadas no período da primeira República e mesmo durante a ditadura Vargas, que envolveram em maior ou menor grau a capacidade de organização coletiva do trabalho, mas o fato é que não se pode desprezar o impacto que a promulgação das leis trabalhistas teve sobre o conjunto da classe trabalhadora e particularmente sobre a sociedade brasileira que recém se urbanizava, composto de camponeses expropriados e imigrantes, muitos deles também ex-camponeses em seus países de origem.

Outro componente importante a se considerar, quando tratamos do “sucesso” das medidas de incorporação dos trabalhadores ao projeto político do sindicato corporativista, está no fato de que tal projeto ensejou efetivamente alguma contrapartida para os trabalhadores, ou seja, diante do passado de intensa repressão às demandas sociais, pela república velha, com a hegemonia de um pensamento político de cariz liberal, a institucionalização dos sindicatos perpassava como uma plataforma para conquistas importantes para a classe trabalhadora.

Transforma-se, então, a relação do Estado com os sindicatos, de mero repressor das demandas dos trabalhadores para uma estratégia de incorporação das organizações sindicais,

44 1931: Lei da sindicalização; 1932: Jornada de 8 horas diárias; 1932: Férias remuneradas; 1932: Carteira de

apresentando a retórica da colaboração de classes como indutora de uma ação sindical voltada à colaboração para o desenvolvimento, na qual a nação aparece como o elemento aglutinador da ação. É pelo desenvolvimento da nação que deveriam os trabalhadores colaborar com o Estado e com o capital, camuflando a exploração estrutural do trabalho no sistema do capital.

Assim, quando toma corpo a legislação sindical entre 1931 e 1939, os sindicatos vão paulatinamente sendo enquadrados para uma atuação essencialmente administrativo-burocrática, quase como uma extensão do Ministério do Trabalho.

Com o Estado Novo houve a elaboração de uma concepção da organização e da função do sindicato na sociedade brasileira, que retirou do sindicato, em primeiro lugar, a sua principal arma política, que é a greve; ao mesmo tempo, limitou a atuação política das entidades sindicais à área das relações de trabalho. A partir do decreto de 1939, coube ao sindicato uma atuação essencialmente administrativa, com funções delegadas do Estado. (MARTINS, 1989, p. 48).

Esse processo é marcado por uma série de conflitos que opõem em vários momentos deste período as correntes políticas existentes no sindicalismo brasileiro. Os sindicalistas de diferentes correntes inspiradas no anarquismo e no comunismo colocam-se contrários a qualquer intervenção ou regulamentação estatal, porém, com o avanço da institucionalização, vários sindicatos são criados sob a regulamentação oficial, graças aos benefícios assistencialistas previstos na legislação, o campo sindical afeito à normatização criada para a organização dos trabalhadores. Assim também, alguns sindicatos que eram contrários passam a aceitar a normatização para não correrem o risco de serem extintos.

Quando em 1939, em pleno Estado Novo, o decreto-lei 1402 consolida a legislação sindical, dando-lhe as feições estruturais até hoje em voga, já é bastante clara a diminuição do grau de autonomia sindical e conseqüente aumento do controle do Ministério do Trabalho sobre as entidades sindicais. Isto ocorre através de uma concepção de sindicato como colaborador do Estado no controle social dos trabalhadores e “participação ativa” no desenvolvimento econômico nacional, num período marcado por transformações significativas nas forças produtivas nacionais, que servirão de base para a industrialização nos anos posteriores.

A própria burocratização do sindicato, a racionalização que se estendeu do sistema e o atingiu são indícios de que esse elemento da ideologia capitalista e desenvolvimentista se incorporou à própria atuação sindical e seus programas de trabalho. (MARTINS, 1989, p. 70).

Essa conformação da ação sindical vai ocorrer tanto pela institucionalização dos sindicatos através da legislação (que a partir disso oferecia um conjunto de benesses aos

trabalhadores associados), como da assistência médica e jurídica, por exemplo, que vai proporcionar um significativo crescimento do número de sindicatos no Brasil.

As leis trabalhistas, contraditoriamente, estabeleceram a legitimidade dos sindicatos, protegendo sua existência da perseguição patronal, fato esse que tem um papel relevante na história da classe trabalhadora no Brasil, pois define até hoje os parâmetros da existência, organização e ação sindical. Não se pode negar que tal legislação garante direitos mínimos para os trabalhadores face ao despotismo do capital, criando mecanismos de julgamento não totalmente subservientes aos interesses capitalistas, porque também é necessária uma regulação mínima para a manutenção do mercado.

A legitimidade alcançada pelos sindicatos através da legislação trabalhista tornou-os dependentes do reconhecimento oficial, o que oferecia limites à organização sindical, pois os sindicatos ficavam em última instância, dependentes dos humores do Estado para fazerem avançar ou retroceder os direitos sociais.

Da perspectiva da luta de classes essa legitimidade dependente do Estado, vinculou os sindicatos à ordem social capitalista, tornando-os instituições negociadoras da venda da força de trabalho, e não entidades de representação da classe trabalhadora, tampouco radicalmente antagonistas do capital.

Alia-se a isto as dificuldades do movimento sindical em estabelecer marcos unificados de luta, principalmente decorrentes da repressão desencadeada pelo governo de Washington Luís sobre os anarquistas e comunistas, para compreender como parcelas significativas do sindicalismo livre (principalmente comunistas e os sindicatos amarelos) aderiram, de forma conflituosa e contraditória, ao sistema corporativista. Assim resume Araújo (2002, p. 48):

Foi, portanto, num contexto de dificuldades crescentes para a sobrevivência de suas entidades autônomas e de luta política entre a alternativa liberal-excludente, que se fortalecera com o movimento pela reconstitucionalização, e a alternativa corporativista que lhes assegurava direitos sociais e lhes oferecia um canal de participação direta na redefinição político-institucional do país, que os trabalhadores optaram pela adesão ao sindicalismo corporativo.

Isto é particularmente importante para nossa análise, pois dimensiona a participação contraditória e conflituosa dos sindicalistas formados no período pré-Vargas, que aderiram ao modelo sindical imposto pela ditadura varguista, mas que de certa forma, atendia em parte às necessidades de proteção aos trabalhadores – ainda que parcial – prevista pelo modelo corporativista. Desta forma, o projeto autoritário-corporativo que emerge durante a ditadura varguista, é em grande parte resultado da necessidade do capital de ampliar a base social de

sustentação da ditadura e do controle social, apostando na incorporação de contingentes expressivos da classe trabalhadora nacional ao seu projeto político, que foi em parte possível pela característica “inclusiva” destes trabalhadores ao desenvolvimento industrial promovido pela ditadura de Vargas, garantindo a massificação de direitos sociais e trabalhistas, que em várias categorias profissionais já eram realidade, antecipando-se aos conflitos que poderiam surgir com a expansão industrial.

Para Araújo (2002), a incorporação dos trabalhadores ao projeto populista foi possível pela adesão de setores organizados dos trabalhadores, principalmente vinculados aos chamados sindicatos amarelos e ao Partido Comunista Brasileiro, com destaque para estes últimos, já que segundo a autora a participação dos comunistas no projeto corporativista legitimou este projeto, pois se tratavam de lideranças combativas e respeitadas pelos trabalhadores.

Autores como Martins (1989), afirma que a legislação sindical forneceu os parâmetros aceitáveis pela burguesia para a luta sindical, às vezes mais maleáveis, como na conjuntura 1945-1964, mas sempre de acordo com as necessidades de controle do capital. Todavia nos momentos que o movimento sindical ameaçou torna-se problemático para as forças da acumulação capitalista, a burguesia abriu mão da democracia para instaurar controles mais rígidos sobre o conjunto da classe trabalhadora, como na ditadura iniciada em 1964.

Esse modelo de participação sindical, moldado na Ditadura Vargas, e que atendia às necessidades de controle do proletariado para a acumulação capitalista, sobrevive até o momento, passando mais ou menos incólume pelos governos neoliberais dos anos 1990. Em parte isso é compreensível pela funcionalidade deste modelo de sindicalismo para o capital, e a conformação dos trabalhadores com os ganhos decorrentes do sindicato corporativista, que mesmo nos momentos de redefinições mais amplas no cenário político-estatal (fim da ditadura Vargas e fim da ditadura militar) mantiveram-se os eixos fundamentais do corporativismo, com ampla interposição do Estado no conflito capital x trabalho, atendendo às necessidades do capital.

Essa permanência pode ser conferida tanto através da manutenção da estrutura sindical, que define os parâmetros da luta sindical, como pela adaptação que os dirigentes sindicais realizaram para ampliar o campo das lutas sindicais, extrapolando em alguma medida as determinações originais da legislação sindical, como atestam a criação de centrais sindicais, principalmente a partir da década de 1980, e as manifestações voltadas às transformações nas políticas macroeconômicas do Estado brasileiro, como também o engajamento de setores do sindicalismo rural à luta pela terra, como o exemplo nas Ligas Camponesas na década de 1960, e

dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STR´s) e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agropecuária (CONTAG), na atualidade45.

A perspectiva de investigar na história do sindicalismo brasileiro as continuidades e descontinuidades de sua evolução permite-nos compreender a dinâmica das lutas sindicais como componentes dos conflitos sociais que emergem com as transformações do capital, e que tem na luta de classes o elemento imprescindível da análise. Luta essa que incorporará em maior ou menor grau o movimento sindical como forma de conquistar direitos sociais e trabalhistas e que confere aos trabalhadores o vislumbramento de suas ações coletivas.

Desta forma, as experiências de lutas e estratégias adotadas pelos trabalhadores ao longo da história estão certamente ligadas às suas estratégias de luta atuais, pois não se apagam definitivamente da memória coletiva, sendo incorporadas e reelaboradas para atenderem às necessidades imediatas dos trabalhadores, articuladas às propostas e projetos políticos vinculados ou não a partidos operários.

O novo sindicalismo que surge a partir do final da década de 1970, deve portanto, ser compreendido em suas continuidades e descontinuidades, por dentro da história da classe trabalhadora no Brasil, pois, se de fato o novo sindicalismo apresentou características diferenciadas em relação ao “padrão” sindical existente durante a ditadura militar, e podendo mesmo apresentar-se de forma bastante diversa do sindicalismo pré-golpe de 1964, com influências do PTB e PCB, não se pode ignorar que o novo sindicalismo surge apresentando continuidades em relação ao sindicalismo existente.

2.2 - O Novo Sindicalismo e a Estrutura Sindical

A relação que o sindicato estabelece com os trabalhadores é pautada pelas características do sindicalismo oficial descritas acima, tendo o legalismo como parâmetro ideológico da ação sindical, a capacidade de mobilização dos sindicatos fica à mercê daquilo que é estabelecido em lei, priorizando as disputas institucionais no interior do aparelho judiciário pelo cumprimento da legislação ou através do jogo parlamentar no caso da criação de leis trabalhistas. Além disso, como os sindicatos detêm o monopólio legal da representação dos

45 Sobre o papel da CONTAG nas lutas sociais a partir da década de 1960 e sua continuidade com a CUT nos anos

trabalhadores, ficam dispensados da ampliação e efetiva organização destes trabalhadores para continuarem existindo.

A forma dessa relação dos sindicatos com os trabalhadores produz um cenário de dispersão da capacidade mobilizatória, ou seja, muitos trabalhadores que demandam a luta reivindicativa e que efetivam tal mobilização realizam-na por fora do aparelho sindical, ou quando postulam realizá-la junto aos sindicatos, devem respeitar o rito processual próprio da instituição sindical, com burocracia e organização muitas vezes semelhante às empresas capitalistas e impróprios para fornecer apoio às lutas dos trabalhadores.

A liberalização do controle estatal obtido com a abertura democrática vivida no país no início da década de 1980 permitiu momentâneo crescimento dos segmentos sindicais mais combativos, porém a acomodação que se seguiu aos embates permitiu a manutenção e recriação do peleguismo, isso porque a manutenção do monopólio legal da representação favorece esses segmentos, já que contam com as benesses do conhecimento burocrático e dos interesses do Estado em obstaculizar o crescimento do sindicalismo classista.

O novo sindicalismo foi incapaz de romper as barreiras da estrutura sindical corporativa, e aos poucos foi se acomodando aos parâmetros de luta determinados pelo sindicalismo oficial, mesmo a CUT que surge com uma retórica anti-peleguismo vai aos poucos se acomodando às disputas pelo poder nos sindicatos oficiais, o que a leva à aceitação de muitos princípios da estrutura sindical oficial, abandonando a luta por transformações no sindicalismo de Estado.

O preço pago pelas facilidades e atrativo oferecidos pelo sindicato de Estado foi a contenção do movimento sindical dentro dos limites da política de abertura do governo e de manutenção do arrocho salarial (BOITO Jr, 1991, p. 281)

Para o autor o sindicalismo de Estado é capaz de articular vários elementos: um aparelho sindical, uma ideologia coerente com a organização deste sindicalismo, modalidade próprias de ação reivindicativa, que simultaneamente capta as demandas dos trabalhadores e as transforma em reivindicações pontuais, sem estimular a articulação destas reivindicações com mudanças mais profundas nas relações de trabalho, também esse modelo sindical tem uma base social específica, que comunga dos valores e princípios da colaboração entre as classes.

Tais elementos combinados produzem uma incapacidade crônica de organizar os trabalhadores para lutas mais amplas, que reduzam, mesmo em comparação com outros países, a exploração do trabalho. Além disso, o modelo sindical corporativo e legalista tem um papel importante na formação de lideranças sindicais conformadas ao cenário vigente, criando obstáculos e impedindo o fortalecimento da classe trabalhadora.

As oposições sindicais que surgiram no final dos anos 70 aparentavam surgir contra a estrutura sindical oficial, combatendo o caráter de subordinação dessa estrutura às determinações do Estado. No entanto, no decorrer da década de 1980 essa postura foi se acomodando, e os embates passaram a se circunscrever às direções sindicais.

Alguns autores como Antunes (1993) avalia que o saldo da década de 1980 foi positivo para o movimento sindical brasileiro, pois o ressurgimento das greves como instrumento de pressão e de mobilização é um indicador da combatividade do sindicalismo, que não podia se expressar nos anos de sangue da ditadura militar, além disso, a expansão do sindicalismo atingiu setores dos assalariados médios e do setor de serviços, que não tinham tradição de organização sindical, e que em muitos casos aferiram significativas mobilizações e organização, como no exemplo dos sindicatos de bancários.

O surgimento das centrais sindicais pode ser considerado um indicador deste saldo positivo, segundo o autor, pois representam de certa forma transpor os limites de organização vertical definido pela legislação sindical. Se de um lado as centrais representam um avanço na organização vertical superior, horizontalizando as estratégias de lutas comuns, como no caso das políticas de arrocho salarial, por outro lado alguns sindicatos importantes concretizaram avanços importantes nos locais de trabalho, com constituição de vários tipos de Organizações nos Locais de Trabalho (OLTs). A relativa liberdade e autonomia sindical pode ser sentida, principalmente com a organização dos sindicatos do setor público, antes proibidos por lei, e que apresentaram grande expansão, tanto em termos numéricos (ver Gráfico 8), quanto em termos das mobilizações.

No entanto, a partir do final dos anos 1980 o novo sindicalismo entrou em uma fase regressiva, ou seja, marcada pela crescente incapacidade de mobilização e de manter ou ampliar as conquistas sociais, nesse período a intensificação da crise econômica, com reflexos no nível de emprego, além da internalização da reestruturação produtiva que provocou transformações importantes no proletariado industrial, a ofensiva neoliberal que se fez sentir por todos os meandros da sociedade brasileira, culminando com a eleição de Fernando Collor de Melo e as hesitações da CUT no embate direto ou na montagem de alternativas para enfrentar tal situação, postaram o novo sindicalismo em situação defensiva.

O contexto do início da década de 1990 marca ainda a formação da Força Sindical, como uma dissidência da CGT, rejuvenescendo o peleguismo, dando-lhe roupagem neoliberal, que irá a partir de então polarizar o cenário político ideológico do sindicalismo brasileiro com a Central Única dos Trabalhadores. Por sua vez no interior da CUT embates foram travados sobre as alternativas para o enfrentamento da crise econômica do início da

década de 90, nestes embates a posição hegemônica da Articulação Sindical privilegiou a negociação como estratégia, particularmente tendo o Estado como mediador dos conflitos, como ficou exemplificado nas câmaras setoriais.

As estratégias seguidas pela CUT, que podemos considerar como um dos resultados concretos do novo sindicalismo, colocaram o sindicalismo combativo numa situação de resistência contra as políticas econômicas do Estado brasileiro, porém não lograram estabelecer estratégias para a elaboração de propostas econômicas alternativas, de cunho anticapitalista, ficando a mercê das conjunturas de recessão que se sucederam durante toda a década de 1990 e no novo milênio, isso acabou deixando a CUT entre a ofensiva neoliberal, e seu caráter regressivo no direito social e caráter anti-sindical, e a acomodação social-democrata, que vislumbra a possibilidade da conciliação dos interesses de classe.

De qualquer forma, não podemos esquecer que o novo sindicalismo surge a partir de brechas legais na estrutura sindical corporativa, e que logrou de certa forma avanços em relação ao que esta estrutura comporta, partindo de reivindicações justas e legítimas, relacionadas principalmente ao ambiente econômico recessivo e de arrocho salarial, que o sindicalismo pelego já não conseguia responder satisfatoriamente e nem controlar os trabalhadores que se organizaram para mobilizarem-se.

A partir de sua gênese “extra-sindical”, que depois se constituiriam nas oposições sindicais, e disputariam os aparelhos sindicais, e da forte vinculação com o “chão da fábrica”, o novo sindicalismo trouxe elementos novos para o movimento sindical que foi edificado durante a ditadura militar, com a repressão sobre os sindicalistas combativos da década de 1960, notadamente os sindicalistas de várias correntes da esquerda.

Porém, conforme afirma Blass (1999), é preciso relativizar o peso do adjetivo “novo” para o sindicalismo que emerge das manifestações dos trabalhadores no final da década de 1970, pois isso pode obscurecer o passado de lutas do sindicalismo brasileiro, desde sua origem pré-CLT, até mesmo durante a vigência da estrutura sindical corporativa, em que sindicatos ligados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) lograram incentivar várias manifestações e mesmo com todas as hesitações e equívocos que tenham ocorrido, não se pode ignorá-los.

De qualquer forma o novo sindicalismo, embora tenha tido papel fundamental no renascimento do sindicalismo brasileiro no cenário político, não logrou mudar substancialmente os paradigmas do sindicalismo oficial, pautados no corporativismo e legalismo.