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Krizin işletme üzerindeki olumlu etkileri

As pessoas em mobilidade espacial estão fadadas a viverem em uma situação que as expõe cotidianamente a duas logicas distintas, assim elas são obrigadas a fazer malabarismos com dois sistemas de valores. (BOURDIEU & SAYAD, 1964). Desde os primeiros contatos com uma nova cultura, principalmente a metropolitana, elas têm a sensação de viver no interregno de dois universos diferentes, aqueles nas quais são originárias, cujas normas habituais já não gerenciam mais as situações cotidianas atuais, e as novas normas no qual devem aprender a relacionar-se socialmente no espaço que se encontram.

Dessa maneira, a identidade do migrante encontra-se em ambivalência, enquanto, de maneira consciente, permanecem ligado a sua cultura natal, inconscientemente apropriam-se de uma nova cultura, mesmo que no princípio haja certa rejeição aos novos hábitos adquiridos. Nesse sentido quanto mais o migrante permanecer no local, mais a cultura, de forma osmótica, fará parte de seu cotidiano, o ritmo diário, a noção de tempo e de espaço serão reformuladas em contraste com cultura natal.

Uma das formas mais encontradas nos grupos migratórios para se referir ao lugar de residência é o conceito de comunidade, que diferentemente da convivência

social, é um laço de ordem afetiva, emocional que comporta aspectos de solidariedade

mecânica. Todos os grupos em mobilidade espacial, quaisquer que sejam, apresentam tendências à reconstrução desse tipo de laço, tentando, dessa maneira, manter sua coesão social. (BRITO,2010)

A tentativa de preservar uma maneira comum a todos, tendo a mesma visão de mundo, passa pela criação de diversas redes de ajuda mútua, esse espaço caracteriza-se pela noção de semelhança, relações frequentes interindividuais, estratégia de proteção contra as contingências citadinas, são as causas mais frequentes para a criação de redes sociais.

As redes sociais ajudam o indivíduo a manter-se estável, principalmente em situações de transitividade, onde, rotineiramente existe a privação de laços familiares amistosos e relações profissionais, onde há perda de identidade e de status. As redes sociais contribuem para a preservação da sociabilidade e manutenção das identidades dos migrantes, os laços entre indivíduos que encontra-se em mobilidade humana é uma fonte de escape para a solidão das cidades.

Uma rede consiste em:

Um conjunto de atores ou nós (pessoas, objetos ou eventos) ligados por um tipo específico de relação. Os diferentes tipos de relação correspondem a redes diferentes – ainda que o conjunto de atores seja o mesmo. A rede, porém, não é consequência, apenas, das relações que de fato existem entre outros atores; ela é também o resultado da ausência de relações, da falta de laços diretos entre dois atores [...]do buraco estrutural. (SOARES. 2002: 13)

Em contraste com as relações sociais urbanas que apresentam atributos diferentes das organizações das redes sociais, elas adquirem forma e conteúdo. O conteúdo é dado pela natureza do laço (parentesco, amizade, troca de bens simbólicos, materiais e afetivas); e a forma compreende dois aspectos específicos, a intensidade dos relacionamentos entre atores, a frequência e o grau de reciprocidade dedicado a esses relacionamentos.

Uma rede migratória não se confunde como redes pessoais. Essas redes precedem a migração e são adaptadas a um fim especifico: a ação de migrar. Quando suas singularidades dependem da natureza dos contextos sociais que ela articula, uma rede migratória é, também, um tipo especifico de rede social que agrega redes sociais

existentes e enseja a criação de outras: portanto consiste de uma rede de redes sociais.17

As redes sociais são imprescindíveis para se estudar os fenômenos migratórios, elas são canais essenciais de informação, e determinam a conquista de emprego, moradias etc. Portanto as informações tornam-se um trunfo para os migrantes, que, inseridos em uma rede podem usufruir desse recurso que gera certo poder aos seus detentores.

São as redes de relações sociais que formam parte, e que constroem e que estruturam as oportunidades. É nesse sentido que certas oportunidades estão socialmente determinadas (...) A análise da composição das redes e de suas formas se torna o ponto central porque nos parece a chave explicativa. Em efeito, são esses elementos que abrem e fecham o acesso às oportunidades (RAMELLA, 1995:21)

Podemos considerar que as redes sociais são teias urbanas que integram migrantes e não-migrantes a complexidade dos papeis sociais e relações interpessoais, através de experiências cotidianas. Nessa perspectiva as redes sociais estão na base de uma conexão entre os territórios, tanto os de origem, quanto os de destino. A produção dessas redes está vinculada a um processo histórico de migração, onde a territorialização é a base para o surgimento de grupos de solidariedade mútua, capazes de criar identificação, informação, representações conflituosas, cooperações, redefinições e um pouco de alento aos migrantes e não-migrantes que vivem na urbanidade de forma desconexa.

2.2.1. Redes Sociais e Associativismo em São Paulo

É quase um consenso que a formação do indivíduo está atrelada em categorias relacionais que amalgama sua persona e constrói sua biografia, seja em decisões voluntarias, aspectos herdados ou mesmo em influências determinadas por lugares, regiões, religião e pessoas.

A vida na cidade de São Paulo é, muitas vezes, determinada pelas dimensões excessivas da metrópole, características como migração, cosmopolitismo, mercado de trabalho, são em suma, categorias extremamente atomizadas e impessoais, dessa forma,

17 SOARES & RODRIGUES, Weber, Roberto Nascimento. Redes Sociais e conexões prováveis entre

migrações internas e emigração internacional de brasileiros. São Paulo em Perspectiva. São Paulo, Vol 19, julho/setembro de 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102- 88392005000300006&script=sci_arttext. Acesso em: 11/06/2013.

forças vinculativas como linhagem, sexo, religião, família, etc. ganham nas cidades metropolitanas lugares secundários.

Entretanto, em lugares de exclusão social e segregação as dinâmicas das forças vinculativas tendem a aumentar mostrando mudanças nos relacionamentos sociais e acumulo no capital social

Dessa forma, ainda que sob o acúmulo de fatores que incidem na pobreza, o potencial de solidariedade inerente às diversas dimensões do capital social pode ser atualizado de forma eficiente pela interação de uma série de circunstancias. Nesse sentido, a favela constitui um "microcosmo" à feição para examinar em camadas de baixa renda os efeitos de inclusão social atribuíveis a participação em associações em face da tendência de exclusão oriundas do mercado de trabalho. (LAVELLE & CASTELLO, 2004:79)

A importância das redes sociais e do associativismo estão ligados a uma nova forma em mutação nas sociedades contemporâneas. (CASTELLS, 1999:497), ou seja a compreensão de uma complexa vida social passa pelo estudo sistemático das redes sociais e do associativismo como demostra Martins em “as redes sociais, o sistema de

dadivas e o paradoxo sociológico”.

As redes podem envolver os mais variados setores, elas são fontes cruciais para a transformação e dominação da sociedade. Para Castells as redes possibilitam os fluxos do capital através da inter-relação permitido a sociedade global uma maior fluidez na dinâmica socioeconômica. (1999:497)

A relevância das redes sociais está na capacidade de produção de benefícios para seus membros, seja eles matérias ou simbólicos, desse modo as dinâmicas das relações sociais modelam as estruturas de oportunidades dos indivíduos à medida que o capital social é vinculado entre os relacionamentos interpessoais.

O associativismo e as redes sociais formadas em seu contorno tem, em princípio, a capacidade de amenizar os problemas sociais das pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social, além da produção de alternativas para a sobrevivência nas grandes metrópoles, que, em muitos casos, principalmente de migrantes e aglomerados subnormais excluem, segregam e monopolizam os espaços urbanos.

São Paulo é um grande campo para práticas associativas e desenvolvimento de redes sociais, a cidade abriga um número considerável de projeto em áreas diversas, desde Sociedade Amigos do Bairro (SAB’s), entidades de cunho religioso da mais

diversas, com um número enorme de obras sociais, além de ONG’s, com atuação nacional movimentos como MST (Movimento do Sem Terra), CUT (Central Única dos Trabalhadores), sindicatos como APEOESP (Sindicato de Professores do Ensino oficial do Estado de São Paulo) etc.

Segundo pesquisa realizada por Marques em “Pobreza, sociabilidade e tipos de

redes sociais em São Paulo e Salvador”18, constatou-se que as práticas associativas

paulistas tendem a ser baixas, apenas 12% dos entrevistados declararam vinculo a alguma ação associativa.

Dessa porcentagem 20% declaram-se evangélicas e 63% afirmaram ser católicas, 12% do público entrevistado afirmou não ter religião. Outro dado importante é a presença de migrantes 70% da amostra são migrantes interestaduais, sendo que em sua maioria (72%) chegaram a São Paulo a mais de 10 anos.

Em suma, as redes de indivíduos pobres tendem a ser menores, menos variadas em termos de sociabilidade, mais locais e mais baseadas em vizinhança do que as redes dos indivíduos de classe média. No entanto, elas apresentam características semelhantes em São Paulo e Salvador, com exceção do maior localismo e da maior atividade relacional em Salvador e das redes um pouco maiores e mais variadas em São Paulo. Essas diferenças podem ser causadas pela menor oferta de vínculos devido ao maior localismo, levando a redes menores, porém mais densamente conectadas. (MARQUES, 2013:05)

Segundos dados da FASFIL19 existem no Brasil 290.692 associações sem fins lucrativos, delas 44% estão na região sudeste do país, sendo que 28% tem cunho religioso 82.853 entidades.

O predomínio de associativismos religiosos no Brasil não é novidade, já em 1975, autores como Michel Coniff estudavam o fenômeno. O motivo do predomínio de associativismos religiosos está focando na obtenção de elementos espirituais e matérias, para o autor o indivíduo que a ela se associa busca o benefício de sua comunidade (56%), transformando a religião em instrumento para tal fim. (AVRITZER, 2005:20) O autor continua, declarando que a maioria das participações em associativismos

18 MARQUEZ, Eduardo. Pobreza, sociabilidade e tipos de redes sociais em São Paulo e Salvador.

Disponível em: http://www.fflch.usp.br/centrodametropole/upload/aaa/273- Marques_VisioniLA_8_2013.pdf. Acesso em: 1 de abril de 2014.

19 Mapeamento das Fundações Privadas e Associações Sem Fins Lucrativos. Disponível em:

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts/00000011164912102012492305590017. pdf acessado em: 2 de Abril de 2014.

religiosos são experiências coletivas voltadas para ação social, e não para acumulação de bens espirituais individuais.

É possível, portanto, apontar as seguintes características no associativismo paulistano: ele é predominantemente religioso, ainda que nossos dados permitam apontar importantes diversificações no padrão e associativo, expresso principalmente no chamado associativismo popular. (AVRITZER, 2004:20)

Tanto o associativismo religioso, quanto as redes sociais provenientes delas geram impacto na vida das pessoas em vulnerabilidade social. Normalmente as pessoas buscam relacionar-se com seus pares, ou seja, manter contato com indivíduos com características sociais e atributos similares (MARQUES, 2007:36). Dessa forma, indivíduos que conseguem estabelecer contatos entre círculos sociais diferentes, normalmente adquirem mais capacidade de mobilidade social.

A relevância das redes sociais e o associativismo religioso está anexo a fatores identitários, principalmente para pessoas em vulnerabilidade social. Em uma cidade que lhes nega cidadania, o associativismo e as redes sociais servem como estruturas auxiliares na aquisição da luta pela cidadania, sobrevivência metropolitana, ajuda mutua, aquisição de bens simbólicos e matérias, além de estruturas de oportunidades e a possibilidade de ascensão social.

Em seguida analisaremos a história da origem do distrito de Vila Prudente, focando nos fluxos migratórios existentes na região e sua adequação dentro do contexto de mobilidade espacial, dessa forma, podemos adiantar que a existência de migrantes na região foi essencial para a formação do distrito e do bairro, assim como a formação dos núcleos urbanos que ainda hoje fazem parte do local.